Aqui se fala do som dos estados do Norte do Brasil: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Diz Aí: Euterpe


A cantora e compositora Euterpe faz um balanço sobre o período em que seu CD Batida Brasileira foi o Disco do Mês do Som do Norte, e de outras repercussões que o disco já conquistou, após apenas cinco meses de seu lançamento em Boa Vista. Ressalto aqui a importância do artista independente estar atento às oportunidades que surgem e ao mesmo tempo buscar criá-las. Nas palavras de Euterpe fica comprovado que existem, sim, espaços em rádios e sites para música de qualidade, e o artista deve estar sempre antenado. Ter espaço próprio e atualizado na internet - seja site, blog, MySpace ou páginas similares - é fundamental! Foi através do seu MySpace que lhe surgiu o convite para que ela gravar um programa inteiro para a Rádio Educadora da Bahia. Também iniciou no MySpace o caminho que a levou a ter o CD destacado como Disco do Mês. Ano passado, mais exatamente em 2 de setembro, eu escrevi sobre o filme Roraimeira, citando algo que só vim a saber pelo filme - que a cantora roraimense Andressa Nascimento, premiada no Projeto Pixinguinha, adotara o nome artístico de Euterpe. Seis dias depois, ela entrou em contato comigo através do MySpace do blog, apresentando-se e falando do disco, que já havia gravado em Belém. Em dezembro, ao saber pela imprensa de Roraima que o CD enfim seria lançado, voltei a lhe escrever; ela então me enviou vários textos e fotos, alguns eu publiquei em seguida, outros vocês conheceram na época do Disco do Mês. Mais adiante, ela me adicionou no Twitter e foi por ali que, espontaneamente, se propôs a me enviar o CD pelo Correio. Eu o recebi em março exatamente na época em que precisava definir qual seria o disco a destacar em abril; quando ouvi as 3 faixas que não conhecia (no MySpace ela postou 9), não tive dúvidas: as próximas músicas a rodarem em nossa caixinha cantante tinham que ser as do Batida Brasileira!

Nesta entrevista, realizada por e-mail no dia 5, ela fala também do seu processo criativo, das parceiras atuais (Eliakin Rufino e Gilberto Mendonça Telles) e futuras (Odara Rufino e Felipe Cordeiro), das músicas que compôs especialmente para Aíla, e de seus próximos dois discos, que junto ao primeiro completarão a Trilogia Batida Brasileira.


Som do Norte - Euterpe, neste começo de ano seu CD Batida Brasileira tem estado bastante em evidência; além de ter sido o Disco do Mês de abril do Som do Norte, passou a integrar o catálogo da Tratore, foi elogiado por Nelson Motta no Sintonia Fina e destacado em duas importantes rádios, a Roquette-Pinto, do Rio de Janeiro, e a Educadora, da Bahia. Como você avalia estas repercussões todas? Há alguma outra que eu não tenha localizado e que você ache importante acrescentar?

Euterpe – Essas repercussões são resultados do trabalho de divulgação que faço aqui de Boa Vista pelo correio e pela internet. Meu CD vai para o quinto mês de lançado e começa a repercutir na mídia nacional. O comentário do Nelson Motta, o maior crítico musical do país, veio no momento em que meu CD entrou para o catálogo da Tratore e foi destaque no blog Som do Norte. A rádio Roquette Pinto foi um contato que o poeta paraense Jorge Andrade me passou pela internet. Ele me encaminhou um e-mail do jornalista Humberto Effe do programa Sangue Novo que busca tocar músicas de artistas emergentes, respondi ao e-mail e enviei o disco pelo correio. Foi assim também com o Nelson Motta e o programa Sintonia Fina da MPB FM que respondeu com uma crítica positiva ao meu trabalho. O programa Especial das Seis da FM Educadora da Bahia surgiu através de um contato com o jornalista e produtor do programa Emmanuel Mirdad. Certo dia ele me procurou pela internet para saber mais sobre meu trabalho. Em seguida, me convidou para participar do seu programa na Educadora, enviou o roteiro e eu gravei o áudio aqui em Boa Vista que hoje está disponível no Som do Norte (ouça Euterpe no Especial das Seis). Sou da periferia cultural do país. Aqui minha música não toca nas rádios. A única exceção é o programa Música da Amazônia, da jornalista Vânia Coelho, um programa que existe há mais de 10 anos na Rádio FM Monte Roraima e que é o espaço do artista da Amazônia aqui em Boa Vista, uma espécie de “Som do Norte”. Estive também no programa Amazon Space da jornalista Tatiana Sobreira (foto abaixo), na rádio Amazônia FM em Manaus.


Som do Norte - Em pleno Carnaval, você participou do Grito Rock Boa Vista, sendo desta forma uma das poucas atrações do evento cuja música não tem ligação direta com o rock. Conte como foi para você esta experiência.

