segunda-feira, 31 de maio de 2010

Agenda Pará: Esquenta Eco Rock

O evento é uma preparação para o festival Eco Rock, que acontece dia 9 de julho também em Primavera, interior do Pará, já pelo segundo ano.

A iniciativa é da banda Paralelo XI, que criou um blog do festival, onde você pode se informar sobre como foi a edição 2009 e ler entrevistas com duas bandas do Esquenta: Superdoce e Tarja Preta.

Na Rede: Revistas Musicais do Amapá


O escritor e compositor Fernando Canto mantém a saudável prática de reproduzir em seu blog os textos que publica na imprensa de Macapá, destacando-se a coluna "Canto da Amazônia", que sai às sextas n'A Gazeta. No domingo, entrou no ar a coluna da sexta, em que um dos temas foi a nova revista Alé, com informações musicais e folclóricas, lançada pela banda Placa, ativa desde 1984. Na foto ao lado, o cantor e compositor Carlitão, um dos fundadores da banda.

Por coincidência, que só vim a constatar hoje, também no dia 28 eu recebi pelo Correio uma revista similar editada em Macapá em 2007, a Amazônia Musical, que tinha como diretor geral José Maria Cruz. O exemplar que me chegou às mãos foi um presente da leitora Vânia Beatriz, amapaense residente em Porto Velho. Músicas cifradas, entrevista com Osmar Júnior (que conta como a banda Placa o auxiliou no começo da carreira) e uma crônica do jornalista Renivaldo Costa.

Alguém sabe me dizer se esta revista ainda circula? Não há indicação de endereço na internet. O ideal com ela e também com a nova Alé é que procurem imitar o exemplo de Fernando Canto, reproduzindo na internet o conteúdo que saia na publicação impressa, ampliando seu alcance, o que viria ao encontro da proposta de Cruz na apresentação daquele nº 1 - contribuir "para que a cultura amazônida seja apreciada e divulgada em nossa região e em todo o solo brasileiro". A ambos, e a iniciativas semelhantes, oferecemos nosso apoio e espaço aqui no blog, se preciso for.




Agenda Pará: Projeto Invasão Caipira


Esta é a terceira edição do projeto idealizado pela banda Destruidores de Tóquio. A entrada para os shows é franca.
  • Veja no blog da banda como foi a 2ª edição do evento, em 24 de abril, na cidade de Capanema, onde moram os DDTs. Os convidados foram as bandas Octoplugs, Os Timbiras, Codex e StereoScope e a cantora Ana Clara (foto).

domingo, 30 de maio de 2010

Entrevista Especial: Felipe Cordeiro


Foto: Felipe Cordeiro por Paula Lourinho

Na quinta-feira, dia 27, abri o Rapidola dizendo que a entrevista que o jornalista Sidney Filho fizera com Felipe Cordeiro era leitura obrigatória. Tanto pelo registro da trajetória percorrida até agora, quanto pela explanação de suas idéias sobre música em geral e paraense em particular. Verdade seja dita: de poucos compositores da atual geração pode se afirmar que estão construindo uma obra, onde se pode identificar um projeto musical coerente e significativo, como Felipe está. Basta dizer que, das 41 canções que selecionei entre as mais destacadas de 2009 para concorrerem a Música do Ano, faziam parte da lista nada menos que 5 de sua autoria. Três só suas: "À Sua Maneira", que obteve a 4ª maior votação, "Sei Lá" e "Tambor de Luz"; e duas em parceria - "Um" (com Joãozinho Gomes e Marcelo Sirotheau) e "Vamos" (com Jorge Andrade). A leitura, além de obrigatória, não admite picotes - merece ser fruída na íntegra. A publicação original aconteceu no próprio dia 27, na nova casa do blog Ver-o-Pop - a Ecleteca.

Fabio Gomes - 30.05.10

***

Entrevista Especial: Felipe Cordeiro

por Sidney Filho

Felipe Cordeiro representa um dos grandes compositores da Música Paraense. Cheio de ideias e pronto para novas aventuras musicais, ele concedeu essa entrevista especial, na qual conta vários detalhes da carreira dele.

Contatos

(91) 81578051 – 32381227

felipecorda@gmail.com * felipeserracordeiro@yahoo.com.br * www.twitter.com/felipecorda * felipecorda@hotmail.com (msn)

Como, quando e por que começou a se interessar por música? E quais foram as tuas primeiras experiências como músico?

Desde muito cedo. Meu primeiro ídolo foi Michael Jackson, imitava todos os passos do videoclipe “Bad”, isso com meus quatro anos de idade. Mas acho que era algo que me impressionava, ainda não tinha consciência daquilo como uma arte. Acho que isso aconteceu com meu segundo ídolo Raul Seixas e depois com Chico Buarque, nunca me esqueço a primeira vez que ouvi as músicas “Mosca na Sopa” e “Construção”. Meu pai (Manoel Cordeiro) me mostrou a segunda e chamava minha atenção para o arranjo, passei a ouvir intensamente esse disco todos os dias. Mas o negócio foi se tornando mais sério quando entrei na Escola de Música da Ufpa aos 10 anos, lá estudei e fiz as primeiras apresentações, nos concertos de piano e nas apresentações da Orquestra de Bandolins da Ufpa, liderada pelo Luiz Pardal. Logo em seguida vieram os primeiros festivais de música popular, o primeiro que participei foi em 2000, quando eu tinha 16 anos, neste mesmo ano vieram os primeiros prêmios, o que foi algo importante. Acho que os festivais que participei nessa época (2000/2002) foram as primeiras coisas profissionais que fiz.

Você está sendo considerado como um dos grandes compositores da música paraense. Como é o teu processo de criação? E como você percebe, que uma música tem mais a ver com um intérprete?

Já tive um processo mais organizado, no começo era assim, eu tinha dificuldade de fazer alguma coisa que eu achasse boa, então eu era lento e organizado, justamente pra não poder dar muito errado, já que não ficaria do jeito desejado. Hoje, com a liberdade que a técnica proporciona, com um maior amadurecimento artístico e intelectual, fica mais fácil. Posso fazer uma música a partir de um texto poético (componho assim com o poeta Dand M e Jorge Andrade) ou a partir de uma melodia, uma linha de guitarra ou ainda uma levada de violão, posso fazer a letra. Hoje é assim, compor é como assoprar. Muito mais natural e intuitivo (com a técnica já absorvida). Embora não me considere um intérprete no sentido tradicional do termo, hoje não tenho mais essa dependência (que já foi muito boa e fecunda) dos cantores, no sentido de que, de um modo geral, não faço mais música pensando em outra pessoa, já fiz muito isso. Acontece de eu fazer música por encomenda, aí penso na voz de determinado cantor. Quando eu só compunha, ficava pensando que cantor caberia melhor naquela música, seja pela voz (instrumento vocal), pela sensibilidade (vibração), coerência estética.



Como você analisa o cenário da música paraense atual e também da música brasileira? E quais são os principais destaques em ambos?

