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domingo, 1 de maio de 2011

Foi Show: Luê


Ontem pela terceira vez vi Luê (acima, em foto de Thiago Araujo) cantar, no encerramento de sua temporada no SESC Boulevard nos sábados de abril. (Não incluo na contagem suas duas participações no Fuxicando, no primeiro como convidada de Juliana Sinimbú, no segundo dando canja no intervalo dos shows de João Alves e Sol Raiol, porque nesses dias ela não estava com sua banda, não houve ensaio, enfim, não estavam em primeiro plano as ideias musicais de Luê).

Se eu não soubesse, nada no show de ontem permitia supor que a intérprete tem menos de 6 meses de carreira (irá completar esse meio ano no dia 4). Luê canta com segurança, já tem plateia cantando junto as músicas que ela interpreta com frequência (é claro que, no caso de "Sei Lá", de Felipe Cordeiro, existe a gravação de Arthur Nogueira no CD Mundano. Mas "Saara", de Arthur Espíndola, é lançamento de Luê). A mesma segurança Luê já exibe ao conversar a plateia, seja para explicar o título do show, Tu, Já Rainha ("Tem gente que me pergunta: mas tu te acha uma rainha? Não né, gente, isso é o nome de uma música que meu pai fez pra mim quando eu nasci", contou). O próprio pai de Luê, Júnior Soares, fundador do Arraial da Pavulagem, é quem interpreta a canção-título do show (ele fez um set com três músicas do Arraial, na metade do espetáculo - numa delas, o guitarrista Renato Torres surpreendeu a cantora ao pedir ao percussionista Rafael Barros um pandeirão emprestado - foto ao lado). Outra participação foi de Arthur Espíndola, naturalmente cantando "Saara" junto com Luê.

O repertório é todo de autores paraenses: além do pai Junior Soares ("Nós Dois", parceria com Ronaldo Silva, ótima na voz de Luê), destacam-se no repertório os consagrados Ronaldo Silva ("Dunas da Princesa", já gravada por Lívia Rodrigues), Renato Torres ("Tempo Invertido") e a novíssima compositora Juliana Sinimbú (de quem Luê cantou "Delicadeza" - posso estar enganado, mas creio que Luê é a primeira intérprete que canta músicas de Juliana sem ser em dueto com a própria).

Um dos momentos mais divertidos foi quando Luê perguntou à plateia se queriam ouvir mais uma música de Renato Torres. Evidente que a resposta de todos foi "Sim", afinal todos sabem que se trata de um bom compositor. Luê seguiu: "Sim, vamos ouvir uma música de Renato Torres? Sim?", nós (de novo): "Siiim", e ela arrematou: "Muito bem, então vou cantar de Renato Torres... 'Sim'!"

Além do que já foi dito, é bom acrescentar: Luê é uma intérprete vocal que tem como seu instrumento acompanhador uma rabeca (é com ela que aparece na foto que abre o post), o que é muito raro. Só lembro agora de dois outros casos semelhantes: o pernambucano Antônio Nóbrega e o gaúcho Kledir Ramil (da dupla Kleiton & Kledir - mas a bem da verdade, meu conterrâneo não toca exatamente rabeca, e sim violino elétrico).
  • Dica: Leia outra resenha sobre este mesmo show: Tu Já Princesa, de Nicolau Amador para o Qualquer Bossa

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