Aqui se fala do som dos estados do Norte do Brasil: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Café com Tapioca nº 7: Camillo Royale (Turbo)

Como diz o próprio Camillo Royale, a banda Turbo rajou com o lançamento do seu segundo álbum “Eu sou Spartacus”, que finalmente foi disponibilizado na internet no início deste mês de junho. Os fãs puderam conhecer o trabalho que foi gravado na Suécia em 2013, em parceria com o produtor Chips Kiesbye, que já trabalhou com grandes nomes da cena roqueira alternativa como Hellacopters e Millencollin. A banda também divulgou o clipe da música “Já”, com direção de Vanja Von Sek, que contém imagens produzidas durante o processo de gravação do CD. Guitarrista e vocalista do Turbo, Camilo conversou com o Som do Norte, falando, entre outras coisas, sobre a experiência de gravar num país estrangeiro e as expectativas em relação ao disco. Além dele, o grupo é formado por Neto B (bateria), Wilson Fujiyoshi (baixo) e Bruno Cruz (guitarra) - na foto abaixo, Camillo aparece na parte superior direita. (Raissa Lennon, de Belém). 



Som do Norte - Se não me engano, a banda Turbo foi gravar o disco na Suécia em fevereiro de 2013, é isso mesmo? De lá pra cá como foi esse processo até o lançamento do disco? 

Camillo Royale - Isso mesmo. Caramba, foi uma longa jornada na verdade. Foram dois anos pra ir e dois anos pro disco voltar, mas estamos muito satisfeitos com o resultado.  Nesse período fomos resolver nossas vidas, tentar explicar para as pessoas o porquê da demora, que o disco foi feito na Suécia e não na Suíça, e ficamos esperando Spartacus vir e nos dar orgulho e muita alegria.

Som do Norte - O que a experiência de gravar em outro lugar totalmente diferente trouxe para a sonoridade do projeto Eu Sou Spartacus? Qual foi a grande contribuição do Chips Kiesbye, que já trabalhou com grandes bandas gringas?

Camillo Royale - Gravar no Music-a-Matic com o Chips e o Henryk foi demais! Nos deixaram muito à vontade e ficamos muito amigos. Gravar no esquema que gravamos era como ver os documentários das bandas gringas que amamos. Foi um grande aprendizado e os caras dão o máximo pra que o teu trabalho fique bom. Recomendo a quem puder ir lá gravar com os caras não irá se arrepender, depois terá muita potoca pra contar e o som do disco ficará só a crocância!

Som do Norte - Como o Camilo, músico, experiente, de uma importância enorme para o cenário da música paraense, define esse novo disco?

Camillo Royale - Eu sou Spartacus para mim tomou um outro significado durante a viagem, algo que talvez que eu não conseguisse explicar para as pessoas, mas espero que elas ao ouvir as canções tenham a sua própria visão delas e o porquê deste título. Muita gente disse que éramos loucos por fazer essa aventura e não nos arrependemos de nada. A rajada foi além das expectativas, mas o trabalho só está começando.

Som do Norte - Agora que a Turbo está com disco prontinho e um clipe super legal lançado para a música "Já", quais são os planos? 

Camillo Royale - A ideia é lançarmos o disco físico inicialmente em CD. Para uma banda independente nada é fácil, mas sem drama não tem graça e logo ele estará em nossas mãos pra galera comprar. Esperamos poder fazer mais clipes e viajar para lugares novos para rajar e promover o disco. Somos uma banda desconhecida para o resto do Brasil, mas o feedback desde o lançamento tem sido muito bom.




Som do Norte - E para terminar, como a nossa sessão chama-se "Café com Tapioca" com quem você gostaria de tomar um café com tapioca? Fazer uma parceria, tocar, ou algo assim?

Camillo Royale - Vixi! É tanta gente que sou fã e que adoraria fazer algo, mas quando conheci o mestre Sebastião Tapajós durante um trabalho fiquei pensando se eu teria as técnicas ninjas para poder criar algo com esse monstro das seis cordas que admiro tanto. Pelo menos tomar aquele cafezote com tapioca com ele pode rolar algum dia.


Veja também:

Outras entrevistas ao Som do Norte onde Camillo Royale falou do CD Eu sou Spartacus:







quinta-feira, 11 de junho de 2015

As Tias do Marabaixo: Como medir a felicidade?


Na noite de 5 de junho, sexta-feira passada, aconteceu a exibição pública dos cinco curtas que compõem a série As Tias do Marabaixo, durante a segunda edição, no Bar do Nêgo, do Projeto Vitrola Cultural, coordenado pela socióloga Patrícia Pinheiro e que conta com os DJs Ronnie Santos, Flávio Gutembergue e Jader Roots; o projeto visa resgatar a cultura de ouvir música em vinil, e também abre espaço para outras manifestações culturais. Em plena orla de Macapá, a poucos metros do rio Amazonas, o maior rio do mundo, quem esteve presente pode ver, pela primeira vez num único evento, a série completa (os curtas já haviam sido exibidos em dois eventos do grupo poético Pena e Pergaminho, sendo três num evento e dois no outro). Não tenho palavras para expressar minha satisfação e alegria com o convite e mais ainda com a efetiva exibição. Naturalmente, por se tratar de uma apresentação num bar - espaço onde exibições de filmes são raras -, o nível de atenção foi bem diverso do que observei quando da mostra nos encontros do Pena e Pergaminho: enquanto algumas pessoas simplesmente ignoravam os filmes, houve quem levantasse da cadeira e começasse a dançar! Um momento muito feliz que aconteceu quase no encerramento, perto de 1h da manhã, quando começamos a exibir o curta final, Tia Zezé no Encontro dos Tambores.



Exibição do curta 
Tia Chiquinha

Sei bem que ainda não se inventou um modo de medir a felicidade. Mas também tenho a plena certeza de que mais feliz ainda foi não um momento só, mas uma noite inteira, pouco mais de três semanas antes da noite citada acima. Me refiro à noite de 13 para 14 de maio, a Quarta-Feira da Murta do Divino Espírito Santo. Apenas duas das casas que celebram anualmente o Ciclo do Marabaixo em Macapá comemoram a Quarta da Murta do Divino, ambas no bairro do Laguinho - a Casa do Mestre Pavão, sede da Associação Folclórica Marabaixo do Pavão, e o Centro Cultural Tia Biló, da Associação Cultural Raimundo Ladislau. O motivo é que estas duas casas homenageiam igualmente o Divino Espírito e a Santíssima Trindade, enquanto as outras casas (Barracão Tia Gertrudes e Associação Zeca e Bibiana Costa, ambas no bairro da Favela, e Herdeiros do Marabaixo, do distrito de Campina Grande) festejam apenas a Santíssima Trindade. 

