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quinta-feira, 8 de abril de 2010

Curtissom: Boddah Diciro e o Prazer de Tocar

Banda do Tocantins segue tradição pouco comentada:
a inclusão de faixas instrumentais em CDs cantados

Já falei, num texto sobre a banda Retrofoguetes, sobre o grande destaque que as gravações cantadas sempre tiveram no Brasil, em comparação com a música instrumental. Menos destacadas ainda têm sido as raras gravações instrumentais de artistas ou bandas que cantam (tanto que nem “rótulo” para isto existe, ao menos desconheço), e neste caso Toquinho talvez seja a grande exceção. O disco de 1969 de Roberto Carlos incluía “O Diamante Cor-de-Rosa”, tema do filme de mesmo nome, estrelado pelo cantor. É compreensível que poucas dessas gravações entrem na parada de sucessos – a última vez que lembro de algo assim foi em 1999, quando a “Ave-Maria” (Gounod), gravada como choro por Jorge Aragão, estourou nacionalmente, depois de ser incluída como faixa-bônus no seu CD Ao Vivo.

Na esfera do rock, parece haver uma linha divisória bem clara: quase todas as bandas são com vocal, e há os grupos unicamente instrumentais. Os pioneiros no país desta segunda vertente parece ter sido The Avalons, em 1959, com “China Rock”, seguidos por The Jordans, já nos anos 60. Só recentemente a tendência voltou a ter destaque, com bandas como a acreana Caldo de Piaba, a mato-grossense Macaco Bong, a já citada baiana Retrofoguetes, a gaúcha Pata de Elefante e, pela primeira vez se pode dizer, muitas outras. Poucas bandas com vocal dedicam alguma faixa de seus CDs a temas instrumentais. Nos anos 1970, isso era um hábito para os Novos Baianos; e, nos anos 80, para Os Paralamas do Sucesso - todos seus discos daquela década têm uma faixa sem letra. A partir do Arquivo, de 1990, a banda abandonou a prática.

A gravação, hoje, de uma música (uma faixa) instrumental num CD predominantemente cantado me soa como uma homenagem dos intérpretes à Música (a arte). É um momento para os artistas se afirmarem enquanto compositores e/ou instrumentistas, exercitando a linguagem pelo puro prazer de compor-e-tocar – pois já se sabe de antemão que dificilmente ela irá estourar no rádio ou ser pedida como bis nos shows. É nesta linha, da declaração do amor à Música, que considero a inclusão de “A Viagem” como última faixa do CD Strange, estreia da tocantinense Boddah Diciro (acima, em mais uma foto inédita e exclusiva do clipe "Strange"). Lançado em outubro de 2009 pelo projeto de distribuição em rede Compacto.Rec, do circuito Fora do Eixo, o CD foi escolhido por mim para ser o Disco do Mês de março do blog Som do Norte, com excelente repercussão. Das 11 faixas, “A Viagem” é a única instrumental, e uma das duas com título em português (a outra é “Sem Querer”, que tem letra); todas as outras são em inglês. A alternância de climas sonoros (inquietude, tensão mais ou menos forte ao longo da execução, placidez final) em “A Viagem” sempre me dá a impressão de estar diante de um tema de trilha sonora. Curte o som!

Dica

Um comentário:

  1. A Viagem, Amei sensacional!
    Parabéns a Banda e ao blog.
    Suellen Bauen

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