Publiquei no blog do projeto Massa Grossa (http://www.estudiomassagrossa.blogspot.com/) (que desenvolvo com Pio Lobato, Ana Clara e Vovô), um texto chamado Dias Quentes, no qual me debrucei justamente num olhar sobre a música feita no Pará de hoje. Nesse texto eu não comento a cena, mas sim busquei fazer considerações sobre aspectos da estética da música contemporânea paraense, como a relação do calor com a liquidez, seja nos ritmos dançantes, híbridos; seja nos conceitos, intensos, anárquicos, capazes de elevar à estética Kitsch, por exemplo, a outro patamar, isto é, um vetor de transformação. A meu ver eis o ponto onde a música feita no Pará hoje se diferencia de um modo geral, das demais feitas no Brasil. Em outras palavras, vejo que a música do Pará hoje, talvez pela primeira vez na sua história, dialogue criativamente com a música contemporânea do mundo sem nenhuma dificuldade, aliás, muito pelo contrário, já que aquela é linha de frente desta. Isso porque, diferentemente de outras épocas, em que tudo era muito embrionário e isolado (um compositor aqui e outro ali, uma experimentação aqui e outra acolá), hoje já existe uma consciência de que existe uma estética nossa, um caminho aberto para a experimentação singular que a “floresta sonora” nos oferece. Acho que o Pio Lobato é uma peça chave no entendimento dessa história recente da música contemporânea paraense, identifico, sobretudo, no trabalho que ele fez com os Mestres da Guitarrada, algo de primoroso que radicalizou conceitos e consolidou (na idéia) uma estética sui generis que superou a dicotomia entretenimento/arte ou ainda kitsch/cult. Não foi a música que mudou, mas a idéia, o olhar. Acho que o som que o pessoal do Casarão Cultural Floresta Sonora (Juca Culatra, Metaleiras da Amazônia, Jungleman e MG Calibre) é interessantíssimo também, cheio de inventividade e ousadia. Destaco ainda Paris Rock, Arthur Nogueira, Coletivo Rádio Cipó, Projeto Secreto Macacos, Madame Saatan, Clepsidra, o trabalho recente da Iva Rothe e da Lia Sophia, como sendo momentos bem marcantes dessa produção atual. A música brasileira está num dos melhores momentos da sua história. A produção independente, do Amapá ao Rio Grande do Sul, surpreende pelo talento, diversidade e, sobretudo, algo que considero muito saudável, um desapego deliberado por uma música nacionalista. É como no cinema, os brasileiros precisaram (meados dos 60/70) se ver, se enxergar, isso nunca tinha acontecido antes do cinema novo, foi uma revolução. Passado esse momento o nosso cinema precisou expandir suas possibilidades estéticas, nós brasileiros tínhamos de experimentar maneiras de nos ver, inventar, despegar-se das tradicionais. Hoje é possível ver um filme do Heitor Dalhia e ele não ter nada, aparentemente, de nacional. E mesmo no que se faz em Pernambuco no cinema hoje é genial, aliás, como a música, eles encontraram uma estética, um desenho que tem um traço muito singular e definido. Sou admirador profundo, por exemplo, do Cláudio Assis, e lá tem traços fortes do cinema novo, mas reinventado, livre dos excessos nacionalistas. É isso que também ocorre na música brasileira. É o que vejo na música do Fernando Catatau, do André Abujamra, do Capilé, da Karina Buhr, do Kiko Dinucci, do Dante Ozzeti, do Cérebro Eletrônico, entre tantos outros grupos e artistas.

Quais são os teus novos projetos?

Estou produzindo o KITSCH POP CULT, o primeiro disco que me mostrou além do compositor. O que posso dizer por agora é que é inspirado no Alípio Martins e no Arrigo Barnabé. No mês de junho, julho e agosto, estarei me apresentado com um show já inspirado no CD em Belém e no interior do estado (Castanhal e Marabá) pelo projeto Conexão Vivo. Dia 16/6 farei no Acordalice Café um show pra mostrar um pouco desse som. Estou fazendo um trabalho em parceria com o Pio Lobato, a Ana Clara e o Vovô no projeto Massa Grossa, em breve a gente vai tocar e mostrar o que a gente anda inventando na garagem (do Pio), embora isso já esteja registrado (algumas coisas) no nosso Blog. Estou também na fase de pré-produção do cd da cantora Aíla, um trabalho que acho que vai render bons frutos, já que ela, apesar do pouquíssimo tempo de carreira (dois anos) já começa a apontar para um lance muito legal. No mais tenho meus trabalhos com o teatro que são revigorantes e se traduzem sempre num grande aprendizado.


sábado, 29 de maio de 2010

Música do Dia: Bem Musical


Me faltam as palavras para expressar a satisfação e a felicidade em que estou devido ao sucesso do lançamento que fiz ontem aqui do single de "Quando o Samba Acabou", clássico de Noel Rosa numa fantástica releitura de Juliana Sinimbú e Pio Lobato.

Além da grande repercussão no Goear, onde ocorreu a primeira postagem, lançamos o áudio também no nosso MySpace, e na capa do site Brasileirinho - onde, aliás, relembrei em texto publicado hoje que esta não é a primeira vez que lanço single de Juliana.

Já em março do ano passado, quando este blog ainda não estava nos meus planos, publiquei na Rádio Brasileirinho o áudio de "Bem Musical", regravação dela para a música-título do primeiro CD da banda Clepsidra, de 2004. É esta mesma que você ouvir e a partir de agora também baixar aqui - ontem mesmo Renato Torres autorizou o download.

JULIANA SINIMBÚ

" Bem Musical" (Renato Torres - Maurício Panzera)
com Banda Clepsidra
Data da gravação: 21/12/2008
Lançamento: março de 2009



Baixe a música

Oportunidade Brasil: Prorrogada votação do Prêmio Multishow!


Foi prorrogado o prazo de votação online no Prêmio Multishow 2010! O prazo inicial acabaria em 22 de maio, mas nesta semana foi estendido até 14 de junho. Não foram anunciadas novas datas das etapas seguintes, em que será aberta nova votação, para os que receberem maior número de votos na atual fase. Este "segundo turno" começaria na quinta, dia 27, e iria até 22 de agosto.

Mas não espere este anúncio, acesse a página de votação e indique quem você considera os melhores nas seguintes categorias: Cantora, Cantor, Grupo, Música, Clipe, Show, CD, DVD, Instrumentista, Artista/Dupla Sertaneja, e ainda apontar quem você considera Revelação ou sugerir ao público que "Experimente" (o site explica desta forma a categoria: "aquela banda que você adora mas pouca gente conhece").

É o momento para, sem as restrições de hábito, os fãs de artistas e bandas do Norte indicarem-nos maciçamente!


sexta-feira, 28 de maio de 2010

Música do Dia: Quando o Samba Acabou


A Música do Dia desta sexta é um lançamento exclusivo Som do Norte - uma versão de "Quando o Samba Acabou", de Noel Rosa, que Juliana Sinimbú recentemente gravou com Pio Lobato e seu projeto Massa Grossa. A gravação é recente, mas o convite de Pio a Juliana para darem nova roupagem a este clássico já tem algum tempo - foi, por exemplo, mencionada na entrevista que fiz com a cantora em 13 de setembro de 2009 (Diz Aí: Juliana Sinimbú).

Valeu a pena esperar. Juliana canta muito à vontade, sua voz dá aqui e ali inflexões levemente malandras que valorizam sua interpretação, que além do mais mantém um belo e ótimo diálogo com o instrumental o tempo todo. Magnífico o arranjo, a um tempo respeitoso com Noel (em dado momento o timbre do baixo remete a um violão de 7 cordas) e absolutamente contemporâneo - basta atentar para o vocalise final. Bacaníssimo!


JULIANA SINIMBÚ E MASSA GROSSA
" QUANDO O SAMBA ACABOU" (Noel Rosa)


Ficha técnica:

Pio Lobato - guitarra
Príamo Brandão - baixo
Vovô - bateria

Gravado no APCE Music Edition (Belém) - 2010

Agenda Macapá: Lia Sophia lança cd Amor Amor

Por Mariléia Maciel

Lia Sophia vem à Macapá lançar o seu terceiro Cd chamado Amor Amor que traz regravações de grandes clássicos da música brega da Região Norte, trabalho que a artista encarou como um grande desafio. “Esta é uma volta ao passado com um olhar atual”, diz Lia. Nascida na Guiana Francesa, criada em Macapá, ela reside em Belém desde a adolescência onde aperfeiçoou seu talento, começou a carreira profissional e produziu outros dois CDs.

Lia Sophia é cantora, compositora e instrumentista e neste trabalho fez a direção artística. Por três anos pesquisou o diversificado universo do brega do Norte do Brasil e o resultado foi a releitura da música brega de maneira contemporânea e ousada nos arranjos e sonoridade. Misturando elementos da música eletrônica com a percussão de ritmos regionais como o lundu e o marabaixo, Lia Sophia imprime personalidade na interpretação e surpreende nos arranjos. “A temática brega está sendo bem recebida, é um universo vasto, fala de amor, dor de cotovelo, até crítica política”, diz Lia.

O cd traz regravações de clássicos que ainda hoje fazem sucesso, como “Tchau, tchau amor”, “Amor Amor”, “Minha Amiga” entre outras músicas conhecidas. A artista fez o lançamento com sucesso no Pará, onde lotou o Teatro Margarida Schivasappa. Em Macapá terá a participação dos cantores amapaenses Cleverson Baia e Osmar Júnior. O show de lançamento está sendo produzido pela Bacabeira Produções e conta com o patrocínio da Confraria Tucuju e do Sindicato dos Bancários. Acompanham Lia Sophia a banda formada pelos músicos Adelbert Carneiro (contrabaixo), Edvaldo Cavalcante (bateria), David Amorim (guitarra), Jacinto Kahwage (teclado) e o Dj Pro.Efx. “É um grande prazer fazer esse show na cidade onde cresci, uma realização pessoal, aqui dei os meus primeiros passos na música e trago as lembranças nessas canções”, fala Lia. No dia 28 ela participa do Sarau da Confraria Tucuju, no Sesc Centro.

