Aqui se fala do som dos estados do Norte do Brasil: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Foi Show: 4º dia do Conexão Vivo Belém


Fernanda Takai por Thiago Araújo


Quando Fernanda Takai pediu desculpas pela "ousadia" de cantar "Sinhá Pureza" na terra de Pinduca, acompanhada por sua banda que tinha como destaque a estreia de Simone Soul na bateria, no último show do último dia do Conexão Vivo Belém (domingo, 30/10), todos sabíamos (ou a maioria, acredito) que tínhamos vivido quatro dias inesquecíveis e que não vão ter equivalente tão cedo. Estão de parabéns a curadoria e produção do festival e, claro, também os artistas, que souberam incrementar ainda mais a programação montada. Por exemplo, o rapper pernambucano Zé Brown convocou seu parceiro paraense MC Bruno B.O. pra fazerem juntos "Perito em Rima". Essa integração rolou todos os dias, na véspera mesmo o mineiro Celso Moretti convidara Juca Culatra para uma participação combinada praticamente à beira do palco. Zé Brown funde ao seu rap elementos da tradição de Pernambuco, como a embolada acompanhada por pandeiros, que ele demonstrou dominar plenamente em "Caneta, Papel e Raciocínio".


Público e Zé Brown por Renato Reis

Mas quem levou o espírito de conexão às últimas consequências foi Felipe Cordeiro. Além das participações previstas-e-anunciadas (os guitarristas Pio Lobato e Félix Robatto, que fizeram com ele "Loirinha", de Mestre Vieira; Pio voltou em "Fogo da Morena") e previstas-não-anunciadas (Manoel Cordeiro, pai de Felipe, integrou a banda do filho nesta noite, brilhando em temas como "Fim de Festa"), houve as inesperadas-porém-bem-vindas, como as de Gaby Amarantos e de Maderito (da Gang do Eletro), que fizeram uma jam com seus sucessos (como "Galera da Laje") num dos momentos-síntese do Conexão Vivo Belém 2011, abrilhantando o espetáculo que até ali já mostrara ser o melhor show de todos os quatro dias. Felipe tocou praticamente todo o repertório do seu recém-lançado CD Kitsch Pop Cult, onde funde elementos da tradição paraense com elementos da contemporaneidade, sob uma perspectiva kitsch (é isso, em especial, que diferencia o seu trabalho do de Aíla e de outros colegas que investem na mesma fusão, e que, para mim, o credencia como o maior representante do movimento que eu denomino O Novo Som de Belém, movimento este que saiu consagrado deste festival).


Manoel Cordeiro e Felipe Cordeiro por Taiana Laiun

Pouco antes, Manoel Cordeiro já brilhara como convidado da cantora Iva Rothe (que tem Felipe como guitarrista de sua banda). Juntos, Iva e Manoel tocaram "Luz do Mundo" (Manoel Cordeiro - Ronery), clássico da banda Warilou; logo depois, ela lhe cedeu o palco pra que ele tocasse seu tema instrumental inédito "Surfando na Pororoca". No restante do show, Iva interpretou o repertório de seu CD Aparecida, destacando-se em temas como a faixa-título e "Água", que valorizou com uma coreografia suavemente ritmada dos braços, algo como se estivesse nadando.



Iva Rothe por Renato Reis

Foi também uma noite marcada pelas participações mineiras. Além de Fernanda Takai (nascida no Amapá, mas identificada com Minas Gerais por morar lá desde a adolescência), se apresentaram a banda Aldan e o grupo Catibiribão - este, talvez a presença mais inusitada do festival.


Catibiribão por Renato Reis

Liderado pela paraense radicada em Minas Sílvia Negrão, o grupo Catibiribão abriu a noite do domingo com uma peça musical infantil. Sim, era teatro - e funcionou muito bem, cativando as crianças de todas as idades que já estavam na Praça Dom Pedro II. Uma pena que o público a essa hora ainda fosse diminuto, já que só na véspera a produção do evento passou a enfatizar que o horário de início no domingo era 17h30 e não 19h, como constava até do próprio site da Vivo. Isso fez com que muita gente chegasse bem depois que o Catibiribão já nos encantara com sua coleção de cantigas tradicionais, como "Gostei do Zé" e "Saci Pererê", adaptadas pelo grupo.