Quem acompanha o projeto As Tias do Marabaixo sabe que meu intuito é homenagear cinco senhoras negras que são consideradas memórias vivas do Amapá: Tia Zefa, Tia Chiquinha, Tia Biló, Natalina e Tia Zezé. Diante, porém, do ocorrido na Quarta da Murta do Divino na sede da Associação Raimundo Ladislau, eu não pude deixar de me sentir homenageado também. Nesta noite, a convite de minha amiga Laura do Marabaixo, neta da Tia Biló, os banners com as fotos da minha exposição "As Tias do Marabaixo" ficaram expostoas durante todo o tempo da festa (ou seja, de 18h até o amanhecer, praticamente 13h). Mais que isso: as fotos foram dispostas de modo a estarem no centro da roda formada pelos dançarinos de Marabaixo, que assim faziam a festa em volta das imagens que retratavam a própria festa! Com toda a certeza foi um dos momentos mais felizes de toda a minha vida. :)





O Ciclo do Marabaixo 2015 encerrou neste domingo, 7 de junho, com a derrubada dos mastros nas cinco casas que celebram anualmente a Santíssima Trindade e o Divino Espírito Santo. Na próxima semana, acontece na Praça da Bandeira programação alusiva ao Dia Estadual do Marabaixo (16 de junho). Depois disso, sigo para algumas semanas em Belém, a caminho de  Taquaruçu, distrito de Palmas, onde os cinco curtas serão exibidos no Cine Mutum, evento paralelo ao Mutum - 1ª Mostra de Música Instrumental e Cultura Popular do Tocantins, que acontece de 10 a 12 de julho. O caráter alternativo das exibições relatadas neste texto também se estende à viagem: pretendo percorrer vários estados com a exposição e os curtas evitando o uso de avião sempre que isso seja possível - vou de Macapá para Belém de navio, e de lá para Palmas de ônibus (no caso, indo primeiramente do Pará para Goiás, e de lá pro Tocantins).

quarta-feira, 10 de junho de 2015

sábado, 6 de junho de 2015

Pará: 1º Congresso Estadual debate a salvaguarda do Carimbó até amanhã em Ananindeua


Até amanhã, o 1º Congresso Estadual do Carimbó prossegue em Ananindeua, Região Metropolitana de Belém. O evento inicou ontem, sexta, 5 de junho. 

O Congresso é organizado pela Campanha do Carimbó, movimento cultural e social protagonizado por mestres, grupos e comunidades carimbozeiras do Pará, responsável pela luta vitoriosa realizada junto ao IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – para registrar o Carimbó como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, objetivo conquistado e celebrado coletivamente no dia 11 de setembro de 2014.

O 1º Congresso Estadual do Carimbó reúne mestres e representantes de dezenas de grupos e comunidades para a discussão da próxima etapa desse processo: a construção do Plano de Salvaguarda do Carimbó e a proposta de auto-organização em âmbito estadual e nacional.

O Congresso Estadual do Carimbó é a culminância de uma ampla mobilização e escuta das comunidades carimbozeiras sobre a temática da salvaguarda e da auto-organização comunitária, articulada pelas lideranças da Campanha desde dezembro do ano passado. Como parte do processo de mobilização para o evento, a Campanha do Carimbó promoveu Encontros Municipais Preparatórios em mais de vinte municípios em várias regiões do Estado, discutindo propostas e demandas para a salvaguarda e elegendo os delegados de cada grupo/comunidade de carimbó para participarem do Congresso. Estão confirmados cerca de 200 delegados/as e observadores vindos de 25 municípios das regiões do Salgado, Bragantina, Marajó, Tapajós, Baixo Tocantins e Metropolitana.

O objetivo do Congresso é, entre outros, definir as propostas dos grupos e comunidades para as ações de salvaguarda, escolher os representantes comunitários para o Coletivo Gestor da Salvaguarda e discutir a criação da entidade coletiva e representativa do carimbó em âmbito estadual e nacional. Portanto, o evento terá caráter deliberativo e organizativo, com uma representatividade política e territorial até então inédita na história do carimbó.

A Campanha do Carimbó considera o Congresso um desdobramento e uma continuidade do processo de registro do carimbó como patrimônio cultural nacional, bandeira levantada e sustentada por grupos e mestres tradicionais de carimbó desde 2005, quando se iniciaram as primeiras discussões com o IPHAN e o Ministério da Cultura na cidade de Santarém Novo, região litorânea do Pará.

É uma etapa crucial da longa luta dos mestres, grupos e comunidades em prol da valorização e reconhecimento efetivos de nossa cultura popular tradicional, dessa manifestação que é uma das principais matrizes culturais do povo paraense e amazônida. É também uma valiosa oportunidade para afirmar a importância e a riqueza de nossa diversidade cultural, nutrida por nossas raízes ancestrais, definidora de nossa multifacetada identidade nacional.

O Congresso é uma instância deliberativa e organizativa do movimento da Campanha do Carimbó, por isso não será aberto ao público em geral; apenas algumas vagas foram disponibilizadas vagas para observadores e convidados.

O evento tem o apoio do Ministério da Cultura, Iphan-PA, Ministério da Pesca e Aquicultura, Movimento Slow Food Brasil, Secretarias Municipais de Cultura de vários municípios, além de entre outros parceiros e apoiadores no Pará e no Brasil.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

A Mil por Hora: novo EP da Nicotines já está na rede



A banda amazonense Nicotines lançou ontem via Soundcloud seu EP A Mil por Hora, com 5 faixas. A canção-título já viera à luz no dia 30 de maio, como single (confira aqui). O disco, gravado por  Ygor Lopez, no LS Brazil Studio, sai pelo selo Som Independente Records. Destaque para as faixas "Rock Brasileiro" e "O Velho Rockstar", que trazem raras críticas de roqueiros à transformação do próprio rock em 'negócio'. 

