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sexta-feira, 11 de maio de 2012

O Brasil (re)descobre o Brasil


Por Aíla*
Aíla por Bruno Pellerin
Por muitas décadas, a música produzida no Pará esteve à margem dos holofotes do dito jornalismo “nacional” e, dessa forma, sempre apareceu muito timidamente nos noticiários Brasil afora.
Existem várias teorias que buscam justificar este fato. Alguns alegam que na Amazônia nunca existiu uma integração tão forte quanto hoje, entre artistas, músicos, produtores, governo etc. Outros dizem que o distanciamento geográfico sempre foi um entrave para a Região Norte, pois os famosos custos amazônicos eram infinitamente mais altos para um artista fazer seu trabalho circular nos demais estados, os preços das passagens aéreas (ou mesmo de ônibus) sempre foram uma grande dificuldade encontrada.
Eu, particularmente, acredito que o Pará nunca viveu um momento de tanta produção, com qualidade, em conjunto. Vários CDs sendo produzidos e lançados ao mesmo tempo, desde 2011. Posso citar, rapidamente, alguns discos de grandes amigos, como o ‘Treme’, de Gaby Amarantos; o ‘Kitsch Pop Cult’, de Felipe Cordeiro; o CD de Dona Onete, Rainha do Carimbó Chamegado (com letras de amor e sensuais) e o CD do Mestre Manoel Cordeiro, que estão prestes a serem lançados também, fora tantos outros que estão por vir. Coincidentemente, todas essas produções têm origem no mesmo diálogo, de fazer música com um pé na cultura tradicional paraense: carimbó, guitarrada, zouk, lambada, brega, tecnobrega etc. E isso só vem reafirmar uma força que estava, em sua maioria, escondida e guardada no interior de vários artistas.
Para além da universalização da cultura de massa do Pará, em especial o popular tecnobrega, melhor mesmo seria ver a grande origem de onde transbordam essas referências, a periferia de Belém, ser retroalimentada de toda essa efervescência. Afinal, a cultura tem o poder de transformar as realidades sociais.
O momento que vivemos hoje — nós, artistas do Pará — é muito especial. Temos a oportunidade de mostrar um pouco das tantas coisas boas desse estado, não só musicalmente, mas também na gastronomia, nas artes visuais, no cinema, na fotografia, tudo convergindo. Sem dúvida, ainda tem muito para acontecer, esse é só o começo, o começo de uma história de (re)descobrimento do próprio Brasil pelo Brasil... E quem está aí para o ‘custo amazônico’ em uma hora tão especial como essa?
Aíla é cantora e compositora e está lançando o CD ‘Trelelê’

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