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domingo, 22 de novembro de 2009

Diz Aí: Rubens Gomes

O amapaense Rubens Gomes transferiu-se há vários anos, para Manaus, para ser professor universitário. Optou, porém, por se afastar da vida acadêmica e criar uma ONG, a Oela (Oficina Escola de Lutheria da Amazônia), por dois motivos:
  • - Pelo incômodo em ver a miséria convivendo lado a lado com a riqueza natural da floresta;
  • - Pela convicção de que, sem a transmissão do conhecimento, não é possível o bom uso da riqueza disponível.
Estas duas premissas inspiraram Rubens nos passos seguintes: a opção pela fabricação de instrumentos, de modo sustentável; a pesquisa junto a antigos luthiers do Amazonas, Pará e Acre, que o ajudaram a buscar uma sonoridade tradicional e a evitar o uso de madeira ilegal; e a certeza de que, mais que apenas fabricar violões e cavaquinhos, era importante pensar em ações de sustentabilidade ambiental e também qualificar seus alunos para articulação e geração de renda. Em função dessas iniciativas, Rubens foi convidado para assumir a presidência do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), rede socioambiental que reúne cerca de 600 associações, institutos, sindicatos e grupos comunitários da região; já está no cargo há dois anos.

Rubens comentou essas experiências na mesa-redonda A Educação: Práticas de Valorização da Música Regional, que abriu a programação de debates do Acorde Brasileiro deste ano, na quarta, 18 de novembro, no SESC Porto Alegre. No mesmo dia, Lia Marchi comentou suas pesquisas com violeiros de Santa Catarina, Goiás e Minas Gerais, que resultaram nos projetos Tocadores e Contos Folclóricos do Brasil, e Wagner Chaves falou do repasse de conhecimentos junto a populações tradicionais (os grandes problemas enfrentados, relatou, é que mestres violeiros estão morrendo - em julho, Seu Minervino, de Angical, São Francisco, Minas Gerais, faleceu aos 80 anos sem deixar discípulos -, e os mais jovens se interessam muito pouco pela cultura de raiz).

Gravamos rápida entrevista com Rubens na própria quarta (ele viajava no mesmo dia para um evento em Brasília). Ele nos contou a história da encomenda que a Oela recebeu do violonista amapaense Aluísio Laurindo Jr. para fabricar um violão de 13 cordas. Aluísio orçara o instrumento junto a um luthier suíço, que pedira 15 mil euros e prazo de entrega de 3 anos...

Rubens nos contou ainda que Aluísio ficou tão fascinado com o novo violão que foi apenas com este instrumento que iniciou a turnê Sonora Brasil, promovida pelo Sesc Nacional, deixando em casa o violão de 6 cordas que habitualmente utilizava.

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