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sexta-feira, 21 de maio de 2010

Foi Show: Aíla cada vez mais livre

por Aletheya Sério, da Ecleteca
edição: Amanda Aguiar

Olhares ansiosos cruzavam o Boteco São Matheus cada vez que a porta se abria - e foram muitos os que por ela passaram. O lugar foi enchendo lentamente. As pernas começaram a balançar irrequietas e as mãos a dedilhar as mesas. A artista estava atrasada. Tanto quanto ela, o público, que só encheu o boteco quase uma hora após o horário marcado para o show. Mas Aíla nem notou. Quando finalmente chegou, o lugar já estava repleto de fãs e amigos.

Aryanne AlmeidaRecebida por muitos sorrisos, fez questão de exibir o seu próprio em cada mesa, cumprimentando o público um a um, como anfitriã a seus convidados. A ideia parecia essa mesmo: aquilo não seria um show, mas uma alegre reunião. O pocket show, dirigido pelo músico e amigo Felipe Cordeiro, é um convite àqueles que vêm acompanhando a promissora, elogiada e premiada carreira de Aíla Magalhães. A artista, aliás, parece ter estendido a proposta intimista à nova assinatura: está mais amiga do público, mais cúmplice, mas nem por isso menos única – a cantora agora é apenas Aíla.

O show começa e a platéia se encanta com os familiares versos e acordes de “Vamos” (de Felipe Cordeiro e Jorge Andrade) e “À sua maneira” (Felipe Cordeiro). Sente-se à vontade para cantarolar as famosas “Três” (de Marina Lima e Antônio Cícero) e “Você é Má” (Zeca Baleiro e Joãozinho Gomes), que em nada deixam a desejar às suas versões originais. Empolga-se com “Baú” (de Vanessa da Mata) em versão carregada da guitarrada paraense. Vê-se surpreendida pela delicada versão de “Dona Maria” (do mestre Pinduca) e é presenteada pelas participações de Arthur Nogueira e Juliana Sinimbú, que só não foram melhores por causa das notórias limitações na estrutura de som.

Divulgação Entre conversas e improvisos, Marcel Barreto solta a pérola: “É, galera, eu toco tudo!”. A brincadeira se referia ao deslumbre de alguns com a escaleta tocada pelo guitarrista. Mas há certa razão na frase: no show ouviu-se de tudo! Do carimbó ao zouk, da cúmbia à lambada, todos costurando o pop. Aíla, Felipe Cordeiro (violão), Maurício Panzera (baixo), Arthur Kunz (bateria) e Marcel Barretto (guitarra e escaleta) souberam fazer o mesmo de forma nova, sem mesmices nem experimentalismos exagerados.

Ao fim do show ficou a vontade de ver tudo novamente. Ficou na imaginação o show mais elaborado, em local maior e com estruturas de som e iluminação melhores. O desejo de poder ouvir aquele repertório a qualquer hora do dia. A torcida para que o CD não demore.

Publicado originalmente na Ecleteca - 18.05.10,
sobre o pocket show de 14.05.10

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