Aqui se fala do som dos estados do Norte do Brasil: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Entrevista: Marcio Macedo fala do Música na Estrada

Márcio Macedo apresentando o Música na Estrada
(Foto: Renato Reis)

Som do Norte - Márcio Macedo, depois de duas semanas na estrada, percorrendo seis cidades do interior do Pará, qual sua avaliação sobre o 2º ano do Música na Estrada?

Márcio Macedo - Avalio muito positivamente. Uma grande experiência para nós da MM Produções e para todos os mais de 50 músicos que pisaram na carreta-palco do projeto. A coisa mais forte de todas é a reação do publico em cidades como Tomé-Açú e Dom Eliseu, que não costumam ver programações musicais com tal diversidade. Nosso contato com os artistas locais também foi algo muito positivo. Ouvimos diversas vezes que nunca houve evento com esse perfil em alguns locais. Houve momentos emocionantes como a junção do Charme do Choro, do Trio Manari e do Guitarrada-Açú, em Dom Eliseu, uma cidade que respira música sertaneja e outro gêneros como o arrocha. Vimos muita gente deslumbrada, espantada, na plateia. Crianças impressionadas com tanta energia musical nos solos de percussão, de guitarra e tambores. Acho que realmente levamos outros brasis para outros brasis.

Som do Norte - Essa possibilidade de interação entre as bandas foi levada em consideração ao se mudar o formato do evento, que no ano passado era em um dia por semana apenas?

Márcio Macedo - De certa forma sim. a gente imaginou que colocar os artistas convivendo juntos por 4 dias na estrada, tocando em cidades diferentes, provocaria alguma coisa de certa forma inédita em nossa cena cultural. Sabemos que muitos artistas circulam pelo estado do Pará, mas em nosso caso, estamos lidando com uma cena que não tem muito espaço. Estou certo de que proporcionamos não só uma nova visão sobre a música para as plateias, mas uma experiencia rara para todos os artistas envolvidos. A experiencia de um show tão fraterno como este, no último dia, traduz um pouco isso. O lance de colocar os artistas na estrada é algo que empolga um pouco por causa do processo que se vive.

André Macleuri (Guitarrada-Açú) entre Rafaela Bittencourt e
Carla Cabral (Charme do Choro), no show de Dom Eliseu - 27.8.11

Som do Norte - Um evento deste porte não se faz sem parcerias, apoios e patrocínios. O que você gostaria de ressaltar em relação a isto neste 2º Ano do projeto?

Márcio Macedo - Tivemos a participação efetiva das secretarias de cultura de cada cidade. Em todos os eventos, esses parceiros proporcionaram mobilização das pessoas, liberações de licenças, apoio em hospedagens e alimentação (já que o número de shows excedeu bastante o que estava previsto no projeto original), financiamento das atrações locais. Enfim, a presença ao nosso lado até mesmo nos incentivando a fazer mais vezes, como se o que fizemos fosse um presente para as populações. Gostaria de agradecer ainda a toda equipe da Lei Semear, ao presidente da Fundação Tancredo Neves, Nilson Chaves, e à equipe de gestão do Conexão Vivo, com quem estamos aprendendo bastante a realizar trabalhos democráticos, cada vez mais coletivos e transparentes.

Som do Norte - Os shows foram gravados em vídeo, que destino pensas dar a este material?

Márcio Macedo - Esse material poderá ser usado para diversas finalidades. Os artistas poderão publicá-lo no YouTube, potencializando seus trabalhos... A gente vai fazer uma avaliação de todo o material, e isso poderá gerar um documentário.

Público em Tomé-Açú - 25.8.11

Som do Norte - Há algo em especial que você gostaria de destacar em relação ao Música na Estrada - Ano II?

Márcio Macedo - Não consigo falar só de uma coisa: muitas coisas vão ficar guardadas. Uma delas é a atuação da equipe de produção. Com uma maratona tão exaustiva, todos ao final do projeto mostraram pra gente grande vontade de fazer pela música, fazer o melhor possível... Um destaque importante é a participação da 16-Bits, que prova que não importam as dificuldades, quando se quer, se vai em busca. Além disso, nas quatro últimas cidades - Bragança, Tomé-Açú, Paragominas e Dom Eliseu -, realizamos bate-papos pela manhã, antes dos shows, abordando temas como sustentabilidade, mercado, oportunidades e carreira; Em Bragança, tivemos além das bandas que viajavam com a gente, tivemos a presença dos músicos da banda Codex, os maiores representantes da cena rock da cidade, além do pessoal da banda Nêgo Bode - eles se deslocaram de Augusto Correa. Vieram até músicos de Capanema para participar. Um dos principais temas nesse dia foi o fortalecimento da cena musical de Bragança na proximidade do aniversário de 400 anos que a cidade irá comemorar em 2013. Bragança é um dos mais importantes pólos culturais e turísticos da Costa Atlântica da Amazônia. Enfim, o contato com os artistas locais nesses bate-papos nos mostrou quantos talentos maravilhosos ficam esquecidos por causa das dificuldades de acesso a programas, mais concentrados na capital. Nos fez pensar na necessidade de incentivarmos mais projetos de formação, oficinas, capacitação. Nossa visão ao final desse projeto é que o trabalho só está começando. Já estamos sonhando com outros interiores, com outros formatos com maior permanência em cada cidade, estamos pensando em carreta-sala de aula, em ganhar os rios, e por aí vai.

Nenhum comentário:

Postar um comentário