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domingo, 28 de fevereiro de 2010

Disco do Mês: Felipe Cordeiro fala de "Sei Lá"


Quase todo o repertório do CD Mundano, de Arthur Nogueira, se encaixa numa destas definições: composições dele (com ou sem parceiros) ou regravações de clássicos da música brasileira (a exemplo de "Mal Secreto, de Jards Macalé e Waly Salomão). Apenas "Sei Lá", de Felipe Cordeiro, não se enquadra em nenhuma dessas categorias. Já que Felipe foi o diretor musical da gravação de Mundano, quis saber dele como esta canção entrou no repertório. A resposta chegou por e-mail na tarde deste domingo.

Fabio Gomes -  "Sei Lá" era uma música que você já tinha composto, e mostrou ao Arthur quando da gravação do CD? Ou foi o próprio Nogueira que lhe encomendou a canção?

Felipe Cordeiro - Eu já havia feito essa música antes do Arthur Nogueira definir o repertório do CD. Mostrei essa música pra ele sem perspectiva de que ele gostasse, é uma música que de certo modo é diferente das outras, foge do repertório. Essa canção é fruto da influência dos ritmos latinos, que conheço sobretudo por sugestão do meu pai (Manoel Cordeiro). Mistura de zouk love, marabaixo, carimbó (com frases de guitarrada) e funk, tem uma poética contemporânea, que acentua um modo de ser, plural e líquido. No final das contas, a música "Sei Lá" caiu bem no CD do Arthur, foi ele que se interessou pela música, acho que ele também achava que havia a necessidade de uma música com vibração rítmica e poética colorida. 

Fabio Gomes - A propósito, alguém já comentou com você que o 'clima' desta composição lembra Lenine? A mim, ao menos lembrou. 

Felipe Cordeiro - Acho que o "elemento" funk dialoga com o som do Lenine. Nunca ninguém me disse que tinha semelhança, mas eu sempre percebi esse diálogo, que é um muito inconsciente, já que não sou fã do Lenine compositor. É um grande músico, cantor e artista, mas como compositor (especificamente) é bem inconstante, por isso não escuto com muita atenção. O que é legal no Lenine é que, incontestavelmente, faz um som próprio e muito bom.

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