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domingo, 18 de dezembro de 2011

Central de Abastecimento: Uns Todo Mundo, Outros Tudo Bem - Alaídenegão


Trazemos a você neste domingo pré-Natal o EP Uns Todo Mundo, Outros Tudo Bem, da banda amazonense Alaídenegão (a banda você vê lá embaixo e a Alaíde aqui do lado).

O disco foi gravado em abril de 2010 em Olinda (PE) - pois é, o quinteto de Manaus é fã confesso de Nação Zumbi, Mundo Livre S/A, Chico Science, Otto e vários outros pernambucanos, além de já ter tocado por lá, na festa O Bagulho é nas Alturas (em 14 de maio de 2010, dividindo o palco da Escola de Samba do Preto Velho, no Alto da Sé, com Kumina Roots e Dubeck Soulto). Já se apresentaram também em outros eventos, como a Noite Fora do Eixo em Boa Vista, no réveillon da Praia do Algodoal (Pará) e Festival Cauxi (Manaus).

Mais recentemente, participaram do nosso CD Som do Norte 2011 (clique aqui para baixar) com uma das melhores faixas, "Tecendo o Som", gravada neste ano, mas revelando a mesma gama de influências samba-rockísticas, manguebitísticas e brega-regionais deste EP. Ao final do post, reproduzimos um artigo sobre a banda publicado essa semana no Facebook.

Alaídenegão é:

Davi Escobar (guitarra, violão, efeitos, samples e voz)
Agenor Vasconcelos (contrabaixo e voz)
Rafael dos Santos (guitarra)
Markito Rock (flauta e trompete)
Anastácio Jr. (bateria)

Para baixar o EP, clique na capa abaixo.

Uns Todo Mundo, Outros Tudo Bem
Alaídenegão - 2011

1 - Coumprida
2 - A Mesma Merda
3 - Mulher de Olinda
4 - Minha Praia É A Lua
5 - Bebé
6 - Concessões
7 - Alaíde Negão (Zapata)

Formato: MP3 - 128 kbps - 44 KHz
Duração - 21:11
Lançamento virtual: 2011

***
Aproveitando o ensejo, dividimos com vocês também esse belo texto publicado em 15 de dezembro como nota no Facebook por Marcelo Araújo, sócio da Livraria Arqueólogo (Manaus).

Tem algo de diferente no ar - SOBRE ALAIDENEGÃO


Dificilmente o cenário musical de uma cidade como Manaus sofre mudanças bruscas, ou sente as influências músicais de estilos específicos, ou mesmo, participa de movimentos singulares relacionados a música, não, Manaus não é assim. O máximo que pode acontecer é um novo hit pop de um “fenômeno” adulto ou mirim (virou moda) do sul do país ganhar as casas noturnas, e conseqüentemente cair no gosto, e depois no desgosto do povo. Durante 10 anos apreciando a noite manauara (não tão freqüente nos últimos anos, confesso), nunca tive o prazer de me surpreender com uma banda local. É fato também, que não tive o prazer acompanhar todas, porém tive o desprazer de algumas. O cenário alternativo da cidade inexiste, ou resiste às varias tentativas de fomentar uma cultura musical diferenciada, apesar da existência de movimentos nos guetos, mas algo ainda muito tímido e particular.

Numa despretensiosa Sexta Cultural da UFAM, a qual até a minha ida foi rodeada de estranheza, diante de uma festa que começou quase às 22h por conta de infinitas quedas de energia, mas lá estava a festa e seu público cativo. E de repente entra uma banda, e eu sempre curioso pergunto – “que banda é essa? – o outro responde, - “Alaidenegão”(é junto mesmo), e logo me veio a cabeça o meu amigo e produtor cultural Daniel Fredson, o qual deliciava-se falando do som dos caras e sua conexão com eles, e sempre enfatizando que eu precisava assistir, afirmando com toda a certeza do mundo que era a minha cara, e então me questionei “qual é a musica da minha cara?”, sigamos. Na verdade, Daniel não quis fazer referência ao meu gosto exatamente, mas sim, ao estilo bastante diversificado da banda, o que dá esse toque diferenciado. Por fim, assistiao show e fui pra casa fazer as minha reflexões acerca da experiência que acabara de passar à minha frente, eu precisava de tempo.

Pesquisando sobre a banda, deparei-me com algumas informações preliminares, porém importantes, aliás, as informações de bandas regionais são bastante escassas na rede, mas tornou-se suficiente somando a impressão visual daquela apresentação. Passeando pelo surgimento, vem à tona o que me parecia evidente, banda local. Nascida no carnaval de 2008, e já havia rodado algumas cidades do Norte e participado de festivais na região Nordeste, mais especificamente em Olinda-PE, incluindo a gravação de um EP, ou seja, tão jovem e já buscando um horizonte na imensidão da musica, caminhos longínquos e vistas à exploração do cenário alternativo.

