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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Diz Aí: Vinicius Lemos

Às vésperas de iniciar o Festival Casarão, que agita Porto Velho de 4 a 6 de setembro, o organizador do evento, Vinicius Lemos, nos concedeu esta entrevista por MSN.

Som do Norte - Por que o nome do Festival é Casarão?

Vinicius Lemos -  O evento sempre foi feito num Casarão histórico perto da cidade de Porto Velho, uma construção a 7 km do centro, e que é datada de 1878, sendo remanescente das tentativas de construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré. Como sempre fizemos a festa e depois festival nesse local, o nome era exatamente o local, no meio da selva, com muito rock, história e cultura.

Som do Norte - Então o festival nasceu como uma consequência das festas neste Casarão, não é? Como foi que surgiu esta ideia?

Vinicius Lemos - Começamos despretensiosos com uma festa anual nesse casarão, que na verdade é um verdadeiro sítio à beira do rio Madeira. Sempre só fizemos uma festa ao ano. O tamanho foi crescendo e a importância dentro a cena rocker daqui também. Abraçamos o independente desde 2004 e fomos aumentando de uma festa com várias bandas e um dia para um festival de três dias e bandas do Brasil inteiro.


O Casarão onde tudo começou

Som do Norte - Foi ali, em 2004, então, que o Festival já não cabia mais no Casarão?

Vinicius Lemos - Não. Sempre fizemos um dia no Casarão, onde tínhamos contato com a floresta, com o rio, com a natureza e a tradição do open bar. A partir desse ano, o local está interditado pela instalações das usinas do Rio Madeira, e atualmente é sede da Odebrecht. Assim, nesse ano, apesar de ser histórico, é a primeira vez que fazemos fora do Casarão.

Som do Norte - Como você avalia o impacto que o festival teve na cena local? É possível dizer que o Casarão ajudou a revelar, ou consolidar a carreira, de bandas de Porto Velho?

Vinicius Lemos - O impacto é imenso, apesar de não ser o único festival que teve em Porto Velho nesse tempo, o Casarão foi o que melhor buscou entender o equilíbrio de publico e novidades, com certeza sem o festival a cena da cidade, o nome da cidade fora e o público não seriam os mesmos. Sobre as bandas ainda é dificil falar de consolidação, mas sempre as que se destacam no Casarão são chamadas para outros festivais nacionais e regionais e ganham certo destaque, como já ocorreu com a Recato, Hey Hey Hey! (citação na revista Rolling Stone de agosto) e este ano deve ser com a Di Marco.

Som do Norte - Que bandas de outros estados você pode destacar como tendo marcado esses 10 anos de festival?

Vinicius Lemos - Ludov foi a banda com a qual iniciamos essa transição de festa para festival. Shows marcantes foram o histórico do Matanza em 2007, Do Amor e Mukeka di Rato ano passado. Cachorro Grande em 2005 na festa de lançamento do festival. É muita banda e muita história. Acho que esses lembro com mais carinho, mas são muitos shows bons que fizemos.

Som do Norte - E como é conseguir patrocínio para viabilizar um evento deste porte?

Vinicius Lemos - A questão de patrocínio é chave e muito triste de se comentar. Muitos não entendem a importância do evento. O Festival Casarão é consolidado nacionalmente e é um dos principais do Norte, sendo que no ano passado foi o maior dentre os da região. Temos dentro da Abrafin a diretoria regional do Norte para o Festival Casarão, mas aqui em Rondônia nada disso vale. O Governo do Estado nem sabe direito o que é o festival. A Prefeitura tem um secretário que apesar da boa vontade tem um equipe lenta e alienada quanto à cultura local; ficaram de ajudar esse ano e deram pra trás faltando 20 dias, um descaso imenso. Aqui não tem lei de incentivo e acaba ficando complicado de fazer um evento grande, com custos que tentamos diminuir ao máximo. A Prefeitura não entende porque o festival custa 100 mil reais, e acha um absurdo eu pedir som de 30 mil reais. As empresas locais querem entrar com 5 mil reais, acham qualquer coisa acima disso caríssimo e não entendem o que fazemos. Dá desânimo, mas queremos mostrar que aqui é possível ter cultura e debates sobre qual o papel nosso em tudo isso. Tentamos diversos editais, todo ano inscrevo na Lei Rouanet, mesmo sabendo que aqui é quase impossível captar via Rouanet. O que não podemos é deixar de tentar.

Som do Norte - Em relação à imprensa de fora de Rondônia, você considera que o festival tem sido bem destacado?

Vinicius Lemos - O festival é bem falado no Brasil todo, imprensa sempre vem, tivemos a Trama Virtual, Rolling Stone, Folha de S. Paulo, Jornal do Brasil, fora os meios independentes de mídia. O Festival no meio independente é bem conhecido nacionalmente, tanto que recebemos cerca de 300 e-mails de bandas querendo tocar, de todas as regiões do Brasil. O que fazemos todo ano é fortalecer o intercâmbio e sempre trazer gente que nunca veio, sejam artistas ou jornalistas.

Som do Norte - Qual teria sido pra você o momento mais marcante desses 10 anos?

Vinicius Lemos - A aprovação do Festival no edital da Petrobras de 2007 foi uma chancela nacional legal ao meu trabalho que emocionou muito. Foi uma mostra que o trabalho mesmo distante dos grandes centros é visto como um marco, como uma esperança de dias melhores na cena independente desse estado, foi uma forma de mostrar que o que faço é cultura, e isso sempre precisa vir de fora do estado para termos o valor adequado. A Petrobras num edital nos valorizou mais do que as duas Secretarias de Cultura juntas em 10 anos. Isso é gratificante. Tem os diversos shows também, o seminário, workshops que fazemos antes de cada edição... Acho que fazer cada edição é emocionante de uma certa forma.


Agradecimento: Mari Camata

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