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sábado, 15 de janeiro de 2011

Manaus e Boa Vista constroem microrrotas de cultura

Por Cyneida Correia*


Evento de música organizado pelo Canoa Cultural
(foto: Arquivo da Folha de Boa Vista)

O circuito cultural de Manaus e Boa Vista começou a se unir para criar microrrotas para fomentar a cultura na região. Integrantes do Coletivo Difusão de Manaus estão em Roraima e já negociam com os integrantes do Coletivo Canoa Cultural estratégias para promover eventos de música, artes visuais, workshops, seminários oficinas e grupos de estudos relacionados à produção artística da cidade. A microrrota também pretende desenvolver troca de informações entre os cenários culturais para escoamento e intercâmbio das produções independentes.

O Coletivo Difusão é uma organização cultural coletiva de Manaus que visa à produção de arte para fomentar cultura. Atua desde 2006 promovendo a interação entre as manifestações artísticas independentes nos eventos e projetos.

Segundo Sávio Stoco e Ricardo Agum, do Difusão, a ideia de criar o coletivo surgiu com um grupo de amigos com ideias comuns que queriam fazer eventos que integrassem artes, música e audiovisual. “Hoje é uma associação formalizada, com sede própria, cineclube, teatro e integrada ao Circuito Fora do Eixo desde 2009. Temos 15 a 20 integrantes de forma ativa, fora cerca de 80 colaboradores que já participaram de alguma forma das atividades”, explicou Sávio Stoco.

Vinicius Tocantins, integrante do Coletivo Canoa Cultural, explicou que é muito difícil circular artistas entre os estados da Região Norte e que o principal objetivo é aproximar o diálogo cultural dos agentes entre Manaus e Boa Vista. “Queremos melhorar a circulação desses artistas e com as microrrotas vamos aumentar o diálogo entre os dois estados que são mais próximos. Isso está sendo negociado entre o Difusão e o Canoa, pois nosso objetivo maior em 2011 é fazer produções culturais entre Manaus e Boa Vista e vice-versa, fazendo um microcircuito entre os coletivos” disse.

Curta-metragem de fotógrafo roraimense é alvo de estudo cientifico

O jornalista cultural Sávio Stoco é pesquisador de cinema audiovisual e nesta visita está colhendo material para um artigo científico a respeito de um curta-metragem da década de 1960 feito pelo fotógrafo roraimense Normandy Litaiff. Com 70 anos de idade, quase 60 deles dedicados à fotografia, Litaiff é um dos ícones do jornalismo fotográfico em Roraima.

O filme Carniça, feito em 1966 em Manaus, foi vencedor de festivais e é considerado um marco na história do cinema na Região Norte. O curta, que foi feito mudo e em preto e branco, fala sobre as questões sociais das pessoas menos favorecidas. “É um filme que ele fez basicamente sozinho, uma surpresa, pois na década de 60 tinha movimento cineclubista, mas Litaiff não era integrado e apareceu no festival de 67 e foi um dos premiados. É um dos filmes mais citados pelos historiadores”, explicou Stoco.

Sávio Stoco, Vinicius Tocantins e Ricardo Agum

O cineasta disse que a importância do filme é pelas dificuldades de condições de se fazer cinema na década de 60 na Região Norte e que o curta tem cenas fortes, mostrando as condições precárias de Manaus e do mercado de compras Adolfo Lisboa.

“A princípio é um artigo científico que será disponibilizado na internet, pois o filme original Carniça havia desaparecido e nós conseguimos uma cópia em DVD e pretendemos fazer uma faixa comentada das imagens e disponibilizar na internet para facilitar o acesso”, concluiu.

* Publicado originalmente

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