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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Foi Show: Duo Pirarublue


Por Silvio M. Santos*

Menino olha o boto, menino olho boto... E todos os olhares se voltam para as barrancas do Rio Madeira, justamente no local aonde ficava o ancoradouro dos navios, que chegavam a Porto Velho vindos de Belém do Pará e de Manaus e atracavam no Pontão Aripuanã, de onde a carga era levada até a superfície através do sistema que ficou conhecido como “Plano Inclinado”, dessa vez, quem surge como se fora um Boto é o cantor Sandro Bacelar que no refrão da música se vira-se para trás e anuncia...”Menino olha o botão de rosa...E surge como se fosse a Yara (Mãe D’água), sua parceira Gioconda. Os aplausos ecoam por entre os armazéns da Estrada de Ferro Madeira Mamoré. Era apenas o começo do espetáculo musical “O Canto Beradeiro” com o Duo Pirarublue que é formado pelo Sandro e pela Gioconda.

O show tem como proposta mostrar o trabalho musical de compositores locais cujos temas falem sobre nossas coisas, ou da cultura beradeira do portovelhense. Assim nos deparamos com o “marreteiro” através da canção “Regue-a-Teia” que na realidade fala sobre os regatões que abasteciam os beradeiros de tudo quanto era produto, inclusive as quinquilharias muito apreciadas pelas cunhãs, é como se voltássemos na “Esquina do Tempo” (Binho); e ficássemos apreciando a meninada brincando nos “Terreiros” (Laio), “Por Deus, Por Nós" (Laio e Nega), até chegar ao "Aceiro" (Laio). As três últimas músicas foi uma homenagem mais do que justa ao compositor Laio e a cantora Nega.

O [show] parou por uns segundos para que se ouvissem os aplausos para a “Nega e para o Laio”. Toma um suco de maracujá para tranquilizar a garganta, dá aquela pigarreada: é o Sandro assumindo o canto solo de “Santo Antônio", uma música de sua autoria, da primeira cachoeira desembarcamos na VilaTupi para brincar com “Morenas e Bumbas" (Binho); e depois louvar a “Terra” (Sandro e Gil), “Porto do Velho” uma canção muito bonita de autoria do Romano. Se estamos na Madeira Mamoré não podemos de deixar de dar uma passada pelo “Morro do Triângulo” (Sandro e Luiz Cezar) e a subida ao morro nos leva ao povo “Api Zoró” (Binho).

Enquanto o Duo Pirarublue fica embrenhado na aldeia Zoró, quem toma conta do palco, é o cantor e compositor paraense Augusto Silveira, cujas músicas enaltecem a região amazônica.

Mana, mana, manaura. Mana, mana, manauara... É o Duo retornando com todo gás interpretando a música do Bado e do Binho numa das melhores interpretações que já ouvimos e vimos para essa música. As folhas que compunham o figurino criado pela artista Lu Silva foram sendo distribuídas ao longo do espetáculo para o público, na blusa do Sandro só restava uma folha de cupuaçuzeiro e está foi entregue ao seu irmão enquanto Sandro entoava: “Você precisa ver para saber como é, que andava o trem da Madeira Mamoré." Até parecia que estávamos assistindo à chegada do trem horário puxado pela máquina 15 com o maquinista Aleluia repicando seu apito na curva do Triângulo. “O trem que parte às seis horas da manhã, de Porto Velho com destino a Abunã”. Antes de desembarcarmos na estação da ilusão, lembramos que na música “Por Deus, Por Nós” do Laio, Gioconda convidou para cantar com o Duo as crianças Ana Clara, Julia, João e Sara.

Sandro Bacelar chamou a atenção para os músicos: Bado (violão), Eric Almeida (teclados e flauta transversal), Cleyton Esquerdinha (contrabaixo), Cleiton Lyra (percussão) e Júnior Lopes (bateria). A produção é de Sandro Bacelar e Almira Lopes e a Lu Silva assina o figurino. A mestre de cerimônias foi a Bebel.

* Publicado originalmente no blog Zekatraca
- 12.9.11

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