Público infantil encantado com Catibiribão por Thiago Araújo

Já Aldan foi o momento mais rocker da noite. Junto a suas melodias de estrutura roqueira tradicional, o grupo utiliza letras bem humoradas, como acontece em "A Quinta Formação" (em que o público é convidado a cantar junto A primeira formação dos Engenheiros do Havaí, logo depois A segunda etc, até chegar A sexta) e "Você Morreu pra Mim". Suas músicas também fazem referência a Belo Horizonte, como é o caso de "Praça Sete".


Aldan por Renato Reis

Noutra vertente roqueira - a da integração com elementos de música brasileira, caminho aberto pel'Os Paralamas do Sucesso com o LP Selvagem?, de 1986 - situa-se o trabalho de outra banda destaque do domingo, a goiana Gloom. Naipes de sopro valorizam as melodias sutilmente elaboradas, valorizadas pela interpretação da vocalista Niela, em especial em "Dois Acordes" e "Parafina".


Gloom por Renato Reis

Um dos shows mais impactantes dos quatro dias rolou quase no final do domingo (foi logo depois de Gloom e imediatamente antes de Felipe Cordeiro e Fernanda Takai). A banda Soatá surgiu em Brasília, tendo entre os fundadores um paraense, o guitarrista Jonas Santos, que levam aspectos da tradição nortista ao som pesado da banda. É digno de nota o vozeirão da vocalista Ellen Oléria, que acaba sendo um elemento de reforço do peso sonoro. Dois títulos de músicas da banda já transmitem uma ideia do que rola no show: "Funkarimbó" e "Anarquiá".


Ellen Oléria (Soatá) por
Taiana Laiun


Filme do Dia: Dona Onete


Aproveitando a ressaca do Conexão Vivo Belém, publicamos aqui Dona Onete, dirigido a quatro mãos por Vincent Moon e Priscilla Brasil (sim, ela, a diretora do genial clipe "Xirley", da Gaby Amarantos, e também de "Velas", de Madame Saatan) e lançado no YouTube em junho.

Preste atenção na hora em que o som da música cantada por Dona Onete diminui e a câmera faz um travelling, parece que o filme acabou mas só parece... (mais não dá pra dizer pra não estragar a sutil surpresa).



DONA ONETE
BELEM DO PARA, FEBRUARY 2011
A FILM BY VINCENT MOON & PRISCILLA BRASIL

images by vincent moon
sounds by priscilla brasil
mix by raphaelle duquesnoy
produced by greenvision & vincent moon

petitesplanetes.cc/​outtakes

Música do Dia: A Viagem

A banda Boddah Diciro, de Palmas (TO), lançou neste domingo o clipe da música "A Viagem", única faixa instrumental do CD Strange (2009). O filme reúne imagens de shows, ensaios e gravações de seus seis anos na estrada, indo do Acre (esta viagem foi tema do minidoc Boddah Diciro no Festival Varadouro 2008) a São Paulo.

Legal ver que a banda pensou justamente nesta música para ser seu segundo clipe oficial (o primeiro foi o de "Strange", lançado em maio de 2010). Ao escrever um texto sobre "A Viagem" (intitulado Curtissom: Boddah Diciro e o Prazer de Tocar), eu já dizia ver potencial na composição para ser "um tema de trilha sonora". Inclusive isto já aconteceu noutra obra audiovisual - o curta Pelos Seus Poros, do goiano Caio Rodrigues. (assista aqui).

domingo, 30 de outubro de 2011

Foi Show: 3º dia do Conexão Vivo Belém 2011

Família de Rua com Metaleiras da Amazônia por Thiago Araújo

A foto acima ilustra um dos momentos mais espontaneamente criativos do sábado, 29 de outubro, terceira noite do Conexão Vivo Belém 2011: a hora em que os mineiros da Família de Rua improvisaram ao som dos paraenses das Metaleiras da Amazônia - que já está na lista das melhores coisas que vi neste ano. Assim como no Conexão do ano passado, os veteranos dos Metaleiras fizeram um show vibrante, com muito merengue, carimbó, cúmbia, mambo e lambada, mostrando as matrizes das misturas que artistas mais jovens como Felipe Cordeiro, Lia Sophia e Aíla têm feito, combinando essa herança com as atuais referências pop (como eu comentei no texto O Novo Som de Belém).