As influências de Alaíde, são na verdade, um passeio despretensioso entre estilos que essencialmente se convergem na formação de uma melodia de extremo agrado, que se fortifica na trinca de samba-rock-latino, tudo isso, com elementos da musica regional (amazônica), o que o diferencia das melodias de outras bandas, que em vários momentos seguem estilos e se petrificam com o tempo, a não ser que se reinvente a todo instante, e essas características somente aos gigantes pertencem. Há outros aspectos que compõem a musicalidade da banda, como por exemplo as letras, que em sua maioria resgatam elementos da filosofia e da política com toques viscerais, bem como as ilustrações de apresentação no site ou na capa do EP, constituindo-se primorosamente como belíssimas pinturas, ou seja, Alaíde consegue aliar um gama de elementos que montam a sua caixa musical (entendendo que música é tudo isso), o que dá corpo e densidade ao seu som. O humor também é marca da banda, quando colocam que suas influências são SEU MADRUGA E CHAPOLIM COLORADO. Fazendo leitura do humor presente, desmonta a seriedade boba e remonta um ambiente musical de maior relaxamento, não que isso seja comungar com a bagunça e a desordem, nem mesmo a omissão da observância de mundo e crítica social. E convenhamos, aliar MÚSICA, FILOSOFIA E ARTE com uma melodia singular, dificilmente poderia sair algo ruim.

A impressão inicial, quando a Alaídenegão subiu ao palco (nem mesmo existia um palco) foi a personificação de um relaxamento universal, sob gritos daqueles que já o acompanhavam, fiquei à espreita, observando onde iriam chegar os caras. Então, começa o show com “Alaíde tecendo o som”, criatividade e embalo que me confundiu com “Alaíde passando o som”, dualidade fonética não ficando na banalidade, pelo contrário, transformou-se em uma entrada triunfal, neste ponto já estava convencido da diferença que anteriormente haviam me informado. Durante a apresentação, por diferentes momentos me recordei de uma banda folk americana chamada NEUTRAL MILK HOTEL e seu álbum maravilhoso IN THE AEROPLANE OVER THE SEA, especificamente na entrada do trompete e conjuntura da banda.

Aos poucos, criam uma espécie de campo magnético, ambientado essencialmente pela contagiante melodia, e interação com o público, equilibrada e desorientada em alguns momentos, mas expressamente dominada na totalidade do tempo, e preferencialmente convidando-os a saborear a salada musical proposta pela banda. Apresentam-se em um estilo desarrumado e despretensioso, em busca de novas experiências musicas e níveis de emoção com maior intensidade, um sobe e desce, variante deliciosa de show curto e intenso, perfeitamente completo.

O olhar lançado sobre a banda não é uma crítica “profissional”, e nem mesmo, a ampliação do marketing da banda, até porque, só consigo escrever sobre aquilo que me surpreende; e também não seria torná-los heróis musicais da cidade, ou mesmo, a ultima banda amazônica de todos os tempos, mas sim, evidenciar o contrário do que costumo enxergar em bandas que abdicam de arriscar e sobem ao palco para tocar um basicão maçante e repetitivo, e feito por meio milhão de músicos no mundo inteiro. Acreditar em suas potencialidades é fundamental para uma caminhada longa e vencedora, e aliado à ousadia e autenticidade forma estruturas fortes que resistirão a grandes terremotos. Portanto, Alaidenegão é o velho-novo, ousado e criativo da cena manauara, passa o sentimento e a confiança do estilo alternativo, faz isso com certa tranqüilidade, porque constitui vínculos amorosos com a música, o prazer é amplamente notado, e quando isso acontece é a essência da própria naturalidade, e os beneficiados de todo esse processo somos nós, os ouvintes.

Alaídenegão (foto: Lucas Jatobá)

3 comentários:

  1. Esses rapazes estão revolucionando o cenário musical. Há tempos que o Amazonas necessitava de uma sacudida. Eles não tem medo de ousar, experimentar, e menos ainda se divertir! Letras cômicas com idéias bem desenvolvidas, banda afinada, músicos bons e bonitos, sorridentes. Assistir a apresentação é passar por uma experiência que, para mim, é completa: música boa, dançante (é impossível ficar parado!) e vê-los interagindo e se divertindo no palco, é igualmente delicioso.

    Parabéns à Banda Alaídenegão! Revolucionem a imaginação sempre!

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  2. Poo, blog massa. Vou frequentar aqui sempre agora :DDD

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