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quarta-feira, 26 de maio de 2010

Disco do Mês: Lia Sophia fala do CD Amor Amor


O título acima, lido de relance, pode parecer banal. Afinal, Amor Amor é o nosso Disco do Mês desde o dia 3 de maio, e muita coisa já foi publicada a respeito dele aqui no blog. Mas até aqui, quem falou do CD fui eu ou colegas da imprensa, nos textos, ou vocês, nos comentários; ouvimos Lia Sophia, sim, sobre os preparativos do show de lançamento do disco, no dia 5, e depois a respeito do show Latinizando. É chegado, portanto, o momento da cantora falar do disco em que presta um tributo ao brega.  A entrevista foi realizada nesta segunda-feira. 

Fabio Gomes - Lia, ouvindo as músicas do teu CD Amor Amor eu noto muita influência da Jovem Guarda e também daquelas músicas românticas de meados dos anos 70 - talvez, claro, por eu não conhecer tão a fundo este repertório brega romântico nortista, como tu pudeste conhecer por ser da região e também pela pesquisa. 

Lia Sophia - Penso que a semelhança que você percebe entre estas canções e a Jovem Guarda deve-se ao fato de ambas terem sido influenciadas, tanto nas letras quanto no ritmo, pelo rock and roll e pelo iê-iê-iê, no pós-guerra. Claro que mais tarde cada uma segue o seu caminho, e o Brega passou por várias fases de renovação e mudanças rítmicas, sofrendo forte influência de ritmos caribenhos, e até hoje ainda vive grandes transformações e recebe diversos nomes, como Tecnobrega, Tecnomelody etc.

Fabio Gomes - Na tua interpretação vocal destas canções percebo muito de bossa nova, emoldurada por esta sonoridade sutilmente eletrônica que contrasta com as fortes imagens das letras ("Vem amor que estou morrendo" ou "Sem você não sei viver"...). Como foi que chegaste nessa síntese?  

Lia Sophia -  Essa é uma síntese natural da minha história musical. Cresci ouvindo estas músicas (bregas, boleros), na adolescência conheço a MPB, a Bossa Nova e passo a ter um repertório nesse sentido, e os ritmos regionais sempre estiveram presentes na minha vida, na escola, no teatro, enfim, cresci assistindo à rodas de marabaixo, carimbó etc. Fico muito feliz quando penso que cresci numa região tão rica culturalmente e hoje posso me utilizar desta riqueza com propriedade.

Fabio Gomes - O que os músicos cariocas acharam, eles chegaram a comentar contigo alguma coisa quanto às composições? Eles já conheciam alguma delas?

Lia Sophia -  Os músicos cariocas não conheciam estas canções, e foram só elogios ao projeto e às músicas em si.

Fabio Gomes -  O CD foi lançado na primeira semana de maio em shows no Teatro Margarida Schivasappa - a procura por ingressos foi tão grande que assim que iniciou o primeiro show, no dia 5, se anunciou a realização da segunda sessão no dia 7. Não esperavas isto, não é? Como foi que te sentiste? E já tens data para novo show em Belém?


Lia Sophia -  Reconheço que o público que me acompanha é muito carinhoso com o meu trabalho, e sempre responde aos meus convites. Mas eu realmente não esperava, para uma quarta-feira, que a procura fosse tão grande. Eu estava emocionada, desde que o dia amanheceu. Pensar que eu, finalmente, ia apresentar o resultado de um projeto de mais de três anos de trabalho, desde o primeiro show em 2006, depois a pesquisa, a captação de patrocínio, a gravação do disco, enfim, quando vi o público ali, soube que todo o trabalho valeu muito a pena. Ah, tomei um susto quando fui avisada que repetiríamos o show na sexta-feira, não sabia nem o que dizer, foi engraçado. Vou apresentar este show nos dias 28 e 29 de maio em Macapá, e aqui em Belém, tenho planos para junho, julho, agosto... assim que tiver as datas te aviso para divulgares aqui no Som do Norte

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