Juca Culatra e Celso Moretti por Renato Reis

Afora a Família de Rua e Celso Moretti, todas as outras atrações do sábado eram paraenses. Moretti, expoente do reggae de Minas Gerais, já havia programado cantar "Brócolis", de Juca Culatra, e aproveitou a presença do autor no evento para convocá-lo ao palco. No restante de sua apresentação, Moretti alternou temas próprios ("Songamonga", "Preto José") com releituras ("Primavera", "A Novidade").

Público por Renato Reis

Duas cantoras paraenses saíram consagradas de seus shows nesta noite: Lia Sophia e Juliana Sinimbú. Num show irrepreensível, a primeira apresentou duas músicas inéditas, "Do Lar" (falando duma mulher que esquece dos afazeres domésticos quando começa a escutar o carimbó) e "Que Sorte". Por inéditas, entenda-se que foi a primeira vez que Lia cantou as músicas em show, porque boa parte de seu repertório do sábado ainda não saiu em disco - o que não impediu que o público cantasse em coro "Ai Menina" e "Salto Mortal", que devem estar no seu 4º CD, justamente intitulado Salto Mortal, que ela começa a gravar no início de 2012.

Lia Sophia por Renato Reis

Público no show de Juliana Sinimbú por Renato Reis

A participação do mestre Pinduca, cantando "Dona Maria" e o "Carimbó do Macaco", foi o fecho perfeito para o grande show de Juliana Sinimbú, cujo repertório mesclou composições suas ("Lá Fora", parceria com Renato Torres e Renato Rosas), canções do CD Sonho Bom de Fevereiro (como o excelente samba "Nem Venha", de Claudia Cunha e Luciano Salvador Bahia) e temas que ela sempre cantou, como "Gibi" (Antônio Novaes). Pela primeira vez, eu a ouvi cantar "Quero Quero", de Iva Rothe (espero ouvir mais vezes). Acertadamente, Juliana reforçou a banda que sempre a acompanha, a Clepsidra (um trio de formação roqueira: Renato Torres - guitarra, Maurício Panzera - baixo, Arthur Kunz - bateria), com um bandolim (Diego Xavier, que fez belos contrapontos com a guitarra de Torres) e dois percussionistas (Kleber Benigno e Márcio Jardim, ambos do Trio Manari).

Pinduca e Juliana Sinimbú por Thiago Araújo

Dona Onete por Thiago Araújo

Outro toque de tradição veio com o belo show de Dona Onete, com participação do produtor de seu primeiro disco, Marco André. O público cantou com ela "Proposta Indecente" (a canção que sairá no CD Trelelê, de Aíla) e "Chá do Tamaquaré".

Dona Onete, Marco André e público por Renato Reis

Dayse Addario e Zarabatana Jazz integraram em seu show as influências regionais com as do jazz, o que ficou muito claramente expresso na canção que encerrou o espetáculo, "Tambor de Couro" (Ronaldo Silva). Cibele Jemima, mais conhecida como compositora e violonista, participou cantando com Dayse "Midas Suburbanos" (Ziza Padilha - Jorge Andrade).

Dayse Addario e Ziza Padilha (Zarabatana Jazz) por Renato Reis

Público por Renato Reis

Orquestra de Violoncelistas da Amazônia por Thiago Araújo

Na abertura, a Orquestra de Violoncelistas da Amazônia interpretou releituras do rock mundial. Ao invés de adaptar o repertório roqueiro aos cânones eruditos, como muito já se fez, a proposta do maestro Áureo de Freitas é imprimir a pegada roqueira à execução de Beatles, Metallica e Iron Maiden com violoncelos (aos quais se soma uma bateria). No bis, um toque regional: o medley "Waldemar Henrique Encontra o Heavy Metal", com temas do maestro paraense.

