Aqui se fala do som dos estados do Norte do Brasil: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Na Rede: Revistas Musicais do Amapá


O escritor e compositor Fernando Canto mantém a saudável prática de reproduzir em seu blog os textos que publica na imprensa de Macapá, destacando-se a coluna "Canto da Amazônia", que sai às sextas n'A Gazeta. No domingo, entrou no ar a coluna da sexta, em que um dos temas foi a nova revista Alé, com informações musicais e folclóricas, lançada pela banda Placa, ativa desde 1984. Na foto ao lado, o cantor e compositor Carlitão, um dos fundadores da banda.

Por coincidência, que só vim a constatar hoje, também no dia 28 eu recebi pelo Correio uma revista similar editada em Macapá em 2007, a Amazônia Musical, que tinha como diretor geral José Maria Cruz. O exemplar que me chegou às mãos foi um presente da leitora Vânia Beatriz, amapaense residente em Porto Velho. Músicas cifradas, entrevista com Osmar Júnior (que conta como a banda Placa o auxiliou no começo da carreira) e uma crônica do jornalista Renivaldo Costa.

Alguém sabe me dizer se esta revista ainda circula? Não há indicação de endereço na internet. O ideal com ela e também com a nova Alé é que procurem imitar o exemplo de Fernando Canto, reproduzindo na internet o conteúdo que saia na publicação impressa, ampliando seu alcance, o que viria ao encontro da proposta de Cruz na apresentação daquele nº 1 - contribuir "para que a cultura amazônida seja apreciada e divulgada em nossa região e em todo o solo brasileiro". A ambos, e a iniciativas semelhantes, oferecemos nosso apoio e espaço aqui no blog, se preciso for.




domingo, 30 de maio de 2010

Entrevista Especial: Felipe Cordeiro


Foto: Felipe Cordeiro por Paula Lourinho

Na quinta-feira, dia 27, abri o Rapidola dizendo que a entrevista que o jornalista Sidney Filho fizera com Felipe Cordeiro era leitura obrigatória. Tanto pelo registro da trajetória percorrida até agora, quanto pela explanação de suas idéias sobre música em geral e paraense em particular. Verdade seja dita: de poucos compositores da atual geração pode se afirmar que estão construindo uma obra, onde se pode identificar um projeto musical coerente e significativo, como Felipe está. Basta dizer que, das 41 canções que selecionei entre as mais destacadas de 2009 para concorrerem a Música do Ano, faziam parte da lista nada menos que 5 de sua autoria. Três só suas: "À Sua Maneira", que obteve a 4ª maior votação, "Sei Lá" e "Tambor de Luz"; e duas em parceria - "Um" (com Joãozinho Gomes e Marcelo Sirotheau) e "Vamos" (com Jorge Andrade). A leitura, além de obrigatória, não admite picotes - merece ser fruída na íntegra. A publicação original aconteceu no próprio dia 27, na nova casa do blog Ver-o-Pop - a Ecleteca.

Fabio Gomes - 30.05.10

***

Entrevista Especial: Felipe Cordeiro

por Sidney Filho

Felipe Cordeiro representa um dos grandes compositores da Música Paraense. Cheio de ideias e pronto para novas aventuras musicais, ele concedeu essa entrevista especial, na qual conta vários detalhes da carreira dele.

Contatos

(91) 81578051 – 32381227

felipecorda@gmail.com * felipeserracordeiro@yahoo.com.br * www.twitter.com/felipecorda * felipecorda@hotmail.com (msn)

Como, quando e por que começou a se interessar por música? E quais foram as tuas primeiras experiências como músico?

Desde muito cedo. Meu primeiro ídolo foi Michael Jackson, imitava todos os passos do videoclipe “Bad”, isso com meus quatro anos de idade. Mas acho que era algo que me impressionava, ainda não tinha consciência daquilo como uma arte. Acho que isso aconteceu com meu segundo ídolo Raul Seixas e depois com Chico Buarque, nunca me esqueço a primeira vez que ouvi as músicas “Mosca na Sopa” e “Construção”. Meu pai (Manoel Cordeiro) me mostrou a segunda e chamava minha atenção para o arranjo, passei a ouvir intensamente esse disco todos os dias. Mas o negócio foi se tornando mais sério quando entrei na Escola de Música da Ufpa aos 10 anos, lá estudei e fiz as primeiras apresentações, nos concertos de piano e nas apresentações da Orquestra de Bandolins da Ufpa, liderada pelo Luiz Pardal. Logo em seguida vieram os primeiros festivais de música popular, o primeiro que participei foi em 2000, quando eu tinha 16 anos, neste mesmo ano vieram os primeiros prêmios, o que foi algo importante. Acho que os festivais que participei nessa época (2000/2002) foram as primeiras coisas profissionais que fiz.

Você está sendo considerado como um dos grandes compositores da música paraense. Como é o teu processo de criação? E como você percebe, que uma música tem mais a ver com um intérprete?

Já tive um processo mais organizado, no começo era assim, eu tinha dificuldade de fazer alguma coisa que eu achasse boa, então eu era lento e organizado, justamente pra não poder dar muito errado, já que não ficaria do jeito desejado. Hoje, com a liberdade que a técnica proporciona, com um maior amadurecimento artístico e intelectual, fica mais fácil. Posso fazer uma música a partir de um texto poético (componho assim com o poeta Dand M e Jorge Andrade) ou a partir de uma melodia, uma linha de guitarra ou ainda uma levada de violão, posso fazer a letra. Hoje é assim, compor é como assoprar. Muito mais natural e intuitivo (com a técnica já absorvida). Embora não me considere um intérprete no sentido tradicional do termo, hoje não tenho mais essa dependência (que já foi muito boa e fecunda) dos cantores, no sentido de que, de um modo geral, não faço mais música pensando em outra pessoa, já fiz muito isso. Acontece de eu fazer música por encomenda, aí penso na voz de determinado cantor. Quando eu só compunha, ficava pensando que cantor caberia melhor naquela música, seja pela voz (instrumento vocal), pela sensibilidade (vibração), coerência estética.



Como você analisa o cenário da música paraense atual e também da música brasileira? E quais são os principais destaques em ambos?

Publiquei no blog do projeto Massa Grossa (http://www.estudiomassagrossa.blogspot.com/) (que desenvolvo com Pio Lobato, Ana Clara e Vovô), um texto chamado Dias Quentes, no qual me debrucei justamente num olhar sobre a música feita no Pará de hoje. Nesse texto eu não comento a cena, mas sim busquei fazer considerações sobre aspectos da estética da música contemporânea paraense, como a relação do calor com a liquidez, seja nos ritmos dançantes, híbridos; seja nos conceitos, intensos, anárquicos, capazes de elevar à estética Kitsch, por exemplo, a outro patamar, isto é, um vetor de transformação. A meu ver eis o ponto onde a música feita no Pará hoje se diferencia de um modo geral, das demais feitas no Brasil. Em outras palavras, vejo que a música do Pará hoje, talvez pela primeira vez na sua história, dialogue criativamente com a música contemporânea do mundo sem nenhuma dificuldade, aliás, muito pelo contrário, já que aquela é linha de frente desta. Isso porque, diferentemente de outras épocas, em que tudo era muito embrionário e isolado (um compositor aqui e outro ali, uma experimentação aqui e outra acolá), hoje já existe uma consciência de que existe uma estética nossa, um caminho aberto para a experimentação singular que a “floresta sonora” nos oferece. Acho que o Pio Lobato é uma peça chave no entendimento dessa história recente da música contemporânea paraense, identifico, sobretudo, no trabalho que ele fez com os Mestres da Guitarrada, algo de primoroso que radicalizou conceitos e consolidou (na idéia) uma estética sui generis que superou a dicotomia entretenimento/arte ou ainda kitsch/cult. Não foi a música que mudou, mas a idéia, o olhar. Acho que o som que o pessoal do Casarão Cultural Floresta Sonora (Juca Culatra, Metaleiras da Amazônia, Jungleman e MG Calibre) é interessantíssimo também, cheio de inventividade e ousadia. Destaco ainda Paris Rock, Arthur Nogueira, Coletivo Rádio Cipó, Projeto Secreto Macacos, Madame Saatan, Clepsidra, o trabalho recente da Iva Rothe e da Lia Sophia, como sendo momentos bem marcantes dessa produção atual. A música brasileira está num dos melhores momentos da sua história. A produção independente, do Amapá ao Rio Grande do Sul, surpreende pelo talento, diversidade e, sobretudo, algo que considero muito saudável, um desapego deliberado por uma música nacionalista. É como no cinema, os brasileiros precisaram (meados dos 60/70) se ver, se enxergar, isso nunca tinha acontecido antes do cinema novo, foi uma revolução. Passado esse momento o nosso cinema precisou expandir suas possibilidades estéticas, nós brasileiros tínhamos de experimentar maneiras de nos ver, inventar, despegar-se das tradicionais. Hoje é possível ver um filme do Heitor Dalhia e ele não ter nada, aparentemente, de nacional. E mesmo no que se faz em Pernambuco no cinema hoje é genial, aliás, como a música, eles encontraram uma estética, um desenho que tem um traço muito singular e definido. Sou admirador profundo, por exemplo, do Cláudio Assis, e lá tem traços fortes do cinema novo, mas reinventado, livre dos excessos nacionalistas. É isso que também ocorre na música brasileira. É o que vejo na música do Fernando Catatau, do André Abujamra, do Capilé, da Karina Buhr, do Kiko Dinucci, do Dante Ozzeti, do Cérebro Eletrônico, entre tantos outros grupos e artistas.

