Aqui se fala do som dos estados do Norte do Brasil: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Na Rede: Vêm aí as Noites Som do Norte Boa Vista

Nessa madrugada, a última do ano, nosso parceiro Victor Matheus (da banda Veludo Branco) publicou no blog RoraimaRocknRoll seu balanço de 2012. Ali, além de agradecer minha participação como colunista do blog, ao lado de César Matuza e Ellen Carmen, e também do papel do Som do Norte como responsável por "lançar para o mundo os produtos do SELO RORAIMAROCK DISCOS", aproveitou para divulgar em primeira mão nosso projeto comum para 2013 - as Noites Som do Norte Boa Vista. Leiamos. A foto que ilustra o post foi tirada durante o Festival Casarão, em Porto Velho, em setembro passado. 

***

SENTA A PÚA - RORAIMAROCKNROLL 2012: O QUE FICA?



Em 2013 daremos continuidade aos projetos consolidados, entre eles o RORAIMAROCKNROLL - A FESTA, o HEY HO! LETS GO! e o SKINNI ROCK FESTIVAL BOA VISTA. Também realizaremos novos sonhos, com o lançamento em maio, pelo SELO RORAIMAROCK DISCOS, da coletânea RORAIMAROCKNROLL VOL.1 com participação confirmada de 6 bandas locais, entre elas GARDEN, IECUANA, VELUDO BRANCO, SHEEP, JAMROCK e DITAMBAH. Também daremos mais um passo nos projetos desenvolvidos com nosso parceiro SOM DO NORTE, iniciando em 2013 as NOITES SOM DO NORTE em Boa Vista.


Fábio Gomes (Som do Norte) e Victor Matheus (Roraimarocknroll)
Em 2013 o Blog Roraimarocknroll promoverá em BV as NOITES SOM DO NORTE
evento do portal SOM DO NORTE do jornalista FABIO GOMES

***

Bueno, e como serão as Noites Som do Norte Boa Vista? Por ora, só podemos dizer que a previsão é iniciar já no primeiro trimestre de 2013, com pretensões de ser um evento regular no calendário musical da cidade. Sim, musical, e não roqueiro, apenas; a idéia é retomar o espírito inicial das Noites Som do Norte Belém, que começaram em setembro de 2010 juntando MPB e rock. 

Música do Dia: Sentimento do Mundo

Logo que eu vim morar em Belém, em junho de 2010, conheci o Gabriel Gaya, que convidei para discotecar na 2ª Noite Som do Norte, realizada em outubro daquele ano no Café com Arte. Na verdade, a idéia é que ele já tocasse na primeira, que lotou em setembro o (hoje extinto) Bocaiúva Café. Entre um contato e outro, Gabriel volta e meia me convidava para assistir aos ensaios de sua banda Les Rita Pavone, mas por variados motivos, nunca consegui ir. E durante muito tempo não voltei mais a ouvir falar da banda. 

Foi então uma grande e agradável surpresa saber do lançamento, na sexta, 28 de dezembro, do seu primeiro single, "Sentimento do Mundo". Seria um rock? Não, não, é uma marcha-rancho - gênero que, praticamente criado por Chiquinha Gonzaga em 1899 com "Ó Abre-Alas", teve a última grande voga nos anos 1960-70, com sucessos como "Máscara Negra" (Zé Kéti - Pereira Matos, 1967), "Noite dos Mascarados" (Chico Buarque, 1967) e "Bandeira Branca" (Max Nunes - Laércio Alves, 1970), e tem freqüentado pouco nossos ouvidos desde então. Uma bela estreia, que venham mais sons da banda em 2013! 





FICHA TÉCNICA
Les Rita Pavone é:
Rafael Pavone
Gabriel Pavone
Mateus Pavone
Violão nylon: Rafael Pavone
Voz: Rafael Pavone
Baixo: Mateus Pavone
Bateria e Piano: Patrick Carvalho
Viola: Armando de Mendonça (Jesus)
Saxofone: Lurralle Amaral
Backing Vocals: Larissa Xavier e Larissa Leite
Coro Infantil: Beatriz Maués, Cecília Maués e Yasmin Florêncio
Projeto Gráfico: Renata Moreira
Produção musical e Arranjos: Les Rita Pavone, Patrick Carvalho
Edição, mixagem, masterização e programações: Marcus Brito
Gravado nos Estúdios Santônio Records e de Patrick Carvalho
Produção executiva: Les Rita Pavone

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Foi Show: Madame Saatan - Até o Fim

Se houver uma cadeira de Condução de Show em alguma faculdade que tenha curso superior de Rock ou de Música Popular, seus diretores deveriam ter filmado o show que Madame Saatan apresentou em Belém nesta sexta, 21 de dezembro, para posterior estudo em sala de aula - sim, porque mais uma vez Sammliz mostrou que é de fato uma frontwoman, como consta de seu perfil pessoal no Facebook. 

O show de Madame encerrou a festa intitulada "Até o Fim" (nome de uma das canções do segundo disco da banda, Peixe Homem, lançado em 2011), que contou ainda com A Válvula, Letrac, Johnny Rockstar e Hope (todas paraenses; a segunda e a última atualmente residem em São Paulo, assim como Madame Saatan). O nome do evento fazia uma alusão ao propalado fim do mundo, que aconteceria nessa sexta (e que, como vocês bem sabem, não se confirmou). Mas às 23h, quando a sonzera começou, com o show d'A Válvula, a piada já estava tão velha que nem se fez menção ao "fato".