Público e Orquestra de Violoncelistas da Amazônia por Renato Reis

***

Bruno B.O. e Black no Duelo de MC's por Thiago Araújo

O paraense MC Bruno B.O. participou do Duelo de MC's que a Família de Rua realizou pela primeira vez em Belém; na sua cidade, Belo Horizonte, o evento acontece desde 2007. Bruno primeiramente venceu Glenison Black, passando à semifinal, onde quem se deu melhor foi Fabrício FBR, superado ao final por Lúcio Aranha MC. No Duelo, cada MC tem 45 segundos para improvisar, e passa à outra etapa o melhor da rodada é escolhido por voto do júri e aplauso da galera. Eventualmente, pode haver um segundo e até um terceiro round, até que não restem dúvidas de quem passa à etapa seguinte. Mas a principal batalha vencida não foi esta, e sim outra, conforme consta do texto que Bruno B.O. publicou na tarde do domingo no Facebook, no grupo Repeiros do Norte:

"Paz, amor e união na floresta!

Ontem uma batalha real foi vencida. A batalha da rua contra a desinformação, a batalha da paz e da união, valores cada vez mais descobertos como possíveis remédios às dores sociais que criamos. Voltei pra casa com a sensação que todos mcs, b.boys, grafiteiros e djs venceram, o hip hop venceu! Muitos ainda tentaram nos confudir com gestos que sinceramente ainda tento entender, mas não julgo, mas muitos foram os que tentaram, e conseguiram, resgatar a real essência da cultura de rua: o conhecimento. O conhecimento traz amor, e o amor traz a união, e a união traz a paz, mas cada um deve ser ponto de irradiação desse conhecimento, ou seja, precisamos juntos construir o conhecimento. O Ego e o Julgamento são as principais armadilhas da alma, e uma alma doente não constrói, vive escravizada por verdades fugazes, ou dogmas manipuladores. Peço a TODOS no hip hop paz, amor e união! Um verso meu: "Trabalho e sinceridade, o resto nóis corre atrás!" Um salve Família de Rua, Marcos Dos Santos, Gaspar du Norte, Don Perna, Glenison Black, Lúcio Aranha Aranha Mc, Dj Morcegão Pará, Jamildo Andrade, Muleke Doido, Deejay Fantasma, Negro Edi, D-Luca Rapper Rapper."

Público por Thiago Araújo

sábado, 29 de outubro de 2011

Foi Show: 2º dia do Conexão Vivo Belém 2011

No palco do Conexão Vivo Belém, Gaby Amarantos começa a puxar o refrão: Ôôô, ôôô, hoje eu tô solteira... e logo se interrompe, dizendo: "Mas gente, eu não posso cantar mais isso porque eu... não tô mais solteira!!!". As cerca de 10 mil pessoas que assistiam o show imediatamente quiseram saber mais detalhes, mas na sequência a própria Gaby esclareceu tudo: "Mentira gente, eu sempre tô solteira!!!!", e em seguida chamou ao palco os últimos convidados da noite, a Gang do Eletro, com quem cantou os hits "Galera da Laje" e "Panamericano".

O episódio acima, que durou poucos segundos, é um belo exemplo da sintonia que Gaby consegue estabelecer com o público. Some-se a isso sua voz poderosa, a energia que transmite, a fantástica coleção de hits que ela colecionou quando, em suas próprias palavras, largou sua "carreira de cantora de MPB com flor no cabelo" para se dedicar inteiramente ao tecnobrega, e começamos a entender porque hoje Gaby é a artista do Norte com maior destaque nacional, e também porque foi dela o melhor show de ontem no Conexão. Gaby homenageou diversas aparelhagens (como a Tupinambá, em "Faz o T", que abriu o show) e cantou sucessos de colegas ("Beba Doida", de Viviane Batidão, e "Galera da Golada", de Roni Mata), antecipou três faixas do CD Treme, que sai em 2012 ("Xirley", que cantou duas vezes, "Ela Tá no Ar", que compôs com Felipe Cordeiro e cantou ontem com Marcelo Mira, e "Merengue Latino", de Ronaldo Silva), além de fazer um passeio pelo repertório de tecnobregas antigos. Aconteceu aí um dos momentos mais bonitos da noite, quando a filha de Marcos Pará, autor de "Ouro Negro", subiu ao palco para dançar com Gaby (na foto de Renato Reis).


