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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Foi Show: Mestre Vieira no Theatro da Paz (2º dia)

Making off da gravação do documentário Coisa Maravilha
- da esquerda para a direita: MG Calibre, Mestre Vieira, 
Luiz Félix Robatto, Pio Lobato e Felipe Cordeiro


Se o primeiro dia da gravação do DVD comemorativo aos 50 anos de carreira de Mestre Vieira, anteontem à noite no Theatro da Paz (Belém), teve mais cara de show, ontem o segundo e último dia teve mais cara de gravação de DVD, com várias interrupções e repetições, diferentemente do que ocorrera na véspera. O que não quer dizer que não tenha sido um bom espetáculo; foi sim, com certeza, primeiro porque o público estava ali para isto mesmo - participar da gravação do DVD de um dos maiores nomes da  música brasileira; segundo, porque era de fato difícil superar em emoção o reencontro de Vieira com sua antiga banda, Os Dinâmicos, tocando diante de uma plateia na qual havia uma caravana vinda de Barcarena, sua terra natal. 

Já na abertura o diretor musical do espetáculo, Luiz Félix Robatto, advertiu o público para que evitasse vibrar demais, pois na véspera a estrutura mais-que-centenária  do local balançara muito. Não foi preciso repetir o aviso. O que foi preciso repetir, e por duas vezes, foi a terceira música da noite, na parte que Vieira estava tocando com a banda base formada por Elvis Jr. e Givaldo Pastana (guitarras), Adalberto Jr. (baixo), Ulisses Cavalcante (teclado), Junior Dusik (bateria) e Itanaã Figueredo (percussão). A primeira repetição foi porque faltara um ajuste melhor de luz para captar a imagem do Mestre tocando. A segunda, pasmem, foi porque quando o Mestre voltou a tocar o técnico esqueceu de apertar a tecla "REC"! 

Além desta banda, outras duas acompanharam Vieira na noite desta quinta. A segunda foi a atual Mestres da Guitarrada, que acompanha o Mestre nas turnês - Pio Lobato (guitarra), Breno Oliveira (baixo), Vovô (bateria) e Otávio Gorayeb (percussão). Foram três músicas. Destaco a terceira, em que houve uma significativa alteração em relação ao restante do show, no qual invariavelmente o Mestre apresentava o tema nos primeiros acordes e seguia solando, enquanto os outros músicos seguiam no acompanhamento. Desta feita, a banda iniciou o tema, puxado para o rock'n'roll, e Vieira interviu já alguns compassos depois, assumindo o solo sobre a base roqueira. 

Em seguida foi a vez da participação de dois grandes guitarristas, pai e filho, Manoel Cordeiro Felipe Cordeiro. Felipe de fato se esforçou para estar presente, já que participou de dois shows em São Paulo terça e quarta e faz outros dois shows solo no Rio de Janeiro sexta e sábado, tendo vindo a Belém apenas para participar desta homenagem a Vieira. É compreensível, afinal ele mesmo declarou num depoimento ao documentário Coisa Maravilha, de Luciana Medeiros, com lançamento previsto para outubro: "Eu aprendi a tocar guitarra para tocar guitarrada."  O Trio Manari também participou da gravação da música com os Cordeiros, e seguiu no palco para acompanhar o número seguinte, um choro que Vieira tocou ao lado dos violonistas Sebastião Tapajós e Paulinho Moura. Este foi mais um tema cuja gravação precisou ser repetida. 

Também marcou presença Mestre Curica, parceiro de Vieira na primeira formação dos Mestres da Guitarrada (2003-08). Foram três músicas das quais Curica participou tocando seu banjo. A terceira, num ritmo ternário de sabor lusitano, fez pessoas na plateia ensaiarem passos do vira.

Dali a pouco, Vieira chegou a começar uma música com a banda base, mas interrompeu para falar com alguém da produção, retomando a gravação em seguida. Possivelmente fora se certificar da entrada de Gaby Amarantos, a única participante cuja entrada não foi anunciada ao microfone. Foi merecidamente uma das participações mais aplaudidas. 

No bloco que se seguiu, com Vieira e a banda base, que incluiu "Guitarra Magnética", o tema principal do CD Guitarrada Magnética, de 2009, houve uma interrupção prolongada, para que Vieira trocasse uma corda da guitarra. 

A partir dali, o segmento final foi só emoção, com a entrada em cena da terceira banda, formada por três filhos do Mestre (Kim Vieira, percussão; Waldecir Vieira, bateria; Wilson Vieira - teclado) e um neto seu (Erick Vieira - percussão). Com a entrada desta outra formação, o ritmo das canções ficou mais acelerado, numa pegada mais roqueira. Perto do final, o Mestre aproveitou para mostrar suas habilidades de tocar a guitarra com objetos em vez da palheta - Kim lhe alcançou uma lanterna, um celular e uma escova de cabelo. Vieira também caminhou pelo palco, tocando a guitarra nas costas, sendo muito aplaudido. 

Findas as gravações, o material deve ser editado, com vistas ao lançamento em outubro, mês de aniversário de Vieira, quando também deverá sair o documentário Coisa Maravilha


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