Madame Saatan não tocava em Belém desde setembro do ano passado, quando fez o show de lançamento de Peixe Homem  no Pier das Onze Janelas. Na ocasião, a banda estava com sua formação completa - Sammliz (voz), Ed Guerreiro (guitarra), Ícaro Suzuki (baixo) e Ivan Vanzar (bateria) -, o que não pôde se repetir na sexta, pois Ivan está morando em Porto Alegre, e Ìcaro ainda não foi liberado pelos médicos a voltar aos palcos (pra quem não lembra, ele sofreu um acidente, sendo atropelado por um delegado no começo de outubro). Em seus lugares, entraram respectivamente Wagner Nugoli e Vinci, ambos da banda Hope, que tocou logo antes de Madame.


Perguntar quem tinha ido no show do Pier foi uma das primeiras coisas que Sammliz fez na sexta, bem como pedir para ajustar a luz de modo que ela pudesse ver rostos conhecidos na plateia (e até cumprimentar alguns que chegou a reconhecer). Enfim, demonstrava estar totalmente em casa (tanto por estar no palco, quanto por ele ser em Belém). Após um início de show arrasa-quarteirão, com "Respira", "Fúria" e "Sete Dias", Sammliz fez uma homenagem a Ícaro Suzuki, pedindo uma salva de palmas ao baixista da banda. Espontaneamente, a galera emendou na homenagem o canto de um versinho contra o atropelador do músico ("Ei, delegado, vai tomar no cu!/ Ei, delegado, vai tomar no cu!" ...). Em seguida, Sammliz interpretou a canção-tema do evento, "Até o Fim", e logo depois "Cicatriz", fechando assim esse primeiro bloco só com músicas de Peixe Homem (e quase na mesma ordem do disco, só invertendo "Até o Fim" e "Sete Dias"). O tempo todo tanto Sammliz quando Ed (outro que teve uma noite inspiradíssima, quebrando tudo em sua guitarra) estavam quase sempre na beirinha do palco, incentivando & curtindo a roda & o circle pit.



Logo após terminar "Cicatriz", Sammliz sentou no praticável da bateria para tirar as botas, e assim que retomou o microfone saudou a banda Madame Saatan Cover e também as caravanas que vieram do interior para curtir o show, referindo-se especialmente à galera de Santa Luzia do Pará, cidade a 200 quilômetros de Belém. A caravana fez chegar até o palco o banner que elaborou saudando a banda em nome da cidade, tendo figuras inspiradas na capa do primeiro CD, de 2007.



Em seguida, Sammliz pediu para a técnica baixar a luz principal, deixando só as luzes de trás do palco, criando o clima intimista para cantar "Molotov". Luz normal novamente, voltou então ao repertório do disco novo, com "Moira", que emendou com "Gotas em Caos", anunciado como "essa é muito doida!" e arrematado por um grito de comando à la Gaby Amarantos: "Treme!".



Nessa hora a vocalista acabou pedindo pra descansar um pouco, afinal o show já estava passando da metade. Algum fã pediu que ela cantasse "Insônia", que por estar fora do roteiro ensaiado, Sammliz começou a cantar à capella, parando em seguida por ter se atrapalhado (e ainda levando o fato na esportiva, "como é que eu posso errar minha própria letra?"). Retomou então o show com "Devorados", ao fim da qual pegou uma garrafa de água e despejou o conteúdo na própria cabeça (sequência de fotos abaixo), só depois se dando conta de que poderia levar um choque ao pegar o microfone de volta. Com o OK da técnica, que garantiu que não haveria choque, Sammliz atendeu novo pedido da galera, que queria ouvir "Cine Trash".





Foi então que mais se mostrou presente o espírito de condução de show de Sammliz. Faltava uma música para encerrar o set list e o baixista Vince sinalizara que os tendões de seus braços estavam doendo, pois ele já estava tocando no segundo show seguido (tocara com Hope logo antes). Sammliz perguntou se havia algum baixista na plateia que soubesse tocar "Velas". Aí lembrou-se do Madame Saatan Cover, e convidou seu baixista a subir ao palco.


Raoni, Sammliz e Ed

Quem atendeu ao convite foi Raoni, baixista das bandas Lord Byron e Ut Opia, que mandou bem na interpretação de "Velas", sendo saudado por Sammliz:


- Égua, menino, tu salvaste a pátria! 

No que Raoni deixou o palco, um rapaz pulou e foi abraçar Sammliz, sendo retirado pelos seguranças sem maiores incidentes. E a tudo isso, todos nós gritando "Mais um, mais um!", mas não rolou. A aula magna de como conduzir um show de rock, by Sammliz, já havia encerrado.




Destaques dos shows anteriores: A Válvula contou com a participação do vocalista Beto Gota, da Aerolito, numa música inédita. *** Johnny Rockstar fez um show pra cima e dançante, como o habitual; pra mim foi o melhor show da noite, afora obviamente o de Madame Saatan. O final foi com toda a galera do Gold Mar cantando a plenos pulmões "Alcalina" e "Monoral". *** Já Hope aproveitou a rara ocasião de tocar em Belém para mostrar as músicas do seu primeiro CD, que lança em breve.





Agradeço a Sammliz o contato feito com Gabriel Portella, pedindo-lhe que enviasse fotos para ilustrar nosso post; e também agradeço ao Gabriel a cessão das fotos.


terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Lia Sophia lança o clipe oficial de "Ai Menina"

Na véspera do Natal, Lia Sophia lançou no YouTube o clipe oficial de seu maior êxito até agora, o carimbó "Ai Menina", que se tornou sucesso nacional após ser incluído na trilha da novela da Globo Amor Eterno Amor. Mas a música tem pelo menos dois anos, foi lançada no 2º Baile BregaChic, em dezembro de 2010, evento do qual eu fui o assessor de imprensa. 

