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terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Terruá Pará

Esse foi o texto da nossa coluna "Som do Norte" publicada no portal Visto Livre no dia 16 de dezembro. 

O jornalista paraense Sidney Filho me perguntou, na entrevista publicada pelo blog Ver-o-Pop em 11 de dezembro: “Para você, por que a música paraense não consegue um destaque maior na grande mídia e se torna mais popular?” Em síntese, respondi que “toda a produção musical feita em qualquer parte do Brasil que não corresponda aos ‘padrões de mercado’ não encontra espaço na grande mídia - quanto mais autoral, densa e distante de estereótipos, mais difícil será sua difusão para as grandes massas.” Em seguida, citei como exemplo o fenômeno da lambada, no final dos anos 80: imposta como moda pela indústria fonográfica, logo cansou o público e foi descartada. (Leia a entrevista completa em http://ver-o-pop.blogspot.com/2009/12/blog-som-do-norte-direto-do-sul-do-pais.html)

Evidente que não questiono a capacidade das massas em apreciar uma música mais requintada, e sim afirmando o total desinteresse do mercado por tudo que não possa ser triturado por suas engrenagens. Vejam neste vídeo a sofisticação do Octeto de Tubas tocando um pot-pourri de carimbó: http://neymessiasjr.blogspot.com/2009/12/octeto-de-tubas-dizem-que-essa-uma.html. Para quem achar que o Octeto só suingou tanto porque conduziu os trabalhos, veja-o então acompanhando o Arraial da Pavulagem em http://neymessiasjr.blogspot.com/2009/12/octeto-de-tubas-e-arraial-do-pavulagem.html.

Ambos os vídeos – e mais cinco – foram publicados recentemente no blog Metanoia (http://neymessiasjr.blogspot.com), do jornalista Ney Messias Jr., e mostram momentos dos três shows Terruá Pará, realizados no Auditório Ibirapuera (São Paulo), em março de 2006. Naquela semana, a imprensa paulista saudou o evento e a música que ali se ouviu – o Jornal Hoje, da TV Globo, chegou a dizer que “vem do Pará a nova cena musical do Brasil. Depois do manguebit, o Terruá Pará é a grande novidade sonora do país.” Parecia um começo, mas era um fim. Os shows encerravam a primeira etapa de um projeto para divulgar a “produção musical paraense de forma digna pra todo o Brasil”, diz Ney Messias. Da gravação dos shows, deveriam sair CD e DVD – o que infelizmente jamais aconteceu. O Terruá Pará só não sumiu totalmente do mapa devido a esse resgate promovido pelo Metanoia. Obrigado, Ney!

 

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