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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Foi Show: Aíla no Som do Norte na Saraiva

Só consigo definir como "maravilhoso" o Som do Norte na Saraiva deste mês, realizado nesta quinta, 20 de outubro, tendo como convidada a cantora Aíla, que compareceu com banda quase completa - Camila Barbalho (baixo), Tom Salazar Cano (guitarra), Adriano Sousa (bateria) e João Paulo (percussão). Só faltou mesmo o guitarrista & diretor musical Felipe Cordeiro, que nesse dia gravava no Rio de Janeiro programa para o Multishow. (As fotos deste post são de Harrison Carlos).

Não quero parecer pretensioso elogiando meu próprio evento. Quem já foi num Som do Norte na Saraiva sabe que a minha participação é variada, indo desde um mero anúncio no início dos trabalhos, sem outras intervenções (como foi no lançamento da banda Enfim Nós, em julho), até um diálogo mais intenso como o ocorrido neste pocket show com Aíla. Então não é a mim que o elogio é dirigido, e sim à artista convidada, cuja carreira a vida me deu o privilégio de acompanhar e até de participar de momentos importantes de sua trajetória.

Lembramos alguns deles no bate-papo que alternou com a execução de músicas que estarão no CD Trelelê (cujo lançamento anunciou para dezembro): sua primeira matéria na capa do caderno "Magazine", do jornal O Liberal (Belém), em maio de 2010; o lançamento do EP À Sua Maneira, no mês seguinte, pelo Som do Norte; e a atuação decisiva dela no sentido de que eu me mudasse de Porto Alegre para Belém. Mais que isso, eu creditei, com justiça, à influência de Aíla o próprio lançamento deste blog - afinal, eu constatara em 2009 que havia uma cena musical muito rica no Norte, concentrada em Belém, e que isto não estava tendo a atenção merecida, a partir da observação direta do que acontecia principalmente com artistas como Aíla e Juliana Sinimbú.

Já na primeira semana do blog, destaquei uma gravação de Aíla como "Música do Dia" - foi "À Sua Maneira", de Felipe Cordeiro, horas depois da canção receber 2º lugar no 1º Festival de Música Popular Paraense, em agosto de 2009. No mês seguinte, foi a música que escolhi para trilha do programa de web rádio Som do Norte, que produzi para o portal Visto Livre. E vocês acreditam que por muito pouco essa canção não ficou de fora do show de quinta?? Aíla comentou que o guitarrista Tom, como geralmente faz solos e efeitos, não teria esta canção ensaiada, mas rolou um ligeiro protesto do FC Trelelê (que puxou o coro À sua maneira! À sua maneira!) e a música saiu - com uma execução muito boa do Tom, e requintes de Camila ao baixo que foram elogiados pela própria Aíla.

Entre os temas abordados no bate-papo, estava o de seleção de repertório. Muita gente, aliás, não sabia, mas a própria Aíla também compõe - ou melhor, compunha, já que suas experiências na área são de quando tinha 12, 13 anos, para festivais estudantis. Mas o CD Trelelê é todo de inéditas ou regravações de outros autores, refletindo, por certo, o pensamento da intérprete. Aíla contou que, quando fez seu primeiro show solo em teatro - o Trelelê, em 8 de setembro de 2010 -, convidou Dona Onete para participar e ela lhe trouxe "de presente" a canção "Proposta Indecente", com a qual Aíla iniciou o show desta quinta. "Preciso Ouvir Música sem Você" foi uma encomenda sua a Felipe Cordeiro - a cantora lhe falou que mensagem gostaria que a música passasse, e ele a compôs. Já "Todo Mundo Nasce Artista", de Eliakin Rufino, estava num CD que Felipe lhe mostrou - Aíla conta que, entre tantas composições do autor roraimense que foi conhecendo, esta lhe despertou a atenção, até porque a cantora concorda com a ideia exposta na letra, não acreditando que existam pessoas com um "dom" especial que as tornaria artistas, diferenciando-as das outras pessoas. Concordo.

Além do pocket show e do bate-papo, o público que prestigiou o evento pôde conferir o vídeo de making off da gravação do CD, com depoimentos dos músicos, incluindo Otto Ramos, do Mini Box Lunar. Otto virá para o show de Aíla no Conexão Vivo Belém, na próxima sexta, dia 28 (outras alterações na banda neste dia são a volta de Felipe Cordeiro e, no baixo, Maurício Panzera, da Clepsidra, já que Camila estará com a B3 em Castanhal). Falando em alteração, este foi o segundo show com Adriano Sousa na bateria; Aíla atribuiu a saída do baterista Arthur Kunz (também da Clepsidra) a "divergências de idéias e posturas". (Em tempo: uma grande satisfação pra mim foi a presença de Adriano Sousa no evento desta quinta - ele foi o primeiro músico paraense que conheci pessoalmente, quando estive no Acre cobrindo o Festival Varadouro, em setembro de 2008. Fiquei em Rio Branco no mesmo hotel que a banda La Pupuña, da qual Adriano fazia parte).

Encerramos o post com este vídeo, gravado pela equipe do site Agenda Belém, e que traz a canção com a qual Aíla encerrou o pocket show - a já citada "Preciso Ouvir Música sem Você".

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