No clipe, dirigido por Priscilla Brasil, Lia canta, toca e dança - em alguns momentos, quem aparece dançando com ela é a jovem cantora Camila Honda. 


segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Baixe o Pacotão Download Som do Norte 2012

Como vocês sabem, todo final de ano a gente aqui no Som do Norte pensa em fazer algo especial pra vocês, algo que seja representativo da música nortista no ano que passou. Em 2009, fizemos a votação da "Música do Ano", em 2010 tentamos fazer a votação de vídeos via YouTube (que não deu certo), e ano passado abrimos inscrições para as bandas enviarem músicas para entrarem no CD Som do Norte 2011 . 

Cheguei a pensar em reeditar a ideia este ano, mas depois me dei conta de como lançamos pelo blog, com primazia ou mesmo exclusividade, vários CDs/EPs, que constituem uma coleção bem abrangente e representativa do que se fez em termos de música no Norte em 2012. Foram ao todo 14 discos virtuais, que listamos abaixo, com os respectivos links para ler a respeito, ouvir online e baixar gratuitamente. Além disso, ao final do post há um link para baixar o Pacotão completo - são 73 músicas, com 4h36 de música nortista da melhor qualidade, com rock, MPB, reggae, tecnobrega, samba, choro, beradagem, música romântica... Tem pra todos os gostos! Enfim, uma seleção daquelas que só o Som do Norte faz pra você. Tanto que apostamos nessa coletânea não apenas para o final do ano. A partir de 3 de janeiro, este pacotão figurará como nosso "Disco do Mês", comemorando nossos 41 meses i-nin-ter-rup-tos no ar! :) 

Em tempo: preservamos o som original de cada lançamento, assim se você selecionar o pacote completo para audição poderá haver oscilações de volume. 


1 - Xirley Xarque - Gaby Amarantos (PA)
Lançamento no blog - 1.1.12
Baixe em http://pagsocial.com/d/0FR.aspx

O EP lançado por nós reunindo as 3 primeiras faixas liberadas do CD Treme foi destaque no site La Cumbuca. O CD saiu oficialmente em maio, pela Som Livre. 





2 - Planeta Beradelia - Beradelia (RO)
Lançamento - 7.1.12
Ouça no Música do Norte
Baixe em http://pagsocial.com/d/0HI.aspx

O CD de estreia do grupo de Rondônia foi nosso Disco do Mês de janeiro, obtendo grande sucesso no blog Música do Norte, onde foi o post mais visitado durante boa parte deste ano. 















3 - Sub Off - Sub Off (PA)
Lançamento - 14.3.12
Baixe aqui

O EP de estreia do grupo de Capanema, interior do Pará, que escolheu o Som do Norte para lançar seu disco. Posteriormente, o grupo assinou com o selo Som Independente, e teve seu trabalho elogiado por Thiago Barizon, do Blog da Identidade Musical. 


4 - Gaby Amarantos no Conexão Vivo Belo Horizonte 2012 (PA)
Lançamento no blog - 23.5.12
Ouça e baixe aqui (o download é faixa por faixa pelo Soundcloud)

Show lançado com exclusividade pelo Som do Norte. O show foi gravado em 10 de maio, data em que o CD Treme chegou oficialmente às lojas. Destaque para o raro dueto ao vivo de Gaby com Fernanda Takai em "Pimenta com Sal", de Eliakin Rufino. 



5 - A Primeira Viagem - Jamrock (RR)
Lançamento - 1.6.12
Ouça no Música do Norte
Baixe: http://pagsocial.com/d/1OK.aspx

EP de estreia da banda de Roraima, um dos maiores sucessos da história do Som do Norte - mais de 100 downloads nas primeiras 3 horas! Lançado simultaneamente com o blog da banda e o Música do Norte. 




6 - Um Dia Todos Iremos nos Apaixonar, Mesmo que Seja pela Pessoa Errada - Turbo (PA)
Lançamento no blog - 12.6.12
Ouça aqui 
Baixe: http://pagsocial.com/d/1T9.aspx 


EP lançado pela Turbo com exclusividade através do Som do Norte, especial para o Dia dos Namorados.





OSTIN - Reflito7 - Reflito - Ostin (RR)
Lançamento no blog - 16.6.12
Ouça aqui 
Baixe: http://pagsocial.com/d/1UD.aspx 


Single gravado em 2011, mas lançado apenas este ano. Participação especial no baixo de Hugo Pereira (da Jamrock), um dos autores da canção ao lado de Edson Lepletier. 




Choramingando ao vivo na Praça da República8 - Choros ParaensesGrupo Choramingando ao vivo (PA)
Lançamento no blog - 19.6.12
Ouça aqui 
Baixe: http://pagsocial.com/d/1W2.aspx 



EP extraído do show realizado pelo grupo no centro de Belém em 2011. O lançamento exclusivo do Som do Norte destaca choros de autores do Pará, pouco difundidos nacionalmente.




9 - Apocalipse Karajá - Banda Amazônica (AM)
Lançamento no blog - 21.6.12
Single lançado com exclusividade, a pedido da banda. A música, uma toada de boi, foi regravada num arranjo heavy metal. A gravação foi elogiada pelo autor da música, Mencius Mello.