Outro belo show foi o de Marco André tendo como convidado Pepeu Gomes. A interação entre o guitarrista baiano e a banda que acompanhou Marco (que tinha MG Calibre no baixo e o Trio Manari na percussão) proporcionou momentos inesquecíveis, como a bela introdução que Pepeu improvisou para o carimbó "Pescador", de Mestre Lucindo, e seu solo em diálogo com o Manari em "Eu Também Quero Beijar", sucesso do próprio Pepeu. O Manari já deixara sua marca em "Caringlobalizado", de Marco André, na primeira parte do show. Junto com o show da Gaby, foi um momentos de maior manifestação do público presente na Praça Dom Pedro II.

Pepeu Gomes e Trio Manari (foto: Renato Reis)

Também merecem destaque os outros baianos da noite. Lucas Santtana fez um show vibrante, alternando temas próprios (como o "Recado para Pio Lobato", homenagem instrumental ao amigo paraense), e releituras inusitadas como a do samba "Faixa Amarela", de Dudu Nobre, lançado por Zeca Pagodinho, que nas mãos de Lucas ganhou ares de blues com levada reggae, além de uma nova estrofe - em inglês! E a banda Vendo 147 trouxe o vigor do rock'n'roll instrumental, com tintas jazzísticas, e a peculiaridade de ter dois bateristas dividindo o mesmo bumbo (com um pedal de cada lado). Confira na foto de Thiago Araújo.


Outro momento instrumental foi o agradável encontro de violonistas - o paraense Sebastião Tapajós e o argentino Sergio Ábalos. Os dois gravaram recentemente o CD Conversa de Violões, com lançamento previsto para 2012. O repertório alternou clássicos de Astor Piazzolla ("Verano Porteño") e temas do próprio Tapajós ("Igapós"), e ao final contou com a participação de Márcio Jardim, do Trio Manari, na percussão.

A paraense Aíla chegou a comentar seu nervosismo por estar naquele palco - foi sua primeira vez num festival do gênero, após participar dos shows de Felipe Cordeiro e Juca Culatra no Festival Quebramar (Macapá, julho de 2010). O fato é que, nervosa ou não, isso não interferiu na belíssima apresentação que Aíla fez, cantando boa parte do repertório do CD Trelelê, a ser lançado em breve, com sua banda quase completa (só faltou Camila Barbalho, substituída no baixo por Maurício Panzera. No mais, estavam todos, Felipe Cordeiro e Tom Salazar Cano nas guitarras, Adriano Sousa na bateria, João Paulo na percussão; e de Macapá veio Otto Ramos, que gravou os teclados no CD e que não tocava com Aíla em Belém desde 8 de abril). O público, incluido aí o Fã Clube Trelelê em peso, cantou junto "Sinhá Pureza" (Pinduca) e "Garota" (Alípio Martins - Marcelle) e vibrou com a mensagem de "Todo Mundo Nasce Artista" (Eliakin Rufino). Para cantar "Trelelê", Aíla convidou Iva Rothe, que compôs a música junto com Felipe Cordeiro.

Aíla e Iva Rothe (foto: Renato Reis)

A abertura contou com a banda paraense Ultraleve e o Clássico Popular. As músicas da Ultraleve tem um sabor de Jovem Guarda, a que o uso de instrumentos incomuns no rock - violoncelo, violino, trombone, trompete e saxofone, somados ao trio básico guitarra-baixo-bateria) imprime uma atmosfera jazzy. Destaco em especial "A Hora é Essa", de Will Mendes.