Quais são os teus novos projetos?

Estou produzindo o KITSCH POP CULT, o primeiro disco que me mostrou além do compositor. O que posso dizer por agora é que é inspirado no Alípio Martins e no Arrigo Barnabé. No mês de junho, julho e agosto, estarei me apresentado com um show já inspirado no CD em Belém e no interior do estado (Castanhal e Marabá) pelo projeto Conexão Vivo. Dia 16/6 farei no Acordalice Café um show pra mostrar um pouco desse som. Estou fazendo um trabalho em parceria com o Pio Lobato, a Ana Clara e o Vovô no projeto Massa Grossa, em breve a gente vai tocar e mostrar o que a gente anda inventando na garagem (do Pio), embora isso já esteja registrado (algumas coisas) no nosso Blog. Estou também na fase de pré-produção do cd da cantora Aíla, um trabalho que acho que vai render bons frutos, já que ela, apesar do pouquíssimo tempo de carreira (dois anos) já começa a apontar para um lance muito legal. No mais tenho meus trabalhos com o teatro que são revigorantes e se traduzem sempre num grande aprendizado.


sábado, 29 de maio de 2010

Música do Dia: Bem Musical


Me faltam as palavras para expressar a satisfação e a felicidade em que estou devido ao sucesso do lançamento que fiz ontem aqui do single de "Quando o Samba Acabou", clássico de Noel Rosa numa fantástica releitura de Juliana Sinimbú e Pio Lobato.

Além da grande repercussão no Goear, onde ocorreu a primeira postagem, lançamos o áudio também no nosso MySpace, e na capa do site Brasileirinho - onde, aliás, relembrei em texto publicado hoje que esta não é a primeira vez que lanço single de Juliana.

Já em março do ano passado, quando este blog ainda não estava nos meus planos, publiquei na Rádio Brasileirinho o áudio de "Bem Musical", regravação dela para a música-título do primeiro CD da banda Clepsidra, de 2004. É esta mesma que você ouvir e a partir de agora também baixar aqui - ontem mesmo Renato Torres autorizou o download.

JULIANA SINIMBÚ

" Bem Musical" (Renato Torres - Maurício Panzera)
com Banda Clepsidra
Data da gravação: 21/12/2008
Lançamento: março de 2009



Baixe a música

Oportunidade Brasil: Prorrogada votação do Prêmio Multishow!


Foi prorrogado o prazo de votação online no Prêmio Multishow 2010! O prazo inicial acabaria em 22 de maio, mas nesta semana foi estendido até 14 de junho. Não foram anunciadas novas datas das etapas seguintes, em que será aberta nova votação, para os que receberem maior número de votos na atual fase. Este "segundo turno" começaria na quinta, dia 27, e iria até 22 de agosto.

Mas não espere este anúncio, acesse a página de votação e indique quem você considera os melhores nas seguintes categorias: Cantora, Cantor, Grupo, Música, Clipe, Show, CD, DVD, Instrumentista, Artista/Dupla Sertaneja, e ainda apontar quem você considera Revelação ou sugerir ao público que "Experimente" (o site explica desta forma a categoria: "aquela banda que você adora mas pouca gente conhece").

É o momento para, sem as restrições de hábito, os fãs de artistas e bandas do Norte indicarem-nos maciçamente!


sexta-feira, 28 de maio de 2010

Música do Dia: Quando o Samba Acabou


A Música do Dia desta sexta é um lançamento exclusivo Som do Norte - uma versão de "Quando o Samba Acabou", de Noel Rosa, que Juliana Sinimbú recentemente gravou com Pio Lobato e seu projeto Massa Grossa. A gravação é recente, mas o convite de Pio a Juliana para darem nova roupagem a este clássico já tem algum tempo - foi, por exemplo, mencionada na entrevista que fiz com a cantora em 13 de setembro de 2009 (Diz Aí: Juliana Sinimbú).

Valeu a pena esperar. Juliana canta muito à vontade, sua voz dá aqui e ali inflexões levemente malandras que valorizam sua interpretação, que além do mais mantém um belo e ótimo diálogo com o instrumental o tempo todo. Magnífico o arranjo, a um tempo respeitoso com Noel (em dado momento o timbre do baixo remete a um violão de 7 cordas) e absolutamente contemporâneo - basta atentar para o vocalise final. Bacaníssimo!


JULIANA SINIMBÚ E MASSA GROSSA
" QUANDO O SAMBA ACABOU" (Noel Rosa)


Ficha técnica:

Pio Lobato - guitarra
Príamo Brandão - baixo
Vovô - bateria

Gravado no APCE Music Edition (Belém) - 2010

Ouvimos: Aparecida - Iva Rothe

Deixei ouvir, deixei escrever
nesta primeira noite em que ouço o Aparecida da Iva Rothe

por Felipe Cordeiro

Assim como a filosofia transcende o filósofo, pois se estende para além dos limites da sua vida e permanece como um sistema aberto em contínuo movimento, a música também ultrapassa o músico, ao ponto de me autorizar a dizer, na esteira do escrito que ganhei do poeta Jorge Andrade, que música é de ninguém.

A música da Iva Rothe (em foto de Walda Marques) é assim, de ninguém. Essa música se perde nas falas das mulheres da Amazônia, justamente porque vem delas. É como se fosse delas as falas, intenções, cantos, resmungos, sussurros, poemas.

Mas a música da Iva, essa cabocla com um pé na Alemanha, se perde, inevitavelmente, mundo afora, como se vê na maravilhosa “Fortuna Real”. Só entrei em contato com o disco, depois de ter conhecido a história muito interessante que inspirou a música, a história da Fortuna. Colombiana de ascendência egípcia, Fortuna lançou a pérola para a mãe da Iva na França (ainda nos anos 60): “Yo no puedo trabajar, pues soy muy flaquita...”. Quem contou a estória pra Iva foi sua mãe em 2005. Fortuna era garota de programa e dizia que não podia trabalhar. Só se interessava pelos homens mais velhos, pois eles tinham dinheiro para bancá-la. E ainda sobre essa canção, não esqueço do Kiko Dinucci, compositor paulista (dos grandes), vibrando com o refrão da música. Dizia ele que estava muito feliz por ouvir uma cantora cantando “com gosto”: “égua, coisinha/ele quis a morte/ e ela ficou puta...”.

" Fortuna Real"


A guitarra do Pio Lobato (que assina co-produção do cd) também é um destaque no cd que é recheado por essas palhetadas inventivas. Na faixa “Passante” (brega-rock-filosófico), por exemplo, a guitarra é absolutamente genial, deixando pra mim algo muito claro, a saber, o fato de que já existe uma tradição, da mesma forma que há um caminho escancarado para a consolidação de uma linguagem experimental desse instrumento no Pará.

" Passante"


E outros cinco grandes guitarristas paraenses confirmam isso no disco, são: Mestre Vieira, Renato Torres, Diego Fadul, Eric Alvarenga e Gileno Foinquinos. Esses músicos, com arranjos interessantíssimos e consistentes valorizaram com talento, ousadia e sinceridade o Aparecida. Aliás, o disco só tem músicos sensacionais: Arthur Kunz, Nilson "Vovô" Almeida, Ricardo Aquino, Mauricio Panzera, Márcio Jardim, Kleber Benígno (Paturi) e Nazaco Gomes (o Trio Manari), Príamo Brandão, Jó Ribeiro, Kelson Couto, Harley Bichara, Paulo Jiraya, Akel Fares e os grandes da banda Aeroplano (Felipe Dantas, Bruno Almeida, Diego Fadul e Eric Alvarenga).

Outra coisa que me pegou de jeito no Aparecida é a imagética que ele propõe nas letras e no próprio conceito do disco, que me remeteu imediatamente a uma espécie de cinema sonoro. Veja a canção "Pintado à Mão", no qual o ambiente onírico me faz lembrar de um Fellini 8 e ½, Cão Andaluz ou O Anjo Exterminador. A música vem do sonho ou vai para ele? Ou nem vem nem vai, é ele próprio? “Moleque, ontem sonhei contigo/ a gente tocava os pés/ a gente tocava o ouvido/ a gente tocava os pés do ouvido [...] era eu que ouvia tu “cantar”/ uma canção (muito doida...hmmm!)”