Serviço:
Show Amor Amor, com Lia Sophia
Local: Casa de Choro Ceará da Cuíca
Data: 29 de maio
Hora: 23H
Mesas: R$ 80,00.
Individuais: 25,00
Postos de venda: Sorveteria Jesus de Nazaré e no local do show.

Agenda Manaus: Hip Hop Fora do Eixo

Agenda Manaus: Zeca Torres (Torrinho)


Zeca Torres, o Torrinho faz show Acústico, com convidados, no Fino da Bossa (Estrada da Cidade Nova, Trav. São Judas Tadeu, nº 3 - Flores) na quarta, dia 2 de junho, véspera de feriado, a partir das 23h. Zeca toca violão, Bernardo Lameira, baixo, e Kenisson Ribeiro, percussão. O couvert artístico é de R$ 7.

A dica é de Manaus e foi enviada por nossa leitora Vânia Beatriz, de Porto Velho, que endossa: Zeca Torres é artista manauara de qualidade!

Ouvimos: Aparecida - Iva Rothe

Deixei ouvir, deixei escrever
nesta primeira noite em que ouço o Aparecida da Iva Rothe

por Felipe Cordeiro

Assim como a filosofia transcende o filósofo, pois se estende para além dos limites da sua vida e permanece como um sistema aberto em contínuo movimento, a música também ultrapassa o músico, ao ponto de me autorizar a dizer, na esteira do escrito que ganhei do poeta Jorge Andrade, que música é de ninguém.

A música da Iva Rothe (em foto de Walda Marques) é assim, de ninguém. Essa música se perde nas falas das mulheres da Amazônia, justamente porque vem delas. É como se fosse delas as falas, intenções, cantos, resmungos, sussurros, poemas.

Mas a música da Iva, essa cabocla com um pé na Alemanha, se perde, inevitavelmente, mundo afora, como se vê na maravilhosa “Fortuna Real”. Só entrei em contato com o disco, depois de ter conhecido a história muito interessante que inspirou a música, a história da Fortuna. Colombiana de ascendência egípcia, Fortuna lançou a pérola para a mãe da Iva na França (ainda nos anos 60): “Yo no puedo trabajar, pues soy muy flaquita...”. Quem contou a estória pra Iva foi sua mãe em 2005. Fortuna era garota de programa e dizia que não podia trabalhar. Só se interessava pelos homens mais velhos, pois eles tinham dinheiro para bancá-la. E ainda sobre essa canção, não esqueço do Kiko Dinucci, compositor paulista (dos grandes), vibrando com o refrão da música. Dizia ele que estava muito feliz por ouvir uma cantora cantando “com gosto”: “égua, coisinha/ele quis a morte/ e ela ficou puta...”.

" Fortuna Real"


A guitarra do Pio Lobato (que assina co-produção do cd) também é um destaque no cd que é recheado por essas palhetadas inventivas. Na faixa “Passante” (brega-rock-filosófico), por exemplo, a guitarra é absolutamente genial, deixando pra mim algo muito claro, a saber, o fato de que já existe uma tradição, da mesma forma que há um caminho escancarado para a consolidação de uma linguagem experimental desse instrumento no Pará.

" Passante"


E outros cinco grandes guitarristas paraenses confirmam isso no disco, são: Mestre Vieira, Renato Torres, Diego Fadul, Eric Alvarenga e Gileno Foinquinos. Esses músicos, com arranjos interessantíssimos e consistentes valorizaram com talento, ousadia e sinceridade o Aparecida. Aliás, o disco só tem músicos sensacionais: Arthur Kunz, Nilson "Vovô" Almeida, Ricardo Aquino, Mauricio Panzera, Márcio Jardim, Kleber Benígno (Paturi) e Nazaco Gomes (o Trio Manari), Príamo Brandão, Jó Ribeiro, Kelson Couto, Harley Bichara, Paulo Jiraya, Akel Fares e os grandes da banda Aeroplano (Felipe Dantas, Bruno Almeida, Diego Fadul e Eric Alvarenga).

Outra coisa que me pegou de jeito no Aparecida é a imagética que ele propõe nas letras e no próprio conceito do disco, que me remeteu imediatamente a uma espécie de cinema sonoro. Veja a canção "Pintado à Mão", no qual o ambiente onírico me faz lembrar de um Fellini 8 e ½, Cão Andaluz ou O Anjo Exterminador. A música vem do sonho ou vai para ele? Ou nem vem nem vai, é ele próprio? “Moleque, ontem sonhei contigo/ a gente tocava os pés/ a gente tocava o ouvido/ a gente tocava os pés do ouvido [...] era eu que ouvia tu “cantar”/ uma canção (muito doida...hmmm!)”

É um disco simples e subversivo, porque o é no conceito inteligentíssimo, original e carregado de vibração quentúmida. Subversão é o que pode salvar a música da floresta, e vale dizer: no Aparecida não há subversinhos (para citar um verso do Eliakin Rufino, poeta, filósofo e compositor de Roraima).

Agenda Solidária Palmas: Marceleza'n'Roll


Os ingressos custam R$ 20. Apresentando carteira que comprove direito a meia-entrada, ou doando um quilo de alimento não-perecível, você paga R$ 10. Toda a renda obtida será destinada ao tratamento do músico Marcelo Linares.


quinta-feira, 27 de maio de 2010

Disco do Mês: Amor Amor em Macapá


Na noite desta quarta, após o último show da temporada de Latinizando, em Belém, a agenda de Lia Sophia indicava o rumo do aeroporto: a cantora segue para Macapá, onde lança o CD Amor Amor em duas apresentações: dia 28, no Sarau da Confraria Tucuju; e dia 29, na Casa do Choro. Na entrevista que fizemos segunda-feira, quis saber de Lia sobre como ela se sentia indo cantar na capital da Amapá, saiba por quê e o que ela respondeu:

Fabio Gomes - A expectativa dos teus fãs no Amapá é grande; o CD Amor Amor é executado diariamente em vários programas de rádio de lá. Imagino que cantar em Macapá, onde cresceste, tenha um sabor especial para ti; qual a relação que manténs com a cidade hoje?

Lia Sophia - Tô muito feliz em poder fazer estes shows lá, por ser a cidade onde cresci e aprendi muito sobre música. Fiz a minha carreira profissional aqui em Belém, mas minhas bases musicais, minhas lembranças, meus primeiros acordes ao violão, meus primeiros amores, os primeiros passos foram dados lá. Estou muito feliz com receptividade do público macapaense, que liga pras rádios e pede as músicas, querem comprar o disco, enfim, tenho recebido as melhores notícias possíveis de lá. Minha relação com a cidade é de muita proximidade, estou sempre por lá, já que a minha família reside em Macapá. E sou apaixonada pela cultura, pela história do Estado e, claro, pela música que é feita lá. No show do dia 29 eu terei a honra de cantar ao lado de um dos maiores compositores da nossa região, que é amapaense e de quem eu sou fã desde pequena, que é o Osmar Jr. Terei também o prazer de dividir o palco com um grande guitarrista e compositor, considerado um dos grandes nomes da nova geração na cidade, o cantor Cleverson Baia. Então você imagine a minha emoção em poder cantar lá....

Lia por Luiz Braga

Agenda Macapá: Confraria Tucuju: Sarau de maio terá Lia Sophia e clássicos do brega

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Grandes shows, poesia e exposições aguardam o público no segundo Sarau do Ponto de Cultura Largo dos Inocentes, em parceria com o SESC Amapá. O evento vai acontecer dia 28 de maio (sexta-feira) no SESC Centro, a partir das 20 horas. A noite começa com apresentação do Quarteto da Bossa e termina com show da cantora Lia Sophia. O Sarau de maio fará homenagem ao poeta Sílvio Leopoldo e receberá noite de autógrafos da obra Adoradores do Sol, de Fernando Canto. A entrada é franca.

O poeta

Sílvio Leopoldo nasceu em Belém, dia 25 de fevereiro de 1953, mas passou a infância e a juventude em Macapá. Formou-se em Biblioteconomia e Direito. Poeta e compositor, publicou os livros: Primeiros Poemas (1967); Velas do meu Mar (1970); Lira Ligeira (1976); Era uma Vez num Fundo de Gaveta (1990); Cantares do Bordel (1999); Evocação de Ajuruteua (2007) e tem participação em três antologias poéticas.

Na música seu nome está gravado na história de vários festivais. Finalista do I Festival Universitário de Música e Poesia do Pará (1974); primeiro e segundo lugar no V Festival da Canção Amapaense (1975). Tem composições de gravadas em disco. Segundo o escritor Paulo Tarso Barros, “a poesia de Sílvio aborda temas sociais, políticos, mas sua tônica fica mesmo por conta do lirismo simples e direto que consegue transmitir através dos seus versos”.

