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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Ouvindo Junto (9): Mulher

Mulher (Lia Sophia)



Fabio Gomes – A próxima é a minha preferida! “Mulher”. A letra, a melodia, o arranjo, sua interpretação, tudo está excelente nesta faixa. E uma letra pouco comum na música brasileira: um eu-lírico feminino expressa claramente seu amor por outra mulher. Teria outros exemplos no próprio CD, como "Mais uma Vez”, mas é aqui que este tema fica bem claro.

Lia Sophia - Nunca parei pra pensar que isso não seria comum, acho que já ouvi com outras cantoras, mas é legal pensar que fiz algo especial, ou pelo menos incomum. O tema “amor entre mulheres” é uma pimenta, sempre coloco uma pitada dele em minhas músicas. Fiquei muito feliz quando terminei esta música. Ela foi escrita pensando nos compositores antigos, dos anos 30. Um choro-canção, com uma maneira de falar mais poética. Inclusive a Juliana Sinimbú, minha querida amiga, quando ouviu ficou louca pra gravar, mas quando disse que iria gravar ela preferiu abrir mão. Ah, falei em choro-canção! É porque no original, ela é um choro-canção, mas como o Castelo de Luz tinha um perfil sonoro definido e “Mulher” não poderia ficar de fora, fizemos um arranjo que tivesse a ver com disco e ela entrou. Na segunda parte da música, quando ela muda de ritmo, alguns poderiam dizer que passa a ser um iê iê iê, mas pra gente aqui de Belém é claro que é um brega.

Fabio – Você falou da mudança de ritmo, eu diria “de andamento”, mas ok...

Lia – Ah, poderíamos dizer “levada” também, mas ok...

Fabio – Essa mudança valoriza a melodia, que é elaborada, sim, mas que não tem maiores variações ao longo da composição.

Lia – Essa música é bem pequena, a melodia e a letra. Essa mudança foi importante, senão ficaria repetitiva ou muito pequena.

Fabio – Sim. Ficou muito bom. Na primeira parte, a instrumentação bem econômica, com ênfase na sua voz, depois um equilíbrio quando muda a “levada”. E aquele final com a “caidinha” do piano, juntando com o órgão! Enquanto te acompanha, o piano está com notas mais espaçadas, quando você conclui “lamento”, ele toca uma seqüência de notas, simultâneo ao subir do som do órgão, que não estava presente até então.

Lia – Sim, o órgão não participa da primeira parte da música, ele entra fazendo uma cama, que os sopros poderiam fazer também, mas achamos que ficaria mais agressivo e preferimos o órgão. Ele serve para ligar os outros instrumentos, e não deixar brechas, assim o piano fica mais livre também.

Fabio – Ficou ótimo. Tua interpretação vocal também está perfeita nesta faixa. Você vai conduzindo essas sutis mudanças de “levada”, ora fazendo pausas um pouco maiores, ora ligando as notas, sempre na medida exata.

Lia – Fiz a final dessa música e depois não gostei. Achei que ficou agressiva, muito limpa, precisava de um pouco de rouquidão, uma soprosidade. Aí voltei e refiz, sem aquecer a voz, natural mesmo. Aí gostei.

Fabio – Sim, a voz me pareceu bem mais natural que em outras faixas.

Lia – Ela precisava ser mais “pé do ouvido”.

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