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domingo, 30 de outubro de 2011

Foi Show: 3º dia do Conexão Vivo Belém 2011

Família de Rua com Metaleiras da Amazônia por Thiago Araújo

A foto acima ilustra um dos momentos mais espontaneamente criativos do sábado, 29 de outubro, terceira noite do Conexão Vivo Belém 2011: a hora em que os mineiros da Família de Rua improvisaram ao som dos paraenses das Metaleiras da Amazônia - que já está na lista das melhores coisas que vi neste ano. Assim como no Conexão do ano passado, os veteranos dos Metaleiras fizeram um show vibrante, com muito merengue, carimbó, cúmbia, mambo e lambada, mostrando as matrizes das misturas que artistas mais jovens como Felipe Cordeiro, Lia Sophia e Aíla têm feito, combinando essa herança com as atuais referências pop (como eu comentei no texto O Novo Som de Belém).

Juca Culatra e Celso Moretti por Renato Reis

Afora a Família de Rua e Celso Moretti, todas as outras atrações do sábado eram paraenses. Moretti, expoente do reggae de Minas Gerais, já havia programado cantar "Brócolis", de Juca Culatra, e aproveitou a presença do autor no evento para convocá-lo ao palco. No restante de sua apresentação, Moretti alternou temas próprios ("Songamonga", "Preto José") com releituras ("Primavera", "A Novidade").

Público por Renato Reis

Duas cantoras paraenses saíram consagradas de seus shows nesta noite: Lia Sophia e Juliana Sinimbú. Num show irrepreensível, a primeira apresentou duas músicas inéditas, "Do Lar" (falando duma mulher que esquece dos afazeres domésticos quando começa a escutar o carimbó) e "Que Sorte". Por inéditas, entenda-se que foi a primeira vez que Lia cantou as músicas em show, porque boa parte de seu repertório do sábado ainda não saiu em disco - o que não impediu que o público cantasse em coro "Ai Menina" e "Salto Mortal", que devem estar no seu 4º CD, justamente intitulado Salto Mortal, que ela começa a gravar no início de 2012.

Lia Sophia por Renato Reis

Público no show de Juliana Sinimbú por Renato Reis

A participação do mestre Pinduca, cantando "Dona Maria" e o "Carimbó do Macaco", foi o fecho perfeito para o grande show de Juliana Sinimbú, cujo repertório mesclou composições suas ("Lá Fora", parceria com Renato Torres e Renato Rosas), canções do CD Sonho Bom de Fevereiro (como o excelente samba "Nem Venha", de Claudia Cunha e Luciano Salvador Bahia) e temas que ela sempre cantou, como "Gibi" (Antônio Novaes). Pela primeira vez, eu a ouvi cantar "Quero Quero", de Iva Rothe (espero ouvir mais vezes). Acertadamente, Juliana reforçou a banda que sempre a acompanha, a Clepsidra (um trio de formação roqueira: Renato Torres - guitarra, Maurício Panzera - baixo, Arthur Kunz - bateria), com um bandolim (Diego Xavier, que fez belos contrapontos com a guitarra de Torres) e dois percussionistas (Kleber Benigno e Márcio Jardim, ambos do Trio Manari).

Pinduca e Juliana Sinimbú por Thiago Araújo

Dona Onete por Thiago Araújo

Outro toque de tradição veio com o belo show de Dona Onete, com participação do produtor de seu primeiro disco, Marco André. O público cantou com ela "Proposta Indecente" (a canção que sairá no CD Trelelê, de Aíla) e "Chá do Tamaquaré".

Dona Onete, Marco André e público por Renato Reis

Dayse Addario e Zarabatana Jazz integraram em seu show as influências regionais com as do jazz, o que ficou muito claramente expresso na canção que encerrou o espetáculo, "Tambor de Couro" (Ronaldo Silva). Cibele Jemima, mais conhecida como compositora e violonista, participou cantando com Dayse "Midas Suburbanos" (Ziza Padilha - Jorge Andrade).

Dayse Addario e Ziza Padilha (Zarabatana Jazz) por Renato Reis

Público por Renato Reis

Orquestra de Violoncelistas da Amazônia por Thiago Araújo

Na abertura, a Orquestra de Violoncelistas da Amazônia interpretou releituras do rock mundial. Ao invés de adaptar o repertório roqueiro aos cânones eruditos, como muito já se fez, a proposta do maestro Áureo de Freitas é imprimir a pegada roqueira à execução de Beatles, Metallica e Iron Maiden com violoncelos (aos quais se soma uma bateria). No bis, um toque regional: o medley "Waldemar Henrique Encontra o Heavy Metal", com temas do maestro paraense.

Público e Orquestra de Violoncelistas da Amazônia por Renato Reis

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Bruno B.O. e Black no Duelo de MC's por Thiago Araújo

O paraense MC Bruno B.O. participou do Duelo de MC's que a Família de Rua realizou pela primeira vez em Belém; na sua cidade, Belo Horizonte, o evento acontece desde 2007. Bruno primeiramente venceu Glenison Black, passando à semifinal, onde quem se deu melhor foi Fabrício FBR, superado ao final por Lúcio Aranha MC. No Duelo, cada MC tem 45 segundos para improvisar, e passa à outra etapa o melhor da rodada é escolhido por voto do júri e aplauso da galera. Eventualmente, pode haver um segundo e até um terceiro round, até que não restem dúvidas de quem passa à etapa seguinte. Mas a principal batalha vencida não foi esta, e sim outra, conforme consta do texto que Bruno B.O. publicou na tarde do domingo no Facebook, no grupo Repeiros do Norte:

"Paz, amor e união na floresta!

Ontem uma batalha real foi vencida. A batalha da rua contra a desinformação, a batalha da paz e da união, valores cada vez mais descobertos como possíveis remédios às dores sociais que criamos. Voltei pra casa com a sensação que todos mcs, b.boys, grafiteiros e djs venceram, o hip hop venceu! Muitos ainda tentaram nos confudir com gestos que sinceramente ainda tento entender, mas não julgo, mas muitos foram os que tentaram, e conseguiram, resgatar a real essência da cultura de rua: o conhecimento. O conhecimento traz amor, e o amor traz a união, e a união traz a paz, mas cada um deve ser ponto de irradiação desse conhecimento, ou seja, precisamos juntos construir o conhecimento. O Ego e o Julgamento são as principais armadilhas da alma, e uma alma doente não constrói, vive escravizada por verdades fugazes, ou dogmas manipuladores. Peço a TODOS no hip hop paz, amor e união! Um verso meu: "Trabalho e sinceridade, o resto nóis corre atrás!" Um salve Família de Rua, Marcos Dos Santos, Gaspar du Norte, Don Perna, Glenison Black, Lúcio Aranha Aranha Mc, Dj Morcegão Pará, Jamildo Andrade, Muleke Doido, Deejay Fantasma, Negro Edi, D-Luca Rapper Rapper."

Público por Thiago Araújo

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