É um disco simples e subversivo, porque o é no conceito inteligentíssimo, original e carregado de vibração quentúmida. Subversão é o que pode salvar a música da floresta, e vale dizer: no Aparecida não há subversinhos (para citar um verso do Eliakin Rufino, poeta, filósofo e compositor de Roraima).

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Disco do Mês: Amor Amor em Macapá


Na noite desta quarta, após o último show da temporada de Latinizando, em Belém, a agenda de Lia Sophia indicava o rumo do aeroporto: a cantora segue para Macapá, onde lança o CD Amor Amor em duas apresentações: dia 28, no Sarau da Confraria Tucuju; e dia 29, na Casa do Choro. Na entrevista que fizemos segunda-feira, quis saber de Lia sobre como ela se sentia indo cantar na capital da Amapá, saiba por quê e o que ela respondeu:

Fabio Gomes - A expectativa dos teus fãs no Amapá é grande; o CD Amor Amor é executado diariamente em vários programas de rádio de lá. Imagino que cantar em Macapá, onde cresceste, tenha um sabor especial para ti; qual a relação que manténs com a cidade hoje?

Lia Sophia - Tô muito feliz em poder fazer estes shows lá, por ser a cidade onde cresci e aprendi muito sobre música. Fiz a minha carreira profissional aqui em Belém, mas minhas bases musicais, minhas lembranças, meus primeiros acordes ao violão, meus primeiros amores, os primeiros passos foram dados lá. Estou muito feliz com receptividade do público macapaense, que liga pras rádios e pede as músicas, querem comprar o disco, enfim, tenho recebido as melhores notícias possíveis de lá. Minha relação com a cidade é de muita proximidade, estou sempre por lá, já que a minha família reside em Macapá. E sou apaixonada pela cultura, pela história do Estado e, claro, pela música que é feita lá. No show do dia 29 eu terei a honra de cantar ao lado de um dos maiores compositores da nossa região, que é amapaense e de quem eu sou fã desde pequena, que é o Osmar Jr. Terei também o prazer de dividir o palco com um grande guitarrista e compositor, considerado um dos grandes nomes da nova geração na cidade, o cantor Cleverson Baia. Então você imagine a minha emoção em poder cantar lá....

Lia por Luiz Braga

Foi Show: Prévia Festival Casarão


O blog Próxima Cena divulgou hoje o vídeo da Prévia do Festival Casarão, realizada na Casa Fora do Eixo, em Cuiabá, no dia 22 de maio, sábado. A grande vencedora, que conquistou o direito de se apresentar na noite de encerramento do festival, dia 19 de junho, em Porto Velho, foi a Rhox, com 54 votos. Também concorriam as bandas cuiabanas Sone Fix, Lexial, Heron, Stay Away, Unidade B2, Lufordi, Mad Sozen, Mopsy e Kallima. A convidada da noite foi a banda Intruhder, de Macapá.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Na Rede: Caldo de Piaba no Bananada 2010


Este vídeo é um trecho do show dos acreanos do Caldo de Piaba no sábado, 22 de maio, em Goiânia, no Festival Bananada 2010. Os acreanos tocam "I Want You (She's So Heavy)", dos Beatles, naturalmente numa versão muito livre. 



Na Rede: Gaby Amarantos no Música Paraense.Org


Hoje Gaby Amarantos é uma das convidadas d'A Tarde é Sua, que Sônia Abrão apresenta ao vivo para todo o Brasil pela Rede TV! a partir das 15h. A cantora paraense não consta até agora da relação de convidados publicada pelo site do programa, mas a informação é de fonte confiabilíssima - a própria Gaby, que tuitou ontem às 14h: "@HerissonLopes @giltonpaiva @GomesFabio @realizador Amanhã tem Gaby com Sonia Abrão, ao vivo na rede tv! assistam".

O @realizador citado por Gaby é Edvaldo Souza, responsável por várias iniciativas de difusão da música paraense - este termo inclusive é o nome de seu blog (http://musicaparaense.blogspot.com) que é uma referência no assunto, e também batiza seu mais recente projeto, o MúsicaParaense.Org. Através dele, Edvaldo vem fazendo uma série de vídeos entrevistando os principais nomes da cena musical no Estado, juntamente com Ramiro Quaresma - os dois sendo os responsáveis por pesquisa, captação e edição dos vídeos -, numa realização da E2PIRAL MULTIMEIOS com patrocínio da VIVO, Semear, Fundação Tancredo Neves e Governo do Estado do Pará.

O vídeo mais recente a ser divulgado do projeto é justamente esta entrevista com Gaby, que fala de seu começo de carreira cantando MPB na noite belenense, o interesse pelas aparelhagens, a participação da banda Tecnoshow em festivais pelo Brasil afora e o sólido mercado em torno do tecnobrega no Pará. Além dos créditos já citados no parágrafo anterior, Edvaldo e Ramiro incluem agradecimentos à Digital Produções por este vídeo.

Disco do Mês: Lia Sophia fala do CD Amor Amor


O título acima, lido de relance, pode parecer banal. Afinal, Amor Amor é o nosso Disco do Mês desde o dia 3 de maio, e muita coisa já foi publicada a respeito dele aqui no blog. Mas até aqui, quem falou do CD fui eu ou colegas da imprensa, nos textos, ou vocês, nos comentários; ouvimos Lia Sophia, sim, sobre os preparativos do show de lançamento do disco, no dia 5, e depois a respeito do show Latinizando. É chegado, portanto, o momento da cantora falar do disco em que presta um tributo ao brega.  A entrevista foi realizada nesta segunda-feira. 

Fabio Gomes - Lia, ouvindo as músicas do teu CD Amor Amor eu noto muita influência da Jovem Guarda e também daquelas músicas românticas de meados dos anos 70 - talvez, claro, por eu não conhecer tão a fundo este repertório brega romântico nortista, como tu pudeste conhecer por ser da região e também pela pesquisa. 

Lia Sophia - Penso que a semelhança que você percebe entre estas canções e a Jovem Guarda deve-se ao fato de ambas terem sido influenciadas, tanto nas letras quanto no ritmo, pelo rock and roll e pelo iê-iê-iê, no pós-guerra. Claro que mais tarde cada uma segue o seu caminho, e o Brega passou por várias fases de renovação e mudanças rítmicas, sofrendo forte influência de ritmos caribenhos, e até hoje ainda vive grandes transformações e recebe diversos nomes, como Tecnobrega, Tecnomelody etc.

Fabio Gomes - Na tua interpretação vocal destas canções percebo muito de bossa nova, emoldurada por esta sonoridade sutilmente eletrônica que contrasta com as fortes imagens das letras ("Vem amor que estou morrendo" ou "Sem você não sei viver"...). Como foi que chegaste nessa síntese?  

Lia Sophia -  Essa é uma síntese natural da minha história musical. Cresci ouvindo estas músicas (bregas, boleros), na adolescência conheço a MPB, a Bossa Nova e passo a ter um repertório nesse sentido, e os ritmos regionais sempre estiveram presentes na minha vida, na escola, no teatro, enfim, cresci assistindo à rodas de marabaixo, carimbó etc. Fico muito feliz quando penso que cresci numa região tão rica culturalmente e hoje posso me utilizar desta riqueza com propriedade.

Fabio Gomes - O que os músicos cariocas acharam, eles chegaram a comentar contigo alguma coisa quanto às composições? Eles já conheciam alguma delas?

Lia Sophia -  Os músicos cariocas não conheciam estas canções, e foram só elogios ao projeto e às músicas em si.

Fabio Gomes -  O CD foi lançado na primeira semana de maio em shows no Teatro Margarida Schivasappa - a procura por ingressos foi tão grande que assim que iniciou o primeiro show, no dia 5, se anunciou a realização da segunda sessão no dia 7. Não esperavas isto, não é? Como foi que te sentiste? E já tens data para novo show em Belém?


Lia Sophia -  Reconheço que o público que me acompanha é muito carinhoso com o meu trabalho, e sempre responde aos meus convites. Mas eu realmente não esperava, para uma quarta-feira, que a procura fosse tão grande. Eu estava emocionada, desde que o dia amanheceu. Pensar que eu, finalmente, ia apresentar o resultado de um projeto de mais de três anos de trabalho, desde o primeiro show em 2006, depois a pesquisa, a captação de patrocínio, a gravação do disco, enfim, quando vi o público ali, soube que todo o trabalho valeu muito a pena. Ah, tomei um susto quando fui avisada que repetiríamos o show na sexta-feira, não sabia nem o que dizer, foi engraçado. Vou apresentar este show nos dias 28 e 29 de maio em Macapá, e aqui em Belém, tenho planos para junho, julho, agosto... assim que tiver as datas te aviso para divulgares aqui no Som do Norte

terça-feira, 25 de maio de 2010

Foi Show: Felipe Cordeiro


Agora há pouco, a cantora Juliana Sinimbú tuitou estas imagens da sua participação no pocket show de Felipe Cordeiro, acontecida hoje à tarde em Belém, com o patrocínio da Conexão Vivo.



