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domingo, 18 de março de 2012

Foi Show: Felipe Cordeiro em São Paulo

São Paulo - Foi um grande sucesso o show de lançamento nacional do CD Kitsch Pop Cult, de Felipe Cordeiro, nosso "Disco do Mês" de março. O show que eletrizou o público presente no teatro do SESC Vila Mariana, aqui na capital paulista, contou com as participações especiais de André Abujamra e de Lia Sophia (acertada horas antes do espetáculo). Os dois estão na foto de Ana Guimbal: Lia com a guitarra à direita, e André na percussão, ao fundo, no centro da imagem.

Choveu muito no começo da noite dessa quinta, 15 de março, aqui em São Paulo. Tanto que o próprio Felipe, durante o espetáculo, fez uma brincadeira lembrando as famosas chuvas diárias de Belém. Com certeza, a chuva contribuiu para diminuir o comparecimento do público - mesmo assim, o teatro recebeu o equivalente a dois terços de sua lotação.

Quem foi, presenciou sem sombras de dúvidas um belíssimo show. Felipe entrou no palco bastante seguro e mandou logo "Legal e Ilegal". O set seguiu com as canções do Kitsch Pop Cult que têm letra maior, como "Café Pequeno", "Embaraço" e "Historinha" - estas duas últimas Felipe nunca havia cantado em show, e seu arranjo estava um pouco modificado em relação ao disco, os solos tiveram um pouco mais de balanço do que na gravação. Após tocar uma instrumental, Felipe seguiu com "Conversa Fora" e "Fanzine Kitsch"- esta também teve sutis modificações: Felipe incluiu um vocalise fazendo a onomatopéia do riff ("Timdonden-timdondondondonden", algo assim) e após o verso "Lembra que você me disse?" as novas vocalistas Ju Caldas e Melina Mulazani fizeram um contracanto "Lembra? Lembra? Lembra?".

Quando Felipe atacou "Dias Quentes", um pequeno grupo de espectadores já havia deixado as cadeiras do teatro para dançar à esquerda do palco. O grupo foi crescendo e até o final do show já havia outro à direita. O que é perfeitamente compreensível, afinal é preciso muita disciplina pra ficar parado ouvindo temas como "Lambada com Farinha" - confira.



Até aqui, todas as músicas eram de autoria de Felipe, algumas em parceria. Dali em diante, predominaram composições de outros autores. Abrindo essa segunda parte, o momento mais ousado do show, em que Felipe larga a guitarra e, com o microfone em mãos, desce do palco para cantar junto com pessoas da plateia "Eu Quero Gozar", de Alípio Martins. Uma pena que a equipe de iluminação do teatro não colaborou nesta hora - não foi acesa uma luz geral no teatro, o que impediu que boa parte dos espectadores acompanhasse melhor. No restante do show, a luz esteve impecável (bem como o som), o que contribuiu para o sucesso do lançamento do artista paraense.

Seguiu-se outra instrumental, "Fim de Festa", de Manoel Cordeiro, pai de Felipe e presente no show, tocando guitarra. Pai e filho protagonizaram aqui uma bela conversa de cordas (aliás, é bom dizer que ao longo do show os papéis se alternaram, ora Felipe fazia a base para o solo do pai, ora era Manoel que fazia o mesmo pelo filho). Logo depois, Felipe apresentou em pot-pourri "Marcianita", sucesso lançado por Sérgio Murilo, e "Moça Bela", outra de Alípio Martins. Chamou então ao palco André Abujamra, com quem dividiu os vocais de "Alma não Tem Cor". Abujamra agradeceu o convite para o show e também saudou o DJ Patrick Tor4, que um dia lhe apresentou o som de Felipe, abrindo o caminho para que ele (Abujamra) viesse a ser o produtor do CD Kitsch Pop Cult.

Terminada o que seria a sua participação no show, Abujamra disse que iria ficar até o final, porque com ele não tem essa coisa de sair do palco. Assim, foram três as guitarras que mandaram bala em "Fogo da Morena", a única música do CD que não havia sido tocada até então. Dessa balançadíssima música, passou-se a um pot-pourri de carimbó que incluiu temas como "Sinhá Pureza", de Pinduca. O fervo do público já fazia o teatro do SESC Vila Mariana parecer uma extensão de Belém, e era impossível Felipe simplesmente agradecer e encerrar o espetáculo (como de fato fez nessa hora) sem que todos explodissem em pedidos de bis.

