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terça-feira, 22 de setembro de 2009

Foi Show: Billy Blanco, o Compositor

Por Luciana Medeiros*
(Fotos: Marivaldo Pascoal)

"O meu compromisso, com sinceridade, é fazer meu povo sorrir outra vez, e melhor que isso, só se for verdade. No mais, tanto faz, como tanto fez. Canta! Sempre serás feliz quando cantares, e dentre as coisas pelas quais lutares, o canto puro e simples não esquece, numa prisão, na igreja ou na rua. Uma canção tem força de uma prece, não haverá no mundo quem destrua. Morre um cantor e o canto permanece”.


Foi tomado por uma forte emoção ao interpretar “Canto Livre”, que Billy Blanco encerrou no último sábado, no palco do Teatro Maria Sylvia Nunes, o show de lançamento do DVD em sua homenagem. “Feita num tempo de Brasil difícil, essa é uma música que me comove quando eu canto porque ela faz parte da minha vida”, disse Billy Blanco, o compositor.

Ele chegou a preocupar quem estava com ele em cena, como o filho Billynho Jr. e o amigo Paulo André Barata, que se levantou para ficar ao seu lado, pronto para uma possível e necessária ajuda. Mas não foi preciso. Aos 85 anos ele ficou firme e forte. Cantou, embora a voz quase engasgada, até o fim.

Canta! Mesmo cativo, o pássaro não liga, prendem o seu corpo, não sua cantiga, seu canto é livre, livre como o vento, e um cantor não pára, só morrendo, mas a canção revive sua memória e ele renasce a cada momento, porque seu canto faz parte da História”.

Nascido William Blanco Abrunhosa Trindade, em 8 de maio de 1924, na cidade de Belém do Pará, Billy Blanco tem uma carreira de trajetória ímpar, trazendo através das letras de suas músicas a própria vida passada a limpo. Ao compor “Canto Livre”, nos anos 60, ele não imaginava que caberia de forma tão apropriada ao ser entoada nesta noite inesquecível.

A fila, em frente à porta de entrada do teatro, ficou enorme. Algumas pessoas sequer sabiam se conseguiriam entrar. Os ingressos esgotaram em duas horas de venda, ainda naquela tarde. Por sorte, todos conseguiram, até porque em determinado momento do show, a produtora Carmen Ribas autorizou a abertura das portas para que o público tivesse acesso ao ilustre paraense que, lá dentro, recebia outros não menos ilustres nomes da música paraense.


Sebastião Tapajós abriu o show fazendo uma apresentação engraçada. Contou histórias de seu parceiro, a quem faz inúmeras reverências. “O Billy é uma pessoa muito querida e especial para minha vida. Foi a primeira pessoa que eu conheci assim que cheguei no Rio de Janeiro, e continuamos até hoje convivendo sempre. Ele diz que a parceria mais duradoura tem sido a nossa, com 50 músicas, muitas que ainda serão gravadas, são músicas fáceis e simples de cantar. Foi muito gratificante participar desta homenagem à genialidade dele”, conta.

Com mais de uma hora de duração e muitos aplausos, o show acabou em clima de total felicidade. Mas um outro momento emocionante também marcava aquele acontecimento. Eloy Iglesias entrou para cantar duas músicas: “Aeromoça” e “O Moço é”, esta última levantando o público que cantou junto com ele.

“Esta canção deveria estar sendo cantada, hoje, por Walter Bandeira. Esta é uma homenagem a sua coragem de ter enfrentado suas escolhas abrindo com isso as portas para toda uma geração. Aquela cadeira que vocês estão vendo ali pendurada no cenário, é para marcar sua presença aqui”, disse, lembrando o intérprete e professor da Escola de Teatro e Dança da UFPA, que faleceu em 2 de junho, levando consigo uma das vozes mais belas da rádio e locução da TV paraense.

Nanna Reis arrebentou. Entrou cantando “Desencanto”, composição de Billy e Tapajós, que recebeu de todos no palco e na platéia calorosos aplausos. “Só a letra é minha, a música é dele, do Jabuti”, disse Blanco.

Destaque também para Lívia Rodrigues que, com sua voz suave, embeveceu a platéia ao som de “Viva meu Samba” e “Piston de Gafieira”. Foi a primeira vez que Lívia cantou no Teatro Maria Sylvia Nunes. “Toda vez que você canta pela primeira vez em um teatro tem sempre uma história especial. A minha aqui teve a felicidade de ter Billy Blanco. O melhor de tudo foi conhecê-lo pessoalmente, pois a obra já fazia parte da minha vida musical. Ele foi uma simpatia, maravilhoso”, disse ela, já nos bastidores, depois do show.

Juliana Sinimbú, que representou em depoimento no DVD a nova geração de intérpretes que seguem Billy Blanco , disse que ficou honrada pelo convite e emocionada de estar perto daquele a quem considera um ídolo e uma referência para seu trabalho.

Lívia Rodrigues, Billy Blanco, Juliana Sinimbú e Nanna Reis

As três - Nanna, Lívia e Juliana - receberam elogios do grande compositor, que disse: “Quero agradecer a estas meninas maravilhosas e lindas, olha se eu tivesse ao menos 50 anos, vocês não me escapavam”, arrancando risadas cúmplices da platéia.

Paulo André Barata arrepiou com “Samba Triste”, o primeiro sucesso de Baden Powell, com letra de Billy Blanco. As apresentações foram entremeadas, pela exibição de trechos do DVD, gravado no Theatro da Paz em junho de 2008. Ao final, amigos, familiares, fãs e o público em geral invadiram o palco do Maria Sylvia Nunes, para uma sessão interminável de fotos e autógrafos.

A noite não poderia ter sido melhor. Carmen Ribas, responsável pela produção do DVD, fecha mais um de seus projetos dedicado à música com a sensação do dever cumprido. “Agora é missão cumprida mesmo, de um projeto que começou em 2007. E a gente continua homenageando Billy neste DVD, com sua alegria, irreverência, vontade de viver e dono de uma cabeça maravilhosa, com uma visão de futuro e de acompanhamento da humanidade, muito bacana”, disse.

O trabalho, elogiadíssimo por todos, já lhe abriu os horizontes para o próximo projeto aprovado pela Lei Semear, do Estado do Pará: um DVD especialíssimo com Sebastião Tapajós. Vamos aguardar!

O DVD Billy Blanco, o compositor está à venda em Belém no Pólo Joalheiro (Praça Amazonas, s/nº - 91-3230-4452) e nas Lojas Ná Figueredo. Interessados de outras cidades podem encomendar diretamente à produtora Carmen Ribas, pelo e-mail carmenribas@globo.com. Em todos os pontos de venda, o valor do DVD é sempre R$ 20.

* Texto escrito especialmente para o Som do Norte
por Luciana Medeiros, editora do blog Holofote Virtual

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