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sábado, 5 de maio de 2012

Diz Aí: Natália Matos

Som do Norte - Natália Matos, ano passado você fez seus primeiros shows solo em Belém, e pouca gente sabe que você é arquiteta de formação. Um dos seus mais recentes trabalhos nessa área foi na exposição Viva Elis, aberta no dia 14 de abril em São Paulo. Como foi exatamente sua participação na montagem? E o que Elis Regina significa pra você? 

Natália Matos - A idéia dessa exposição é do curador, Allen Guimarães, que, junto ao João Marcelo Bôscoli (filho de Elis Regina e diretor da Trama), procurou o escritório onde eu trabalhava, o Artifício, especializado em exhibition design. Assim, a partir do vasto conteúdo trazido por eles (que me fez até chorar na primeira reunião), demos início ao processo de desenvolvimento projetual da exposição, que durou cerca de 3 meses até entrarmos em produção e montagem. A exposição trouxe a possibilidade de trabalhar de perto com o material de uma artista que é a maior referência pra mim desde os meus quinze anos, quando descobri a emblemática gravação de "Como nossos pais" (Belchior). Descobri e ainda gravei num CD da Escola de Música da UFPA, o que só aconteceu pois de início ainda não tinha noção do valor e significado da obra da Elis. Cantar seu repertório é coisa frequente, quase que diária, mas hoje em dia regravá-la seria um pouco mais delicado, tendo em vista que eternizou tudo o que cantou. Com signo e altura iguais aos dela, não tiros os olhos de Elis, e não contenho a emoção que ela faz transbordar. Elis é ídola eterna. Meu amigo Fernando Eduardo registrou uma brincadeira à capella feita especialmente para essa entrevista. Fizemos lá na exposição Viva Elis!

 

Som do Norte - Suas últimas apresentações foram no começo de março, uma participação no pocket show do Felipe Cordeiro na Livraria Cultura, e pouco antes um show solo no Teatro da Vila, ambos em São Paulo. Há novos shows ou participações já agendados? 

Natália Matos - Esse show no Teatro da Vila foi uma experimentação de um repertório que pretendo continuar moldando para os próximos shows. É algo que traz o nosso "sangue caliente" à tona. Transita ritmicamente na música paraense com suas influências caribenhas, traz canções de compositores paulistanos, baianos, mas se integra, apresenta unidade, pelas temáticas quase sempre intensas e quentes. Pretendo repetir esse show em breve por aqui por São Paulo, e quem sabe na minha terra. Estarei em Belém no dia 26 de maio pra uma participação no show de um novo compositor, Felipe Ribeiro. Será no Sesc Boulevard. 

Natália Matos em seu primeiro show solo
- Belém, 12.10.2011

Som do Norte - Recentemente, você publicou no Soundcloud uma canção de sua própria autoria, "Leve o Peso". Você tem composto? Podemos esperar outras gravações em breve? 

Natália Matos - Sempre escrevi, mas de uns tempos pra cá dei pra dar atenção a umas melodias que me saem. Tenho composto com frequência e soltei essa primeira cria para ver no que dava. Parece que o pessoal gostou! Já tem outras no gatilho para registrar e ir mostrando aos poucos. 

Som do Norte - Quais são seus projetos para 2012?

Natália Matos - Me preparar para a gravação do meu primeiro disco. Enquanto o projeto não sai a gente faz a nossa parte: estuda, estuda, estuda... Esse estudo diz respeito desde a pesquisa de repertório (um dos maiores prazeres que existe), diálogo com músicos, até ir a shows de gente nova ou consagrada, coisa que faço sempre. É minha pesquisa de campo (risos). Também estou me preparando pra fazer mais shows nesses próximos meses, podendo experimentar mais no que diz respeito a repertório, linguagem e formação de banda. Assim pretendo definir a cara que quero para esse primeiro trabalho. Caminho cantando!

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