Agenda Belém: Latinizando


Amanhã, a cantora Lia Sophia encerra a atual temporada de Latinizando, que vem fazendo semanalmente desde 8 de abril no restaurante mexicano El Bandolero, em Belém. O show inicia às 22h, e de lá ela segue direto para Macapá, onde tem duas aguardadas apresentações do show Amor Amor, sexta e sábado (voltaremos ao assunto!).

Por ora, aproveito para publicar um trecho da entrevista inédita que fiz ontem com Lia, em que sua "mirada" ao repertório latino foi um dos temas:

Fabio Gomes - Lia, o CD Amor Amor nasceu de um projeto paralelo teu que iniciou pouco tempo após o lançamento de teu primeiro disco, o Livre. O Latinizando pode seguir o mesmo caminho?

Lia Sophia - Você é sempre tão perspicaz!! Tenho um processo criativo muito pessoal que passa, sim, por essa experimentação do repertório em shows menores, a exposição de novas canções e novos arranjos para velhas canções, enfim, quem sabe!? O show Latinizando tá lindo, e se vier a se tornar um disco, tenho certeza que me dará muitas alegrias.


segunda-feira, 24 de maio de 2010

“Pororoca 2010”: Stereovitrola produz trilha sonora de curta-metragem

Banda Stereovitrola viu suas músicas virarem
trilha sonora de curta-metragem brasileiro


Por Karen Pimenta

O fenômeno da Pororoca, espetáculo único do encontro das águas do Rio Amazonas com as do Oceano Atlântico, foi o cenário escolhido pelos integrantes do “Surfando na Selva”. Empolgados com as ondas de até seis metros de altura por ocasião da lua cheia ou nova, a equipe de surfistas e aventureiros acabou por transformar as maravilhosas cenas captadas na Amazônia num curta-metragem intitulado “Pororoca 2010”.

O roteiro do curta-metragem segue a filosofia da trupe, de desbravar lugares pouco explorados, fazendo o registro audiovisual de cada ação. Mas as imagens inusitadas precisariam de uma trilha sonora original, à altura de tanta beleza. E foi isso que o surfista e diretor Serginho Laus encontrou em Macapá.

Uma banda da capital amapaense, formada em meados de 2003, chamou à atenção do diretor, que sentiu nas melodias a dinâmica sonora que procurava para o curta. Com três músicas: “Bicicleta”, “Canção para Syd Barret” e “Automóvel Verde”, a Stereovitrola viu suas músicas registradas e levadas Brasil afora.

De acordo com o baixista e formador da “Stereo” (carinhosamente chamada), Marinho Pereira, essa foi uma das melhores notícias do ano. Além de emocionar os integrantes, hoje, formada por Ruan Patrick Oliveira (vocal e guitarra), Anderson Pedro (guitarra), Otto Ramos (teclado), Wenderson Marck (DJ), Rubens Ferro (bateria) e o próprio baixista, é uma excelente oportunidade de levar o trabalho do grupo aos quatro cantos do País.

“O Serginho veio filmar o curta ‘Pororoca 2010’, acontecimento natural muito particular do nosso Estado, e queria colocar como trilha sonora canções de artistas locais”, relata Marinho. Por meio de amigos, Laus acabou chegando ao CD da “Stereo” e gostou das músicas.

“Esse curta-metragem já está competindo em alguns festivais de cinema, sendo elogiado por muitos. Portanto estamos muito orgulhosos com essa repercussão positiva. O trabalho está muito bem feito”, comemora.

Como tudo começou

Num cursinho de pré-vestibular, dois jovens com afinidades musicais resolveram formar uma banda e tocar “covers” de músicos que gostavam. Marinho e AJ procuravam baterista e encontraram em Rubens a sintonia perfeita para a proposta musical daquela época. A banda inicialmente se chamava B-side, alusão ao estilo que propunha canções mais desconhecidas do público.

Os convites para apresentações foram aumentando. Houve a necessidade de chamar outro guitarrista e Patrick (atual vocalista da banda) foi o escolhido. “Lembro até hoje a primeira apresentação da banda, foi no dia 23 de março de 2004. É algo marcante pra mim, jamais vou esquecer. A mudança para o nome atual foi ideia do Patrick. Gostamos e ficou”, lembra o baixista.

Para inserir suas músicas, a banda optou pela discrição. “Percebemos que o público gostava das nossas canções e elogiavam a escolha do repertório no fim do show. Era quando revelávamos que eram de nossa autoria e as reações não poderiam ser mais positivas”, explica Marinho.

Por problemas pessoais, AJ teve que se ausentar da Stereovitrola, então Patrick comandou o microfone para a banda não acabar. E até hoje exercita essa nova função. “Ele é muito esforçado, tanto que faz aulas de canto. Mas não deixamos a ‘peteca cair’ e continuamos a história”, afirma. Em 2007, Otto entrou para somar com o grupo, tocou e permanece.

Na bagagem da banda, o EP Cada molécula é um ser
e o CD No espaço liquido

Repercussão nacional

Com seu estilo musical indie, a Stereovitrola já tem na bagagem um EP intitulado Cada molécula é um ser lançado no final de 2005 e o mais recente CD No espaço liquido, os dois autorais. Além disso, a banda já tocou em festivais de renome nacional, como Festival SeRasgum (PA) e duas edições do Festival Quebramar (AP).

“Não existe um mais importante do que outro, mas como o SeRasgum foi nossa primeira participação em festivais, acabou sendo o mais marcante na carreira da banda. Conseguimos excelente visibilidade do nosso trabalho e nossa música entrou na trilha sonora do festival”, argumenta.

“A partir daí entramos na lista dos melhores singles e EP’s independentes de todo Brasil, de acordo com a revista Dynamite, especializado em música, e alcançamos o sexto lugar”, conclui.

Nova cena macapaense

De acordo com Marinho, uma nova cena musical no Estado começa a despontar. “Acredito que existe uma nova configuração na cena musical. Tudo isso graças ao Festival Quebramar, realizado pelo Coletivo Palafita, do qual a banda faz parte. Ele abriu portas e mostrou que em Macapá existem bandas com bastante talento e trabalho autoral de excelente qualidade”, salienta.

Empolgado, Marinho finaliza: “Vejo que as bandas locais estão mais interessadas na profissionalização. Mas sempre tem aquelas que querem continuar na mesmice e não vêem a grande oportunidade na sua frente. Contanto que não atrapalhem o trabalho de quem enxerga potencial nos artistas locais, seguimos nossas vidas e continuamos as atividades de fomento à cultura”.

Publicado originalmente na

Foi Show: Show dos 2 Anos da Megafônica


Nessa madruga, ali perto da meia-noite, enfim aconteceu algo que compensou que, ao invés de estar presente na festa de aniversário de 2 anos do Coletivo Megafônica, eu precisasse me contentar apenas em ouvir sua transmissão pela web rádio Independentes do Brasil: foi quando o jornalista Nicolau Amador publicou no Twitter o link da entrevista que fez com Juca Culatra, que estava naquele exato minuto fazendo uma participação especial no show do Nevilton, que o saudou como "embaixador do Pará" e "prefeito de Belém". Fora essa alegria - tem coisas que só a internet proporciona pra você -, ninguém em sã consciência poderia dizer que havia forma & lugar melhor para curtir o fervo que foi esse aniversário do que estar em pessoa no próprio Café com Arte!

O primeiro show que ouvi foi o da The Baudelaires, que confirmou para esta semana que inicia o lançamento do CD School Days. (Detalhe: quando comecei a ouvir a transmissão, soube que a Paris Rock já havia tocado, mas não sei se o show foi ou não ao ar. Aliás, é preciso dizer, ontem a qualidade do áudio no IdB deixou a desejar).

Baudelaires levantou a galera com sucessos como "Little Rino" e "Moon Dancer". Depois, foi a vez de Stereoscope, cujo show eu estava curtindo muito até que na hora de "Canção que Não Toca no Rádio" meu player travou (decerto tomando o título da canção ao pé da letra!)... Felizmente tudo voltou a funcionar a tempo de eu acompanhar o show do Nevilton, que pelo visto (aliás, pelo ouvido) foi marcante mesmo. O paranaense chamou ao palco Mau-Mau, vocalista da Paris Rock, e depois - como já foi dito - Juca Culatra. Aliás, chamou não: Juca subiu ao palco, estabelecendo o seguinte: sempre que um dos dois - Juca e Nevilton - estiver presente em show do outro, tem a permissão para invadir o palco e mandar um som conjunto. O acordo já foi colocado em prática na hora, com os dois mandando ver duas culatras: "Criolo Muito Doido da Cabeça" e "Brócolis Exposto ao Sol".