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Foi Show: 1º dia do Conexão Vivo Belém 2011


Lenine
(ao lado, na foto de Thiago Araújo) fez o show mais aguardado do primeiro dia do Conexão Vivo Belém 2011, e o que mais mexeu com a galera que o esperava desde cedo Praça Dom Pedro II (seu show foi em torno de 2h30, as atividades na praça começaram perto de 20h). A bem da verdade, o momento de melhor resposta do público foi no bis, quando o pernambucano, ao invés de fazer só a canção que estava programada ("Hoje Eu Quero Sair Só"), entremeou vários sucessos seus com citações de clássicos como "País Tropical" e "Me Deixa em Paz", cantando sem violão na beira do palco. Antes disso, Lenine havia apresentado alguns sucessos, como "Jack Soul Brasileiro", e canções que figuraram em trilhas de novela (como "Aquilo que Dá no Coração", que abria Passione em 2010), sem empolgar tanto. Até ali, o público vibrara mais apenas na hora em que Lenine inseriu versos de "Sinhá Pureza", de Pinduca, em "Magra".

Ao longo da noite, predominaram shows instrumentais, como o do paraense Trio Manari, o do mineiro Suíte para os Orixás e da potiguar Camarones Orquestra Guitarrística. Os três em sequência, porém todos em estilos diferentes, tendo em comum basicamente o fato de serem instrumentais e também a qualidade do que foi apresentado. Camarones foi o momento rock da noite, com temas dançantes como "Peggy Loucena" e "Festa dos Gatos". Suíte para os Orixás apresentou na íntegra o repertório do CD homônimo gravado com orquestra de cordas - não há como reproduzir em turnê a formação que gravou o disco, mas com certeza isso não representou prejuízo algum, artisticamente falando. O sexteto foi responsável por alguns dos momentos de maior beleza musical da noite, com melodias sutilmente elaboradas e uma execução primorosa lembrando música de câmara. Já o Manari colocou no palco os sons percussivos da Amazônia - além de apresentar, como de hábito, carimbó e guitarrada, ambos paraenses, o grupo também mandou ver no marabaixo do Amapá. O show do Manari não chega a ser completamente instrumental, como os outros dois - além dos percussionistas Kleber Benigno e Nazaco Gomes fazerem vocal em algumas músicas, também foram cantadas as duas únicas participações especiais da noite: a do baixista MG Calibre e a da cantora Érika Nunes (que apresentou "Obaluaiê", de Waldemar Henrique). O show do Trio Manari iniciou com uma versão instrumental de "Dançando no Rio", parceria do Trio com Adelbert Carneiro (baixista da banda que acompanhou o Manari ontem) e o poeta roraimense Eliakin Rufino.

Trio Manari por Renato Reis

Os outros shows da noite foram do paraense Ivan Cardoso (que interpretou sucessos como "Moleque Tinhoso") e do mineiro Marku Ribas, com sua excelente mistura de samba, jazz e black music, presente em clássicos como "Zamba Ben". Ao apresentar a banda, Marku fez uma homenagem especial ao paraense Zérró Santos, a quem qualificou como um dos melhores baixistas em atividade no Brasil. Deixo de comentar o show de abertura, do paranaense Deco Sampaio porque ele já estava encerrando quando cheguei à praça, perto de 20h30.
  • Ao final, a apresentadora Dani Filgueiras transmitiu ao público o pedido de Gaby Amarantos para que as moças compareçam hoje vestidas de Xirley, ou seja, usando saia vermelha e blusa (camisa) preta. Agradeço à cantora e à produção do evento terem aderido à campanha que lancei aqui - Todas vai de #Xirley no show da Gaby Amarantos no Conexão Vivo Belém dia 28! (e que foi noticiada hoje n'O Liberal sem menção ao meu nome). Não esqueçam de depois mandar sua foto para publicação no Som do Norte!

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Juliele canta em solenidade da Assembleia do Amapá amanhã


Na manhã desta quarta, 27 de outubro, Juliele apresenta-se em sessão solene da Assembleia Legislativa do Amapá, em homenagem a ministros do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, além de Jaldo de Souza, presidente do Conselho Federal de Farmácia.

Acompanhada pelo maestro Manoel Cordeiro ao violão, a cantora irá apresentar um show acústico com músicas com temática amazônica, como "Jeito Tucuju" e "Canto dos Castanhais".