Euterpe – Minha participação no Grito Rock surgiu através do convite do músico e publicitário Cristofer Floco. Em seguida o Manoel (Villas Boas), cantor da Mr. Jungle, confirmou minha participação e eu topei pelo espírito de coletividade da tribo roqueira. O Grito Rock é um evento democrático onde o que predomina é o espírito rock'n'roll. Minha participação foi de improviso, e eu contei com o auxílio dos músicos argentinos do grupo Duende Trio. Fui tomada por uma atitude rock'n'roll, vesti um vestido preto, peguei meu violão e mandei bala no meu som. Foi massa!

Euterpe, em foto de Jorge Macêdo
para o encarte do CD

Som do Norte - O CD Batida Brasileira, lançado no final do ano passado, é o primeiro volume de uma trilogia em que você irá apresentar ao país a riqueza da música popular brasileira produzida no Norte. Para quando você prevê a gravação e o lançamento dos próximos volumes, e o que já pode adiantar a respeito?

Euterpe – O segundo e o terceiro volume da Trilogia Batida Brasileira deverão ser gravados no início do ano que vem, com lançamento previsto para julho de 2011 e janeiro de 2012. Vou gravar os discos com a mesma equipe de músicos em Belém, com direção musical do Adelbert Carneiro e a mão de couro do Trio Manari. O segundo CD terá 14 faixas com novos temas que estou compondo em parceria, músicas de outros compositores do Norte do Brasil, seguindo a proposta de mapear a riqueza rítmica da minha região.

Som do Norte - Sabemos que você está compondo, inclusive mandou músicas novas para o disco que a cantora paraense Aíla deve gravar em Belém no segundo semestre. No Batida Brasileira, as suas composições são, quase todas, em parceria com Eliakin Rufino - uma apenas, "Feitiço", é co-autoria com Gilberto Mendonça Telles. Como funcionam suas parcerias, você faz a música e seus parceiros a letra, ou isto varia? Você tem composições em que faça música e letra, sem parceiros?

Euterpe – Estou em um momento criativo de composição. Comecei a inventar melodias na cabeça desde pequena quando compunha com minhas primas. Mas apenas de uns tempos pra cá comecei a compor profissionalmente. Minhas primeiras músicas são em parceria com o Eliakin Rufino, onde eu faço as melodias para os poemas dele. Foi ele que me apresentou o poema Feitiço do Gilberto Mendonça Teles. Me identifiquei com o poema e fiquei com ele na cabeça até conseguir musicar. Depois desta primeira parceria com o GMT ele me enviou pelo correio sua antologia poética e eu continuo compondo novas músicas para outros poemas dele. Pretendo ampliar o número de parceiros e ultimamente componho com minha prima Odara Rufino que está se saindo uma excelente letrista. Pretendo também afirmar minha parceria com o Felipe Cordeiro para os próximos discos. Não sou letrista. Me divirto bastante em criar as melodias, pensar no formato da música, no ritmo, na dinâmica, nos climas. Neste momento estou focada mesmo na pesquisa de composição musical e na síntese da música popular brasileira de estrofe e refrão. As letras surgirão naturalmente com o tempo. Após o lançamento do meu CD, algumas cantoras me procuraram para conhecer minhas músicas. Estou preparando algo especial para o disco da Aíla (foto à direita). Será um honra para mim, ter uma música minha gravada pela Aíla em seu disco de estréia.

Som do Norte - Para encerrar, gostaria que você contasse para nossos leitores como nasceu a música "Dançando no Rio", a última do Batida Brasileira.

Euterpe – A música "Dançando no Rio" era originalmente um tema instrumental do CD Braços da Amazônia (2003) do Trio Manari. Quando ouvi este tema, senti imediatamente vontade de cantar e pedi ao Eliakin para escrever uma letra. Ele foi em cima do mote do título. Decidi gravar o disco com o Manari e incluir a música no CD. A melodia era marcante e o ritmo diferente. Depois de uma conversa com os compositores, descobri que o ritmo que eu havia gostado era uma mistura de xote bragantino com naiambing, um ritmo africano. O balanço era muito bom e o coro do refrão remetia a um canto tribal. O Adelbert Carneiro criou um novo arranjo dentro da linguagem do Batida Brasileira. Em 22 de maio, vou participar do Femucic 2010 - Mostra de Música Cidade Canção, promovido pelo SESC de Maringá, no Paraná, e lá irei cantar "Dançando no Rio".

***


Finalizando a entrevista, vamos ouvir a participação anterior de Euterpe no Femucic, em 2008 (foto acima), quando ela ainda se assinava Andressa Nascimento. Esta música foi regravada para o Batida Brasileira, com ritmo mais vivo e tintas reggeiras - e sem o sopro que se destaca neste arranjo.

ANDRESSA NASCIMENTO
"Xapuri"
(Eliakin Rufino - George Farias)
2008



Um comentário:

  1. ta ai uma mulher trabalhadora que tem tudo pra ter mais sucesso do que ja tem. sou fã de carteirinha. Parabens andressa pelo seu trabalho.

    ResponderExcluir