Além disso, Nevilton, como era esperado, cantou os sucessos do seu EP Pressuposto - "Singela", "Vitorioso Adormecido", "O Morno" -, e "A Máscara", que saiu numa coletânea do Urbanaque. Como era esperado ao menos por mim, apresentou já alguma influência da recente turnê pelo Nordeste com os amapaenses da Mini Box Lunar (cantou uma música que disse ter aprendido com eles, ou algo assim, nessa hora o áudio tava tenebroso). Já no capítulo do totalmente inesperado, mandou uma versão muito livre de "Asa Branca" (Luiz Gonzaga - Humberto Teixeira), com direito a longo-e-maravilhoso solo improvisado de guitarra! (Rapaz!! Que que era aquilo!) A transmissão encerrou no final do show de Nevilton, que anunciou que em seguida quem assumia o comando das operações megafônicas era Juca Culatra.

Selecionei estas fotos entre as que foram postadas no Flickr da Megafônica agora de manhã.


Paris Rock


The Baudelaires


Stereoscope


Nevilton


Nevilton e Mau-mau


Galera + Nevilton = festa!


Juca Culatra

domingo, 23 de maio de 2010

Na Rede: Mini Box Lunar em São Paulo


Uma coisa muito legal de fazer hoje em dia na rede é acompanhar os textos postados no blog do Mini Box Lunar sobre as andanças entre um festival e outro, e a produção de seu primeiro CD. Agora há pouco, entrou no ar o texto Seguindo o conselho dos mestres..., que consta como postado por JJ Nunes mas foi escrito, com toda certeza, por Otto Ramos (só ele podia se qualificar como "ex-pesquisador de Arqueologia Histórica... porque a bolsa se foi com essa temporada fora do Amapá.. rsrs"). O tema principal do post é o passeio que ele e Sady fizeram pelo bairro da Liberdade, descrição que Otto abre assim: "piramos nas ruas do bairro japonês/coreano às vezes mágico e lindo e às vezes bizarro!". O texto é muito legal, o melhor é lerem no blog da banda mesmo.

Como complemento musical a esta postagem, recorro à sugestão que Otto deixou no ar nesta frase: "São Paulo... com suas ruas que proporcionam imagens fantásticas e em especial a ECA da USP onde o Mini Box Lunar fez um dos shows mais importantes da sua vida, num lugar carregado de energia militante e com um ar aguerrido que é transcendental, e isso claro que é bem vindo para nosso banco de estímulo dentro da rede também".

Para alegria geral da nação, existe um vídeo desse dia! Sim! É o que vamos assistir agora, onde a banda toca seu clássico "A Boca" no Canil - Espaço Fluxus de Cultura, na USP, em 7 de maio. Só pra fechar (eu sei que você já está quase apertando o "play", mas é só mais esta frase), fica o recado de JJ no post do dia 10 (Roda gigante, roda moinho, roda peão...) em que a banda blogou o vídeo: "Dêem uma olhada no calor do povo... com certeza é desta proximidade que precisamos nos shows!".

Na Rede: Orgulho do Pará - Lia Sophia

Segunda-feira, 17/05/2010

Lia Sophia: revelação na voz pop


Saber mesclar música pop com sons regionais da Amazônia não é pra qualquer um. Nascida na Guiana Francesa, Lia Sophia aos dois anos de idade veio para o Brasil com o intuito de morar em Macapá. Foi somente aos 17 anos que veio a Belém do Pará cursar graduação em Psicologia. Porém, não só a paixão pela terra a fez se considerar paraense radicada como também foi na capital do Pará que ela entrou em contato pela primeira vez com a Música Popular Brasileira (MPB). Hoje a cantora é uma das grandes revelações da atualidade e já é vista como uma das melhores representantes da música paraense. 

O talento de Lia veio ainda na infância. Aos seis anos ela já era solista da igreja que costumava frequentar. Os primeiros acordes ao violão surgiram aos nove por influência da mãe, que na juventude, foi cantora de rádio. Mesmo tendo nascido em uma família de músicos, onde conviveu com diversos estilos musicais - do gospel ao brega, do bolero ao zouk - a carreira musical de Lia Sophia não foi uma consequência natural. Na realidade, fazer da música um ganha-pão nunca foi visto com bons olhos pela família e pela própria Lia. Tocadas ao violão eram somente para serem apreciadas em família.

Quando chegou a Belém conheceu a tradicional MPB através dos CDs de João Gilberto e Marisa Monte. A paixão foi imediata. Durante o período de faculdade, por incentivo de amigos e como forma de se manter financeiramente, Lia, relutantemente, começou a tocar em bares locais, onde formou um público fiel. Aliás, chegou a ser dona de bar por quatro anos, abriu espaço para novos talentos e descobriu-se compositora. Sua primeira composição, “Eu só quero você”, tornou-se, ao longo do tempo, uma das músicas mais pedidas nas rádios da capital paraense. Dessa forma, a possibilidade de musicalmente criar coisas novas deu a Lia Sophia a certeza de que não poderia fazer outra coisa da vida que não fosse música.


Lia Sophia no show Livre (2005)

Com uma voz rouca e suave, cada apresentação passou a ser um show com casa cheia. Foi aí que começaram a surgir convites para abrir shows de grandes nomes, como Tunai, Vitor Ramil e Chico César. Em agosto de 2005, lançou seu primeiro CD, Livre. Com uma proposta nova e pouco vista na cena musical paraense, dentre as 12 faixas do álbum estavam as primeiras composições da cantora. Com o trabalho, Lia viajou por várias cidades da região norte, recebeu o prêmio de “Cantora Revelação” no XXI Baile dos Artistas, fez shows ao lado de grandes nomes da música paraense como Nilson Chaves, Jane Duboc e Fafá de Belém, além de ter aberto shows de artistas como Maria Rita, Zeca Baleiro e Vanessa da Mata.



Em 2007, se apresentou diversas vezes em São Paulo. No ano seguinte trabalhou na produção de seu segundo CD, Castelo de Luz. Trabalho ousado, com 13 faixas autorais inéditas, o álbum foi lançado no primeiro semestre de 2009 e consolidou a vertente compositora da artista. No final de 2008 Lia Sophia também deu início a um projeto corajoso no qual já vinha pesquisando há quase dois anos: regravações de grandes clássicos da música brega paraense. Tal ideia resultou em seu terceiro CD, chamado Amor Amor, gravado no Rio de Janeiro e lançado no final de 2009.


Considero-me filha do Pará porque Belém pra mim foi uma mãe quando eu cheguei aqui, me abraçou mesmo. Eu comecei a carreira profissional aqui e desde então eu sou denominada uma cantora paraense e é exatamente assim que eu me sinto. Moro no Pará há 15 anos. Não passo sem o meu açaí, sem o meu tacacá no final da tarde, isso é bem paraense, né? Faz parte da minha rotina. O fato é que pra mim a música paraense é tudo isso. É o brega, é o carimbó, a guitarrada... A nossa música é essa mistura toda e eu utilizo muito disso no meu trabalho. Ainda pretendo fazer outros trabalhos discutindo a relevância da música brega e misturando sons da terra. Eu estou nesse meio da música pop com sons diferenciados e paraenses de raiz. É isso que eu gosto de fazer”, revelou.


Por que se orgulhar?

Lia Sophia é uma das grandes revelações da atualidade e já é vista como uma das melhores representantes da música paraense. Além disso, considera-se filha do Pará mesmo sem ter nascido aqui, pois é apaixonada pelo Estado e se inspira através dele.