Sílvio Leopoldo residia em Belém, onde faleceu no dia 12 de outubro de 2007, três dias após o lançamento do livro Evocação de Ajuruteua.

O escritor

Fernando Canto é um dos escritores com maior produção literária no Amapá. Alia ao conteúdo sociológico e histórico de suas obras uma linguagem poética que as torna mais atraentes. Recentemente lançou Adoradores do Sol – Novo textuário do meio do mundo. A obra reúne textos originalmente publicados na imprensa com temas variados. No Sarau da Confraria o escritor fará noite de autógrafos.

Quarteto da Bossa

No show de abertura, às 20 horas, o Quarteto da Bossa vai brindar o público com grandes clássicos do samba-canção e da bossa nova. Formado por Jefferson Chermont, Cristina Monteiro, Michelle Barbosa e Raimundo Chermont, o grupo surgiu em 2004. A união de quatro amigos fãs da bossa nova resultou no CD Bossalizando e em vários convites para shows. Será a segunda apresentação do Quarteto no Sarau da Confraria.

Lia Sophia

A cantora Lia Sophia virá a Macapá lançar seu terceiro CD, Amor Amor, que traz regravações de grandes clássicos da música brega da região Norte. Cantora, compositora e instrumentista, pesquisou o universo do brega para extrair clássicos do estilo, como “Ao pôr-do-sol”, dando a eles uma roupagem contemporânea em termos de musicalidade. A artista lotou o Teatro Margarida Schivasappa do Centur, em Belém, com esse show. Em Macapá fará duas apresentações, uma na sexta-feira (28), durante o Sarau do Ponto de Cultura Largo dos inocentes, no SESC Centro, a partir das 22 horas e outro no sábado (29) na Casa de Chorinho Ceará da Cuíca.

Publicado originalmente no Amazônia Brasil - 20.05.10

Foi Show: Prévia Festival Casarão


O blog Próxima Cena divulgou hoje o vídeo da Prévia do Festival Casarão, realizada na Casa Fora do Eixo, em Cuiabá, no dia 22 de maio, sábado. A grande vencedora, que conquistou o direito de se apresentar na noite de encerramento do festival, dia 19 de junho, em Porto Velho, foi a Rhox, com 54 votos. Também concorriam as bandas cuiabanas Sone Fix, Lexial, Heron, Stay Away, Unidade B2, Lufordi, Mad Sozen, Mopsy e Kallima. A convidada da noite foi a banda Intruhder, de Macapá.

Agenda Manaus: Eliakin Rufino e Euterpe

Junho inicia ótimo em Manaus. Eliakin Rufino e Euterpe voltam à cidade para uma série de shows na próxima semana. Agende-se:

  • 2/6, quarta - Tacacá na Bossa (Largo São Sebastião) - 19h
  • 4/6, sexta - Fino da Bossa
  • 5/6, sábado - Açaí - Vieiralves - 23h

Nesta temporada amazonense, os dois terão como convidados os músicos Stanley Vagner (guitarra e violão) e Kenisson Ribeiro (percussão).

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Na Rede: Caldo de Piaba no Bananada 2010


Este vídeo é um trecho do show dos acreanos do Caldo de Piaba no sábado, 22 de maio, em Goiânia, no Festival Bananada 2010. Os acreanos tocam "I Want You (She's So Heavy)", dos Beatles, naturalmente numa versão muito livre. 



Na Rede: Gaby Amarantos no Música Paraense.Org


Hoje Gaby Amarantos é uma das convidadas d'A Tarde é Sua, que Sônia Abrão apresenta ao vivo para todo o Brasil pela Rede TV! a partir das 15h. A cantora paraense não consta até agora da relação de convidados publicada pelo site do programa, mas a informação é de fonte confiabilíssima - a própria Gaby, que tuitou ontem às 14h: "@HerissonLopes @giltonpaiva @GomesFabio @realizador Amanhã tem Gaby com Sonia Abrão, ao vivo na rede tv! assistam".

O @realizador citado por Gaby é Edvaldo Souza, responsável por várias iniciativas de difusão da música paraense - este termo inclusive é o nome de seu blog (http://musicaparaense.blogspot.com) que é uma referência no assunto, e também batiza seu mais recente projeto, o MúsicaParaense.Org. Através dele, Edvaldo vem fazendo uma série de vídeos entrevistando os principais nomes da cena musical no Estado, juntamente com Ramiro Quaresma - os dois sendo os responsáveis por pesquisa, captação e edição dos vídeos -, numa realização da E2PIRAL MULTIMEIOS com patrocínio da VIVO, Semear, Fundação Tancredo Neves e Governo do Estado do Pará.

O vídeo mais recente a ser divulgado do projeto é justamente esta entrevista com Gaby, que fala de seu começo de carreira cantando MPB na noite belenense, o interesse pelas aparelhagens, a participação da banda Tecnoshow em festivais pelo Brasil afora e o sólido mercado em torno do tecnobrega no Pará. Além dos créditos já citados no parágrafo anterior, Edvaldo e Ramiro incluem agradecimentos à Digital Produções por este vídeo.

Disco do Mês: Lia Sophia fala do CD Amor Amor


O título acima, lido de relance, pode parecer banal. Afinal, Amor Amor é o nosso Disco do Mês desde o dia 3 de maio, e muita coisa já foi publicada a respeito dele aqui no blog. Mas até aqui, quem falou do CD fui eu ou colegas da imprensa, nos textos, ou vocês, nos comentários; ouvimos Lia Sophia, sim, sobre os preparativos do show de lançamento do disco, no dia 5, e depois a respeito do show Latinizando. É chegado, portanto, o momento da cantora falar do disco em que presta um tributo ao brega.  A entrevista foi realizada nesta segunda-feira. 

Fabio Gomes - Lia, ouvindo as músicas do teu CD Amor Amor eu noto muita influência da Jovem Guarda e também daquelas músicas românticas de meados dos anos 70 - talvez, claro, por eu não conhecer tão a fundo este repertório brega romântico nortista, como tu pudeste conhecer por ser da região e também pela pesquisa. 

Lia Sophia - Penso que a semelhança que você percebe entre estas canções e a Jovem Guarda deve-se ao fato de ambas terem sido influenciadas, tanto nas letras quanto no ritmo, pelo rock and roll e pelo iê-iê-iê, no pós-guerra. Claro que mais tarde cada uma segue o seu caminho, e o Brega passou por várias fases de renovação e mudanças rítmicas, sofrendo forte influência de ritmos caribenhos, e até hoje ainda vive grandes transformações e recebe diversos nomes, como Tecnobrega, Tecnomelody etc.

Fabio Gomes - Na tua interpretação vocal destas canções percebo muito de bossa nova, emoldurada por esta sonoridade sutilmente eletrônica que contrasta com as fortes imagens das letras ("Vem amor que estou morrendo" ou "Sem você não sei viver"...). Como foi que chegaste nessa síntese?  

Lia Sophia -  Essa é uma síntese natural da minha história musical. Cresci ouvindo estas músicas (bregas, boleros), na adolescência conheço a MPB, a Bossa Nova e passo a ter um repertório nesse sentido, e os ritmos regionais sempre estiveram presentes na minha vida, na escola, no teatro, enfim, cresci assistindo à rodas de marabaixo, carimbó etc. Fico muito feliz quando penso que cresci numa região tão rica culturalmente e hoje posso me utilizar desta riqueza com propriedade.

Fabio Gomes - O que os músicos cariocas acharam, eles chegaram a comentar contigo alguma coisa quanto às composições? Eles já conheciam alguma delas?

Lia Sophia -  Os músicos cariocas não conheciam estas canções, e foram só elogios ao projeto e às músicas em si.

Fabio Gomes -  O CD foi lançado na primeira semana de maio em shows no Teatro Margarida Schivasappa - a procura por ingressos foi tão grande que assim que iniciou o primeiro show, no dia 5, se anunciou a realização da segunda sessão no dia 7. Não esperavas isto, não é? Como foi que te sentiste? E já tens data para novo show em Belém?