A Mil por Hora é o primeiro EP da banda, que anteriormente lançou o single "Antes do Inverno". O EP está encartado na mais recente edição da revista Gatos e Alfaces, que foi lançada no Bar do Aranha (São Paulo). Em Manaus a distribuição será feita no sebo Acervo Alienígena (Rua Lima Bacury, 64, Centro) e na Underground Brasil Distro (trav. Edila Pereira, 10-A – Raiz). A banda pretende fazer também o lançamento em fita cassete, mídia que deixou de ser fabricada pelas gravadoras brasileiras em 1996. 

A capa faz referências a álbuns de bandas setentistas e também é uma alusão aos motociclistas norte-americanos “Café Racers”, da década de 1950 (espécie de moto criada para percorrer pequenas distâncias, muito usadas por jovens fãs de rock para apostar corridas entre um café e outro, onde iam ouvir rock nas jukeboxes). O trabalho gráfico foi idealizado por Lauro Henrique, baterista da banda, e a arte gráfica ficou por conta de Eduardo Molotiesvki (vocal e guitarra da banda Tudo Pelos Ares), já a arte final é de Valdenor Marques.

A banda tem na formação atual Sandro Nine (vocal), Gustavo Kawati e Israel Perera (guitarras), Alderlan Moreira (baixo) e Lauro Henrique (bateria). Os músicos afirmam que o EP "reflete bem o momento em que a banda vive, até pela mudança de estilo, fazendo um rock'n’roll mais direto e cru. Foi um trabalho feito com muita dedicação, sangue, com planejamento e sem pressa. Transformamos as ideias em músicas e o resultado ficou do jeito que queríamos”, comemora Sandro Nine.  

A turnê para divulgação do álbum está prevista para o segundo semestre, informa Lauro Henrique: “Primeiramente faremos alguns shows no circuito independente da cidade e também pela região norte/nordeste, Venezuela e Sudeste divulgando o nosso trabalho”. 

Nicotines - A banda tem influências de diversas bandas dos anos 70 em diante, como Velvet Underground, Rolling Stones, David Bowie, Lou Reed. T. Rex, New York Dolls, Led Zepelin, The Stooges, MC5, Tutti Frutti, Golpe de Estado, TNT. Participou de importantes festivais independentes do Norte do Brasil (TomaRRock e Grito Rock), além de participar do 2º Gran Sabana Rock, em Santa Elena de Uairen (Venezuela), já tendo dividido o palco com bandas como Dr. Sin e Camarones Orquestra Guitarrística.  



Novo clipe da Sir Blues inaugura série de lançamentos

A banda Sir Blues, de Porto Velho, lançou ontem no YouTube seu novo clipe, "Deus me Livre de Você". A letra é um "fora" ecumênico: o eu-lírico manda a pessoa que diz amá-lo para bem longe (literalmente: Vá pro inferno com o seu amor) e pede, como o próprio título já indica, ajuda divina para tal, porém também incumbe os orixás da tarefa (Já fui no terreiro pra tirar a quizumba que você me deixou, arranjei patuá pra me proteger).

O clipe, dirigido por Neto Cavalcanti e Bruno Corsino, inaugura uma série de lançamentos previstos pela banda, como me informou o vocalista Marcelo Benaci. Serão quatro clipes, um por mês, até setembro, quando então virá à luz o EP, reunindo as quatro canções.



quarta-feira, 3 de junho de 2015

Agenda Macapá: Curtas d'As Tias do Marabaixo serão exibidos no Vitrola Cultural desta sexta



Nesta sexta, 5 de junho, os curtas-metragens As Tias do Marabaixo, dirigidos pelo jonalista e cineasta Fabio Gomes, editor do Som do Norte, serão exibidos dentro da programação do projeto Vitrola Cultural, no Bar do Nêgo (Complexo da Beira-Rio, em frente ao Macapá Hotel). O evento estreou com sucesso na sexta-feira passada e abre nesta segunda edição espaço para cinema, com o nosso projeto, e para a poesia, vários grupos já confirmaram a participação. 

Para nós é uma honra poder exibir o nosso trabalho voltado para a difusão da cultura do Marabaixo, uma tradição nascida do povo amapaense, num local que é ao mesmo tempo um dos espaços mais democráticos da nossa sociedade (um bar) e também situado às margens do rio Amazonas, o maior rio do mundo. Agradecemos o convite à amiga Patrícia Pinheiro, coordenadora geral do evento.

A proposta do Vitrola Cultural é difundir a cultura musical através dos discos de vinil (você pode levar exemplares da sua coleção, e um dos DJs do projeto  - Ronnie Santos, Flávio Gutembergue Jader Roots - irá tocar a faixa que você escolher), e ainda abrir espaço para manifestações de outras artes: teatral, escrita e falada, artes plásticas, artesanato, danças, feiras de trocas e vendas, brechó e bazar, religiosidade, afro, além de audiovisual, artes circenses, de gênero, jogos de tabuleiro e esportes. 

Longa vida ao Vitrola Cultural! 


segunda-feira, 1 de junho de 2015

Por que o @SomdoNorte está tendo menos atualizações?

Som do NorteVocês podem estar percebendo que agora em 2015 o Som do Norte vem sendo atualizado com menor frequência do que acontecia até o final do ano passado - nos primeiros cinco meses deste ano, por exemplo, tivemos 58 posts, praticamente o mesmo que foi publicado aqui apenas em outubro de 2014 (54 posts). Beleza, e qual o motivo disto?

Na real, são três os principais motivos:

nossa opção, anunciada em 1 de janeiro neste post, de não mais publicar Agenda no blog, exceções feitas a eventos solidários e/ou apoiados pelo blog. Optamos por divulgar os eventos diretamente em nossa fan page no Facebook e no nosso Twitter, e acreditamos que a escolha vêm se mostrando acertada.

estamos tendo dificuldades com outra opção, esta já implementada desde o ano passado, que era a de dar ênfase a Entrevistas - como vocês sabem, chegamos a lançar nova seção, Café com Tapioca, também em janeiro, especificamente para entrevistas. Já publicamos seis bate-papos da série, mas poderiam já ter saído mais dois, caso as bandas que receberam nossas perguntas as tivessem respondido. Evidente que lamentamos o ocorrido, mas isso também não quer dizer que vamos parar de fazer (ou ao menos de tentar fazer - risos) entrevistas, apenas estamos dividindo com vocês essa dificuldade de bastidores.

