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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Foi Show: 4º dia do Conexão Vivo Belém


Fernanda Takai por Thiago Araújo


Quando Fernanda Takai pediu desculpas pela "ousadia" de cantar "Sinhá Pureza" na terra de Pinduca, acompanhada por sua banda que tinha como destaque a estreia de Simone Soul na bateria, no último show do último dia do Conexão Vivo Belém (domingo, 30/10), todos sabíamos (ou a maioria, acredito) que tínhamos vivido quatro dias inesquecíveis e que não vão ter equivalente tão cedo. Estão de parabéns a curadoria e produção do festival e, claro, também os artistas, que souberam incrementar ainda mais a programação montada. Por exemplo, o rapper pernambucano Zé Brown convocou seu parceiro paraense MC Bruno B.O. pra fazerem juntos "Perito em Rima". Essa integração rolou todos os dias, na véspera mesmo o mineiro Celso Moretti convidara Juca Culatra para uma participação combinada praticamente à beira do palco. Zé Brown funde ao seu rap elementos da tradição de Pernambuco, como a embolada acompanhada por pandeiros, que ele demonstrou dominar plenamente em "Caneta, Papel e Raciocínio".


Público e Zé Brown por Renato Reis

Mas quem levou o espírito de conexão às últimas consequências foi Felipe Cordeiro. Além das participações previstas-e-anunciadas (os guitarristas Pio Lobato e Félix Robatto, que fizeram com ele "Loirinha", de Mestre Vieira; Pio voltou em "Fogo da Morena") e previstas-não-anunciadas (Manoel Cordeiro, pai de Felipe, integrou a banda do filho nesta noite, brilhando em temas como "Fim de Festa"), houve as inesperadas-porém-bem-vindas, como as de Gaby Amarantos e de Maderito (da Gang do Eletro), que fizeram uma jam com seus sucessos (como "Galera da Laje") num dos momentos-síntese do Conexão Vivo Belém 2011, abrilhantando o espetáculo que até ali já mostrara ser o melhor show de todos os quatro dias. Felipe tocou praticamente todo o repertório do seu recém-lançado CD Kitsch Pop Cult, onde funde elementos da tradição paraense com elementos da contemporaneidade, sob uma perspectiva kitsch (é isso, em especial, que diferencia o seu trabalho do de Aíla e de outros colegas que investem na mesma fusão, e que, para mim, o credencia como o maior representante do movimento que eu denomino O Novo Som de Belém, movimento este que saiu consagrado deste festival).


Manoel Cordeiro e Felipe Cordeiro por Taiana Laiun

Pouco antes, Manoel Cordeiro já brilhara como convidado da cantora Iva Rothe (que tem Felipe como guitarrista de sua banda). Juntos, Iva e Manoel tocaram "Luz do Mundo" (Manoel Cordeiro - Ronery), clássico da banda Warilou; logo depois, ela lhe cedeu o palco pra que ele tocasse seu tema instrumental inédito "Surfando na Pororoca". No restante do show, Iva interpretou o repertório de seu CD Aparecida, destacando-se em temas como a faixa-título e "Água", que valorizou com uma coreografia suavemente ritmada dos braços, algo como se estivesse nadando.



Iva Rothe por Renato Reis

Foi também uma noite marcada pelas participações mineiras. Além de Fernanda Takai (nascida no Amapá, mas identificada com Minas Gerais por morar lá desde a adolescência), se apresentaram a banda Aldan e o grupo Catibiribão - este, talvez a presença mais inusitada do festival.


Catibiribão por Renato Reis

Liderado pela paraense radicada em Minas Sílvia Negrão, o grupo Catibiribão abriu a noite do domingo com uma peça musical infantil. Sim, era teatro - e funcionou muito bem, cativando as crianças de todas as idades que já estavam na Praça Dom Pedro II. Uma pena que o público a essa hora ainda fosse diminuto, já que só na véspera a produção do evento passou a enfatizar que o horário de início no domingo era 17h30 e não 19h, como constava até do próprio site da Vivo. Isso fez com que muita gente chegasse bem depois que o Catibiribão já nos encantara com sua coleção de cantigas tradicionais, como "Gostei do Zé" e "Saci Pererê", adaptadas pelo grupo.


Público infantil encantado com Catibiribão por Thiago Araújo

Já Aldan foi o momento mais rocker da noite. Junto a suas melodias de estrutura roqueira tradicional, o grupo utiliza letras bem humoradas, como acontece em "A Quinta Formação" (em que o público é convidado a cantar junto A primeira formação dos Engenheiros do Havaí, logo depois A segunda etc, até chegar A sexta) e "Você Morreu pra Mim". Suas músicas também fazem referência a Belo Horizonte, como é o caso de "Praça Sete".


Aldan por Renato Reis

Noutra vertente roqueira - a da integração com elementos de música brasileira, caminho aberto pel'Os Paralamas do Sucesso com o LP Selvagem?, de 1986 - situa-se o trabalho de outra banda destaque do domingo, a goiana Gloom. Naipes de sopro valorizam as melodias sutilmente elaboradas, valorizadas pela interpretação da vocalista Niela, em especial em "Dois Acordes" e "Parafina".


Gloom por Renato Reis

Um dos shows mais impactantes dos quatro dias rolou quase no final do domingo (foi logo depois de Gloom e imediatamente antes de Felipe Cordeiro e Fernanda Takai). A banda Soatá surgiu em Brasília, tendo entre os fundadores um paraense, o guitarrista Jonas Santos, que levam aspectos da tradição nortista ao som pesado da banda. É digno de nota o vozeirão da vocalista Ellen Oléria, que acaba sendo um elemento de reforço do peso sonoro. Dois títulos de músicas da banda já transmitem uma ideia do que rola no show: "Funkarimbó" e "Anarquiá".


Ellen Oléria (Soatá) por
Taiana Laiun


Um comentário:

  1. Adorei o show da Fernanda Takai, Aldan e Gloom! Viva o conexão vivo que agitou a minha cidade!!!!!

    Karla!

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