Lia Sophia -  Reconheço que o público que me acompanha é muito carinhoso com o meu trabalho, e sempre responde aos meus convites. Mas eu realmente não esperava, para uma quarta-feira, que a procura fosse tão grande. Eu estava emocionada, desde que o dia amanheceu. Pensar que eu, finalmente, ia apresentar o resultado de um projeto de mais de três anos de trabalho, desde o primeiro show em 2006, depois a pesquisa, a captação de patrocínio, a gravação do disco, enfim, quando vi o público ali, soube que todo o trabalho valeu muito a pena. Ah, tomei um susto quando fui avisada que repetiríamos o show na sexta-feira, não sabia nem o que dizer, foi engraçado. Vou apresentar este show nos dias 28 e 29 de maio em Macapá, e aqui em Belém, tenho planos para junho, julho, agosto... assim que tiver as datas te aviso para divulgares aqui no Som do Norte

terça-feira, 25 de maio de 2010

Foi Show: Felipe Cordeiro


Agora há pouco, a cantora Juliana Sinimbú tuitou estas imagens da sua participação no pocket show de Felipe Cordeiro, acontecida hoje à tarde em Belém, com o patrocínio da Conexão Vivo.



Agenda Palmas: Novas datas do 7º PMW Rock Festival


O 7º PMW Rock Festival será realizado somente em agosto. A produção do evento chegou a anunciar que ele aconteceria entre 17 e 19 de junho, porém o adiamento foi necessário devido a dificuldades na obtenção de recursos junto aos órgãos municipal e estadual de cultura, no ano eleitoral em que estamos. Deste modo, será integralmente com recursos obtidos nacionalmente, junto ao Ministério da Cultura, que o rock irá rolar em mais uma edição do PMW, festival membro da Abrafin (Associação Brasileira de Festivais Independentes). Mudar a data foi necessário então para que se cumpram todos os trâmites junto ao MinC. 

O 7º PMW acontece nos seguintes dias e locais:
  • 5/8 - Tendencies Music Bar, com entrada grátis
  • 6 e 7/8 - Espaço Cultural, com ingresso a preços populares
Também farão parte da programação palestras, debates, workshops e feira independente.

Agenda Belém: Latinizando


Amanhã, a cantora Lia Sophia encerra a atual temporada de Latinizando, que vem fazendo semanalmente desde 8 de abril no restaurante mexicano El Bandolero, em Belém. O show inicia às 22h, e de lá ela segue direto para Macapá, onde tem duas aguardadas apresentações do show Amor Amor, sexta e sábado (voltaremos ao assunto!).

Por ora, aproveito para publicar um trecho da entrevista inédita que fiz ontem com Lia, em que sua "mirada" ao repertório latino foi um dos temas:

Fabio Gomes - Lia, o CD Amor Amor nasceu de um projeto paralelo teu que iniciou pouco tempo após o lançamento de teu primeiro disco, o Livre. O Latinizando pode seguir o mesmo caminho?

Lia Sophia - Você é sempre tão perspicaz!! Tenho um processo criativo muito pessoal que passa, sim, por essa experimentação do repertório em shows menores, a exposição de novas canções e novos arranjos para velhas canções, enfim, quem sabe!? O show Latinizando tá lindo, e se vier a se tornar um disco, tenho certeza que me dará muitas alegrias.


Agenda Belém: Manu Chao


Manu Chao está no Brasil. E dessa vez ele não escapa de Belém. O músico francês se apresenta pela primeira vez na capital paraense no dia 30 de maio, domingo, no African Bar, em um dos shows mais aguardados dos últimos tempos, marcando a abertura da Virada Cultural Paraense. Trazendo na mala a turnê La Ventura, Manu Chao se apresentará ao lado de artistas locais como:

  • Juca Culatra & Power Trio e Coletivo Rádio Cipó (com Mestre Laurentino e Dona Onete), que representam a misturada de estilos como reggae, dub, ska e carimbó
  • DJ Patrick Torquato e seus beats globais; e
  • Pinduca - de quem Manu se declarou um grande fã, pedindo expressamente que ele fizesse parte da festa que participará em Belém. Com o pedido devidamente atendido pela Sonique Produções, quem ganha é o público que terá o rei do carimbó e seu carisma inesgotável em uma noite especial.

SERVIÇO

Show: Manu Chao
Abertura: Pinduca, Juca Culatra & Power Trio e Coletivo Rádio Cipó
DJ: Patrick Torquato (Baile Tropical)
Local: African Bar (Praça Waldemar Henrique, s/n)
Data: 30 de maio (domingo), a partir das 18h
Ingressos: À venda nas lojas Chilli Beans (Shoppings Boullevard, Castanheira e Pátio Belém) e Ná Figueredo (Gentil Bittencourt). 1° lote a R$ 25 / 2° lote a R$ 30 / 3° lote a R$ 35
Informações: 91-9198-7747


segunda-feira, 24 de maio de 2010

“Pororoca 2010”: Stereovitrola produz trilha sonora de curta-metragem

Banda Stereovitrola viu suas músicas virarem
trilha sonora de curta-metragem brasileiro


Por Karen Pimenta

O fenômeno da Pororoca, espetáculo único do encontro das águas do Rio Amazonas com as do Oceano Atlântico, foi o cenário escolhido pelos integrantes do “Surfando na Selva”. Empolgados com as ondas de até seis metros de altura por ocasião da lua cheia ou nova, a equipe de surfistas e aventureiros acabou por transformar as maravilhosas cenas captadas na Amazônia num curta-metragem intitulado “Pororoca 2010”.

O roteiro do curta-metragem segue a filosofia da trupe, de desbravar lugares pouco explorados, fazendo o registro audiovisual de cada ação. Mas as imagens inusitadas precisariam de uma trilha sonora original, à altura de tanta beleza. E foi isso que o surfista e diretor Serginho Laus encontrou em Macapá.

Uma banda da capital amapaense, formada em meados de 2003, chamou à atenção do diretor, que sentiu nas melodias a dinâmica sonora que procurava para o curta. Com três músicas: “Bicicleta”, “Canção para Syd Barret” e “Automóvel Verde”, a Stereovitrola viu suas músicas registradas e levadas Brasil afora.

De acordo com o baixista e formador da “Stereo” (carinhosamente chamada), Marinho Pereira, essa foi uma das melhores notícias do ano. Além de emocionar os integrantes, hoje, formada por Ruan Patrick Oliveira (vocal e guitarra), Anderson Pedro (guitarra), Otto Ramos (teclado), Wenderson Marck (DJ), Rubens Ferro (bateria) e o próprio baixista, é uma excelente oportunidade de levar o trabalho do grupo aos quatro cantos do País.

“O Serginho veio filmar o curta ‘Pororoca 2010’, acontecimento natural muito particular do nosso Estado, e queria colocar como trilha sonora canções de artistas locais”, relata Marinho. Por meio de amigos, Laus acabou chegando ao CD da “Stereo” e gostou das músicas.

“Esse curta-metragem já está competindo em alguns festivais de cinema, sendo elogiado por muitos. Portanto estamos muito orgulhosos com essa repercussão positiva. O trabalho está muito bem feito”, comemora.

Como tudo começou

Num cursinho de pré-vestibular, dois jovens com afinidades musicais resolveram formar uma banda e tocar “covers” de músicos que gostavam. Marinho e AJ procuravam baterista e encontraram em Rubens a sintonia perfeita para a proposta musical daquela época. A banda inicialmente se chamava B-side, alusão ao estilo que propunha canções mais desconhecidas do público.

Os convites para apresentações foram aumentando. Houve a necessidade de chamar outro guitarrista e Patrick (atual vocalista da banda) foi o escolhido. “Lembro até hoje a primeira apresentação da banda, foi no dia 23 de março de 2004. É algo marcante pra mim, jamais vou esquecer. A mudança para o nome atual foi ideia do Patrick. Gostamos e ficou”, lembra o baixista.

Para inserir suas músicas, a banda optou pela discrição. “Percebemos que o público gostava das nossas canções e elogiavam a escolha do repertório no fim do show. Era quando revelávamos que eram de nossa autoria e as reações não poderiam ser mais positivas”, explica Marinho.

Por problemas pessoais, AJ teve que se ausentar da Stereovitrola, então Patrick comandou o microfone para a banda não acabar. E até hoje exercita essa nova função. “Ele é muito esforçado, tanto que faz aulas de canto. Mas não deixamos a ‘peteca cair’ e continuamos a história”, afirma. Em 2007, Otto entrou para somar com o grupo, tocou e permanece.

Na bagagem da banda, o EP Cada molécula é um ser
e o CD No espaço liquido

Repercussão nacional

Com seu estilo musical indie, a Stereovitrola já tem na bagagem um EP intitulado Cada molécula é um ser lançado no final de 2005 e o mais recente CD No espaço liquido, os dois autorais. Além disso, a banda já tocou em festivais de renome nacional, como Festival SeRasgum (PA) e duas edições do Festival Quebramar (AP).