por fim, o mais grave, e que eu só soube no sábado, 30 de maio, através de um e-mail enviado pelo serviço Google Photos. É lá, desde agosto de 2009, que são armazenadas todas as fotografias hospedadas no Som do Norte. Para quem não é muito íntimo de termos técnicos, "foto hospedada" quer dizer que a imagem que você vê em nosso blog está armazenada num servidor exclusivo - no caso, a imensa maioria das fotos publicadas aqui no blog foi enviada por nós para o nosso Google Photos (uma pequena parte das imagens publicadas é copiada digitalmente, seguindo portanto hospedadas no domínio de quem as publicou, o que eventualmente deixa espaços em branco nos nossos posts quando algum site sai do ar ou se desativa alguma conta do Flickr ). Bom, e daí? Daí que eu descobri que o Google aglutina como uma coisa só três coisas completamente diferentes - todas as mensagens que já enviamos ou recebemos pelo e-mail musicadonorte@gmail.com, as fotos do Google Photos e arquivos que tenhamos armazenados no serviço Google Drive; o espaço gratuito máximo oferecido somando tudo isso é de 15 GB e eu já uso 14 GB. E nesse caso não há muito o que fazer, já que o Blogger, a plataforma que escolhi para abrigar o Som do Norte, pertence ao Google, logo sua utilização segue o que a empresa definir.

  • Existe solução para o terceiro e mais grave problema? Sim, com certeza. embora não seja muito prática. Como eu tenho um domínio registrado para o Som do Norte, tenho como transferir as fotos que hoje estão no Google Photos para o HD virtual do domínio somdonorte.com.br. Porém isso exige que eu verifique TODOS os 4.687 posts já publicados, UM A UM, o que se, por um lado, vai eliminar o risco de, como se diz popularmente, "entupir" a conta de e-mail do blog, por outro lado também vai consumir um tempo precioso, apenas para deixar tudo exatamente como está. 


domingo, 31 de maio de 2015

Nicotines lança single "A Mil por Hora"

A banda Nicotines, de Manaus, postou na noite deste sábado, 30, em seu Soundcloud a música que constitui seu primeiro single, "A Mil por Hora", que antecipa o EP de mesmo nome que será lançado na internet na próxima quarta, 3 de junho.

"A Mil por Hora" é a primeira faixa do EP, gravado no LS Brazil Studio (Manaus) por Ygor Lopez, também responsável pela mixagem e masterização. O lançamento sai pelo selo Som Independente Records. 

O EP completo já estava disponível em versão física, como encarte na revista Gatos e Alfaces, editada pelo produtor cultural Luiz Barata Brichetto; o evento aconteceu ontem no espaço cultural Bar do Aranha (São Paulo). 

O single também está sendo lançado neste domingo pelos sites Som Independente e Rock Amazonense.


quinta-feira, 28 de maio de 2015

Agenda Macapá: Projeto Vitrola Cultural



Todos estão convidados para para participar do PROJETO VITROLA CULTURAL – o som do vinil todas as sextas-feiras no Bar do Nêgo (em frente ao Macapá Hotel), com início às 20h.

O Projeto disponibilizará aparelhos toca-discos (pick-ups), para todos aqueles que trouxerem seus próprios vinis terem a oportunidade e o prazer de colocá-los para rodar a sequência das suas músicas preferidas na hora.

Quem não possui vinis poderá ir aos eventos do projeto para ouvir seus artistas preferidos diretamente dos bolachões.

O PROJETO VITROLA CULTURAL – o som do vinil é voltado à difusão de cultura musical com discos de vinil e contemplará ainda as artes: teatral, escrita e falada, artes plásticas, artesanato, danças, feiras de trocas e vendas, brechó e bazar, religiosidade, afro, além de audiovisual, artes circenses, de gênero, jogos de tabuleiro e esportes. 

O objetivo é resgatar fãs e colecionadores de discos de vinil, tanto de música reggae quanto dos demais gêneros musicais, tais como samba, Soul, Blues, Jazz, Black, Rock, Hip Hop, MPB, MPA, Merengue, Brega, Lambada entre muitos outros.

domingo, 17 de maio de 2015

As Tias do Marabaixo, o Projeto


Em 15 de setembro de 2014, foi inaugurada no Amapá Garden Shopping, em Macapá, minha primeira exposição individual de fotos, intitulada As Tias do Marabaixo. Durante uma quinzena, os visitantes do local puderam ver 16 fotos minhas retratando Tia Chiquinha, Tia Zefa, Natalina, Tia Zezé e Tia Biló, então os maiores nomes vivos do Marabaixo (Tia Chiquinha veio a falecer recentemente, em 18 de fevereiro). Até o final do ano passado, a exposição percorreu algumas escolas da capital e permaneceu 10 dias na Galeria de Arte do Museu Fortaleza de São José – nem em sonho eu imaginei que um dia meu trabalho estaria exposto num prédio histórico do século 18! Neste 13 de maio, 127 anos da Abolição da Escravatura, a exposição volta a ser exibida ao público, em outro lugar da maior importância: a casa onde viveu Mestre Julião Ramos, pioneiro do Marabaixo do Laguinho e pai de Tia Biló.


Tia Chiquinha (de chapéu), Josefa Ramos (com o microfone) 
e Tia Zefa (com a flor azul no cabelo) - 22.6.14
(Fotos: Fabio Gomes)


O projeto, porém, é bem mais abrangente (talvez o termo certo seja “ambicioso”) do que apenas uma reunião de fotos – creio que basta dizer que as imagens expostas foram selecionadas de um total de mais de 3.600... Boa parte delas foi captada durante as filmagens de entrevistas com as senhoras citadas, e também em festas do Ciclo do Marabaixo 2014. O material filmado dará origem a um documentário de longa-metragem e cinco curtas, cada um deles dedicado a uma das entrevistadas. O primeiro curta, Tia Zefa no Dia da Consciência Negra 2014, foi lançado em 26 de fevereiro, dia em que a homenageada completou 99 anos. A previsão de lançamento dos curtas é durante o Ciclo do Marabaixo 2015, já em relação ao longa não há como fixar uma data no momento. Classifiquei o projeto como “ambicioso” em virtude das outras ações previstas – além da exposição e dos filmes (e de uma coleção de camisetas temáticas, à venda inclusive em loja virtual para todo o Brasil), pretendo lançar dois livros, um com uma seleção de fotos, outro com a íntegra dos depoimentos captados, isso sem falar no lançamento, é claro, dos próprios filmes, curtas e longa, em DVD.