10 - Sem Mentiras- Veludo Branco (RR)
Lançamento - 6.7.12
Ouça no Música do Norte 
Baixe: http://pagsocial.com/d/21S.aspx 



Disco do Mês de julho, foi o primeiro trabalho gravado "ao vivo" no estúdio em Roraima. Primeiro lançamento da banda após o CD de 2010.




11 - Ingrid Sato - Ingrid Sato (AP)
Lançamento - 2.9.12
Ouça no Música do Norte 
Baixe: http://pagsocial.com/d/2MA.aspx 


Disco do Mês de setembro, marca a estreia fonográfica da cantora amapaense, uma artista Som do Norte. O EP compila gravações de diferentes datas. Com "A Pausa", Ingrid venceu o festival da Assembléia Legislativa do Amapá em 2011.



12 - A Vida em Cinco Atos - Os Descordantes (AC)
Lançamento - 4.10.12
Ouça no Música do Norte
Baixe: http://pagsocial.com/d/2YI.aspx 



Disco do Mês de outubro, o primeiro da banda acreana, uma das mais destacadas da cena estadual atualmente. O lançamento conta com o apoio do Som do Norte. 



Lucimar - Belém! Pará! Brasil!(Edmar Rocha)13 - Cidades - Lucimar (TO)
Lançamento - 12.10.12
Ouça e baixe aqui (o download é faixa por faixa pelo Soundcloud) 

O single, exclusivo do Som do Norte, compila duas gravações do artista tocantinense, ambas homenageando cidades. Inclui uma rara regravação de "Belém, Pará, Brasil" por artista de fora do Pará. 




14 - Antes que o Mundo Acabe - Veludo Branco ao vivo (RR)
Lançamento - 21.12.12
Ouça aqui 
Baixehttp://pagsocial.com/d/402.aspx 


Lançamento mega-recente, que brinca no título com o anunciado fim do mundo, que não se confirmou. Único registro ao vivo veiculado pelo blog de bandas de fora do Pará. Traz uma faixa inédita em discos da Veludo: "Não Faz Assim". 



Para baixar os 14 títulos acima de uma só vez, clique no botão abaixo. Obs: o total de gravações, fotos, textos etc. soma 346 MB




domingo, 23 de dezembro de 2012

Música do Dia: Sub Balada do Noel

Elder Effe’s avatarO roqueiro paraense Elder Effe lançou neste final de ano um single natalino, reunindo duas canções especiais para a data. Uma delas, "Quando Chegar o Natal", já havia sido incluída num EP lançado pelo programa Balanço do Rock, então ainda comandado por seu fundador Beto Fares na rádio Cultura FM (Belém), no final de 2009 (relembre aqui -http://somdonorte.blogspot.com.br/2009/12/feliz-natal-com-rock.html). Escrita por Elder e gravado com sua banda à época, o Ataque Fantasma, essa faixa era a única inédita daquele EP.

Vamos ouvir portanto a inédita do atual single, "Sub Balada do Noel", onde o eu-lírico apresenta uma lista de presentes - "um cigarro, uma bebida forte, um bom vinil, um violão...", que ele merece afinal se esforçou para ser um bom moço durante o ano ;) 

Na capa do single, numas de Papai Noel, o 'modelo' foi Camilo Royalle, da banda Turbo. 


Foi Show: Tributo a Cássia Eller

Foi um grande sucesso o Tributo a Cássia Eller prestado ontem à noite pelos artistas paraenses Danniel Lima e Joelma Klaudia, no CamarIN Cultural (Belém). 



Joelma e Cássia nasceram na mesma data, 10 de dezembro. Cássia foi uma das influências para Joelma se decidir a cantar fora da igreja - a outra foi Janis Joplin -, e em função disso já havia feito um show em homenagem à colega carioca em 2010. Sua nova investida no tema na verdade se deu a convite de Danniel, que há algum tempo vinha lhe falando da ideia. Acertadas as agendas, escolhido o local, a dupla lançou-se de cabeça no tributo. No que fez muito bem, diga-se. 

A seleção cantada não se ateve aos grandes sucessos de Cássia, incluiu temas não tão difundidos, incluindo algumas ela gravou mas que são conhecidos de nós em outras vozes. Foi o caso daquele que pra mim foi o melhor momento do show, uma sequência de três canções interpretadas por Joelma - "Música Urbana", do Legião Urbana, "Eu Sou Neguinha?", de Caetano Veloso, e "Top Top", dos Mutantes (a única das três imediatamente associada a Cássia, que a incluiu em seu Acústico MTV, de 2001). Joelma soltou o vozeirão em "Música Urbana", que transformou num blues rasgado, lamentoso, poderoso (ao repeti-la no bis, incluiu um vocalise do guitarrista Figueiredo Jr.). Em "...Neguinha?", brincou com a letra, incluindo nomes de lugares como a Pedreira (bairro de Belém) e Altamira (sua cidade natal).  "Top Top", levada como rockão, contou com o coral da platéia. 



Outro grande momento foi quando Danniel, sentado na beirinha do palco, cantou "All Star" (foto acima). Danniel brilhou ainda em "Luz dos Olhos", bem como nos duetos com Joelma, em especial "O Segundo Sol", que abriu o show (logo após um rápido bate-papo entre os dois, ainda com a cortina fechada, gozando o tema do fim do mundo que não houve) e "Por Enquanto", que o público também cantou em coro com os artistas. O mesmo aconteceu em outro momento solo de Joelma: a clássica "Malandragem". 


Um quadro de Joelma Klaudia na galeria do 
CamarIN? Não, ainda não. Na parede da direita há 
espelhos que, dependendo do ângulo em que 
você está, refletem a imagem do artista no palco.