“Não existe um mais importante do que outro, mas como o SeRasgum foi nossa primeira participação em festivais, acabou sendo o mais marcante na carreira da banda. Conseguimos excelente visibilidade do nosso trabalho e nossa música entrou na trilha sonora do festival”, argumenta.

“A partir daí entramos na lista dos melhores singles e EP’s independentes de todo Brasil, de acordo com a revista Dynamite, especializado em música, e alcançamos o sexto lugar”, conclui.

Nova cena macapaense

De acordo com Marinho, uma nova cena musical no Estado começa a despontar. “Acredito que existe uma nova configuração na cena musical. Tudo isso graças ao Festival Quebramar, realizado pelo Coletivo Palafita, do qual a banda faz parte. Ele abriu portas e mostrou que em Macapá existem bandas com bastante talento e trabalho autoral de excelente qualidade”, salienta.

Empolgado, Marinho finaliza: “Vejo que as bandas locais estão mais interessadas na profissionalização. Mas sempre tem aquelas que querem continuar na mesmice e não vêem a grande oportunidade na sua frente. Contanto que não atrapalhem o trabalho de quem enxerga potencial nos artistas locais, seguimos nossas vidas e continuamos as atividades de fomento à cultura”.

Publicado originalmente na

Agenda Belém: Ensaio Aberto


Foi Show: Show dos 2 Anos da Megafônica


Nessa madruga, ali perto da meia-noite, enfim aconteceu algo que compensou que, ao invés de estar presente na festa de aniversário de 2 anos do Coletivo Megafônica, eu precisasse me contentar apenas em ouvir sua transmissão pela web rádio Independentes do Brasil: foi quando o jornalista Nicolau Amador publicou no Twitter o link da entrevista que fez com Juca Culatra, que estava naquele exato minuto fazendo uma participação especial no show do Nevilton, que o saudou como "embaixador do Pará" e "prefeito de Belém". Fora essa alegria - tem coisas que só a internet proporciona pra você -, ninguém em sã consciência poderia dizer que havia forma & lugar melhor para curtir o fervo que foi esse aniversário do que estar em pessoa no próprio Café com Arte!

O primeiro show que ouvi foi o da The Baudelaires, que confirmou para esta semana que inicia o lançamento do CD School Days. (Detalhe: quando comecei a ouvir a transmissão, soube que a Paris Rock já havia tocado, mas não sei se o show foi ou não ao ar. Aliás, é preciso dizer, ontem a qualidade do áudio no IdB deixou a desejar).

Baudelaires levantou a galera com sucessos como "Little Rino" e "Moon Dancer". Depois, foi a vez de Stereoscope, cujo show eu estava curtindo muito até que na hora de "Canção que Não Toca no Rádio" meu player travou (decerto tomando o título da canção ao pé da letra!)... Felizmente tudo voltou a funcionar a tempo de eu acompanhar o show do Nevilton, que pelo visto (aliás, pelo ouvido) foi marcante mesmo. O paranaense chamou ao palco Mau-Mau, vocalista da Paris Rock, e depois - como já foi dito - Juca Culatra. Aliás, chamou não: Juca subiu ao palco, estabelecendo o seguinte: sempre que um dos dois - Juca e Nevilton - estiver presente em show do outro, tem a permissão para invadir o palco e mandar um som conjunto. O acordo já foi colocado em prática na hora, com os dois mandando ver duas culatras: "Criolo Muito Doido da Cabeça" e "Brócolis Exposto ao Sol".

Além disso, Nevilton, como era esperado, cantou os sucessos do seu EP Pressuposto - "Singela", "Vitorioso Adormecido", "O Morno" -, e "A Máscara", que saiu numa coletânea do Urbanaque. Como era esperado ao menos por mim, apresentou já alguma influência da recente turnê pelo Nordeste com os amapaenses da Mini Box Lunar (cantou uma música que disse ter aprendido com eles, ou algo assim, nessa hora o áudio tava tenebroso). Já no capítulo do totalmente inesperado, mandou uma versão muito livre de "Asa Branca" (Luiz Gonzaga - Humberto Teixeira), com direito a longo-e-maravilhoso solo improvisado de guitarra! (Rapaz!! Que que era aquilo!) A transmissão encerrou no final do show de Nevilton, que anunciou que em seguida quem assumia o comando das operações megafônicas era Juca Culatra.

Selecionei estas fotos entre as que foram postadas no Flickr da Megafônica agora de manhã.


Paris Rock


The Baudelaires


Stereoscope


Nevilton


Nevilton e Mau-mau


Galera + Nevilton = festa!


Juca Culatra

domingo, 23 de maio de 2010

Na Rede: Mini Box Lunar em São Paulo


Uma coisa muito legal de fazer hoje em dia na rede é acompanhar os textos postados no blog do Mini Box Lunar sobre as andanças entre um festival e outro, e a produção de seu primeiro CD. Agora há pouco, entrou no ar o texto Seguindo o conselho dos mestres..., que consta como postado por JJ Nunes mas foi escrito, com toda certeza, por Otto Ramos (só ele podia se qualificar como "ex-pesquisador de Arqueologia Histórica... porque a bolsa se foi com essa temporada fora do Amapá.. rsrs"). O tema principal do post é o passeio que ele e Sady fizeram pelo bairro da Liberdade, descrição que Otto abre assim: "piramos nas ruas do bairro japonês/coreano às vezes mágico e lindo e às vezes bizarro!". O texto é muito legal, o melhor é lerem no blog da banda mesmo.

Como complemento musical a esta postagem, recorro à sugestão que Otto deixou no ar nesta frase: "São Paulo... com suas ruas que proporcionam imagens fantásticas e em especial a ECA da USP onde o Mini Box Lunar fez um dos shows mais importantes da sua vida, num lugar carregado de energia militante e com um ar aguerrido que é transcendental, e isso claro que é bem vindo para nosso banco de estímulo dentro da rede também".

Para alegria geral da nação, existe um vídeo desse dia! Sim! É o que vamos assistir agora, onde a banda toca seu clássico "A Boca" no Canil - Espaço Fluxus de Cultura, na USP, em 7 de maio. Só pra fechar (eu sei que você já está quase apertando o "play", mas é só mais esta frase), fica o recado de JJ no post do dia 10 (Roda gigante, roda moinho, roda peão...) em que a banda blogou o vídeo: "Dêem uma olhada no calor do povo... com certeza é desta proximidade que precisamos nos shows!".

Agenda Belém: Felipe Cordeiro


Nessa terça-feira, 25, Felipe Cordeiro, músico paraense patrocinado pelo Conexão Vivo Pará, fará uma apresentação de voz e violão na Revenda Viga, no Shopping Boullevard. A partir das 18h, Felipe Cordeiro apresentará suas composições, que também serão apresentadas nos eventos da Conexão Vivo em Marabá e Castanhal, nos meses de julho e agosto.

O pocket show de Felipe contará com a participação especial de Juliana Sinimbú, que quem lê o Som do Norte já sabe que é uma das grandes revelações da nova música paraense.

SERVIÇO
Pocket show Conexão Vivo
Hora: Às 18h
Apresentação: Felipe Cordeiro e Juliana Sinimbú
Local: Boullevard Shopping (Visconde de Souza Franco, 776)
Aberto ao público

Agenda Porto Velho: Programação oficial completa do Festival Casarão 2010


Quarta-feira (16/6)
Local: Piratas Pub

Versalle (RO)
Cassino Supernova (DF)
Ricardo Koctus (MG)

***

Quinta-feira (17/06)
Local: Mercado Cultural

Expresso Imperial (RO)
Caldo de Piaba (AC)
Do Amor (RJ)

Local: Escadaria da Unir

Hipnose (RO)
Dyviron (RO)
NEC (RO)
Bedroyt (RO)
Mugo (GO)

Local: Piratas Pub

Maria Melamanda (RO)
Autoramas (RJ)

***

Sexta-feira (18/6)
Local: Kabanas

Theoria das Cordas (RO)
Cabocriolo (AM)
Dom Capaz (MG)
The Name (SP)
Coveiros (RO)
Survive (AC)
Comunidade Nin-Jitsu (RS)
Hey Hey Hey! (RO)
Cidadão Instigado + Edgard Scandurra (CE/SP)

***

Sábado (19/6)
Local: Kabanas

Jam (RO)
Sub Pop (Vilhena - RO)
Rhox (MT)
Capelinos (TO)
Strep (RO)
Ultimato (RO)
Di Marco (Ji-Paraná - RO)
Superguidis (RS)
Nevilton (PR)
Móveis Coloniais de Acaju (DF)


A banda Rhox foi escolhida na noite do sábado, 22 de maio, como a representante de Cuiabá no Festival Casarão através da prévia realizada na Casa Fora do Eixo. Acima, o cartaz da "campanha" que a banda fez, pedindo apoio do seu público.