A ideia do filme começou a nascer em 8 de maio de 2013, quando, levado pela cantora Patrícia Bastos, estive na festa da Quarta-Feira da Murta do Espírito Santo nas duas casas do bairro do Laguinho que a celebram: primeiro fomos à casa da Tia Biló, passando depois rapidamente pela sede do Grupo do Pavão, onde Patrícia me apresentou à Tia Chiquinha. A festa, o ambiente, a sensação de estar presenciando uma tradição viva e muito rica, sem similar com nada que eu já houvesse visto em minhas andanças pelo Brasil, me animaram a pensar numa série de entrevistas com estas senhoras que dedicaram sua vida ao Marabaixo, ajudando desta forma a preservar e difundir suas lembranças. Inicialmente, porém, eu planejava fazer as entrevistas em áudio, para veiculá-las em meu blog Som do Norte. Felizmente minha amiga Andreia da Silva Lopes, sobrinha de Tia Zefa, sugeriu que eu captasse o material em vídeo. “Sendo assim”, respondi, “não tem porque restringir o material ao meu blog. Vamos fazer um filme logo duma vez!”. Entrei em contato com a Graphite Comunicação, que recentemente lançara um clipe de animação de “Mal de Amor”, e acertamos nove dias de gravação durante o Ciclo do Marabaixo de 2014. A primeira gravação foi no Curiaú, uma entrevista com Tia Chiquinha, em 7 de maio, praticamente um ano após a noite em que nos conhecemos. 

Depois ouvimos, pela ordem, Tia Zefa, Natalina, Tia Zezé (com quem gravamos numa noite de Marabaixo no Barracão Gertrudes Saturnino, no antigo bairro da Favela, hoje Santa Rita) e Tia Biló; além de quatro noites de festa, cobrimos também o Cortejo da Murta, que reúne grupos de Marabaixo de Macapá e cidades vizinhas, que vão da orla do Rio Amazonas até a Igreja de São José para buscar a bênção para os brincantes do Marabaixo. Esta tradição, interrompida nos anos 1940 quando o padre Júlio Maria Lombaerd impediu que os negros entrassem tocando caixa na igreja, foi retomada em 2012. O último dia de filmagens no Ciclo, 27 de junho, coincidiu com a data da festa pelos 94 anos de Tia Chiquinha (na verdade, completados na véspera - à direita, Tia Chiquinha na festa de seu 94º aniversário). Posteriormente, em novembro, registrei em foto e vídeo quatro dias do 20º Encontro dos Tambores (foi dali, inclusive, que saiu o primeiro curta a ser lançado).

O primeiro semestre de 2015 será dedicado ao lançamento dos curtas e sua exibição, bem como a continuidade da circulação da exposição, por instituições de ensino e espaços culturais de Macapá, além, é claro, dos barracões onde se realizam os festejos do Ciclo do Marabaixo. Para o segundo semestre, a intenção é, simultaneamente à preparação do longa-metragem, circular com os curtas por festivais de cinema Brasil afora.

Para saber mais sobre o projeto, acesse: http://tiasdomarabaixo.blogspot.com.br/

sábado, 16 de maio de 2015

Ouça o novo CD da Luneta Mágica: No Meu Peito


No começo de abril, a banda Luneta Mágica, de Manaus, lançou seu segundo CD, intitulado No Meu Peito. O álbum foi gravado e mixado em Manaus e masterizado em São Paulo; já a arte foi criada pelo estúdio Bonk!, de Curitiba. 

Em 2013, ao lançar o CD anterior - Amanhã vai ser o Melhor Dia da sua Vida -, a banda fez sua primeira turnê fora do Amazonas, tocando em Boa Vista - na última Noite Som do Norte (abaixo, em foto de Victor Matheus para o Roraima Rock'n'Roll) -, São Paulo e Curitiba. A intenção do grupo é voltar a circular por outras partes do Brasil com este novo trabalho. 







Produzido por Diego Gonçalves de Souza

Gravado por Diego Gonçalves de Souza e Beto Montrezol / Estúdios Invern e Estúdio Supersônico - Manaus AM
Mixado por Beto Montrezol / Estúdio Supersônico - Manaus AM
Masterizado por Fernando Sanches / Estúdio El Rocha - São Paulo SP

Luneta Mágica é:

Pablo Henrique Araújo - voz e guitarra
Erick Omena - baixo e teclado
Eron Oliveira - bateria

Agenda Belém: Baiacool Jazz Festival


terça-feira, 12 de maio de 2015

Clipe "Planetário", da Supercolisor, anuncia o novo CD

Na manhã desta terça, a banda Supercolisor, de Manaus, lançou no YouTube seu novo clipe, da música "Planetário". 

O clipe, com animação de Edgar L. Costa e produção do estúdio Bonk!, é primorosa e antecipa o lançamento do CD Zen Total do Ocidente, que estará numa internet perto de você no próximo dia 20. 

Este será o segundo CD do grupo, que com o antigo nome "Malbec" lançou em 2012 o aclamado Paranormal Songs



terça-feira, 5 de maio de 2015

Café com Tapioca nº 6: Vinicius Lemos

Som do Norte - Vinicius Lemos, nós já publicamos seu depoimento sobre o final das atividades do Festival Casarão e também uma retrospectiva do que saiu sobre o evento aqui no Som do Norte. Pra encerrar essa série de publicações, pensei em retomar alguns pontos que conversamos na nossa primeira entrevista, há 5 anos e meio. Começo com algo que aliás faltou naquele papo anterior: como foi que você começou a fazer as festas e posteriormente o festival naquele antigo casarão de 1878 às margens do rio Madeira? Era um centro cultural, um bar, o que funcionava nele no restante do ano?

Vinicius Lemos - Era um sítio, não era nada e estava abandonado. Muito antes tinha sido o Iate Club, quando eu tive a ideia em 2000 de fazer uma festa lá, entrei em contato com a pessoa que estava assumindo o local, filho do antigo presidente deste Iate Club, estava limpando e restaurando para ser seu sítio de final de semana. Depois do sucesso do primeiro Casarão ele chegou a alugar para outros eventos, festas de casamentos e tudo mais. 