  • A lamentar, apenas o gelo absoluto em que a casa foi mantida durante o show, com o ar-condicionado ligado no máximo o tempo todo. A noite nem estava tão quente assim, até porque tem chovido forte diariamente em Belém neste dezembro. 

sábado, 22 de dezembro de 2012

Malbec lança clipe de "Calo"

Foto: Claudio Talesman

Na quarta, 19, a banda Malbec fez em Manaus o show de pré-lançamento de seu novo clipe, disponibilizado no dia seguinte no YouTube. O vídeo foi feito por Mancha, Presto e Manjaro (da equipe Pula Pirata) a partir da música "Calo", faixa 3 do recente CD Paranormal Songs. A banda Luneta Mágica também participou do show.

Na letra de "Calo", o eu-lírico lamenta a impossibilidade de falar à amada o que desejaria dizer, chegando à auto-ironia de comentar "Parece texto, nem parece verso/ (Isso que eu escrevo)". Não há, portanto, uma letra do estilo historinha com começo-meio-fim, o que sempre é um desafio para o diretor de videoclipes. A equipe Pula Pirata optou por ambientar a música numa encenação infantil, em que um príncipe encantado disputa sua preferida com um urso; os músicos da Malbec aparecem em dado momento (mascarados), representando guardiões do castelo onde a princesa fôra aprisionada. O final do clipe, quando os atores mirins já "saíram" dos personagens, surpreende.


sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Oportunidade Amapá: Grito Rock Macapá


Lançamento: Antes que o Mundo Acabe - Veludo Branco ao vivo


Chegou o dia 21 de dezembro de 2012, o tão falado dia em que, de acordo com interpretações do antigo calendário maia, o mundo acabaria (os maias, porém, não confirmam ter dito nada). E também o dia que a banda Veludo Branco, de Roraima, escolheu para lançar seu segundo CD, sendo seu primeiro registro de show - Antes que o Mundo Acabe, Veludo Branco ao Vivo

Trata-se de um show realizado em Boa Vista em pleno carnaval, no dia 5 de março de 2011. O repertório do disco traz quatro temas do CD anterior, Veludo Branco Rock'n'Roll - a faixa-título, mais "Opala Branco", "Corpete Vermelho" e "Eu sou Alcoólatra". As outras três eram inéditas na ocasião - "Ela Só Quer me Fazer Delirar" e "Sem Mentiras" entraram no EP Sem Mentiras, lançado agora em 2012, e "Não Faz Assim", que não consta de nenhum outro disco da banda e é portanto a grande novidade deste CD. 

Na época, a Veludo Branco era formada por Victor Matheus (voz e guitarra), César Matuza (bateria) e Mirocem Beltrão (baixo). Como Mirocem estava viajando por ocasião do show, a banda convocou seu primeiro baixista, Armando Bass. Desta forma, a Veludo é um raro caso de banda que tem três discos lançados, cada um com um baixista - além de Armando neste lançamento, teve Mirocem no CD de estreia, e Paulo Henrrique Veludo no EP Sem Mentiras. 

Obs: nesta arte, as faixas 6 e 7 estão invertidas. 
"Não Faz Assim" é a 6

O CD tem projeto gráfico e diagramação de Victor Matheus e Saulo Oliveira, e é lançado com o apoio do Estúdio Parixara, Som do Norte, Camera Pro Films e Saulo Oliveira. O material estará disponível para download também no blog Roraimarocknroll, e em breve à venda em formato físico nas lojas de discos de Boa Vista.


O pacote de download inclui as sete faixas, capa, contracapa, bolacha e embalagem do disco, mais o release escrito por Fabio Gomes, do Som do Norte.



quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Natura Musical patrocinará 1 projeto do Amazonas e 8 do Pará


A Natura Musical irá patrocinar 9 projetos da região Norte, sendo um do Amazonas e oito do Pará. Estes se somam aos patrocínios aos CDs das nortistas Lia Sophia e Luê, já anunciados no começo do ano (inclusive já foi lançado o primeiro single do disco da Luê). 

Dos nove projetos anunciados agora em dezembro, um deles, o do Amazonas, foi selecionado no Edital Nacional, que teve inscrições abertas para projetos do país todo. Trata-se do projeto A Música das Cachoeiras - Do Alto Rio Negro ao Monte Roraima, proposta pela Cauxi Produtora Cultural. 

  • Música das Cachoeiras - Expedição de documentação das músicas e cantos dos festejos populares dos povos tradicionais da Amazônia ocidental para a criação de um livro-CD. A viagem será baseada nas viagens do etnógrafo alemão Theodor Koch-Grünberg ao alto rio Negro e à região do monte Roraima. O projeto registrará manifestações como o canto Parischéra e Oareba, dos Taulipang e Macuxi, assim como do Hedéha, Keédena e Uaixamá dos Yekuaná. Posteriormente, os cantos do ritual de máscaras dos Desana, Tikuna e Kobéu, dos tambores rituais, instrumentos de percussão e das flautas do canto de Yurupary do alto rio Negro. (descrição extraída do release elaborado pela assessoria da Natura)
O antropólogo e músico Agenor Vasconcelos (foto), baixista da banda Alaídenegão, irá coordenar uma equipe de 11 pessoas (músicos, artistas plásticos, guias indígenas, técnicos de som, áudio, fotógrafo, antropólogos, entre outros) que por duas semanas irá percorrer as regiões citadas. O produto da pesquisa será lançado em formato de livro-DVD distribuído gratuitamente em bibliotecas e escolas públicas, e também vendido em livrarias. O DVD terá de 10 a 15 músicas, com duração estimada em 45 minutos. O conteúdo das músicas será uma mistura de elementos indígenas, regionais e canções populares em versões adaptadas. Encartado ao projeto, também terá uma cartilha ilustrada, também disponível para download. A previsão é que a primeria viagem aconteça já no final de janeiro de 2013. 