* Publicado originalmente no Diário do Pará

Foto de abertura da matéria de autoria de Lyrian Oliveira

Foto do final da matéria de autoria de Luiz Braga

sábado, 22 de maio de 2010

Agenda Belém: Programação Conexão Vivo


  • Shows:

No Pier da Casa das Onze Janelas
(Praça Frei Caetano Brandão s/nº - Cidade Velha)
Grátis

Sexta, 11/6


19h – Mini Box Lunar (AP)
20h – Zarabatana Jazz convida Dayse Addário (PA)
21h – Caldo de Piaba (AC) convida Pio Lobato e Leo Chermont (PA)
22h – Sérgio Santos convida Zé Renato (MG)
23h – Floresta Sonora + Metaleiras da Amazônia + Juca Culatra (PA)

ábado, 12/6

18h – Orquestra Juvenil de Violoncelistas da Amazônia (PA)
19h – Sandália de Ambuá (PA)
20h – Romulo Fróes (SP)
21h – Gilvan de Oliveira (MG) convida Marco André (PA)
22h – La Pupuña convida Candiru Malino (PA)
23h – Gaby Amarantos (foto)(PA)

Domingo, 13/6

19h – Cataventoré (MG) convida Sebastião Tapajós (PA)
20h – Olyvia Magno (PA)
21h – Nina Becker (RJ)
22h – Falcatrua (MG) convida Kid Vinil (SP)
23h – Eddie (PE)


Mesas e Workshops
  • No IAP, acontecem nos dias 10 e 11 mesas e worshops. Veja a programação clicando aqui.
Debate
  • O papel da imprensa na música contemporânea - com Lauro Lisboa Garcia (O Estado de São Paulo), Beto Fares e Robson Fonseca (Rádio Cultura - Belém) e Fabio Gomes (Som do Norte) - IAP, 11/6 (sexta), 14h - aberto ao público

"AÍLA - Pocket Show", por Felipe Cordeiro


A idéia da Aíla de fazer um pocket show já existe há algum tempo, mas a oportunidade só apareceu agora, ainda que não fosse a ideal devido às limitações técnicas do Boteco São Matheus (e de quase todas as casas de Belém) para uma realização desse porte. Sabíamos dos riscos pela frente, pois tocamos com cinco músicos num bar cujo palco comporta com conforto três ou quatro, além disso o som da casa tem suas limitações. Superado o medo desses riscos, acreditávamos que dava pra fazer algo especial. E assim o foi.

O pocket show da Aíla mostrou uma cantora em amadurecimento artístico e profissional. Com seus vinte e um aninhos ela já coleciona fãs e prêmios em importantes festivais, como o 1º Festival da Música Popular Paraense do ano passado, no qual ganhou o prêmio de Melhor Intérprete e foi um destaque. Ela tem carisma, talento e força de vontade, algo que certamente é recompensado na carreira de um artista.


Os shows foram bem legais, especialmente o primeiro, já que no segundo os problemas técnicos conseguiram dificultar o andamento do espetáculo. No repertório havia muitas músicas minhas e de autores paraenses como o Paulinho Moura, o Jorge Andrade, o Arthur Nogueira e o mestre Pinduca. Aíla também fez questão de incluir referências a cantoras que lhe inspiram, como a Vanessa da Mata e a Céu.

Acho que esse é o espírito do novo século, integração, multiculturalismo e comunicação direta (música sem truques). Foi muito interessante reunir no mesmo palco o guitarrista do Power Trio do Juca Culatra, Marcel Barreto, o baterista e baixista da banda Clepsidra, Arthur Kunz e Maurício Panzera, e eu, de banda nenhuma (embora integre o projeto Massa Grossa e também meu trabalho com a até aqui chamada “banda Kitsch”). Disso tudo só podia sair um som híbrido, potente e criativo, capaz de imprimir uma sonoridade específica ao trabalho da Aíla.


Mesmo sabendo que para os outros sou suspeito pra falar do show que dirigi, procuro praticar o exercício do distanciamento e tento olhar pras coisas como se eu não pertencesse a elas, então vou dizer: eu adoraria (como espectador) ter visto um show daqueles. Música contemporânea brasileira, rica em sotaques e ritmos, com pitadas da nossa “Floresta Sonora” (Amazônia) e tudo incorporado às referências da cultura pop, sem dúvida me tocariam em cheio. Tenho a convicção de que a música do Pará é uma das músicas de ponta no Brasil há algum tempo e cada vez mais, o show da Aíla também ousou pertencer a essa linha de frente da música brasileira, com sutileza, verdade e potência.

Que venham outros shows da Aíla!

Felipe Cordeiro

Agenda Belém: Na Veia da Nêga

Gigi Furtado & Os Cavaleiros de Jorge
"Na veia da Nêga"

“Ela chega desconcertando... / na veia da nêga corre o som”. Imagine uma festa cheia de swing, embalada por black music e pitadas de samba, soul, rap e outros ritmos, que celebra a música, mas também a alegria. Essa é atmosfera que cerca o show “Na Veia da Nêga”, de Gigi Furtado & Os Cavaleiros de Jorge.

Com canções de Jorge Ben Jor, Tim Maia, Sandra de Sá e outros ícones do gênero, trata-se de um espetáculo pulsante, que alia o timbre particular da cantora, formada em canto lírico, com a criatividade da banda, montada especialmente para o projeto. No comando, a cantora paraense Gigi Furtado, que há 12 anos dedica-se à música.

Desta maneira, ora celebrando a miscigenação – “o país do swing é o país da contradição” – ora reclamando o preconceito racial – “a carne mais barata do mercado é a carne negra” -, “Na Veia da Nêga!” pode ser considerado um “laboratório de experimentações”, que exalta grandes compositores sem esquecer o comprometimento social e no centro de tudo, a alegria.

SERVIÇO:

NA VEIA DA NÊGA - Gigi Furtado
Teatro Maria Sylvia Nunes
27 de maio, quinta, 20h
Ingressos antecipados: Ná Figueiredo (Estação das Docas)

Arte do cartaz: Juliana Sinimbú

***

Enquanto este momento não chega, prepare-se adequadamente ouvindo esta que foi nosso Música da Semana em 13 de outubro de 2009, em que Gigi é acompanhada pela primeira formação d'Os Cavaleiros.

GIGI FURTADO
" Na Veia da Nêga" (Jair Oliveira - Luciana Mello)


Ficha técnica:

Os Cavaleiros de Jorge:

George Netto: violão
Willy Benitez: guitarra
Alexey Jhonston: baixo
Rafael Gomes: percussão
Cássio Lobato: bateria

Gravado no Estúdio da Rádio Cultura FM (Belém) - 2009.

Foi Show: Nanna Reis


O poeta Ronaldo Franco publicou hoje em seu blog esta e outra foto do show Brasilidade, estreia da jovem cantora paraense Nanna Reis em teatro, que aconteceu quinta em Belém.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Foi Show: Aíla cada vez mais livre

por Aletheya Sério, da Ecleteca
edição: Amanda Aguiar

Olhares ansiosos cruzavam o Boteco São Matheus cada vez que a porta se abria - e foram muitos os que por ela passaram. O lugar foi enchendo lentamente. As pernas começaram a balançar irrequietas e as mãos a dedilhar as mesas. A artista estava atrasada. Tanto quanto ela, o público, que só encheu o boteco quase uma hora após o horário marcado para o show. Mas Aíla nem notou. Quando finalmente chegou, o lugar já estava repleto de fãs e amigos.

Aryanne AlmeidaRecebida por muitos sorrisos, fez questão de exibir o seu próprio em cada mesa, cumprimentando o público um a um, como anfitriã a seus convidados. A ideia parecia essa mesmo: aquilo não seria um show, mas uma alegre reunião. O pocket show, dirigido pelo músico e amigo Felipe Cordeiro, é um convite àqueles que vêm acompanhando a promissora, elogiada e premiada carreira de Aíla Magalhães. A artista, aliás, parece ter estendido a proposta intimista à nova assinatura: está mais amiga do público, mais cúmplice, mas nem por isso menos única – a cantora agora é apenas Aíla.

O show começa e a platéia se encanta com os familiares versos e acordes de “Vamos” (de Felipe Cordeiro e Jorge Andrade) e “À sua maneira” (Felipe Cordeiro). Sente-se à vontade para cantarolar as famosas “Três” (de Marina Lima e Antônio Cícero) e “Você é Má” (Zeca Baleiro e Joãozinho Gomes), que em nada deixam a desejar às suas versões originais. Empolga-se com “Baú” (de Vanessa da Mata) em versão carregada da guitarrada paraense. Vê-se surpreendida pela delicada versão de “Dona Maria” (do mestre Pinduca) e é presenteada pelas participações de Arthur Nogueira e Juliana Sinimbú, que só não foram melhores por causa das notórias limitações na estrutura de som.

Divulgação Entre conversas e improvisos, Marcel Barreto solta a pérola: “É, galera, eu toco tudo!”. A brincadeira se referia ao deslumbre de alguns com a escaleta tocada pelo guitarrista. Mas há certa razão na frase: no show ouviu-se de tudo! Do carimbó ao zouk, da cúmbia à lambada, todos costurando o pop. Aíla, Felipe Cordeiro (violão), Maurício Panzera (baixo), Arthur Kunz (bateria) e Marcel Barretto (guitarra e escaleta) souberam fazer o mesmo de forma nova, sem mesmices nem experimentalismos exagerados.

Ao fim do show ficou a vontade de ver tudo novamente. Ficou na imaginação o show mais elaborado, em local maior e com estruturas de som e iluminação melhores. O desejo de poder ouvir aquele repertório a qualquer hora do dia. A torcida para que o CD não demore.

