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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O Tecnobrega Visto Por Dentro

* Este foi o texto de nossa coluna de 8 de outubro no portal Visto Livre. Novo texto entrou no ar agora de manhã: O que é mesmo um Festival?"

O tecnobrega paraense definitivamente está na moda. A edição de agosto da revista Info Exame publicou um trecho do capítulo 14 do livro Free – Grátis: o Futuro dos Preços, do americano Chris Anderson, que apresenta o modelo de negócios da Banda Calypso como exemplo da força do mercado informal da música no Brasil. Afora uma desculpável confusão que faz entre o som da Calypso (uma versão “eletrificada” do brega dos anos 80) e o verdadeiro tecnobrega (sem instrumento algum de melodia e harmonia, apenas com voz sobre batidas eletrônicas), Anderson foi preciso ao descrever o que se pode chamar de “cadeia produtiva da música tecnobrega”: os CDs são fabricados pelos próprios DJs, que os fornecem aos camelôs do centro de Belém, que os vendem ao público que freqüenta as festas de “aparelhagem” na periferia da capital paraense e por todo o interior. É com essas festas e shows que DJs e bandas do tecnobrega ganham dinheiro. É um mercado sólido: um DJ ganha até 300 reais por música composta e até 25 mil por festa, além de vender seus CDs e DVDs nas festas por preços que variam entre 5 e 7 reais (em média se vendem 100 cópias por evento).

Estes números são informados pelo primeiro filme que viu o tecnobrega por dentro: Brega S/A, de Vladimir Cunha e Gustavo Godinho, que estreou no programa Doc MTV, em 3 de outubro, em edição especial para TV. Mesmo contando predominantemente com depoimentos dos DJs e de pessoas diretamente envolvidas no tecnobrega, o filme tem o mérito de em momento algum sair “em defesa” do estilo. Por exemplo, foram ouvidos o arquiteto Paulo Cal, que considera o tecnobrega fruto do desordenamento urbano de Belém, e o jornalista Lúcio Flávio Pinto, que não vê relevância cultural alguma no tecnobrega.

O surpreendente é que os próprios DJs fazem coro a Lúcio Flávio. Afora o MC Garoto Alucinado, para quem aqueles que não acreditavam em seu sucesso devem ir pra casa ouvir “Atirei o Pau no Gato” em vinil, todos os outros dizem estar conscientes de que fazem um som “descartável” para amplo consumo de massa em tempo curto. O DJ Dinho afirma estar certo de que daqui a dez anos ninguém vai ouvir os tecnobregas de hoje, mas ainda haverá lugar para o brega romântico. Nessa hora, começa a tocar “Amor, Amor” - justamente a música que a cantora paraense Lia Sophia escolheu para intitular seu próximo CD, em que regravou temas bregas dos anos 80 com arranjos modernos.


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