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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Músicas regionais do Brasil se encontram em Porto Alegre

* Este foi o texto de nossa coluna de 23 de novembro no portal Visto Livre. Novo texto entrou no ar ontem à noite: Vamos escolher a Música do Ano da região Norte!

A diversidade musical brasileira esteve muito bem representada em Porto Alegre na semana que passou, através da presença de mais de uma centena de músicos e pesquisadores que participaram do Acorde Brasileiro - Encontro Nacional das Músicas Regionais, projeto da Contursi Produções realizado pelo SESC-RS de 17 a 21 de novembro. Foi uma oportunidade rara para o público da capital gaúcha poder conhecer artistas fantásticos como o Trio Manari, do Pará, Josias Sobrinho, do Maranhão, grupo Tambolelê, de Minas Gerais, ou mesmo ter três shows de Dominguinhos na cidade na mesma semana.

O fato de que Dominguinhos foi um dos grandes nomes do evento não é surpresa para ninguém. Aos 68 anos, e tendo no currículo sucessos como “De Volta pro Aconchego” e “Só Quero um Xodó”, o sanfoneiro pernambucano só poderia mesmo ser o grande nome do show de encerramento no sábado, dia 21. Surpresas mesmo foram o show do Trio Manari, na quarta (o grupo utiliza apenas percussão e voz, conseguindo uma construção de harmonias e variação de timbres de difícil descrição, e que encantou a todos), com direito a canja de Nilson Chaves, um dos curadores do evento, e homenagens a Eliakin Rufino, Waldemar Henrique e ao rei do carimbó, Verequete, falecido no último dia 3 em Belém; ou, também na quarta, os tocantinenses Seu Miúdo da Rabeca e Seu Canhotinho da Viola (sem dúvida a apresentação que trouxe ao Acorde a raiz musical em estado puro; em todos os outros grupos sempre havia um grau de elaboração musical a partir da raiz – o que também é válido, evidentemente). Seu Miúdo e Seu Canhotinho constróem os próprios instrumentos a partir de talos secos de buriti (uma palmeira). O público compareceu em massa ao show do sábado, gratuito, e em menor número nos outros dias, com ingressos a R$ 20. A lamentar, apenas, a atitude da platéia que na quinta foi esvaziando o Teatro do Sesc ao longo do show do Senzalas, talvez incomodada com o uso de instrumentos elétricos no marabaixo, ou quem sabe pelo “molho” brega que o teclado imprimia ao som deste grupo do Amapá.

Ainda falando em público: foi irrisório o comparecimento aos debates do Acorde, realizados à tarde. A fala de pesquisadores do porte do paulista Zuza Homem de Melo e do pernambucano Marcelo Melo, do Quinteto Violado, foi ouvida por uma média pouco superior a 10 pessoas. Essa é uma parte do evento precisa ser repensada.


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