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sábado, 6 de fevereiro de 2010

Disco do Mês: Ana Clara Matos comenta Mundano


Em setembro de 2009, quando estava para ter início o circuito de shows de lançamento do CD Mundano, de Arthur Nogueira, a cantora Ana Clara Matos (à esquerda, em foto de Walda Marques) publicou no site em que colabora, o Guiart, uma crítica analisando este que é o nosso "Disco do Mês" de fevereiro.  No site, a matéria não tem data, porém foi reproduzida por Arthur em seu blog no dia 15 de setembro. 

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Arthur Nogueira lança novo cd
(Ana Clara Matos)

Uma guitarra anuncia Mundano, segundo disco de Arthur Nogueira. Ela me captura. É uma das personagens responsáveis pela costura do álbum do cantor e compositor, que, ainda que transitando um pouco por diferentes timbres e batidas, mantém unidade sonora. Os arranjos, a maior parte assinada coletivamente, conduzem numa viagem a um universo bem definido, construído por Arthur com os instrumentistas Felipe Cordeiro (violão nylon e direção musical), Renato Torres (guitarra), Maurício Panzera (baixo) e Arthur Kunz (bateria).

Mundano demonstra o amadurecimento de seu autor após cinco anos de carreira. Aos 21 anos, Arthur Nogueira se apresenta mais solto e entregue na busca da própria personalidade artística, em contato com as próprias referências. Canta, escreve letras e melodias e toca guitarra na faixa "Sem Nome". Revela-se com sutileza – nas canções, como nas fotografias do encarte, feitas por Jaime Souzza.

Gravado de fevereiro a março deste ano no Estúdio Apce Music Edition, o disco injeta novos ares na produção fonográfica paraense, algo que recentemente vinha cabendo quase sempre às bandas da cena roqueira. Arthur Nogueira nos oferece um disco urbano e se une aos artistas que mostram que a música popular paraense pode ir além dos estereótipos.

O álbum começa com "Mal Secreto", de Jards Macalé e Waly Salomão, gravada originalmente por Gal Costa nos anos 1970. As referências passeiam no tempo: mais pra frente, vem “$ Cara”, de Marina Lima e Antonio Cicero. Além do que me dizem os créditos, lembro de Arnaldo Antunes, em passagens de "Deixa", e de "O Meu Amor", de Chico Buarque, no arranjo de Felipe Cordeiro para "Pretexto".

O disco mantém o clima, mesmo quando surge "Sei Lá", convidando à dança, com um cheiro de latinidade, ou no arranjo de "03h05", feito por Floriano, músico que não integra a banda base. As inserções das vozes de Alba Maria, Maria Lidia e Marina Lima pontuam o álbum com uma atmosfera que me parece onírica e, caso o ouvinte tenha perdido o rumo de Mundano, elas chamam de volta.

A produção proporciona um tipo de pop pouco produzido por aqui, a exemplo de "Gratuito". Que este primeiro passo do novo norte da carreira de Arthur Nogueira se sedimente e que inspire àqueles que concordam que a música paraense pode fugir do cabresto do “regional”.

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