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domingo, 14 de novembro de 2010

Foi Show: 2ª noite do Se Rasgum 2010

Dharma Burns no show de abertura, no palco interno

A chuva que atingiu Belém no começo da noite atrasou mas não prejudicou o segundo dia de shows do 5º Se Rasgum, no African Bar. Bastaram pequenos ajustes, como a opção de iniciar os trabalhos com Dharma Burns no palco interno, o que acabou ajudando a valorizar mais o ótimo show que o quinteto de power pop paraense fez. A galera dançou muito ao som de músicas como "December Lights" e "Moon Dancer" (que é daquelas que não deixa ninguém parado).

Logo depois, a Mostarda na Lagarta foram os primeiros a tocar no palco externo. Pouca gente encarou a chuva que prosseguia para prestigiar o irreverente repertório da performática banda. Chamava a atenção a maquiagem pesada do baixista, que simulava uma máscara verde a cobrir seu rosto.


Os fãs de Mostarda na Lagarta ignoraram a chuva
para curtir a banda no palco externo

Saindo dali, peguei o show da banda Clepsidra quase desde o início no palco Laboratório Música Paraense.Org, cuja programação corria paralela à dos palcos principais. Renato Torres, Maurício Panzera e Arthur Kunz apresentaram composições que estarão no 3º disco da banda, Independente, além de uma música do primeiro CD, Bem Musical ("Descontrolado") e outra que foi lançada por Joelma Kláudia ("Reino", de Renato com Henry Burnett). Mais adiante, vi ainda no Lab o final do show de Mestre Juvenal, de Ananindeua, cidade vizinha a Belém. O grupo de Juvenal pôs todos para dançar ao som do autêntico carimbó de raiz.

O carimbó também deu o tempero para o som do grupo Soatá, de Brasília. O uso do curimbó em temas que conjugam elementos rítmicos que vão do samba ao rock pesado dão um clima 'mangue beat' ao som da banda, lembrando em alguns momentos a Nação Zumbi (ou o Mundo Livre S/A, já que, a exemplo de Fred Zero Quatro, a vocalista Ellen Oléria volta e meia empunha um cavaquinho). Foi uma das primeiras bandas a se apresentar cujas músicas foram cantadas em peso pela maior parte da galera presente.


Soatá

Falando em cantar em peso, nesse item ninguém entre os paraenses da noite de ontem superou Nelsinho Rodrigues. O cantor realizou um dos melhores shows do sábado, fazendo um verdadeiro desfile de sucessos do brega, e sem dar intervalo entre as músicas - de modo que também o público não parou de dançar um só segundo. Um dos lances mais incríveis foi que, o tempo todo, pessoas da pista eram convidadas a subir ao palco para cantar ou dançar, e depois saíam ou eram discretamente retiradas pela segurança (sim, porque às vezes ocorre da pessoa subir no palco e depois resistir para sair. Ontem isso não aconteceu).

A participação nortista da noite de sábado se encerrou com o primeiro show de Félix y Los Carozos, nova banda dos integrantes de La Pupuña. Projeto novo, cinco músicas novas, e de quebra um instrumento novo - o curimbumbo, um curimbó no lugar do bumbo da bateria - ou seja, bastante ousadia da Se Rasgum em apostar neste para ser o show entre duas atrações do porte de Cidadão Instigado e Otto. A ousadia se mostrou acertada, pois o show foi muito bom, valorizado pela participação de Gaby Amarantos em três músicas no final. Nem mesmo a queda de luz do palco por três vezes (em uma delas, emudecendo a guitarra) chegou a tirar o pique de banda e público. Basta dizer que, na hora em que a guitarra emudeceu, los Carozos homenageavam Verequete, e seguraram na voz e na percussão (o baterista estava batendo tambor junto com o percussionista, o baixista empunhava um tantã e o tecladista mandava ver em duas maracas). Gaby aproveitou o show para oficializar que sua nova banda é mesmo The Vassos (outro projeto paralelo dos pupuñas).

Também se apresentaram ontem Lê Almeida, Cabruêra e Odair José com Dead Lover's Twisted Heart.

  • Por que não comentamos nada do primeiro dia do Se Rasgum?
Na tarde de quinta, perguntei à assessoria de imprensa do Festival sobre a possibilidade de eu poder me deslocar ao Hangar, lugar do primeiro dia de shows, em um veículo da produção do festival, já que eu não tenho carro e soube que não há linhas de ônibus circulando na área após as 22h, horário marcado para o início do evento. Ouvi que, como não havia como garantir que a carona seria possível, a Se Rasgum preferia não se comprometer com meu transporte. Insisti na sexta, falando já diretamente com a produção; desta vez a resposta foi de que isto nunca é proporcionado "para a imprensa local" (sic!) - é assim que a produtora do festival considera o Som do Norte, pelo simples fato de eu estar morando em Belém. Qualquer vista d'olhos mais ou menos atenta ao blog vai deparar com agenda de Boa Vista e Manaus, notícias sobre artistas do Amapá no Acre ou do Pará em São Paulo, novidades do Tocantins etc., o que naturalmente nunca sai na verdadeira imprensa local de Belém, pelo simples fato de que o foco destes é Belém, e o meu é o Norte, inclusive Belém. Enfim, o transporte me foi negado pela segunda vez, e por isto eu não pude acompanhar o primeiro dia de shows do Se Rasgum 2010. (Fabio Gomes)

Um comentário:

  1. Poxa, Fábio. Que imprensa é essa que não tem nem 100 leitores diários e já quer todas as regalias.
    Coisa feia esse seu comentário. Pega mais mal pra ti que pra produtora.

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