Na Rede: Orgulho do Pará - Lia Sophia

Segunda-feira, 17/05/2010

Lia Sophia: revelação na voz pop


Saber mesclar música pop com sons regionais da Amazônia não é pra qualquer um. Nascida na Guiana Francesa, Lia Sophia aos dois anos de idade veio para o Brasil com o intuito de morar em Macapá. Foi somente aos 17 anos que veio a Belém do Pará cursar graduação em Psicologia. Porém, não só a paixão pela terra a fez se considerar paraense radicada como também foi na capital do Pará que ela entrou em contato pela primeira vez com a Música Popular Brasileira (MPB). Hoje a cantora é uma das grandes revelações da atualidade e já é vista como uma das melhores representantes da música paraense. 

O talento de Lia veio ainda na infância. Aos seis anos ela já era solista da igreja que costumava frequentar. Os primeiros acordes ao violão surgiram aos nove por influência da mãe, que na juventude, foi cantora de rádio. Mesmo tendo nascido em uma família de músicos, onde conviveu com diversos estilos musicais - do gospel ao brega, do bolero ao zouk - a carreira musical de Lia Sophia não foi uma consequência natural. Na realidade, fazer da música um ganha-pão nunca foi visto com bons olhos pela família e pela própria Lia. Tocadas ao violão eram somente para serem apreciadas em família.

Quando chegou a Belém conheceu a tradicional MPB através dos CDs de João Gilberto e Marisa Monte. A paixão foi imediata. Durante o período de faculdade, por incentivo de amigos e como forma de se manter financeiramente, Lia, relutantemente, começou a tocar em bares locais, onde formou um público fiel. Aliás, chegou a ser dona de bar por quatro anos, abriu espaço para novos talentos e descobriu-se compositora. Sua primeira composição, “Eu só quero você”, tornou-se, ao longo do tempo, uma das músicas mais pedidas nas rádios da capital paraense. Dessa forma, a possibilidade de musicalmente criar coisas novas deu a Lia Sophia a certeza de que não poderia fazer outra coisa da vida que não fosse música.


Lia Sophia no show Livre (2005)

Com uma voz rouca e suave, cada apresentação passou a ser um show com casa cheia. Foi aí que começaram a surgir convites para abrir shows de grandes nomes, como Tunai, Vitor Ramil e Chico César. Em agosto de 2005, lançou seu primeiro CD, Livre. Com uma proposta nova e pouco vista na cena musical paraense, dentre as 12 faixas do álbum estavam as primeiras composições da cantora. Com o trabalho, Lia viajou por várias cidades da região norte, recebeu o prêmio de “Cantora Revelação” no XXI Baile dos Artistas, fez shows ao lado de grandes nomes da música paraense como Nilson Chaves, Jane Duboc e Fafá de Belém, além de ter aberto shows de artistas como Maria Rita, Zeca Baleiro e Vanessa da Mata.



Em 2007, se apresentou diversas vezes em São Paulo. No ano seguinte trabalhou na produção de seu segundo CD, Castelo de Luz. Trabalho ousado, com 13 faixas autorais inéditas, o álbum foi lançado no primeiro semestre de 2009 e consolidou a vertente compositora da artista. No final de 2008 Lia Sophia também deu início a um projeto corajoso no qual já vinha pesquisando há quase dois anos: regravações de grandes clássicos da música brega paraense. Tal ideia resultou em seu terceiro CD, chamado Amor Amor, gravado no Rio de Janeiro e lançado no final de 2009.


Considero-me filha do Pará porque Belém pra mim foi uma mãe quando eu cheguei aqui, me abraçou mesmo. Eu comecei a carreira profissional aqui e desde então eu sou denominada uma cantora paraense e é exatamente assim que eu me sinto. Moro no Pará há 15 anos. Não passo sem o meu açaí, sem o meu tacacá no final da tarde, isso é bem paraense, né? Faz parte da minha rotina. O fato é que pra mim a música paraense é tudo isso. É o brega, é o carimbó, a guitarrada... A nossa música é essa mistura toda e eu utilizo muito disso no meu trabalho. Ainda pretendo fazer outros trabalhos discutindo a relevância da música brega e misturando sons da terra. Eu estou nesse meio da música pop com sons diferenciados e paraenses de raiz. É isso que eu gosto de fazer”, revelou.


Por que se orgulhar?

Lia Sophia é uma das grandes revelações da atualidade e já é vista como uma das melhores representantes da música paraense. Além disso, considera-se filha do Pará mesmo sem ter nascido aqui, pois é apaixonada pelo Estado e se inspira através dele.

* Publicado originalmente no Diário do Pará

Foto de abertura da matéria de autoria de Lyrian Oliveira

Foto do final da matéria de autoria de Luiz Braga

sábado, 22 de maio de 2010

Agenda São Paulo: Nortistas no 5º Salão do Turismo


O 5º Salão do Turismo - Roteiros do Brasil será realizado no Anhembi, em São Paulo de 26 a 30 de maio, com entrada grátis. A programação da Mostra de Manifestações Artísticas é extensa, pode ser conferida toda no site do evento.  evento. Destacamos aqui a participação dos artistas do Norte, e aproveitamos para fazer uma importante correção: o Neuber Rocha que aparece ali não é outro senão o grande compositor e cantor roraimense Neuber Uchôa. Dito isto, agende-se:

26/5 - quarta

  • 15h - Show Folclórico Boi Bumbá de Parintins (AM) - Palco Principal
  • 16h30 - Zeca Preto e Neuber Uchôa (RR) - Palco Macrorregião Norte 
  • 17h30  - Vozes Caboclas de Santarém (PA) - Palco Principal
  • 19h - Show Kanarô/Shaneihu e Banda (AC) - Palco Macrorregião Norte 

27/5 - quinta

  • 16h30 - Show Kanarô/Shaneihu e Banda (AC) - Palco Principal

28/5 - sexta

  • 15h30 -  Grupo de Carimbó Sabiá (PA) - Palco Macrorregião Norte
  • 17h - Grupo Parixara (RR)  - Palco Cortejo 
  • 17h30 - Marabaishow (AP) -  Palco Principal
  • 18h - Show Folclórico Boi Bumbá de Parintins (AM) - Palco Macrorregião Norte

29/5 - sábado - Palco Macrorregião Norte

  • 13h30 -  Marabaishow (AP) 
  • 18h - Grupo Parixara (RR) 
  • 21h -  Zeca Preto e Neuber Uchôa (RR)

30/5 - domingo 

  • 11h30 - Show Folclórico Boi Bumbá de Parintins (AM) - Palco Macrorregião Norte
  • 12h -  Grupo de Carimbó Sabiá (PA) - Palco Principal
  • 13h30  - Vozes Caboclas de Santarém (PA) - Palco Macrorregião Norte 

Fora do Anhembi, alguns grupos se apresentarão nos SESCs paulistanos. Nortista, só um: o Grupo Parixara, no SESC Santana, dia 30, às 15h. No site consta 30/06 (sic), mas pela lógica é mesmo no domingo, dia 30 de maio. 

A lamentar, a falta de grupos de Rondônia e Tocantins, do Norte, mas vendo a programação publicada no site você vai notar que outras regiões também não estarão totalmente representadas neste evento realizado com o nosso dinheiro pelo Ministério do Turismo, tendo como parceiros o Ministério da Cultura e o SESC-SP. Não há nenhum grupo escalado do Distrito Federal (Centro-Oeste) e do Piauí (Nordeste). 