Agenda Boa Vista: 5º Encontro Internacional de Motos de Alta Cilindrada

5º Encontro Internacional de Motos de Alta Cilindrada
Programação musical

Sexta-Feira (28)

AltF4
Artigo Quinto (AM)
Biquini Cavadão
Capitão Caverna

Sábado (29)

Johnny Manero
Mr. Jungle
Frejat
Blue Cats

Domingo (30)

Reclive
Super Nova
Alive - Bee Gees Cover


domingo, 23 de outubro de 2011

Foi Show: Canta Xingu


Aconteceu na noite de sexta, 21 de outubro, na sede do SINTEPP (Sindicato dos Trabalhadores da Educação Pública no Pará), em Belém, o primeiro Canta Xingu. A ideia é realizar quinzenalmente um evento que conjuga posicionamento claro contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte no Pará com a boa música paraense.

Na estreia, as presenças de Juca Culatra, que iniciou seu show, logicamente, com "Xingu", a faixa mais política de seu CD Dino Sapiens, lançado este ano. Juca cantou outros sucessos, como "Crioulo Doido" e "Brócolis", ao lado da banda Cristal Reggae, que também interpretou seus clássicos (trata-se da mais antiga banda de reggae do Norte).


A cantora Joelma Klaudia, natural de Altamira, uma das cidades que será mais prejudicada caso se cometa a insensatez de levar adiante a construção da usina, foi contundente ao condenar a obra. Contando com a participação especial do saxofonista Alexandre Pinheiro, Joelma cantou músicas dos seus tributos a Janis Joplin ("Mercedes Benz", "Proud Mary") e Amy Winehouse ("Rehab", "Back to Black"), além de canções de seu CD Dias Assim ("Reino" e "No Mundo", além da faixa-título).


10 coisas que eu preciso dizer sobre o show de ontem da Luê


1 - A cantora Luê fez um show sublime ontem no SESC Boulevard (Belém), uma prévia do que irá apresentar no próximo dia 8 de novembro na Choperia do SESC Pompeia (São Paulo).

2 - O show mostrou uma banda renovada, com os ingressos de Léo Chermont (guitarra) e Arthur Kunz (bateria) - a dupla que forma o Strobo.

3 - Já foi possível perceber uma modificação nos arranjos, com Léo semeando psicodelia e Kunz dando mais "peso" na bateria.

Rubens Stanislaw, Léo Chermont, Luê (em pé), Júnior Soares,
Rafael Barros (de costas) e Arthur Kunz (bateria)
(foto: Renato Reis)

4 - O set list foi: "Dunas da Princesa", "Sei Lá", "Tempo Invertido", "Nós Dois", "Cavalo Marinho", "Ave Manhã", "Sim", "Faróis", "Campo do Meio" e "Veneno". No bis, "Sei Lá" e "Cavalo Marinho". (Pouco mais de uma hora, já que devido à programação especial de outubro o SESC programara uma peça de teatro para iniciar logo em seguida). Foi a estreia no repertório de "Cavalo Marinho", parceria de Renato Torres e Ronaldo Silva.

5 - Originalmente, "Veneno" foi composta por Ronaldo Silva com o título de "Rodopiado". Porém, nos ensaios, de tanto os músicos se referirem à canção por este nome, ela foi incluída assim no set list. Resta saber se Ronaldo aprovará a mudança...

6 - O show em São Paulo acontecerá apenas 4 dias após Luê completar um ano de carreira (sua estreia foi em 4 de novembro de 2010, participando de um show de Arthur Espíndola - reveja na Videografia dela que publicamos em abril).

Luê, a moça e sua rabeca
(foto: Renato Reis)

7 - A evolução de Luê como cantora nesse pouco menos de um ano é impressionante. Ela demonstra domínio da técnica, segurança, expressividade e dá a interpretação mais adequada a cada canção. Está à vontade no palco, inclusive quando conversa com a platéia - o que ontem pouco pôde exercitar devido à apresentação ser muito breve.

8 - Creio não ser mais necessário falar da técnica de Luê enquanto instrumentista. Mesmo que os arranjos fiquem mais "pesados" (em "Cavalo Marinho", alguns espectadores brincaram falando em rock), a rabeca seguirá dando o toque de tradição paraense da qual a intérprete não parece interessada em abrir mão (oba!).

