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terça-feira, 19 de julho de 2011

Curica: medida certa entre música tradicional e pop

Por Nicolau Amador

Raimundo Leão Ferreira Filho, o Mestre Curica está de disco novo. Depois de tocar mais de 34 anos com Mestre Verequete, com quem lançou cerca de 10 discos, Curica garante que tem mais de 1.000 músicas compostas. “Eu não componho mais, agora só tiro para gravar”, garante o mestre que aprendeu a tocar aos 7 anos de idade com o pai, que era professor de música.

Desse banco de canções saíram as 10 últimas, que compõem Vem dançar carimbó, um lançamento do selo Na Music (2011) que chega com o patrocínio do programa Conexão Vivo, através do projeto Nova Música da Amazônia. Trata-se do terceiro disco da carreira de Curica na fase pós-Mestres da Guitarra, grupo lançado em 2003 por Pio Lobato, que trazia ainda Aldo Sena e Mestre Vieira.

Depois de Guitarradas do Pará (2008) e Guitarradas do Pará Vol. 02 (2010), Mestre Curica estréia pelo selo do empresário Ná Figueredo trazendo além do carimbó ao estilo tradicional, cumbias, lambadas, chorinhos e boleros.

Bem antes, aos 17 anos, Curica foi convidado por Mestre Verequete para fundar um grupo de carimbó, o Uirapuru. “Meu pai era professor de música e trabalhou na companhia que administrava a estrada de ferro de Bragança. Ele tocava qualquer instrumento de sopro e de corda. Verequete soube de mim e veio até em casa me chamar para formar o grupo Uirapuru”, relembra Curica.

Neste disco novo, Curica contou com a participação de Felipe Cordeiro (guitarra base), Marcos Puff (sopros), Charles (baixo) e Bob (bateria), que compõem uma segura banda base para as músicas, sendo seis delas instrumentais. “Dominicana”, “Lambadeando com ela” e “Cadê a Primavera” mostram uma competente face instrumental de Curica, levando um passo adiante a chamada “surf music da Amazônia”, que até então só conhecera os experimentalismos de Pio Lobato.

Entre as canções com letras, destaca-se o hit de Curica: “Pedreirinha de Marituba”, hino que exalta, em ritmo de carimbó, seu bairro e cidade onde nasceu. Outro destaque é “Beleza da Noite”, uma espécie de guitarrada havaiana. Se o Havaí fosse ali em Abaetetuba, onde Curica fez, no último sábado, 16 de julho, o primeiro show depois do lançamento do disco, seria perfeito. As canções de Curica trazem a música tradicional para um patamar de qualidade superior em questões técnicas. Uma mistura correta entre música tradicional e pop.

A vantagem é que o Mestre transita ainda pelo choro e pelo bolero com a mesma competência, como atestam as também instrumentais “Abraçado com o banjo” e “Entre Amigos”. A cumbia “Dançando na Vila Sorriso” traz nuances dub, sem apelos de modernidades maiores.

Misturando zouk, merengue e guitarra surf, as músicas ganharam leves contornos de modernidade com os sintetizadores operados por Felipe Cordeiro. Curica, porém, não cede à tentação dos beats acelerados do tecnobrega. Em todas Curica sola seu banjo ou sua guitarra baiana, que ele mesmo construiu, com malemolência e swing seguros. Um disco para ouvir sem cansar.


Serviço:

CD Vem dançar carimbó , de Mestre Curica
Lançamento Na Music (2011)
A venda em Belém nas lojas Ná Figueredo (Gentil, 449 e Estação das Docas)
R$ 20

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