Som do Norte - Numa entrevista a um outro site, por volta de 2009 ou 2010, (deixo de mencionar qual é porque não consegui mais localizar a matéria), ao falar da dificuldade de conseguir apoio da Prefeitura e do governo do Estado, você chegou a dizer que o fato de pedir verba pública para um evento com ingresso pago era visto por eles quase "como uma coisa demoníaca" (risos). De lá pra cá, você diria que melhorou a relação entre festival e esfera pública?

Vinicius Lemos - Nunca existiu uma política pública em Rondônia e não vejo muita novidade nesse sentido. Temos a notícia boa do Marquinhos Nobre [Marcos Nobre Jr.] ter assumido a fundação municipal (Funcultural), sei que tem boas ideias e planejamento de editais, mas pegou uma administração do meio pro final, não sei se consegue um bom impacto. Do governo do estado não vejo a médio/longo prazo nada demais. Aqui é a política pires na mão e ficar se sujeitando. A ajuda ainda fica por causa do apoio direto restrito a evento sem cobrança de ingresso, o que nunca incluiu o Casarão. Tive apoio em 2007 com um som de uns 7 mil reais da prefeitura. Em 2008 promessa de toda a sonorização no nosso melhor ano e deram pra trás faltando 20 dias. Em 2009, prometeram novamente o som e deram pra trás faltando 7 dias. Em 2010, eu tinha um convenio com o MinC/Funarte aprovado de R$ 80 mil, necessitando da prefeitura pra receber e repassar, com contrapartida de 20 mil. Acabou que o Prefeitura não conseguiu certidões e os 80 mil voltaram. Em 2011 foi a única vez que o governo do estado nos deu hotel e alimentação, uma pequenina ajuda. De lá pra cá, promessas dos dois lados. Infelizmente.

Um dos motivos que o Casarão encerra é falta de apoio, sempre o povo fala "faz aberto", "adia que a gente vê um apoio". Eu sempre fiz na raça, com público, ingresso e com prejuízo e grana própria, se tivesse apoio e patrocínio, certamente continuaria, com uma equipe remunerada e podendo delegar, mas nunca foi assim, sempre no apoio de cada um, uma equipe maravilhosa que dava alma ao festival, mas eu não podia também exigir mais de ninguém. 

Som do Norte - Um aspecto que sempre valorizei no Casarão era sua faceta social: você garantia meia-entrada no evento para quem doasse um quilo de alimento não-perecível ao comprar o ingresso; posteriormente, os alimentos eram encaminhados à Paróquia São Luiz Gonzaga. Você tem uma estimativa de quanto se arrecadou de alimentos ao longo de toda a história do Casarão?

Vinicius Lemos - Só nos maiores anos, 2008 e 2009 foram cerca de 12 toneladas, depois foram menos, mas sempre foi uma busca de demonstrar que era legal doar e pagar meia entrada, um viés legal. Acho legal os eventos continuarem a fazer isso.

Som do Norte - A gente sempre encerra o papo perguntando quem o entrevistado convidaria para um café com tapioca. Quem você gostaria de ter no palco numa hipotética 16ª edição do festival?

Vinicius Lemos - Eu concorri ao edital do Basa [Banco da Amazônia] e não fui contemplado, tinha um line up bem delineado pra esse ano. Mas, fica o mistério.

Música do Dia: Lençóis de Cetim

No começo da madrugada desta terça, o cantor paraense Danniel Lima publicou no Soundcloud o seu primeiro single oficial*, "Lençóis de Cetim". A composição é de autoria de Débora Vasconcelos (que aparece com Danniel nesta foto à direita, nos bastidores de um show no Teatro Estação Gasômetro, em Belém). Ao comentar o lançamento em seu Facebook pessoal, o cantor declarou que o single foi "feito com muito amor!"

De fato, a gravação está primorosa. Apoiado por um time de feras da atual música paraense (ver ficha técnica ao final do post), com destaque para a guitarra ao estilo de Mestre Vieira tocada por Igor Capela, Danniel soube traduzir vocalmente o encanto do eu-lírico por sua amada, cujos olhos lembram "os raios do sol", e cujos cabelos ao vento são "dourados sem medo". A letra traz ainda um curioso uso da expressão "cheio de si", que me parece aqui indicar uma pessoa confiante em seu próprio potencial (anteriormente, eu só havia visto o termo sendo utilizado para designar alguém 'convencido', ou seja, que acredita ser melhor do que realmente é). 

Gravar esta composição já era um antigo desejo de Danniel, conforme já informamos aqui no blog há quase 2 anos - é de 21 de maio de 2013 o Post nº 3500: Danniel Lima vai gravar música de Débora Vasconcelos (que inclui um vídeo com Danniel cantando esta música em show de quatro dias antes no SESC Boulevard). Ele vinha negociando com Débora já havia dois anos, e só ao ouvi-lo interpretar no SESC neste dia é que a autora finalmente autorizou a gravação, que, como de praxe, teve o privilégio de ouvir antes do público em geral. Ao comentar a foto dos dois no Gasômetro, postada em 29 de abril, Danniel comemorou a aprovação de Débora: "Muito feliz!!!"







Lençóis de Cetim
Letra e Música: Débora Vasconcelos
Concepção de arranjo: Danniel Lima
Produção Musical, Teclados e Programações: Lenilson Albuquerque
Baixo: Baboo Meireles
Guitarras: Igor Capela
Bateria e Percussão: Thiago D'albuquerque
Canto da Sereia e Vocais: Nanna Reis
Gravado no Estúdio Batuka por Thiago D'albuquerque.
Gravações adcionais: Kakaroto's Estúdio por Lenilson Albuquerque


* Embora tenha anunciado esta gravação como 'primeiro single oficial', Danniel já lançara outro single em abril de 2013, "Perdão Clichê"

OBS: O cantor Danniel Lima informou, através do Facebook, que "Perdão clichê, Nem inverno nem Verão, Reviravolta e Universo Paralelo estavam em suas versões DEMOS postadas no meu SoundCloud... Não eram as versões finalizadas portanto essa é o meu primeiro single oficial!"

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Especial Festival Casarão no @SomdoNorte (2009-2014)

Há alguns dias, Vinicius Lemos, criador do Festival Casarão, informou através de seu Facebook que o evento não terá novas edições (publicamos aqui seu depoimento).

Ao saber disso, vim conferir as estatísticas do blog e constatei que o Casarão é o segundo festival mais comentado no Som do Norte, perdendo apenas para o Se Rasgum - o que é bastante compreensível, afinal morei quatro anos em Belém. 