9 - Vários artistas da cidade, entre eles Iva Rothe, Arthur Espíndola, Arthur Nogueira e Yasmhin Friaça, prestigiaram o show de Luê.

10 - Aproveitei, ao final, para convidar Luê para fazer um dos próximos Som do Norte na Saraiva. Estamos pensando também em nova Videografia, além de algumas surpresinhas que vocês saberão em breve.


sábado, 22 de outubro de 2011

Foi Show: Quando Eu me Chamar Saudade

Na quarta, 19 de outubro, tive o grato prazer de apoiar e assistir o show Quando Eu me Chamar Saudade, no qual Yuri Guedelha homenageou Nelson Cavaquinho, dez dias antes do centenário do compositor carioca. Ante um Teatro Margarida Schivasappa praticamente lotado, o anfitrião cantou sucessos como "Notícia" e o samba-título do show, além de contar algumas histórias ligadas à vida do ilustre mangueirense (a escola do coração de Nelson deu o tom do figurino da noite). As fotos deste post são de Mary Anne Frazão.

A primeira convidada foi Simone Almeida, intérprete mais ligada à canção romântica. (Atrás de Simone, o cantor Léo Meneses, estreando como backing vocal).

Seguiu-se Pedrinho Cavalléro, brilhando em clássicos como "Cuidado com a Outra".

A maior surpresa do show para mim foi a participação de Yasmhin Friaça. A jovem de apenas 20 anos mostrou-se uma intérprete segura, expressiva e com excelente presença de palco. Brilhou em sambas jocosos como "Dona Carola". Yasmhin já tem presença garantida na reapresentação do show no SESC Boulevard, no dia 29 de outubro, a data exata do Centenário.

A convidada mais esperada veio do Rio de Janeiro especialmente para este show: Nilze Carvalho. Com seu grupo, o Sururu na Roda, acabara uma temporada do show Com os Olhos Rasos d'Água, também dedicado a Nelson, de modo que quando Yuri lhe telefonou convidando para o show em Belém, Nilze respondeu de pronto: Aceito, e já estou com o repertório ensaiado!

Ela iniciou solando ao bandolim o único choro conhecido de Nelson: "Caminhando". Depois mandou ver em temas como "Juízo Final" e...


..."Folhas Secas", que cantou inicialmente junto com Malu Guedelha (à esquerda na foto abaixo) e em seguida com todos os outros convidados (menos Simone, que só se juntou ao grupo no final).


A nota falha da noite foi, mais uma vez, o intenso calor dentro do teatro, já que o sistema de ar condicionado simplesmente não funciona. Pergunto à direção do teatro: até quando teremos que aguentar isto? Não custa lembrar que em Belém a temperatura média anual é de 26 graus, atingindo a média máxima em outubro de 32,2º.

Agenda Belém: Rock Rio Guamá


Dia 26/10

Hora
Banda
18h/18h30
Bonsalvage
18h45/19h15
Paralelo 11
19h30/20h
Destruidores de Tóquio
20h15/20h45
Maquine
21h/21h30
Mundé Qultural
21h45/22h15
Brigue Palhaço
22h30/23h
Cristal Reggae


Dia 27/10

Hora
Banda
18h/18h30
Pimentas Inflamáveis (cancelado)
18h45/19h15
Sincera
19h30/20h
Nego Bode
20h15/20h45
Strobo
21h/21h30
Bruno B.O
21h45/22h15
A Red Nightmare
22h30/23h
Delinquentes

DJs - CAPELA DA UFPa
Dia 26/10

Hora
DJs
18h/19:30h
Divas do Reggae
19:30h/21h
Homero da Cuíca
21h/22:30h
J-zero 3
22:30h/00h
Don Perna


Dia 27/10

Hora
DJs
18h/19:30h
Cury Pedra
19:30h/21h
Alex Pinheiro
21h/22:30h
Ana Flor
22:30h/00h
Eddie Pereira
Depois das 23h, haverá transporte com a cooperativa de vans do DCE da UFPa, com destino ao Entroncamento/Almirante Barroso, São Braz e Praça do Arsenal.