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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Foi Show: Trio Manari no Acorde Brasileiro

O Trio Manari foi sem sombra de dúvida um dos grandes destaques da edição deste ano do Acorde Brasileiro, realizado em Porto Alegre na semana que passou - e também um dos que mais trabalhou. O grupo paraense fez o show de encerramento no Teatro do Sesc da quarta, 18 de novembro, deu uma canja na apresentação do grupo Senzalas, do Amapá, na noite seguinte, e realizou uma apresentação didática para escolas na tarde da sexta, abrindo para Dominguinhos (que os chamou para nova canja, em seu bis).

O show que Marcio Jardim, Nazaco Gomes e Kleber Benigno trouxeram à capital gaúcha antecipa o CD que começam a gravar em breve. O que significa que vem coisa muito boa por aí. O show inicia com uma música de Nazaco, "Boi do Marajó", que o Trio se acompanha tocando cabaça de contato (vinda da Guiné), caixas de cobra e cabaças com água. Segue-se "Siriá", com o ritmo samba de cacete, cujo acompanhamento se dá por tambores e atabaques. Novamente a cabaça de contato, juntamente com pandeiro e tambor falante, dão a base rítmica para a homenagem a um músico africano amigo do grupo, Kabum. Como vêem, o trio serve-se apenas de instrumentos de percussão (à exceção de alguns apitos indígenas, que imitam pios de pássaros, e algumas bases pré-gravadas que Kleber aciona discretamente). É incrível, e na prática indescritível, a variação de timbres e a construção de harmonias que Marcio, Nazaco e Kleber conseguem extrair de seus instrumentos. A rigor, um espetáculo do Manari só estará convenientemente registrado num DVD, e não num CD, pois o que se vê (o visual dos instrumentos e a presença de palco dos músicos) é tão importante neste contexto quanto o que se ouve.

Outro ponto alto do show é a homenagem a um mestre do carimbó: o trio canta "Chama Verequete", intercalado pelo poema "Nós Somos da Mesma Aldeia", de Eliakin Rufino. Outra música de Verequete abriu o pot-pourri (ou fornada, como diriam em Cametá) de carimbó que encerrou o show da quarta, numa canja de Nilson Chaves (um dos curadores do Acorde Brasileiro). Nilson também cantou, com o trio, "Pérola Azulada" (Zé Miguel - Joãozinho Gomes) e "Abaluaiê" (Waldemar Henrique). Fora esta participação de Nilson, o show da quarta foi predominantemente instrumental, pois o vocalista do trio, Nazaco, estava afônico devido à variação de temperatura (os três haviam chegado a Porto Alegre de manhã, vindos do Rio de Janeiro, onde tocaram na véspera com Marco André).

Nazaco cantou bem mais e melhor na tarde da sexta, dia 20, no Teatro Dante Barone, na reapresentação deste show para cerca de 200 estudantes do ensino fundamental. Foi impressionante como o trio conseguiu manter o tempo todo a atenção das crianças, um público por natureza inquieto e que não costuma disfarçar quando não gosta. O pernambucano Dominguinhos tocou logo depois do Manari, e chamou-o ao palco no bis, para tocarem juntos "Forró no Escuro", de Luiz Gonzaga. Outra canja do trio foi no show do Senzalas na quinta, dia 19, no Teatro do Sesc.

Ouça o poema "Nós Somos da Mesma Aldeia" (Eliakin Rufino) na voz de Kleber Benigno:

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