O Som do Norte entrou no ar em 3 de agosto de 2009, e o Casarão daquele ano foi o primeiro festival realizado na região depois disso, de 4 a 6 de setembro. Na época ainda morando em Porto Alegre, eu reunia nas seções "Foi Show" e "Na Rede" fotos e links de publicações de outros sites e blogs que comentavam os shows que estavam acontecendo em Porto Velho (algo que, infelizmente, seria quase impossível hoje, porque essa prática está minguando) - o que fez com que fôssemos apontados informalmente como "a melhor cobertura de quem não foi ao festival" (risos até 2019).


O Casarão também foi o assunto da primeira coluna que escrevi para o site carioca Visto Livre, com o qual colaborei em 2009. Algumas semanas depois, o festival voltava a ser citado na coluna:


Em 2010, não pude repetir a "cobertura à distância" porque o festival aconteceu em junho, na semana posterior à minha mudança para Belém, e meu HD encontrava-se no conserto. Os vídeos do festival de 2010 que cheguei a publicar foram da cobertura do Urbanaque.


Já em 2011, o festival lançou duas mixtapes, que praticamente faziam um balanço da cena independente brasileira deste início de século. Deixo de incluir aqui o link para download porque ambas seleções já não se encontram disponíveis.






Felizmente os percalços foram solucionados e o festival aconteceu normalmente em agosto, com a cobertura não mais à distancia, e sim presencial - nossa repórter Nany Damasceno, de Rio Branco, foi nossa enviada especial a Porto Velho.


A cobertura da Nany e alguns dos posts de março sobre a ameaça ao festival foram alguns dos posts mais lidos no blog em agosto, mês em que estabelecemos um novo recorde de acessos ao Som do Norte - 17.116 acessos (posteriormente, foi estabelecido novo recorde, em março de 2013: 21.052)
Em 2012, aproveitando a feliz coincidência de dois festivais em datas próximas em capitais idem, cobri o Casarão, em Porto Velho, e na semana seguinte o Até o Tucupi, em Manaus (à direita, Henrique, da Expresso Imperial, percute a parede da Cantina do Porto, no primeiro dia do Festival Casarão 2012 - foto: Douglas Diógenes)





Já no ano seguinte, não pude ir porque recém me mudara para Macapá, onde começava a esboçar o que viria a ser o projeto As Tias do Marabaixo, e Nany também não tinha como ir porque estava em período final de gravidez. A minha não-ida chegou a motivar um texto, no qual eu esclareci as dificuldades que um veículo independente como o nosso blog enfrenta para cobertura de eventos em outros estados.


Felizmente deu tudo certo para que Nany fosse cobrir a 15ª edição do Casarão, que só há poucos dias soubemos que foi a última.


Os Descordantes com Bruno Souto
- última noite de Festival Casarão, 31.5.14


domingo, 26 de abril de 2015

Rondônia: Vinicius Lemos anuncia final das atividades do Festival Casarão

No final da tarde deste sábado, 25 de abril, o produtor cultural rondoniense Vinicius Lemos publicou um álbum de fotos em seu perfil pessoal no Facebook, acompanhado de um texto em que anunciava o encerramento das atividades do Festival Casarão, após 15 edições - a última aconteceu em maio de 2014. Para este post, escolhi duas das 16 fotos publicadas, e que são da fase em que o festival ainda acontecia no antigo imóvel de Porto Velho que lhe deu o nome e que abrigou as primeiras nove edições do evento. 

De todos os festivais independentes do Norte, o Festival Casarão é sem dúvida o que maior ligação tem com o Som do Norte. Com apenas um mês no ar quando aconteceu a 10ª edição do festival, em setembro de 2009. conseguimos fazer uma inovadora "cobertura à distância" (pra quem não sabe ou não lembra, na ocasião nossa redação ainda era em Porto Alegre, distante 3.758km da capital de Rondônia) que foi elogiada até pela então assessora de imprensa do evento, a jornalista Mary Camata. Nas edições seguintes, contamos com os relatos de nossa correspondente do Acre, Nany Damasceno, em duas ocasiões (2011 e 2014), e eu próprio estive cobrindo o festival em 2012. Amanhã iremos publicar um post especial reunindo todos esses links. E ainda esta semana convidaremos Vinicius Lemos para tomar um Café com Tapioca com a gente. Aguardem!

Reproduzimos a seguir o comunicado de Vinicius Lemos publicado ontem no Facebook. (Fabio Gomes)





***


"No ano de 2000, eu tinha 19 anos e fiz o Festival Casarão. 

Não planejei, era mais uma festa, mais um evento, combinando música e um casarão histórico no meio do mato, na beira do Madeira. Tinha tudo pra dar errado, mas por algum motivo deu certo. 

De lá pra cá, todo ano eu realizei o festival, até 2005 como festa, após como festival. Cada ano uma luta, um aprendizado. Já foi grande, já foi pequeno, já foi balada, já teve banda cover, banda autoral, bandas locais e bandas de fora, bandas grandes e bandas independentes. Mais de 250 bandas de quase o Brasil inteiro, de todas as regiões, puderam mostrar seu trabalho e conhecer Porto Velho. É impossível citar todos, mas grandes nomes como Pitty, Humberto Gessinger, Pato Fu, Dead Fish, Matanza, Cachorro Grande, Emicida, Ratos do Porão, Vanguart, Krisiun, Autoramas, dentre outros. Muitas bandas independentes, como Black Drawing Chalks, Móveis Coloniais de Acajú, Do Amor, Canastra, Mukeka di Rato, Wado, Banda Cassino Supernova, Macaco Bong, Ecos Falsos, Moptop, MQN, Los Porongas, Os Descordantes, Caldo de Piaba, Mezatrio, Madame Saatan, Superguidis, Veludo Branco, Mr. Jungle, Zefirina Bomba e um caminhão de banda de fora. Excecpcionais bandas locais como Coveiros, Hey Hey Hey!, Di Marco, Sub Pop, Kali, Maria Melamanda, Ultimato, Beradelia, Bicho du Lodo, Bedroyt, Os Últimos, Recato, Par de Sais, Sucodinóis, Gustavo Erse, Expresso Imperial, Rádio Ao Vivo, S/A, dentre uma infinidade. 

De certa forma, realizar o festival me definiu, fez e fará parte da minha vida. 

