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quarta-feira, 8 de junho de 2011

Arrastão do Boi Pavulagem começa neste domingo

Ensaio para o Arrastão do Pavulagem 2011

Texto: Assessoria Arraial da Pavulagem

Já se passaram mais de 20 anos desde que o Arrastão do Pavulagem saiu pelas ruas de Belém pela primeira vez. Só que em 1987, a dimensão do mais antigo cortejo de cultura popular do Arraial do Pavulagem nem se comparava ao público de hoje, com expectativa de reunir mais de 20 mil pessoas. Gente que sai de casa em plena manhã de domingo para acompanhar o folguedo, que percorre a Avenida Presidente Vargas em direção à Praça da República. No próximo domingo, 12 de junho, o Arraial comemora 25 anos de cultura popular na Amazônia com a realização do Arrastão do Boi Pavulagem, celebrando e reverenciando o saber oral e tradicional do povo amazônico.

Este ano, o Arraial tem patrocínio da Vivo, através da Lei Semear, da Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves, e integra o programa Conexão Vivo, que há dez anos vem reconhecendo, valorizando e potencializando os talentos musicais, além de promover a formação do público e a integração cultural.

- O Arraial do Pavulalgem é como se fosse um espaço itinerante. Ele acolhe e despede pessoas. São 25 anos de vivências, e é bom não esquecer que, apesar de nossas diferenças e dificuldades, nós permanecemos unidos. Unidos pra cativar a cidade para o fortalecimento cultural, para construir um mundo novo, onde a cultura é tão importante quanto qualquer outra prática de conhecimento humano - avalia o músico Ronaldo Silva, um dos fundadores do grupo Arraial do Pavulagem.

Até o primeiro domingo de julho, o Arraial vai encher de cor e alegria um pedacinho da capital paraense, além de contagiar a cidade com a energia dos brincantes, ao som de carimbó, quadrilha e boi-bumbá. Esses são os ritmos tocados ao longo do cortejo, e que se juntam ao repertório mais abrangente executado pela banda no show de encerramento, na Praça da República.

No Arrastão do Pavulagem, a cultura popular é a grande homenageada. O Arrastão representa a quadra junina e traz para o cortejo a figura dos santos milagrosos: Santo Antônio, São João, São Pedro e São Marçal, comemorados em 13, 24, 29 e 30 de junho respectivamente. A homenagem é enriquecida e reinterpretada com ritmos, cores, danças, cantos e cheiros da Amazônia, numa forma de manter viva nossa própria identidade, enraizada na cultura popular, na memória e na oralidade de nossos ancestrais.

Um batalhão de estrelas

Cerca de 500 brincantes formam o Batalhão da Estrela, uma comitiva formada por dançarinos, pernas-de-pau, percussionistas, cavalinhos, cabeçudos, mastros de São João entre outros participantes, que se prepararam por quase 30 dias em oficinas e ensaios gratuitos de canto popular, dança, artes circenses e percussão, ministradas por educadores do Instituto Arraial do Pavulagem.

O Batalhão dá ritmo, movimento e vida ao Arrastão, ao mesclar-se com os símbolos da festa: o Boi Pavulagem, os vaqueiros, os bonecos cabeçudos, os mastros de São João erguidos na Praça da República na chegada do cortejo. Esses elementos se recombinam a bandeiras e estandartes, e aos tradicionais bois convidados para a festa, como os bois de Ourém ‘Pai do Campo’, ‘Tarja Preta’, ‘Ouro Fino’ e ‘Geringonça’; além dos belenenses ‘Boi Malhadinho’, do Guamá; e ‘Orube’, do Conjunto Satélite.

Os mastros de São João e os bois ‘Pavulagem’, ‘Malhadinho’ e ‘Orube’ chegam de barco no cais da Escadinha da Estação das Docas, onde o público já espera o início do cortejo em meio a uma roda cantada, na qual as músicas, ensaiadas pelo Batalhão da Estrela nas oficinas de canto popular, são entoadas até a partida rumo à Praça da República.

No Batalhão, há jovens, idosos e adultos de todos os estilos possíveis e de todos os cantos de Belém. Aparentemente pessoas que não tem nenhuma afinidade entre si, mas no Arraial estão lado a lado, convivendo no mesmo espaço e compartilhando histórias.

- É cansativo às vezes, porque a Presidente Vargas é uma subida, e o sol e calor são de lascar. Mas tudo é recompensado pelo carinho das pessoas. É muito bacana quando as crianças vêm correndo pra cima da gente querendo tirar foto. Durante o cortejo, a galera fica dando tchau. As pessoas ficam encantadas. E quando a gente sobe a Presidente Vargas e vê aquele colorido em meio ao túnel de mangueiras que só a gente vê, porque estamos no alto, nossa é uma sensação incrível - descreve Maruzo Costa, estudante de 22 anos do curso de Engenharia de Alimentos, e perna-de-pau do Batalhão da Estrela desde 2008.

Cuidado com o meio ambiente

Para cuidar do lixo produzido durante e depois do Arrastão, o Instituto Arraial do Pavulagem tem a parceria da Cooperativa dos Catadores de Materiais Recicláveis da Região Metropolitana de Belém, a Concaves. A cooperativa é formada por 25 famílias e presidida pelo catador Jonas de Jesus Fernandes da Silva, de 45 anos. Jonas calcula a coleta de duas a três mil toneladas de material reciclável por domingo de Arrastão. Quinze pessoas da cooperativa vão trabalhar no evento, o material coletado vai para o galpão da Concaves, onde passará por uma triagem e logo depois será comercializado com empresas ou indústrias de reciclagem. Para Jonas, a parceria com o Instituto servirá também como oportunidade de divulgação do trabalho da cooperativa.

- Além do reconhecimento dos catadores como trabalhadores que contribuem com a limpeza da cidade e a preservação do meio ambiente, o evento vai mostrar a importância da necessidade de se ter coleta seletiva numa metrópole da Amazônia - afirma o presidente da Concaves.

Serviço

Arrastão do Pavulagem
Data: 12 de junho (domingo)
Local: Escadinha do Cais da Estação das Docas (Rua Boulevard Castilhos França, bairro da Campina, Belém)
Hora: Concentração 9 horas, com roda cantada para esperar a chegada dos mastros de São João e do Boi Pavulagem que vêm de barco pela Baía do Guajará.

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