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sábado, 29 de outubro de 2011

Foi Show: 2º dia do Conexão Vivo Belém 2011

No palco do Conexão Vivo Belém, Gaby Amarantos começa a puxar o refrão: Ôôô, ôôô, hoje eu tô solteira... e logo se interrompe, dizendo: "Mas gente, eu não posso cantar mais isso porque eu... não tô mais solteira!!!". As cerca de 10 mil pessoas que assistiam o show imediatamente quiseram saber mais detalhes, mas na sequência a própria Gaby esclareceu tudo: "Mentira gente, eu sempre tô solteira!!!!", e em seguida chamou ao palco os últimos convidados da noite, a Gang do Eletro, com quem cantou os hits "Galera da Laje" e "Panamericano".

O episódio acima, que durou poucos segundos, é um belo exemplo da sintonia que Gaby consegue estabelecer com o público. Some-se a isso sua voz poderosa, a energia que transmite, a fantástica coleção de hits que ela colecionou quando, em suas próprias palavras, largou sua "carreira de cantora de MPB com flor no cabelo" para se dedicar inteiramente ao tecnobrega, e começamos a entender porque hoje Gaby é a artista do Norte com maior destaque nacional, e também porque foi dela o melhor show de ontem no Conexão. Gaby homenageou diversas aparelhagens (como a Tupinambá, em "Faz o T", que abriu o show) e cantou sucessos de colegas ("Beba Doida", de Viviane Batidão, e "Galera da Golada", de Roni Mata), antecipou três faixas do CD Treme, que sai em 2012 ("Xirley", que cantou duas vezes, "Ela Tá no Ar", que compôs com Felipe Cordeiro e cantou ontem com Marcelo Mira, e "Merengue Latino", de Ronaldo Silva), além de fazer um passeio pelo repertório de tecnobregas antigos. Aconteceu aí um dos momentos mais bonitos da noite, quando a filha de Marcos Pará, autor de "Ouro Negro", subiu ao palco para dançar com Gaby (na foto de Renato Reis).


Outro belo show foi o de Marco André tendo como convidado Pepeu Gomes. A interação entre o guitarrista baiano e a banda que acompanhou Marco (que tinha MG Calibre no baixo e o Trio Manari na percussão) proporcionou momentos inesquecíveis, como a bela introdução que Pepeu improvisou para o carimbó "Pescador", de Mestre Lucindo, e seu solo em diálogo com o Manari em "Eu Também Quero Beijar", sucesso do próprio Pepeu. O Manari já deixara sua marca em "Caringlobalizado", de Marco André, na primeira parte do show. Junto com o show da Gaby, foi um momentos de maior manifestação do público presente na Praça Dom Pedro II.

Pepeu Gomes e Trio Manari (foto: Renato Reis)

Também merecem destaque os outros baianos da noite. Lucas Santtana fez um show vibrante, alternando temas próprios (como o "Recado para Pio Lobato", homenagem instrumental ao amigo paraense), e releituras inusitadas como a do samba "Faixa Amarela", de Dudu Nobre, lançado por Zeca Pagodinho, que nas mãos de Lucas ganhou ares de blues com levada reggae, além de uma nova estrofe - em inglês! E a banda Vendo 147 trouxe o vigor do rock'n'roll instrumental, com tintas jazzísticas, e a peculiaridade de ter dois bateristas dividindo o mesmo bumbo (com um pedal de cada lado). Confira na foto de Thiago Araújo.


Outro momento instrumental foi o agradável encontro de violonistas - o paraense Sebastião Tapajós e o argentino Sergio Ábalos. Os dois gravaram recentemente o CD Conversa de Violões, com lançamento previsto para 2012. O repertório alternou clássicos de Astor Piazzolla ("Verano Porteño") e temas do próprio Tapajós ("Igapós"), e ao final contou com a participação de Márcio Jardim, do Trio Manari, na percussão.

A paraense Aíla chegou a comentar seu nervosismo por estar naquele palco - foi sua primeira vez num festival do gênero, após participar dos shows de Felipe Cordeiro e Juca Culatra no Festival Quebramar (Macapá, julho de 2010). O fato é que, nervosa ou não, isso não interferiu na belíssima apresentação que Aíla fez, cantando boa parte do repertório do CD Trelelê, a ser lançado em breve, com sua banda quase completa (só faltou Camila Barbalho, substituída no baixo por Maurício Panzera. No mais, estavam todos, Felipe Cordeiro e Tom Salazar Cano nas guitarras, Adriano Sousa na bateria, João Paulo na percussão; e de Macapá veio Otto Ramos, que gravou os teclados no CD e que não tocava com Aíla em Belém desde 8 de abril). O público, incluido aí o Fã Clube Trelelê em peso, cantou junto "Sinhá Pureza" (Pinduca) e "Garota" (Alípio Martins - Marcelle) e vibrou com a mensagem de "Todo Mundo Nasce Artista" (Eliakin Rufino). Para cantar "Trelelê", Aíla convidou Iva Rothe, que compôs a música junto com Felipe Cordeiro.

Aíla e Iva Rothe (foto: Renato Reis)

A abertura contou com a banda paraense Ultraleve e o Clássico Popular. As músicas da Ultraleve tem um sabor de Jovem Guarda, a que o uso de instrumentos incomuns no rock - violoncelo, violino, trombone, trompete e saxofone, somados ao trio básico guitarra-baixo-bateria) imprime uma atmosfera jazzy. Destaco em especial "A Hora é Essa", de Will Mendes.


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