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sábado, 5 de março de 2011

Foi Show: 2º Baile Livre, Leve e Solto


Estive em Macapá entre os dias 1 e 5 de março, a convite da produção do 2º Baile Livre, Leve e Solto, da cantora Juliele. O evento aconteceu na noite da quinta, 3 de março, na Choperia da Lagoa, onde também foi a estreia do projeto em 28 de janeiro. O 1º Baile lotou o local, segundo me informou o produtor executivo de Juliele, seu esposo Carlos Lobato. O 2º registrou um público menor, o que não significa pouco animado, longe disso! Primeiro de tudo, há que assinalar que, em pouco mais de uma semana (a ida a Macapá da atração nacional, o cantor Odair José, só foi confirmada nos últimos dias de fevereiro), a produção conseguiu tirar do papel um evento que ofereceu ao público amapaense três shows numa única noite, que transcorreu de forma impecável. O primeiro show foi de Juliele, apresentando uma prévia do seu segundo CD, que está em fase de gravação; o segundo, de Odair José; o terceiro, novamente com Juliele, desta feita cantando grandes sucessos de carnavais passados (o baile aconteceu na antevéspera do Carnaval). Vou intercalar meu relato com as fotos de Erich Macias (só não são dele as imagens do tópico final "Bastidores").


É preciso, já de início, cumprimentar Juliele e Lobato pela iniciativa do Baile, que demonstra grande visão. A ideia é que, todos os meses, a cantora faça um show tendo como convidado um grande nome da música brasileira (em janeiro, foi Evaldo Gouveia) e com participação especial de talentos locais (agora em março, foi Cleverson Baía; no primeiro Baile, foram Manoel Sobral, Oneide Bastos e Patrícia Bastos).


Observem que, ao invés de optar por algo que seria mais cômodo, mas de forma alguma incorreto - um show solo, em teatro ou casa noturna - a artista assume o papel de levar à sua cidade artistas que podem não estar hoje tão presentes na mídia, mas são de indiscutível qualidade, e divide o palco com seus colegas, oportunizando-lhes o mesmo palco oferecido ao visitante. Esta fórmula de colocar Juliele em contato com estes nomes consagrados foi desenvolvida em conjunto com o maestro Manoel Cordeiro, e vejo-a como importantíssima para o próprio crescimento artístico da cantora, que tem uma trajetória incomum: ela iniciou a carreira em 2007 já gravando CD, só depois fazendo alguns poucos shows até 2008, quando voltou a advogar; só pisou novamente num palco em maio do ano passado. Sua meta agora é dedicar-se integralmente à música.

Juliele iniciou o Baile com "Novo Amor", seguindo-se temas como...

... "Pérola Azulada", "Filha de Iemanjá"...

... a sensacional "Eterna" ("Baila baila baila..."), inédita com pinta de clássico...


... e culminando num set brega com "Amor Amor", "Quando Chegar o Amanhã" e "Tchau Tchau Amor".

Outro aspecto importante na opção por realizar bailes, e não um show em teatro, foi o desejo de criar um ambiente agradável para pessoas que gostem de dançar músicas românticas - inclusive há professor de plantão, e pares disponíveis para quem for sozinho à Choperia mas queira dançar também.

Inicialmente um pouco acanhados...

... em pouco tempo os presentes foram atendendo ao convite...

... não tardando em lotar a pista de dança, que ferveu na hora do set brega.

Encerrando a primeira parte, Juliele cantou um trecho de "A Noite Mais Linda do Mundo", chamando ao palco o convidado Odair José.

Odair é cumprimentado por Juliele, no momento em que ela saiu do palco para que ele fizesse seu show no Baile.

Odair iniciou com a mesma música que Juliele havia cantado pouco antes, "A Noite Mais Linda do Mundo", e na sequência fez um belo show, apresentando outros de seus grandes sucessos, quase todos lançados na década de 1970 (época em que a elite o considerava cafona)...

... como "Vou Tirar Você desse Lugar", "Eu, Você e a Praça", "Cadê Você" e "Pare de Tomar a Pílula".

Os casais também se embalaram ao som de Odair...

... que ainda elogiou muito a banda de Juliele, formada por alguns dos melhores músicos de Macapá.

Um dos pontos altos da noite foi quando, apenas com seu violão, sem a banda, Odair interpretou...


..."Foi Tudo Culpa do Amor", cantada em uníssono pela plateia (incluindo quem estava dançando na pista). Emocionante!

(Odair nunca se preocupou com as críticas da elite, pois sempre teve o favor do povo. O tempo lhe fez justiça; sua obra tem sido revalorizada neste novo século, e ele entrou no circuito dos festivais independentes - quatro dias depois, na segunda de Carnaval, cantou no Rec-Beat 2011, no Recife).

Em seguida ao final da participação de Odair, Cléverson Baía e Juliele cantaram "Noite dos Mascarados", a caráter, abrindo a parte carnavalesca do Baile.






Após a cavalheiresca retirada de Cleverson, Juliele surpreendeu (ao menos a mim) na parte final do baile, agora transformado em abertura do Carnaval. Não é fácil encerrar um show basicamente romântico e pouco depois iniciar outro, de caráter carnavalesco. Foi um desafio que a cantora superou com folga; esteve muito bem na interpretação de clássicos da folia brasileira como "Cidade Maravilhosa"...

... "Alá-la-ô", "As Pastorinhas"...

... "Me Dá um Dinheiro Aí", "Bandeira Branca"...

... "É Hoje" e muitas outras, que entusiasmaram a apresentadora Janete Silva.












A animação foi tanta...

... que teve até trenzinho!

O próximo Baile já tem data e local - dia 1 de abril, uma sexta, novamente na Choperia - e um nome nacional a confirmar: Benito di Paula, anunciado por Lobato pouco antes do Baile começar. No dia seguinte, 2 de abril, será a vez de levar o Baile a outra capital - Belém, com a participação especial de Evaldo Gouveia, a exemplo do que aconteceu na estreia em Macapá. Espero estar em ambos!

  • Bastidores

Na noite da véspera do Baile, Lobato levou-me para conhecer o local onde seriam servidas as refeições para Odair e seu empresário, Mr. Allemão - o restaurante Motor's, com especialidades pouco frequentes em Macapá, como picanha argentina, javali e cerveja uruguaia.


Nesta foto, vocês vêem: o maestro Manoel Cordeiro (de costas, à esquerda); a proprietária do Motor's, Mabel Palmeira, em pé; Osmar Júnior (com o violão); eu (com a camiseta do Festival Megafônica); e o jornalista Vicente Cruz.

Aqui, novamente Mabel ao lado de Odair e Juliele, no almoço do dia do Baile, servido por volta das 15h, logo depois que ele chegou de São Paulo.


Mabel também é autora desta bela foto do show romântico de Juliele.


Um comentário:

  1. Sem dúvida vc mostra um talento incomum quando fala sobre evento musical. Sua veia jornalística é capaz de dar o detalhe mais sorrateiro que se possa imaginar. O Livre, leve e solto é uma proposta que não é inédita, mas se revela importante para fermentar uma profusão de sentimentos através da dança. Nós que moramos nessa imensa floresta, acustumados que somos aos sons das àrvores, dos pássaros, das águas, das folhas...portantanto, temos um corpo que dança e, por conseguinte, uma cabeça que pensa. salve Fábio, um amazônida batizado pelos sons do Batuque, do Carimbó, do Siriá, do Marabaixo, e la nave vá...!

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