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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Na Rede: Campanha Laço Branco em Belém

Por Larissa Medeiros*

Sábado, 27 de novembro de 2010, 6:30 da manhã, mercado do Ver-o-Peso, Belém-PA. Muitas barracas ainda estavam abrindo, mas o movimento na maior feira livre da América Latina já era intenso. Chegamos e fomos direto para o local onde aconteceria o evento no alto da escadaria entre os vendedores de maniva, as barracas de comida e as águas da Baia do Guajará.

Estávamos com a camiseta da campanha e isso já despertava a atenção de algumas pessoas. Às 7 horas chegaram os trabalhadores que montariam a tenda onde concentraríamos nossas atividades e isso já provocou certo burburinho. Alguns feirantes ficavam assistindo a montagem e queriam saber o que aconteceria ali. Depois chegou a equipe de som e os primeiros voluntários que ajudariam na distribuição dos laços.

Nossa movimentação estava aumentando e alguém já tinha conseguido alguns metros de fio com um feirante para pendurar nossa faixa, outro arrumou uns caixotes de plástico que serviram como apoio para a mesa de som, feirantes emprestaram bancos, armamos um varal onde foram penduradas algumas camisetas que seriam vendidas e o isopor já estava carregado de gelo e água para saciar aqueles que trabalhariam a manhã inteira.

O “circo” estava armado e logo foram chegando mais voluntários e as equipes de jornal e TV que fariam reportagens sobre o evento (Rede TV, TV RBA, TV Liberal, TV Record, Portal ORM, e Dário do Pará). Entre uma entrevista e outra começamos a abordar os homens e amarrar os laços brancos. Alguns homens ficavam desconfiados, achando que teriam que pagar pelos laços, outros se recusavam chegando a dizer até que “mulher tem mesmo que apanhar”, mas foram tantos que aceitaram participar que em pouco tempo os 1000 laços não foram suficientes e tivemos que improvisar comprando rolos de fita branca para dar andamento à campanha prevista para acabar só às 13 horas.
O atraso dos músicos provocou certa tensão, mas às 10:30 o show teve início com a cantora Juliana Sinimbú acompanhada de Felipe Cordeiro no violão e Willy Benitez na bateria e logo tudo virou uma grande festa.

Mestre Laurentino, artista da cultura popular da cidade, considerado o roqueiro mais antigo do Brasil, e que já teve sua canção “Loirinha Americana” gravada por Gilberto Gil, pintou na área e contagiou a todos em volta com suas canções e sua alegria. Além do velho Laurentino, tivemos o DJ PatrickTor4 que deu uma amostra de seu famoso Baile Tropical mandando uma seqüência de carimbós, tecnobregas e cúmbias elerônicas. Também estavam lá os Palhaços Trovadores marcando presença com quatro clowns que, além de distribuir laços, improvisaram uma pequena encenação.
Nos bastidores muitas eram as histórias que se comentavam sobre a recepção dos homens em relação à campanha: de relatos hilários a reações que provocam certa indignação, ouviu-se de tudo um pouco, depoimentos de mulheres que pediam laço para que os filhos entregassem para os pais em casa, falas de criminalização do homem, mensagens de reconhecimento pela importância da campanha, enfim, tudo fervilhava e experimentávamos na pele a potência política do que estávamos realizando naquele lugar de tanta diversidade onde circulam feirantes, comerciantes, pescadores, estivadores, consumidores de todas as camadas sociais e onde chegam barcos lotados de passageiros vindos de várias partes do interior do estado.
O calor era intenso, mas os mais de 30 voluntários estavam completamente envolvidos na atividade e o clima geral era de alegria e festa. Entre sambas, carimbós, bregas e lambadas todos dançavam, fotografavam e a circulação do público era intensa, com uma receptividade impressionante.


As atividades encerraram às 12:30 depois de termos distribuídos quase 2000 laços e vendido todas as camisetas. Terminamos entre abraços e brindes e fomos matar a fome comendo aquele famoso peixe frito do mercado do Ver-o-Peso.

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