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sábado, 22 de maio de 2010

"AÍLA - Pocket Show", por Felipe Cordeiro


A idéia da Aíla de fazer um pocket show já existe há algum tempo, mas a oportunidade só apareceu agora, ainda que não fosse a ideal devido às limitações técnicas do Boteco São Matheus (e de quase todas as casas de Belém) para uma realização desse porte. Sabíamos dos riscos pela frente, pois tocamos com cinco músicos num bar cujo palco comporta com conforto três ou quatro, além disso o som da casa tem suas limitações. Superado o medo desses riscos, acreditávamos que dava pra fazer algo especial. E assim o foi.

O pocket show da Aíla mostrou uma cantora em amadurecimento artístico e profissional. Com seus vinte e um aninhos ela já coleciona fãs e prêmios em importantes festivais, como o 1º Festival da Música Popular Paraense do ano passado, no qual ganhou o prêmio de Melhor Intérprete e foi um destaque. Ela tem carisma, talento e força de vontade, algo que certamente é recompensado na carreira de um artista.


Os shows foram bem legais, especialmente o primeiro, já que no segundo os problemas técnicos conseguiram dificultar o andamento do espetáculo. No repertório havia muitas músicas minhas e de autores paraenses como o Paulinho Moura, o Jorge Andrade, o Arthur Nogueira e o mestre Pinduca. Aíla também fez questão de incluir referências a cantoras que lhe inspiram, como a Vanessa da Mata e a Céu.

Acho que esse é o espírito do novo século, integração, multiculturalismo e comunicação direta (música sem truques). Foi muito interessante reunir no mesmo palco o guitarrista do Power Trio do Juca Culatra, Marcel Barreto, o baterista e baixista da banda Clepsidra, Arthur Kunz e Maurício Panzera, e eu, de banda nenhuma (embora integre o projeto Massa Grossa e também meu trabalho com a até aqui chamada “banda Kitsch”). Disso tudo só podia sair um som híbrido, potente e criativo, capaz de imprimir uma sonoridade específica ao trabalho da Aíla.


Mesmo sabendo que para os outros sou suspeito pra falar do show que dirigi, procuro praticar o exercício do distanciamento e tento olhar pras coisas como se eu não pertencesse a elas, então vou dizer: eu adoraria (como espectador) ter visto um show daqueles. Música contemporânea brasileira, rica em sotaques e ritmos, com pitadas da nossa “Floresta Sonora” (Amazônia) e tudo incorporado às referências da cultura pop, sem dúvida me tocariam em cheio. Tenho a convicção de que a música do Pará é uma das músicas de ponta no Brasil há algum tempo e cada vez mais, o show da Aíla também ousou pertencer a essa linha de frente da música brasileira, com sutileza, verdade e potência.

Que venham outros shows da Aíla!

Felipe Cordeiro

2 comentários:

  1. IPI IPI UHA! Lindo Pocket Show!!!

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  2. mundo, vasto mundo! esse eh o Brasil q se ama e estah acima dos outros brasis universais. Sucesso!!!

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