Já os 8 projetos patrocinados do Pará foram selecionados em um edital regional aberto apenas a artistas e produtores que já tinham projetos habilitados na Lei Semear (a lei estadual de incentivo á cultura do Pará) nos anos de 2011 e 2012. A descrição dos projetos foi extraída de release elaborado pela assessoria da Natura Musical. A gravação do CD de Natália Matos irá iniciar em março de 2013. 

EDITAL REGIONAL PARÁ

  • Sebastião Tapajós: Produção do CD e realização de três shows. No trabalho “Da Lapa ao Mascote”, o músico apresentará composições inéditas acompanhado por 11 instrumentistas santarenos e por 1 artista convidado (a definir), tendo como referência os bairros boêmios da Lapa, no Rio de Janeiro, e do Mascote, em Santarém.

  • CaBloco Muderno: Gravação do primeiro CD do CaBloco Muderno, a fim de divulgar os shows, oficinas, desfiles de rua do grupo. As cópias prensadas serão distribuídas à imprensa e também colocadas à venda durante os shows, além de em lojas de discos.

  • Juliana Sinimbú: UNA é o segundo projeto musical da cantora e compositora paraense. São temas frequentes nas composições de Sinimbú: a personalidade da mulher paraense e a mistura entre fé e misticismo que permeia as festividades de rua da cidade. Tudo isso recebe influência de ritmos brasileiros e latino-americanos que tocam o universo amazônico, como carimbó, guitarrada, arrocha, merengue, salsa, lundu, ijexá, samba de cacete, lambada e brega.

  • Natália Matos: Gravação, mixagem, masterização e prensagem de 10 faixas para a produção do primeiro disco da cantora. O trabalho se enquadra entre as produções de música popular brasileira e tem como influência a música produzida na região Norte. Traz um diálogo entre os ritmos tradicionais da Amazônia com referências modernas e universais.

    Camila Honda
  • Camila Honda (foto): Gravação do CD de estreia da cantora paraense. A formação não convencional da banda base une músicos jovens, com vasta experiência no cenário da música paraense, ao pianista Paulo José Campos de Melo, enriquecendo a sonoridade ao mesmo tempo despojada e contemporânea deste CD.

  • Felipe Cordeiro: produção do segundo CD solo (e terceiro da carreira) do cantor e compositor Felipe Cordeiro

  • Balaio Sonoro: O álbum “Balaio Sonoro” fará uma coletânea de 12 músicas de Ronaldo Silva, fundador do Arraial da Pavulagem, gravadas e lançadas por outros intérpretes. Para seu lançamento, Ronaldo subirá ao palco do Teatro Margarida Schivasappa acompanhado de artistas convidados.

  • Mestre Solano: Gravação de um álbum em comemoração aos 60 anos de carreira do músico, com sucessos da década de 80, além de canções inéditas. O projeto prevê também a produção de um site que disponibilizará ao público toda a obra do artista para pesquisa e audição.

Os Grileiros lançam single "13º"

A banda Os Grileiros é formada por Will Mendes (vocal/baixo/violão/ukulele), JP Cavalcante (bateria/percussão/vocal de apoio) e Thiago Magalhães (guitarra/violão/vocal de apoio); os três integravam a banda paraense Ultraleve, que chegou a se apresentar no Conexão Vivo Belém 2011 (o último Conexão que rolou aqui, até o momento, já que este ano o festival não foi realizado). 

O trio concluiu em novembro a gravação de seu primeiro CD, patrocinado pela Vivo e intitulado Piscar de Olhos. O primeiro single se chama "13º" (leia-se 'décimo-terceiro', não 'treze graus', ok? Mania dos teclados atuais de não terem o tracinho para caracterizar o número ordinal) e foi lançado no sábado, 15, e tem a letra baseada numa possível conversa entre cônjuges em época de final de ano. O CD valendo sai em janeiro.




quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Na Rede: Andreia Dias pré-lança CD Pelos Trópicos

Andreia DiasEm 2011, a cantora paulista Andreia Dias viveu uma verdadeira aventura: saiu gravando um CD Brasil afora, literalmente. Saindo do Rio de Janeiro, chegou a Belém, de onde foi indo em direção a Salvador. Em cada lugar que chegava, ficava sem tempo fixo (uma semana, duas, um mês...), interagindo com artistas, bandas e coletivos locais e principalmente gravando com essa galera toda - gente do quilate de Zé Cafofinho (PE), Thalma & Gadelha (RN), Baiana System (BA) e Thalma de Freitas (RJ). Algo, até onde eu saiba, nunca antes feito na História deste país. 

Apenas em duas cidades, Andreia gravou mais de uma faixa: no Rio de Janeiro e em Belém. Na capital paraense, registrou "Beijin na Nuca", parceria com Felipe Cordeiro, e "Feliz e Mareado", parceria com Leo Chermont. Não ficou aí a contribuição paraense ao projeto - o CD foi co-produzido por Arthur Kunz e Andreia Dias, e foi mixado no Studio do Kunz. 

O CD, intitulado Pelos Trópicos, será lançado sóóóóóó em março de 2013. Até lá, você pode baixar quatro faixas gratuitamente - a 2ª delas, justamente, é "Beijin na Nuca". Ouça aqui...