Ainda bem, porque não houvesse bis, talvez não tivéssemos a participação de Lia Sophia, que cantou seu carimbó "Ai Menina", já sucesso nacional por estar na trilha de Amor Eterno Amor, e dividiu com Felipe os vocais de nova execução de "Fogo da Morena". A esta altura, Abujamra já havia largado a guitarra e ido para junto de Javier Ibañez reforçar a percussão nessa apoteose final, em que praticamente todo mundo se levantou da cadeira e dançou a valer.

Devo registrar as ilustres presenças na plateia dos produtores Miranda e Taísa Fernandes, do empresário Ná Figueredo, das cantoras Patrícia Bastos e Natália Matos, do jornalistaCarlos Lobato, da atriz Patusca (ex-apresentadora do programa Protótipo, da ORM Cabo). Boa parte do público era formado por paraenses. Uma delas era Ana Guimbal (que fez as fotos deste post), que atualmente mora em Araraquara. Outra era Bruna Giannone, natural de Belém, e que reside em Sorocaba, tendo ido a São Paulo unicamente para ver este show. Ela me contou que conheceu o trabalho de Felipe pela internet (inclusive tem lido sobre ele no Som do Norte) e desde então tinha muita vontade de ir num show dele.
  • Os saltos - Esse show em São Paulo representa um divisor de águas na carreira de Felipe Cordeiro. Eu considero - e já disse isso a ele - que seu show no Acordalice Bar (Belém), em junho de 2010, representou um salto quântico em relação à fase anterior de sua carreira - ele deixava de ser basicamente um compositor-violonista de MPB para se concentrar em seu projeto que resultou no CD Kitsch Pop Cult, passando a cantar e tocar guitarra, incorporando a seu trabalho elementos pop e kitsch (o cult já estava lá). Também deixou de acompanhar vários nomes da noite belenense para, num primeiro momento, seguir trabalhando apenas com Aíla e, posteriormente, passar a integrar também a banda de apoio de Iva Rothe. Pois o show do SESC Vila Mariana representa o salto dentro do salto, pois nele Felipe promoveu uma série de mudanças pontuais a fim de garantir a continuidade do projeto. Isto tornou o show um desafio. Além de renovar a banda (afora as novas vocalistas e os músicos já citados, passam a acompanhá-lo também Marcio Teixeira à bateria e Klaus Sena no baixo), Felipe também contou com o produtor gaúcho Carlos Eduardo Miranda na direção do show, o que certamente contribuiu para deixá-lo mais solto em cena (a ponto de fazer aquele descontraído número de plateia em "Quero Gozar"). Miranda também definiu um novo papel para as backing vocals de Felipe, que agora ficam fixas junto ao microfone (Melina inclusive toca duas maracas). Foi também o primeiro show do Kitsch Pop Cult em teatro. Enfim, desafio plenamente superado, Felipe se credencia para vôos mais altos. A partir do mês que vem, deve se fixar em São Paulo para facilitar a circulação do show com a nova banda.
  • Livraria Cultura - No dia seguinte, sexta, 16 de março, Felipe e Manoel Cordeiro fizeram um pocket show no auditório da Livraria Cultura do Bourbon Shopping, diante de um público (infelizmente) muito pequeno. Felipe aproveitou para apresentar músicas fora de seu repertório habitual, como um choro de Waldir Azevedo, com o qual iniciou os trabalhos. Depois seguiu com algumas das músicas mais balançantes do CD, como "Legal e Ilegal" e "Fogo da Morena", além do pot-pourri de carimbó que havia apresentado no show da véspera. Houve ainda duas maravilhosas participações especiais. Primeiro, tivemos Felipe cantando com Natália Matos uma música de Dona Onete, "Lua Namoradeira". Depois, Patrícia Bastos apresentou uma inédita de Felipe, "Mais Uma", que fala de uma mulher que pede para integrar o harém de seu amado, garantindo que não haverá problemas pois ela não é ciumenta... "Mais Uma" estará no CD Zuluza, que Patrícia grava atualmente em São Paulo. É a primeira música que Felipe fez para outra pessoa gravar depois do salto quântico (as canções que entraram no CD Trelelê, de Aíla, já estavam prontas quando Felipe deu a grande guinada em sua carreira).

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