Publicado originalmente na Ecleteca - 18.05.10,
sobre o pocket show de 14.05.10

Oportunidade Amapá: Programa de Capacitação em Projetos Culturais - 1° semestre


O Programa de Capacitação em Projetos Culturais é uma realização do Ministério da Cultura, por intermédio da Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura (SEFIC) e da Secretaria de Políticas Culturais (SPC), em parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi) e o Instituto Itaú Cultural (IC). É oferecido gratuitamente, e tem o objetivo de capacitar, de forma continuada, agentes culturais dos setores público e privado, no intuito de qualificar a demanda no setor cultural. Visa a difundir conteúdos, práticas e abordagens que ofereçam base para a elaboração de projetos culturais alinhados às políticas públicas e com a consistência necessária a buscar parcerias e apoios diversificados. A coordenação pedagógica e executiva, bem como o desenvolvimento dos conteúdos e das oficinas, está a cargo da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O Programa consta das seguintes etapas:

1ª - Curso de nivelamento de conteúdos de 15 horas, que acontecerá na modalidade a distância, em que serão apresentados os conceitos básicos que envolvem os temas tratados (vide relação de conteúdos abaixo). Esse curso é de livre acesso a todos os interessados e obrigatório para aqueles que desejarem fazer o curso presencial. Ao final, haverá uma avaliação e será emitido certificado para aqueles que atingirem a pontuação mínima de 70 pontos.

2ª - Oficina presencial com 80 vagas, beneficiando 36 cidades das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, além dos estados de Santa Catarina e Espírito Santo, até 2011. As primeiras contempladas, em 2009, foram Belém (PA), Ilhéus (BA) e Cuiabá (MT).

3ª – avançada – módulos avançados, para o aprofundamento de conteúdos (apenas para os aprovados na 2º etapa)

Conteúdos gerais do Programa: Política e Gestão Cultural; Economia da Cultura; Elaboração de Projetos Culturais, dentro da Metodologia do Quadro Lógico (MQL); Direito Autoral; Negociação e Marketing Cultural

A única localidade com inscrições abertas é Macapá (AP); o prazo encerra em 12 de junho

Atenção: Não está contemplado em nenhuma das etapas do projeto o custeamento de despesas pelo Ministério da Cultura, relativas à hospedagem no local da oficina e passagens para os alunos selecionados para participar das oficinas presenciais.

Informações: http://www5.fgv.br/fgvonline/minc/index.asp?idc=00

Dúvidas? programadecapacitacao@cultura.gov.br

The Baudelaires divulgam capa e contra-capa do CD School Days


Eis aí a capa e a contra-capa do School Days, que a banda paraense The Baudelaires tuitou hoje. Para mim, a segunda é até mais relevante - ok, tudo bem, entendo que vocês podem não considerar a contra-capa algo tão importante assim (já eu, que trabalhei em loja de discos no tempo do LP, ainda hoje lembro mais das contra-capas, que é o que eu via atrás do balcão, do que das capas da maioria dos discos que vendi no período 1987-89). Mas afora esse detalhe, há algo de grande importância inserido no contexto: o nome das músicas que compõem o álbum! Sim!! Anote a escalação das 11:

1 - She's a Queen
2 - Photographer
3 - Song That I Wrote to You
4 - I Feel Twisted by You
5 - Little Rino
6 - Envy on Him 
7 - I Wanna Steal You
8 - She's a Painter
9 - Looking All Over Town
10 - She
11 - Surfer Girl 2009

As faixas 1, 3, 4, 5 e 10 compõem, nesta mesma ordem, o EP Little Rino, que a banda disponibilizou para download naquela data que passou à História como o #Baudelairesday - 20 de março. Se você ainda não baixou, se apresse: Andro, Bruno, Ariel e Marcelo já anunciaram que, por ocasião do lançamento do CD, o link para baixar o EP será tirado do ar. Então, tá esperando o quê? Bora logo baixar!

Disco do Mês: Lia Sophia em grande destaque na internet


Ontem a cantora Lia Sophia viveu algo raríssimo em relação a artistas brasileiros, ainda mais aqueles que, a exemplo dela, tocam a carreira de forma independente e fora do eixo Rio-São Paulo. Falo do fato de que foram publicadas três notícias diferentes a respeito de seu trabalho, em três blogs, nenhum deles editado no Estado onde ela atua, o Pará.  Amigos, isto é muito difícil de acontecer mesmo para grandes astros, com carreira consolidada e presença constante na grande mídia.

Vejam bem, não estou falando de três notícias em blogs diferentes, apenas, e sim três notícias diferentes. Vamos a elas:
  • Aqui no Som do Norte, que é editado em Porto Alegre, publicamos no Foi Show uma seleção de fotos que Lyrian Oliveira fez do show Latinizando, que Lia faz no El Bandolero, em Belém 
  • O blog Eu Sou do Norte, de Macapá, noticiou o show Amor Amor, que depois do grande sucesso em Belém, será realizado na capital amapaense em 29 de maio. Veja a notícia.
  • O blog Amazônia Brasil, também de Macapá, informou a participação de Lia Sophia no Sarau da Confraria Tucuju, dia 28, que também terá show do Quarteto da Bossa, sessão de autógrafos de Adoradores do Sol, do escritor Fernando Canto, e homenagem ao poeta paraense Silvio Leopoldo (1953-2007). Leia a notícia.  

Vamos comemorar ouvindo o CD Amor Amor, que é, para nosso grande orgulho (aliás, cada vez maior, né), o Disco do Mês de maio do Som do Norte? Nossa caixinha cantante espera vocês!

Na Rede: Aíla celebra Música Popular Brasileira em Pocket Show

Por Juliana Maués, do Guiart
Publicado originalmente no Guiart
em 14.05.10

São apenas dois anos de carreira e a artista já coleciona currículo de veterano: apresentou-se em inúmeros bares e teatros de Belém; foi melhor intérprete em dois importantes festivais de música (o Femupa 2008 e o Festival de Música Popular Paraense 2009); obteve segundo lugar no Festival de Música de Parauapebas; teve seu show “Intimidade” ao lado da também cantora Juliana Sinimbú escolhido para abrir a programação cultural do Fórum Social Mundial que aconteceu ano passado em Belém.

Para comemorar e agradecer pela bem sucedida trajetória, Aíla faz hoje, 14, e na próxima sexta, 21, um show em formato pocket que inicia o período de experimentações sonoras que dará origem ao seu primeiro CD. O álbum é previsto para ser gravado em julho ou agosto e lançado entre o fim deste ano e início do próximo. “O pocket show é uma fase de pré-produção do CD, tem a finalidade de amadurecer o processo, para entrarmos no estúdio com tudo pronto: arranjos, timbragens etc.”, afirma a artista.

Para essa nova fase da carreira, ela tem ainda mais uma novidade: despediu-se do sobrenome “Magalhães” e assumiu de vez a estética pop que o seu primeiro nome proporciona naturalmente. “Primeiramente, queria deixar bem claro que adoro meu sobrenome (risos), porém já tinha algum tempo que pensava em não mais usá-lo artisticamente. Cheguei à conclusão que o nome ‘Aíla’ soa singularidade, é incomum, não necessita do complemento 'Magalhães' para diferenciá-lo”, esclarece.

Apesar de a mudança no nome ter motivos racionais, Aíla também demonstra ser um pouco supersticiosa no que se refere a números. No CD, ela espera gravar 11 faixas, número que, segundo ela, sempre lhe trouxe coisas boas. Dentre elas, composições inéditas, em sua maioria, e duas regravações, ainda não definidas. Estarão no CD, as músicas defendidas em festivais, como “À Sua Maneira”, “Vamos” e “Cinema Tupiniquim”.

No Pocket Show, além delas, o público poderá ouvir composições que são referência sonora para a cantora, de artistas como Joãozinho Gomes, Adriana Calcanhoto, Vitor Ramil etc. A apresentação tem como convidados os músicos Arthur Nogueira, Juliana Sinimbú e Luiz Félix (La Pupuña). Integram a banda Felipe Cordeiro (violão), Arthur Kunz (bateria), Marcel Barretto (guitarra) e Maurício Panzera (contrabaixo). A programação tem início às 21h.

Trajetória

Aíla iniciou a carreira cantando nos palcos deslizantes da Estação das Docas, ao lado de Walter Acioli, em maio de 2008. Construiu sua trajetória simultaneamente em bares e teatros de Belém e em festivais de música. Apresentou-se ao lado de grandes artistas, como Adilson Alcântara, Maria Lídia, Simone Almeida, Andréa Pinheiro e Adelbert Carneiro.

