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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Peculiaridades musicais de Belém

* Este foi o texto de nossa coluna de 26 de outubro no portal Visto Livre. Novo texto entrou no ar hoje à noite: Nada será como antes

Na sexta, 23 de outubro, a cantora Gigi Furtado fez seu primeiro show solo. O espetáculo Na Veia da Nêga lotou o Bar-Teatro Vitrola, em Belém, e contou com participações especiais dos cantores Alba Maria, Léo Meneses, Lucinha Bastos, Reginaldo Vianna e Renata Del Pinho e do ator Jean Negrão (além do apoio do blog Som do Norte).

Quem não conhece o ambiente musical da capital paraense pode estranhar haver tantas participações num primeiro show solo, pois esta teoricamente seria a hora da artista se afirmar perante o público. Mas em Belém, fazer o contrário é que seria impensável. Há, é claro, os shows que já nascem como coletivos - a própria Gigi participou de vários, como o São João com Gonzagão, produzido por Yuri Guedelha em junho. O certo é que já se constitui uma praxe haver muitas participações especiais nos shows solos realizados em teatros de Belém.

Por que isto ocorre, realmente, eu não sei dizer. Ignorar as causas, porém, não me impede de louvar as conseqüências - afinal, nessa relação todos ganham: anfitrião, convidado, público.

Noto uma união muito grande entre os artistas de Belém. Um exemplo? Reginaldo Vianna retribuiu em seguida o convite recebido, e assim Gigi cantou sábado no show em que ele comemorou 16 anos de carreira - sim, apenas um dia depois do Na Veia da Nêga. Outro exemplo? O cartaz do show de Gigi foi feito por Juliana Sinimbú, que, mesmo às voltas com a pré-produção de seu primeiro CD, fez questão de colaborar com a estréia da amiga.

Outro aspecto muito peculiar do ambiente musical de Belém se evidencia na classificação adotada pelo Vitrola, que é um "bar-teatro" (o ambiente alia o palco amplo de um teatro com o serviço de um bar). Em quase todas as outras capitais brasileiras, os artistas que só tocam em bar são considerados "de segunda linha". Em Belém, isso não acontece; lógico que tocar em teatro sempre será uma meta, mas os artistas paraenses costumam montam espetáculos de qualidade para serem feitos nos bares da capital. Agora em outubro, a já citada Juliana Sinimbú repetiu a parceria com Aíla Magalhães (o show de ambas, Intimidade, abriu em janeiro o Fórum Social Mundial), apresentando-se às quartas no Bar Relicário com o show Fuxico de Madame - em que as duas, é claro, a cada semana têm duas participações especiais (senão este não seria um "show de Belém"!).

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