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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Disco do Mês: "Hiperpoezia N° 3" em Mundano

Seguindo na linha das influências que antecederam ou ocorreram a Arthur Nogueira de forma simultânea à elaboração de seu CD Mundano, nosso Disco do Mês de fevereiro, chegamos hoje a um poema que é o primeiro texto do encarte do CD - como se fosse a epígrafe de um livro. Os versos são apresentados sem título, assinados apenas por "dand m". Perguntei a Arthur qual a função do poema ali. Segue a resposta dele, e o poema, como aparece no encarte. 

***

O Poema

Durante as gravações do CD, eu cogitei e abandonei várias vezes a ideia de convidar um dos meus parceiros, especialmente Vital Lima, Antonio Cicero, Marcelo Ribeiro ou Felipe Cordeiro, para escrever um texto de apresentação do CD, a ser publicado no encarte. A dificuldade era que Vital, Marcelo e Cicero não haviam acompanhado o nosso processo de produção, o que não lhes daria base para poder escrever, e o Felipe, por outro lado, por ser diretor musical, estava envolvido demais. Foi aí que lembrei do livro Flores da Campina, do Dand M, que conheci por volta dos 14 anos. O universo da poesia dele tem tudo a ver com as "sombras" e "cortinas" que permeiam o conceito e a sonoridade do Mundano. E um fragmento desse livro, especificamente, trecho do poema "Hiperpoezia n° 3", me acompanha há muito tempo. No primeiro show que fiz na vida, Essa cidade, em 2005, eu dizia o trecho final desse poema. Quando me reencontrei com aquelas palavras, vi que não havia necessidade de carta de apresentação alguma, porque os versos diziam tudo. E, exatamente por ser um poema, exigiria do leitor muito mais recursos - razão, sensibilidade, sensualidade, intuição, senso de humor etc. - do que um texto em prosa polido e carrancudo. Bati o martelo e aí liguei pro Dand, para comemorarmos juntos.

Arthur Nogueira

***

eis-me aqui, atado a mim
posso sentir o coração de outrem
e o luar é como um poema sobre o Mundo.

eis-me vil, o mesmo, enfim
libérrimo
pronto para o infinito
mais suspeito
mais sujo
mais belo

todo fumo que trago, todo amor
toda flor de plástico tem espinhos
e perfuma

a dor que sinto seja o tiro.

esta cidade não está pronta
sou seu esgoto
sua baía
seu poeta sem rosto

dand m

3 comentários:

  1. em que lugar posso e encontrar as musicas e discos que são ditos aqui

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  2. Ediney Santana,

    Fica difícil te responder isso, pois não há 'um lugar', porque comentamos discos e músicas muito variadas. O CD do Arhtur Nogueira, por exemplo, está à venda em Belém. Já as músicas de artistas como Aíla Magalhães e Mini Box Lunar, você vai poder ouvir nos MySpaces deles ou outros sites.

    Os vídeos, praticamnte todos, são do YouTube, e os áudios você pode ouvir tanto aqui mesmo no blog, quanto no http://musicadonorte.blogspot.com/

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  3. um poema sutil, e ao mesmo tempo estigante....
    muito bom!

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