Noite compacta e chuva marcam encerramento do Festival Quebramar


Só não dá pra dizer que o último dia de shows do Festival Quebramar 2012 - o domingo, 16 - foi enxuto porque uma chuva torrencial se abateu sobre o Anfiteatro da Fortaleza de São José durante o show de BNegão e os Seletores de Frequência (foto acima). Como se pode ver, a galera não arredou pé; claro que muita gente preferiu ir pra casa, mas mesmo assim foi muito expressivo o número de pessoas que permaneceu curtindo o show, mesmo debaixo desta chuva toda. Eu ouvi mas não vi o show, pois nessa hora fui para a área reservada para a imprensa, atrás do palco; dali, conseguia ouvir a banda e também a intensa vibração do público a cada final de canção, até o encerramento habitual com BNegão fazendo beatbox em uma versão instrumental de "Suíte dos Pescadores" (Dorival Caymmi), como eu já presenciara em Manaus durante o Festival Até o Tucupi, em setembro. A chuva iniciou durante a segunda música, logo após a apoteótica abertura com uma versão também instrumental de "Another Brick in the Wall", do Pink Floyd. 

Juca Culatra

Bueno, se não dá pra falar em enxuta, pode-se sim qualificar a noite de encerramento do Quebramar como compacta, já que a programação contou com apenas cinco das oito bandas escaladas (em virtude da prolongada passagem de som da banda da cantora Mallu, a curadoria do festival optou por cancelar as apresentações das bandas amapaenses Genezis, Samsara Maya e Mini Box Lunar). Assim, passava pouco das 22h quando entraram no palco os paraenses Juca Culatra & Os Piranhas Pretas. Juca já passara pelo Quebramar em 2010, quando ainda se apresentava com um Power Trio, tendo a participação especial da conterrânea Aíla. Neste retorno, Juca incluiu uma pegada adicional de rock em seu reggae, ao tocar sucessos como "Crioulo Doido" (do refrão Crioulo doido, muito doido da cabeça...) e "Dino Sapiens", faixa-título do CD que lançou em 2011.  Seguiu-se o rock com pitadas de psicodelia dos paranaenses da Uh La Lá; a batida seca da bateria, com pouco balanço, lembrava o rock gaúcho. 

Gang do Eletro

Se as duas primeiras atrações já haviam conseguido botar o público pra dançar, quem levou isso à enésima potência foi a Gang do Eletro, outra atração vinda do Pará. A banda é um expoente da cena de eletromelody, e já tem o passaporte carimbado para ir ao SXSW, nos Estados Unidos, além de prêmio do Multishow, antes mesmo de lançar seu primeiro CD (já anunciado para janeiro). O carisma da Gang é sempre o mesmo, seja em Belém, Manaus ou Macapá (as cidades onde já os vi tocando), não deixando ninguém parado ao som de hits arrasa-quarteirão como "Panamericano", "Só no Charminho" e "Galera da Laje". 

Após a Gang, subiu ao palco a banda de BNegão, rolando o toró do qual já falei no parágrafo inicial. A chuva continuou firme após o final do show dos Seletores de Frequência, de modo que eu optei por já me dirigir para o aeroporto, pois já estava perto da hora do meu vôo de volta para Belém. Em função disso, acabei não vendo o show de Mallu.

Em tempo: eu sempre defendo que os festivais programem cinco, no máximo seis bandas por noite; acho excessivo oito (como foi na segunda noite deste Quebramar), que dirá dez! (como foi no Até o Tucupi 2012). Embora cinco não fosse a programação original desta noite, e sim oito, foi interessante ver na prática uma coisa que eu até então defendia só na teoria, e que a meu ver funcionou perfeitamente. :)

Keila da Gang do Eletro, Caio Mota e Fabio Gomes
  • Antes dos shows, rolou nos bastidores do Quebramar um debate sobre a circulação da música independente pelo Brasil em geral e pela Amazônia em particular, mediado por Caio Mota, da Casa Fora do Eixo Amazônia, e transmitido pela Pós TV. Participei no segundo bloco, ao lado da vocalista da Gang do Eletro, Keila Gentil Gomes.  


domingo, 16 de dezembro de 2012

Público curte noite pesada do Festival Quebramar


Macapá - Às 1h37 da manhã deste domingo, a banda paulista Korzus interrompeu o show de encerramento da segunda noite do Festival Quebramar, que iniciara apenas 8 minutos antes. O motivo foi uma briga na plateia. A banda avisou que, havendo nova briga, iria dar o show por encerrado. A partir daí os ânimos se acalmaram e a festa seguiu sem novos incidentes (cerca de uma hora antes, uma ambulância recolhera um rapaz que aparentemente havia bebido demais e estava semi-inconsciente). Convenhamos, dois incidentes é um índice bastante baixo para um evento gratuito em espaço aberto (o Anfiteatro da Fortaleza de São José) que mobiliza milhares de pessoas. 

A curadoria do Quebramar optou por concentrar na noite do sábado, 15, as bandas pesadas, ou seja, as bandas de metal, como as locais Matinta Perera e Profétika. Ambas, assim como a Korzus, atraíram boa parte do público para a frente do palco, junto à grade de proteção (rente a qual, inclusive, muita gente ficou batendo cabeça). Havia peso mesmo nas bandas com outras influências, como a O Sósia (AP), que abriu a noite, inciando com um tema instrumental que mescla peso e balanço, e seguindo com temas próprios que aqui e ali remetem ao clima da Jovem Guarda. Seguiu-se o metal da Mental Caos, banda que chegou ao Festival através da vaga de vencedora da Batalha de Bandas promovida em novembro. O vocalista da Mental homenageou a Anonymous Hate, que na tarde desse sábado se apresentou em São Paulo abrindo para Krisium, além de citar outras bandas locais que não entraram na programação, como a Hidrah. Quem também homenageou bandas locais foi a Matinta Perera, como se vê na foto abaixo.

