Aqui se fala do som dos estados do Norte do Brasil: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins

domingo, 11 de abril de 2010

Música Solidária: a propósito de "Uma Noite para o Rio"


Abro este texto dando meus parabéns ao baixista paraense Ariel Andrade, integrante das bandas The Baudelaires e Projeto S.I.m. e que até há pouco tempo tocava também na Tio Nelson. Sensibilizado com a tragédia que as chuvas da semana passada causaram no estado do Rio de Janeiro (o saldo no começo da noite era de mais de 220 mortos), Ariel decidiu seguir o exemplo do Coletivo Ponte Plural e organizar em Belém o show a que já denominou Uma Noite para o Rio.

Na noite desta quinta, 8 de abril, Ariel começou uma convocação através do seu Twitter (@aritelzinhu):
  • Vamos galera organizar um show com várias bandas pra ajudar o Rio?? Podem contar com as minhas, quem mais se une?
  • TIO NELSON, BAUDELAIRES, S.I.M já tão dentro... vamos galera da música podemos fazer isso... música não é só tocar não!! Vamos ajudar!!!
  • Não terá grana envolvida (para as bandas), é pra arrecadar roupas e mantimentos. E você que não tem banda, mas quer ajudar de alguma forma nossos irmãos cariocas, entre em contato comigo para doar água mineral, fraldas, roupas, agasalhos e alimentos... Vamos lá!
Agora há pouco, Ariel me informou que o show deverá acontecer com as três bandas, em data e local cujo anúncio só depende da confirmação do dono da casa de show que sediará o evento, ao qual já garanti o apoio do Som do Norte.

Quero aproveitar a circunstância para convidar você a refletir um pouco sobre uma frase de Ariel Andrade (música não é só tocar não). Concordo, música não é só tocar, assim como fazer jornalismo cultural vai além de publicar agenda de shows. Os que nos acompanham desde o começo sabem disso. Os dois shows que apoiamos em Belém no ano passado foram beneficentes: o primeiro, em outubro, foi o Na Veia da Nêga, de Gigi Furtado, que destinou parte da renda à AVAO (Associação Voluntariado de Apoio à Oncologia). Na entrevista que fizemos, Gigi me disse: "Se cada artista pensar em fazer um show beneficente por ano, o rumo da história mudará!".

O segundo foi, em dezembro, o João Neto entre Amigos, uma iniciativa do cantor Pedrinho Cavalléro para ajudar no tratamento de saúde do atleta João Neto. Minha contribuição neste espetáculo foi fazer gratuitamente sua assessoria de imprensa, divulgando-o junto à imprensa de Belém, o que só estou contando agora para mostrar que efetivamente pratico o que recomendo que os outros façam, na linha do que disseram Ariel e Gigi: envolva-se, faça o que você pode!

A MTV Brasil, por exemplo, engajou-se na campanha "MTV + Rio": a cada intervalo comercial, um VJ fala da importância de cada um ajudar e recomenda a visita à página http://mtv.uol.com.br/maisrio/comoajudar. Boa parte daquelas informações está também numa página mais ampla, e atualizada com mais frequência, na página "Doações" do Projeto Enchentes - http://projetoenchentes.radioramabrasil.com/doacoes/

O Projeto Enchentes ilustra à perfeição o que digo aqui. Foi criado no começo deste ano pela publicitária Cristiana Soares, comovida com as imagens de desabamentos e enchentes. Cristiana não ficou só na comoção, que logo se tornou revolta (passou a questionar-se: "Quais funções realmente úteis teriam as redes sociais, das quais, nós, publicitários, jornalistas e blogueiros nos orgulhamos tanto?”). O que ela escreveu no Twitter logo mobilizou outras pessoas, levando à criação do projeto, que tem o mérito adicional de propor-se a ser uma ação permanente, diferentemente das outras iniciativas citadas até aqui (o que não as desmerece de modo algum, por favor! Mas é uma diferença significativa).

É fundamental, lógico, a mobilização após uma tragédia como as chuvas desta semana no Rio. Mas também é importante termos a consciência de que, além da urgência em normalizar a vida dos que hoje estão desabrigados, é preciso dar um 'basta' à atitude de ignorar o assunto tão logo ele suma do noticiário. Só este ano, desastres naturais em Agudo (RS), Angra dos Reis (RJ), São Luiz do Paraitinga (SP) e agora Rio e Niterói causaram inúmeras vítimas, grande parte dela residindo em locais que não ofereciam segurança alguma para moradia - o que levou a atriz Christine Fernandes a questionar hoje no Domingão do Faustão: por que se faz obras de infra-estrutura em locais assim?

Proponho que, além de ações específicas, que vamos chamar de a curto prazo, como os já citados shows Uma Noite para o Rio, Na Veia da Nêga e João Neto entre Amigos, pensemos em incorporar a prática de aproveitar a mobilização que atividades culturais, em especial a música, geram na nossa sociedade, para destinar recursos (quer sejam dinheiro, ou roupas, alimentos etc.) para causas sociais.

Ano passado, o Festival Casarão fez isso - pagaram meia-entrada os que doaram um quilo de alimento não-perecível, repassado posteriormente à Paróquia São Luiz Gonzaga, de Porto Velho. Esta então é minha proposta a médio prazo: aproveitar festivais, shows, peças de teatro etc. para arrecadar alimentos e/ou dinheiro para causas sociais. Uma possibilidade que me ocorre agora, que me parece muito viável: se você vai promover um show para o qual irá cobrar R$ 10,00 de ingresso, deixe como opcional o valor de R$ 11,00, destinando esse R$ 1,00 adicional a uma causa solidária. Por fim, a longo prazo sugiro que se pense na criação de uma espécie de Fundo Cultural Solidário, numa ampla articulação da classe artística.
  • Agenda Solidária - Deixo o blog Som do Norte e seus demais espaços associados (o Rapidola e nosso Twitter) à disposição para divulgar eventos culturais (com ou sem ligação com música nortista) que visem arrecadar donativos para desabrigados de enchentes e/ou outras causas solidárias. A linha editorial não pode estar acima da coerência de pensamento (ao menos a minha não). Enviem informações do evento, indicando também o que você apóia e como irá destinar o que for arrecadado, para musicadonorte@gmail.com

Um comentário:

  1. E o pessoal das enchentes no Pará? Não merecem atenção?

    No Rio, postal do Brasil, tem olimpíada, copa, pré-sal, globo e principamente lobby

    Em Marabá tem o quê?

    Abandono

    ResponderExcluir