Agenda Belém: Programação Conexão Vivo


  • Shows:

No Pier da Casa das Onze Janelas
(Praça Frei Caetano Brandão s/nº - Cidade Velha)
Grátis

Sexta, 11/6


19h – Mini Box Lunar (AP)
20h – Zarabatana Jazz convida Dayse Addário (PA)
21h – Caldo de Piaba (AC) convida Pio Lobato e Leo Chermont (PA)
22h – Sérgio Santos convida Zé Renato (MG)
23h – Floresta Sonora + Metaleiras da Amazônia + Juca Culatra (PA)

ábado, 12/6

18h – Orquestra Juvenil de Violoncelistas da Amazônia (PA)
19h – Sandália de Ambuá (PA)
20h – Romulo Fróes (SP)
21h – Gilvan de Oliveira (MG) convida Marco André (PA)
22h – La Pupuña convida Candiru Malino (PA)
23h – Gaby Amarantos (foto)(PA)

Domingo, 13/6

19h – Cataventoré (MG) convida Sebastião Tapajós (PA)
20h – Olyvia Magno (PA)
21h – Nina Becker (RJ)
22h – Falcatrua (MG) convida Kid Vinil (SP)
23h – Eddie (PE)


Mesas e Workshops
  • No IAP, acontecem nos dias 10 e 11 mesas e worshops. Veja a programação clicando aqui.
Debate
  • O papel da imprensa na música contemporânea - com Lauro Lisboa Garcia (O Estado de São Paulo), Beto Fares e Robson Fonseca (Rádio Cultura - Belém) e Fabio Gomes (Som do Norte) - IAP, 11/6 (sexta), 14h - aberto ao público

"AÍLA - Pocket Show", por Felipe Cordeiro


A idéia da Aíla de fazer um pocket show já existe há algum tempo, mas a oportunidade só apareceu agora, ainda que não fosse a ideal devido às limitações técnicas do Boteco São Matheus (e de quase todas as casas de Belém) para uma realização desse porte. Sabíamos dos riscos pela frente, pois tocamos com cinco músicos num bar cujo palco comporta com conforto três ou quatro, além disso o som da casa tem suas limitações. Superado o medo desses riscos, acreditávamos que dava pra fazer algo especial. E assim o foi.

O pocket show da Aíla mostrou uma cantora em amadurecimento artístico e profissional. Com seus vinte e um aninhos ela já coleciona fãs e prêmios em importantes festivais, como o 1º Festival da Música Popular Paraense do ano passado, no qual ganhou o prêmio de Melhor Intérprete e foi um destaque. Ela tem carisma, talento e força de vontade, algo que certamente é recompensado na carreira de um artista.


Os shows foram bem legais, especialmente o primeiro, já que no segundo os problemas técnicos conseguiram dificultar o andamento do espetáculo. No repertório havia muitas músicas minhas e de autores paraenses como o Paulinho Moura, o Jorge Andrade, o Arthur Nogueira e o mestre Pinduca. Aíla também fez questão de incluir referências a cantoras que lhe inspiram, como a Vanessa da Mata e a Céu.

Acho que esse é o espírito do novo século, integração, multiculturalismo e comunicação direta (música sem truques). Foi muito interessante reunir no mesmo palco o guitarrista do Power Trio do Juca Culatra, Marcel Barreto, o baterista e baixista da banda Clepsidra, Arthur Kunz e Maurício Panzera, e eu, de banda nenhuma (embora integre o projeto Massa Grossa e também meu trabalho com a até aqui chamada “banda Kitsch”). Disso tudo só podia sair um som híbrido, potente e criativo, capaz de imprimir uma sonoridade específica ao trabalho da Aíla.


Mesmo sabendo que para os outros sou suspeito pra falar do show que dirigi, procuro praticar o exercício do distanciamento e tento olhar pras coisas como se eu não pertencesse a elas, então vou dizer: eu adoraria (como espectador) ter visto um show daqueles. Música contemporânea brasileira, rica em sotaques e ritmos, com pitadas da nossa “Floresta Sonora” (Amazônia) e tudo incorporado às referências da cultura pop, sem dúvida me tocariam em cheio. Tenho a convicção de que a música do Pará é uma das músicas de ponta no Brasil há algum tempo e cada vez mais, o show da Aíla também ousou pertencer a essa linha de frente da música brasileira, com sutileza, verdade e potência.

Que venham outros shows da Aíla!

Felipe Cordeiro

Agenda Belém: Na Veia da Nêga

Gigi Furtado & Os Cavaleiros de Jorge
"Na veia da Nêga"

“Ela chega desconcertando... / na veia da nêga corre o som”. Imagine uma festa cheia de swing, embalada por black music e pitadas de samba, soul, rap e outros ritmos, que celebra a música, mas também a alegria. Essa é atmosfera que cerca o show “Na Veia da Nêga”, de Gigi Furtado & Os Cavaleiros de Jorge.

Com canções de Jorge Ben Jor, Tim Maia, Sandra de Sá e outros ícones do gênero, trata-se de um espetáculo pulsante, que alia o timbre particular da cantora, formada em canto lírico, com a criatividade da banda, montada especialmente para o projeto. No comando, a cantora paraense Gigi Furtado, que há 12 anos dedica-se à música.

Desta maneira, ora celebrando a miscigenação – “o país do swing é o país da contradição” – ora reclamando o preconceito racial – “a carne mais barata do mercado é a carne negra” -, “Na Veia da Nêga!” pode ser considerado um “laboratório de experimentações”, que exalta grandes compositores sem esquecer o comprometimento social e no centro de tudo, a alegria.

SERVIÇO:

NA VEIA DA NÊGA - Gigi Furtado
Teatro Maria Sylvia Nunes
27 de maio, quinta, 20h
Ingressos antecipados: Ná Figueiredo (Estação das Docas)

Arte do cartaz: Juliana Sinimbú

***

Enquanto este momento não chega, prepare-se adequadamente ouvindo esta que foi nosso Música da Semana em 13 de outubro de 2009, em que Gigi é acompanhada pela primeira formação d'Os Cavaleiros.

GIGI FURTADO
" Na Veia da Nêga" (Jair Oliveira - Luciana Mello)


Ficha técnica:

Os Cavaleiros de Jorge:

George Netto: violão
Willy Benitez: guitarra
Alexey Jhonston: baixo
Rafael Gomes: percussão
Cássio Lobato: bateria

Gravado no Estúdio da Rádio Cultura FM (Belém) - 2009.

Foi Show: Nanna Reis


O poeta Ronaldo Franco publicou hoje em seu blog esta e outra foto do show Brasilidade, estreia da jovem cantora paraense Nanna Reis em teatro, que aconteceu quinta em Belém.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Foi Show: Aíla cada vez mais livre

por Aletheya Sério, da Ecleteca
edição: Amanda Aguiar

Olhares ansiosos cruzavam o Boteco São Matheus cada vez que a porta se abria - e foram muitos os que por ela passaram. O lugar foi enchendo lentamente. As pernas começaram a balançar irrequietas e as mãos a dedilhar as mesas. A artista estava atrasada. Tanto quanto ela, o público, que só encheu o boteco quase uma hora após o horário marcado para o show. Mas Aíla nem notou. Quando finalmente chegou, o lugar já estava repleto de fãs e amigos.

Aryanne AlmeidaRecebida por muitos sorrisos, fez questão de exibir o seu próprio em cada mesa, cumprimentando o público um a um, como anfitriã a seus convidados. A ideia parecia essa mesmo: aquilo não seria um show, mas uma alegre reunião. O pocket show, dirigido pelo músico e amigo Felipe Cordeiro, é um convite àqueles que vêm acompanhando a promissora, elogiada e premiada carreira de Aíla Magalhães. A artista, aliás, parece ter estendido a proposta intimista à nova assinatura: está mais amiga do público, mais cúmplice, mas nem por isso menos única – a cantora agora é apenas Aíla.

O show começa e a platéia se encanta com os familiares versos e acordes de “Vamos” (de Felipe Cordeiro e Jorge Andrade) e “À sua maneira” (Felipe Cordeiro). Sente-se à vontade para cantarolar as famosas “Três” (de Marina Lima e Antônio Cícero) e “Você é Má” (Zeca Baleiro e Joãozinho Gomes), que em nada deixam a desejar às suas versões originais. Empolga-se com “Baú” (de Vanessa da Mata) em versão carregada da guitarrada paraense. Vê-se surpreendida pela delicada versão de “Dona Maria” (do mestre Pinduca) e é presenteada pelas participações de Arthur Nogueira e Juliana Sinimbú, que só não foram melhores por causa das notórias limitações na estrutura de som.

Divulgação Entre conversas e improvisos, Marcel Barreto solta a pérola: “É, galera, eu toco tudo!”. A brincadeira se referia ao deslumbre de alguns com a escaleta tocada pelo guitarrista. Mas há certa razão na frase: no show ouviu-se de tudo! Do carimbó ao zouk, da cúmbia à lambada, todos costurando o pop. Aíla, Felipe Cordeiro (violão), Maurício Panzera (baixo), Arthur Kunz (bateria) e Marcel Barretto (guitarra e escaleta) souberam fazer o mesmo de forma nova, sem mesmices nem experimentalismos exagerados.

Ao fim do show ficou a vontade de ver tudo novamente. Ficou na imaginação o show mais elaborado, em local maior e com estruturas de som e iluminação melhores. O desejo de poder ouvir aquele repertório a qualquer hora do dia. A torcida para que o CD não demore.

Publicado originalmente na Ecleteca - 18.05.10,
sobre o pocket show de 14.05.10