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segunda-feira, 24 de maio de 2010

“Pororoca 2010”: Stereovitrola produz trilha sonora de curta-metragem

Banda Stereovitrola viu suas músicas virarem
trilha sonora de curta-metragem brasileiro


Por Karen Pimenta

O fenômeno da Pororoca, espetáculo único do encontro das águas do Rio Amazonas com as do Oceano Atlântico, foi o cenário escolhido pelos integrantes do “Surfando na Selva”. Empolgados com as ondas de até seis metros de altura por ocasião da lua cheia ou nova, a equipe de surfistas e aventureiros acabou por transformar as maravilhosas cenas captadas na Amazônia num curta-metragem intitulado “Pororoca 2010”.

O roteiro do curta-metragem segue a filosofia da trupe, de desbravar lugares pouco explorados, fazendo o registro audiovisual de cada ação. Mas as imagens inusitadas precisariam de uma trilha sonora original, à altura de tanta beleza. E foi isso que o surfista e diretor Serginho Laus encontrou em Macapá.

Uma banda da capital amapaense, formada em meados de 2003, chamou à atenção do diretor, que sentiu nas melodias a dinâmica sonora que procurava para o curta. Com três músicas: “Bicicleta”, “Canção para Syd Barret” e “Automóvel Verde”, a Stereovitrola viu suas músicas registradas e levadas Brasil afora.

De acordo com o baixista e formador da “Stereo” (carinhosamente chamada), Marinho Pereira, essa foi uma das melhores notícias do ano. Além de emocionar os integrantes, hoje, formada por Ruan Patrick Oliveira (vocal e guitarra), Anderson Pedro (guitarra), Otto Ramos (teclado), Wenderson Marck (DJ), Rubens Ferro (bateria) e o próprio baixista, é uma excelente oportunidade de levar o trabalho do grupo aos quatro cantos do País.

“O Serginho veio filmar o curta ‘Pororoca 2010’, acontecimento natural muito particular do nosso Estado, e queria colocar como trilha sonora canções de artistas locais”, relata Marinho. Por meio de amigos, Laus acabou chegando ao CD da “Stereo” e gostou das músicas.

“Esse curta-metragem já está competindo em alguns festivais de cinema, sendo elogiado por muitos. Portanto estamos muito orgulhosos com essa repercussão positiva. O trabalho está muito bem feito”, comemora.

Como tudo começou

Num cursinho de pré-vestibular, dois jovens com afinidades musicais resolveram formar uma banda e tocar “covers” de músicos que gostavam. Marinho e AJ procuravam baterista e encontraram em Rubens a sintonia perfeita para a proposta musical daquela época. A banda inicialmente se chamava B-side, alusão ao estilo que propunha canções mais desconhecidas do público.

Os convites para apresentações foram aumentando. Houve a necessidade de chamar outro guitarrista e Patrick (atual vocalista da banda) foi o escolhido. “Lembro até hoje a primeira apresentação da banda, foi no dia 23 de março de 2004. É algo marcante pra mim, jamais vou esquecer. A mudança para o nome atual foi ideia do Patrick. Gostamos e ficou”, lembra o baixista.

Para inserir suas músicas, a banda optou pela discrição. “Percebemos que o público gostava das nossas canções e elogiavam a escolha do repertório no fim do show. Era quando revelávamos que eram de nossa autoria e as reações não poderiam ser mais positivas”, explica Marinho.

Por problemas pessoais, AJ teve que se ausentar da Stereovitrola, então Patrick comandou o microfone para a banda não acabar. E até hoje exercita essa nova função. “Ele é muito esforçado, tanto que faz aulas de canto. Mas não deixamos a ‘peteca cair’ e continuamos a história”, afirma. Em 2007, Otto entrou para somar com o grupo, tocou e permanece.

Na bagagem da banda, o EP Cada molécula é um ser
e o CD No espaço liquido

Repercussão nacional

Com seu estilo musical indie, a Stereovitrola já tem na bagagem um EP intitulado Cada molécula é um ser lançado no final de 2005 e o mais recente CD No espaço liquido, os dois autorais. Além disso, a banda já tocou em festivais de renome nacional, como Festival SeRasgum (PA) e duas edições do Festival Quebramar (AP).

“Não existe um mais importante do que outro, mas como o SeRasgum foi nossa primeira participação em festivais, acabou sendo o mais marcante na carreira da banda. Conseguimos excelente visibilidade do nosso trabalho e nossa música entrou na trilha sonora do festival”, argumenta.

“A partir daí entramos na lista dos melhores singles e EP’s independentes de todo Brasil, de acordo com a revista Dynamite, especializado em música, e alcançamos o sexto lugar”, conclui.

Nova cena macapaense

De acordo com Marinho, uma nova cena musical no Estado começa a despontar. “Acredito que existe uma nova configuração na cena musical. Tudo isso graças ao Festival Quebramar, realizado pelo Coletivo Palafita, do qual a banda faz parte. Ele abriu portas e mostrou que em Macapá existem bandas com bastante talento e trabalho autoral de excelente qualidade”, salienta.

Empolgado, Marinho finaliza: “Vejo que as bandas locais estão mais interessadas na profissionalização. Mas sempre tem aquelas que querem continuar na mesmice e não vêem a grande oportunidade na sua frente. Contanto que não atrapalhem o trabalho de quem enxerga potencial nos artistas locais, seguimos nossas vidas e continuamos as atividades de fomento à cultura”.

Publicado originalmente na

2 comentários:

  1. Uma banda que vale muito a pena ver, ouvir, baixar! mais grande aposta do Coletivo Palafita para circulação 2010 no FDE.

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  2. em 1900 e na sei quanto o patrick tinha uma banda que tocava covers e eu ja achava que ele tinha talento entao para um som proprio foi um pulo, eh isso a galera força e persistencia que as coisas vão acontecer.

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