Firmou-se também em apresentações ao lado de nomes da nova geração da música paraense, a exemplo de Leandro Dias, Felipe Cordeiro, Juliana Sinimbú. “Sempre digo que fui muito bem recebida no meio artístico e agradeço muito por isso. Desde o início, estabeleci amizades e parcerias com pessoas que foram importantes para esse momento inicial”, afirma.

O estilo? Bem, Aíla sempre foi uma apaixonada pela Música Popular BRASILEIRA – sim, ela faz questão de grafar assim mesmo, em caixa alta. E foi cantando ritmos nacionais que ela se destacou e consolidou. Logicamente, dois anos ainda é muito pouco para contemplar a riqueza musical do país. Por isso, ela declara que ainda tem fôlego para muito mais.

- Bem, sou extremamente apaixonada por Música Popular BRASILEIRA. E acredito que dificilmente meu trabalho tomará outros rumos, acho que ainda precisamos explorar muitas raízes ritímicas nacionais, como o carimbó, o marabaixo, dentre outros. E através dessas misturas e novas concepções, mostrar ao mundo que temos milhares de outras riquezas musicais, além do samba.

Serviço:
Pocket Show da cantora Aíla Magalhães
Data: 14 e 21 de maio (sexta-feira)
Horário: 21h (OBS: o show do dia 21 inicia às 22h)
Local: Boteco São Matheus – Tv. Pe Eutíquio, próximo a Riachuelo
Ingresso: R$ 10,00

Veja o vídeo da música "À sua maneira"





quinta-feira, 20 de maio de 2010

Na Rede: Bado e Ceiça Farias falam da Mostra de Música de Rondônia


Foi através do twitter do jornalista rondoniense Sérgio Ramos que tomei conhecimento de dois vídeos que, somados, fazem importante balanço da recente Mostra SESC Rondônia de Música, realizada em Porto Velho de 4 a 8 de maio.

Começamos pelo vídeo que contém a primeira entrevista exclusiva feita para o blog do Sérgio Ramos, com Bado. Na conversa, gravada no dia 8 e publicada ontem, o compositor fala principalmente do Encontro Amazônico de Compositores, do qual participou, e aproveita para anunciar alguns desdobramentos - como a série de shows em espaços públicos de Porto Velho denominada Gente da Mesma Floresta, cujo início previa já para o próximo dia 22 de maio, sábado, bem como a realização de shows de artistas de várias regiões do país em Porto Alegre, como parte da preparação anual para o Acorde Brasileiro.


O segundo vídeo, que vou convidar vocês a assistir na página da Opinião TV, é um trecho do programa Viva Porto Velho de 17 de maio, onde Ceiça Farias fala a Stefanie Lima sobre a Mostra, explicando qual a diferença deste modelo para o daqueles festivais competitivos que visam apontar um "melhor" e comentando como se dá a atuação do SESC-RO no apoio aos artistas locais. As bandas Soda Acústica e Ultimato são mencionadas como exemplos de grupos que tiveram um impulso na carreira após a participação em edições anteriores da Mostra SESC Rondônia de Música. A entrevista encerra perto dos 4:30, seguindo-se alguns anúncios e chamadas institucionais.

Foi Show: Balé de Luz - Juliele

Foto: Vânia Beatriz

Publicamos aqui o texto de nossa leitora Vânia Beatriz, sobre o mais recente show de sua conterrânea, a cantora amapaense Juliele. Você também pode colaborar conosco, escrevendo e/ou enviando fotos para nosso e-mail musicadonorte@gmail.com dos shows de artistas nortistas que curte.

***

Foi Show! - Balé de Luz deu um baile!

O show Balé de Luz, da cantora amapaense Juliele, no dia 8 de maio, um sábado, na Choperia da Lagoa em Macapá cumpriu o que prometeu: marcar uma nova fase na carreira da cantora, conforme disse a produtora Sônia Canto, no texto de divulgação:

“Balé de Luz é uma referência a tudo aquilo que é banhado pela claridade, que movimenta e intensifica a vida e os cantares dessa diva em aprimoramento constante.

O show foi isso e um pouco mais. Já faz dois anos que Juliele lançou seu primeiro CD, que lhe rendeu comparações com a baiana Gal Costa e as paraenses Jane Duboc e Fafá de Belém. Para sua volta aos palcos amapaenses, a artista se cercou de muita gente boa, seja na produção do show, que teve direção musical do Maestro Manoel Cordeiro e direção artística de Túlio Feliciano; sejam os músicos da banda de base que a acompanha: Manoel Cordeiro (violão, violão de aço e bandolim), Alan Gomes (contrabaixo), Fabinho (guitarra), Bibi (saxes soprano e tenor, e flauta), Jefrei (teclado), Paulinho Queiroga (bateria), Valério de Lucca e Mestre Nena (percussão); sejam os produtores executivos Carlos Lobato e Sônia Canto.

Em sua voz suave e aveludada, Juliele apresentou repertório eclético, músicas conhecidas na voz de grandes artistas brasileiros, como Chico Buarque, Roberto Carlos e Wanderléa, intercaladas com músicas de também grandes compositores e cantores da região amazônica, como Fernando Canto, Joãozinho Gomes, Nivito Guedes, Nilson Chaves, Enrico di Micceli, Osmar Junior e Zé Miguel.

A abertura do show foi com “Pela cauda de um Cometa” (Fernando Canto - Nivito Guedes), uma referência à sensibilização para as questões ambientais, seguindo-se vários “sucessos inesquecíveis”, todos com nova roupagem. Assim se ouviu e se cantou junto as músicas: "Miudeza" (Nilson Chaves - Celso Viáfora), "Eu já nem sei" (de Roberto Correa e Sylvio Son, gravada por Wanderléa)
, "Meu Disfarce" (de Chico Roque e Carlos Colla, gravada por Fafá de Belém), "Cabide" (Ana Carolina),
dois sucessos de Roberto Carlos -
"Quase fui lhe procurar" (Getúlio Cortes) e '"Amor Perfeito" (Michael Sullivan - Paulo Massadas - Lincoln Olivetti - Robson Jorge) -
e uma faixa do primeiro CD de Juliele, "Todas as Línguas" (Nilson Chaves - Carlos Corrêa).

Foto cedida por Sônia Canto

Enquanto a banda tocava a instrumental "Olhando dos Andes" (Manoel Cordeiro), Juliele vestiu-se de vermelho e voltou ao palco, já era quase domingo Dia das Mães, surpreendeu e emocionou cantando uma música que aprendeu a cantar com a mãe: “Meu coração, não sei por quê , bate feliz quando te vê... " ("Carinhoso", de Pixinguinha e João de Barro).

Alguns dos princípios básicos do balé foram percebidos na posição cênica de Juliele: a disciplina, a leveza e harmonia das bailarinas clássicas. No palco, a menina de jeito tímido, que se iniciou na música cantando em reuniões familiares, traçou os passos de seu balé solo, não de sapatilhas, mas de pés descalços, fazendo se agigantar a diva que canta e baila, do fado ("Tanto Mar", de Chico Buarque) ao marabaixo ("Pra onde tu vais rapaz", música em domínio público).

Desenvolta e generosa, soltou a voz, repartindo com o público o que definiu como "presentes" que ganhou - duas composições inéditas: "Balé de Luz" (Fernando Canto - Manoel Cordeiro) e "Sem fim" (Evaldo Gouveia). As surpresas não pararam por aí. Quando se iniciaram os acordes de "Pérola Azulada" (Zé Miguel - Joãozinho Gomes), outra elegia ao planeta Terra, pensei estar havendo engano, pois a introdução não lembrava nada a que eu conhecia - tanto que Raul Marreco a considerou, em texto publicado no blog Página Cultural uma “inédita versão country inteligentemente conduzida”. Tivemos ainda "Pedra de Mistério" (Enrico di Micelli - Osmar Jr.) e "Meu endereço" (Fernando Canto - Zé Miguel).

O show durou cerca de uma hora e meia, mas foi tão envolvente que não percebi o tempo passar e ainda deixou o gosto de quero mais. “Foi bonita a festa, pá, fiquei contente...” Juliele e o público, também. Não foi à toa que ela escolheu a música “É hoje” (Didi - Maestrinho) para o bis: “Diga, espelho meu, se há na avenida alguém mais feliz que eu ...”. Assim estavam todos os que estiveram assistindo ao espetáculo, muito mais felizes!

Vânia publicou em seu Orkut essa montagem
feita com fotos cedidas por Sônia Canto

* Vânia Beatriz de Oliveira é amapaense radicada em Porto Velho, comunicóloga, pesquisadora em Comunicação e Desenvolvimento Rural Sustentável, trabalha com o uso de música amazônica em atividades de educomunicação cientifica e ambiental. Por ocasião do show de Juliele, estava em Macapá para passar o Dia das Mães em família.