Vocalista da Matinta Perera com 
camisa da Amaurose

No contexto da noite, shows como o da amapaense Godzilla ou da potiguar Calistoga podem até ser considerados mais leves. O desta última, que aliou ao peso uma boa desenvoltura melódica, de fato não chegou a atrair a galera para a frente do palco, o que aconteceu tanto quando tocou Godzilla quanto na apresentação de Stereovitrola. Godzilla fez a galera pirar tocando várias das músicas que estão no CD que gravou em Belém em 2010 e que ainda aguarda lançamento. Já a 'Stereo' antecipou as cinco faixas que estarão no EP recém-gravado (do qual o Som do Norte já pôde escutar antecipadamente as boas "Fita VHS" e  "Experiências com o Modelo Animal"); foi a única banda que deu ares psicodélicos à noite, principalmente nas longas passagens instrumentais das canções. 

STEREOVITROLA
Entrevista Marinho Pereira - 15.12.12




Já a Profetika fez seu primeiro show após uma pausa na qual chegou a anunciar o fim da banda, no começo do ano. O destaque do show foram temas do EP Serial Killer, como a faixa-título e "Mãos ao Alto". A banda se destaca por ser uma das poucas a fazer trash metal com letras em português.


PROFETIKA
Entrevista Michel - 16.12.12





A relativamente longa espera entre o final da apresentação da Profetika e o começo do show de Korzus não desanimou a galera, que foi se acomodando perto do palco, no limite da grade. Talvez essa ansiedade por ver essa banda ícone do trash metal nacional é que tenha causado a briga que levou à interrupção do show logo no início. Porém, como já dissemos, o fato não voltou a se repetir, resultando num show de 57 minutos no qual a banda tocou seus principais sucessos, satisfazendo plenamente o anseio da galera, creio eu. Tanto que ninguém pediu bis.


* A Hanna citada nas entrevistas é Hanna Paulino, vocalista da Hidrah, que está apresentando o Festival ao lado de Michel, vocalista da Profetika.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Festival Quebramar começa com noite inspiradora


Macapá - Inspiradora a primeira noite do Festival Quebramar. Falo primeira porque, embora o Quebramar esteja acontecendo desde o dia 10, ontem é que iniciou a programação de shows. É bom ver uma programação bem pensada, em que as diversas propostas sonoras dialogam entre si. Como a atração principal da noite era o duo Finlândia (foto acima), formado por um argentino e um brasileiro, a curadoria do evento buscou atrações que seguissem a mesma linha, sem entretanto cair numa sequência de mais-do-mesmo.


A programação no Centro de Difusão Cultural Azevedo Picanço iniciou com o grupo amapaense Le Phénix, uma original formação de cinco violoncelos, violão e bateria. Além da conexão mais óbvia - o violoncelo -, Le Phénix tem em comum com Finlândia a liberdade na abordagem das composições que toca, seja em "Golden Slumbers", dos Beatles, seja num samba. Ótima escolha para abrir o festival. Podemos dizer mais, uma escolha inspiradora. Em meio ao show, no escuro mesmo, a poetisa amapaense Emmily Beatriz, sentada a meu lado, escreveu um poema, que acabou no exato instante em que Le Phénix encerrou a música que tocava! O poema está publicado no final deste post. 


Depois de Le Phénix, tivemos o show que reuniu pela primeira vez membros das bandas amapaenses Tem Deck? e Lúcia no Limbo e contou ainda com a participação da Máfia Nortista (coletivo amapaense de rappers, ou repeiros, como eles preferem), que mandou várias rimas, incluindo "Minha Vida, Meu Problema!", do clipe recentemente lançado (uma pena que estes momentos, os únicos cantados da noite de abertura, foram parcialmente prejudicados pelo som do microfone, que só foi ajustado perto do final desta participação). Também tocaram músicos da Calistoga (RN) e Genezis (AP). Foi o show mais experimental da noite, a começar pela formação inusitada - de início, dois teclados, bateria, guitarra e um DJ  mandando bases através de um notebook (em dado momento reconheci citação a Secos e Molhados),  e em vários momentos o guitarrista tocava um terceiro teclado. 

Violoncelo, experimentalismo, liberdade também se fizeram presentes no show final, do duo Finlândia. Duas pessoas parece pouco para uma banda? Mas não é: o  brasileiro Raphael Evangelista toca violoncelo e o argentino Mauricio Candussi se alterna entre teclado e acordeon  - e, quando toca este instrumento, deixa rolando uma base rítmica programada no teclado. O produto sonoro desta alquimia que funde elementos pop/ulares, eruditos, Argentina, Brasil, África, Europa, resulta absolutamente dançante. Uma das músicas que levou o público a dançar na frente do palco foi "Forronga", misturando o forró brasileiro com a milonga argentina.

***

Le Phénix

por Emmily Beatriz

Ao som de violoncelos
Danço no quadrado do céu
Meu corpo sente o ritmo do metrônomo
Me enlaça com as escalas
Ao som de rock, jazz e salsa
Navego na imensidão do sentir
Aflora o sentido
O sentido da batida do coração
Com um toque de paixão
E vários toques de cordas
Feitas por dedos e arcos
Despertando sentimentos desconhecidos em mim
Apaixonando-me.