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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O que é mesmo um Festival?

* Este foi o texto de nossa coluna de 19 de outubro no portal Visto Livre. Novo texto entrou no ar hoje à tarde: Peculiaridades musicais de Belém

O Festival Calango, realizado anualmente em Cuiabá, Mato Grosso, é um dos poucos eventos do gênero a ser efetivamente nacional, ou até mais que isso: programou para sua edição deste ano, que ocorre de 30 de outubro a 1 de novembro, shows com 42 bandas de 15 estados de todas as regiões do Brasil, além de três da Argentina. Vários dos shows são com bandas já muito conhecidas nos festivais do Circuito Fora do Eixo - como Devotos (PE), O Melda (MG), Macaco Bong e Linha Dura (MT) -, mas o nome que de imediato mais me chamou a atenção na escalação divulgada semana passada foi o do cantor mato-grossense Paulo Monarco.

Quando Paulo Monarco estiver no palco do Calango, na noite do domingo, 1 de novembro, ainda não terá se completado um mês de outra apresentação sua em encerramento de festival: em 3 de outubro, ao cantar "A Saber, o Sabor", de Paulo de Lamar, no 3º Fempa - Festival de Música de Parauapebas (cidade do interior do Pará), recebeu os prêmios de melhor letra e melhor intérprete, além do 1º lugar na classificação geral. Paulo Monarco se constitui, portanto, num raro exemplo de artista atual a circular com desenvoltura em dois modelos de evento que diferem em tudo, só tendo em comum o uso da denominação festival (que, lembremos, vem do latim festa).

O Fempa segue o modelo do Festival de San Remo que o Brasil importou da Itália nos anos 1960: cada artista canta apenas uma música, competindo contra seus colegas, na busca de se apurar um vencedor - em Parauapebas, como na final se repetiram as músicas que no entender do júri haviam sido as melhores das outras noites, o público ouviu no evento inteiro apenas 24 músicas. A repercussão de festivais deste modelo depois da final é escassa, pois quase sempre as músicas que não vencem são logo esquecidas - e nem mesmo tirar o 1º lugar garante o sucesso da composição. Onde está a festa?

Já nos 45 shows programados para o Calango, calculo por baixo que irão se ouvir mais de 200 músicas. Cada artista tem meia hora para se apresentar, sem disputar nada com ninguém. E eventos deste tipo não acabam com o último show, pois continuam vivos na internet através dos vídeos que os grupos gravam de suas apresentações - e há até quem aproveite para produzir clipes, CDs e DVDs ao vivo. Bem mais festa, portanto!

Um comentário:

  1. O importante da música é a beleza de expor seus sentimentos, suas idéias e convicções; compartilhar seu universo com o mundo, quebrando barreiras e construindo pontos. Todo tipo de festival competitivo, de premiação musical, a exemplo Grammy ou sei lá mais o quê, não passa de uma tremenda idiotice, eu gostaria de dizer que tem haver com propaganda e capitalismo, seria menos mal, mas parece que uns dinossauros sobreviveram e querem estabelecer a combinação perfeita e originalda música, a arte pela arte como naquele inútil (praticamente) movimento literário, o Parnasianismo.

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