Mas, uma hora o tempo passa, nesse tempo, me formei, montei meu escritório de advocacia, casei, tenho uma família linda, dou aula em faculdade da matéria que me dedico, participo da OAB, entrei num mestrado. Tantas atividades que o festival acabou por ficar um pouco de lado, sem a minha atenção. Não acho justo continuar a fazê-lo sem a máxima atenção. Creio que o festival fica na história, uma boa história, com aprendizado imenso, erros e acertos, idas e vindas, orçamentos pequenos e gigantescos, com apoio ou sem apoio, sempre rolou Casarão. Infelizmente, esse ano 'num' dá mais. 

O Festival deixou a cidade um pouco melhor, com shows de bandas que nunca se apresentaram em Porto Velho, colocando [a cidade] no mapa da música independente. Deixou um legado, uma história! Um dia, quem sabe, chegue a hora de aprofundar nessa história de 15 edições. 

Nada é eterno, tudo se transforma. Uma galera nova com muito gás tá produzindo música e eventos na cidade, com muito mais qualidade de quando o Festival Casarão começou, a cidade fervilha muito mais cultura hoje. O Festival não é mais tão importante como foi principalmente entre 2005 até os últimos anos. 

Como disse Djalma Lúcio, um maranhense que se apresentou em 2011, “o Festival Casarão tem alma”. Essa alma hoje descansa um pouco em paz, nunca acaba por estar dentro de cada pessoa que um dia foi no festival e fez parte essa história. Essa alma está guardada para sempre. 

Agradeço à minha família que sempre me apoiou nessa empreitada, mesmo nos momentos difíceis; meus parceiros de todos os anos; meus parceiros pontuais de cada ano; os patrocinadores (poucos, mas essenciais); os fornecedores; as bandas; os entusiastas e o mais importante, o púbico. 

Obrigado a todos.

Um agradecimento especial a algumas pessoas que fizeram parte de todo o conceito do festival: 

Juliana Dal Molin, Walter Gustavo Lemos, Vitor Oliveira de Abreu, Natanne Alves, Duana F. Lopes Dandara Simão, Tata Castro, Maria Luísa Medeiros, Nettü Regert, Stenio Castiel, Breno Azevedo, Iury Souza, Jéssica Lima, Rafael Vieira, Douglas Diógenes, Marcos Fonseca, Kau Gomes, Eduardo Mesquita, Marcelo Costa, Marcos Bragatto, Diego Torres Bruzugú, Diogo Soares, Daniel de Souza Daniel Groove, Daniel Benvindo de Carvalho, Gustavo Erse, Gustavo Andrade, Alexandre Lins, Paulo Lins, Francisco Ventura Alvares Oliveira, Artur Mendes, Mariana Mendes, Anderson Daian De Souza Santos, Uilisson Carvalho Calzolari, Alex Nunes, Rita Nocetti, Ricardo Erse, RaphaTattoo Jipa, Cirilo Dias, Bruno Dias.

Vinicius Lemos"

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Café com Tapioca nº 5: Daniela Nascimento

Parece que foi ontem, mas na real já se passaram mais de dois anos desde que publicamos nossa primeira e até então única entrevista com a cantora e compositora amazonense Daniela Nascimento (releia aqui). Nesse meio tempo, ela reservou um período para se dedicar à família; como agora retoma a carreira com força total, consideramos que era o momento certo para convidá-la a tomar um Café com Tapioca conosco. Aprecie! (Fabio Gomes)
***



Interpretando "Alarme", que compôs em parceria com Lívia Mendes, 
pelo 4º Festival Amazonas de Música (Bumbódromo de Parintins/2013
Foto: Divulgação

Som do Norte - O vídeo que vamos destacar nessa entrevista é de você cantando "Alarme", composição sua e de Lívia Mendes, com a qual você participou do 4º Festival Amazonas de Música, em Parintins, 2013. O festival era competitivo? Você chegou a estar entre os finalistas? Pelo andamento, me pareceu um tango, de todo modo é uma canção bem dramática, sem muita relação com "Sonhos em Palhas", outra música do seu repertório que nossos leitores já conhecem.
Daniela Nascimento - Sim. Como nas outras três, essa edição do Festival também foi competitiva, e com essa canção ficamos dentre os 15 finalistas, tendo sido premiadas com os registros em CD e DVD. De fato é um trabalho bem diferente de "Sonhos em Palhas", já que este, em suma, buscou colocar em evidência a importância da valorização do costumes do ribeirinho e da diversidade cultural da Amazônia, como um todo. "Alarme" se demonstrou um trabalho bem mais ousado, principalmente por conta da escolha de que o estilo musical fosse um tango. Nesse trabalho também fui agraciada com a oportunidade de amadurecer bem mais como intérprete, num trabalho em conjunto com minha parceira Lívia Mendes e com uma das melhores intérpretes da nossa Amazônia, a cantora Fátima Silva, que por sinal foi a grande campeã da segunda edição (2011) desse festival. (NR: A Lívia Mendes parceira de Daniela Nascimento em "Alarme" é uma artista de Manaus; não confundir com a Lívia Mendes, de Belém, que foi nossa entrevistada no Café com Tapioca nº 1). 


Som do Norte - Você começou a carreira participando de vários shows coletivos e principalmente festivais, inclusive fora do Amazonas. Você considera que estes canais ainda são importantes para seu trabalho chegar a um público maior? Como você avalia sua participação nos recentes festivais no seu estado?

Daniela Nascimento - Acredito que só se compra a ideia do que se mostra (e se prova) ter credibilidade, e trazendo isso para a questão da música, essa credibilidade muitas vezes se torna algo mais difícil a quem não tem tanto tempo de estrada (o que, muitas vezes, gera um sentimento de preconceito e "desconforto" dentro do próprio meio musical), a quem não tem condições de produzir um trabalho fonográfico (que é onde poderia haver um maior incentivo do poder público, pois em se tratando de Amazonas, há ao menos 20 anos a tal "difusão cultural" só se resume aos bilionários investimentos nos eventos de boi-bumbá, à superprodução americana para o auto de Natal "O Glorioso", às limitadas manifestações artísticas no perímetro do Teatro Amazonas e às edições dos festivais de música, dança, teatro, ópera e cinema, que por sinal já nem temos mais certeza se continuarão no calendário), mas principalmente quando ainda se pode perceber o distanciamento do próprio público com relação a estilos musicais, digamos, menos populares dos que os que a grande massa aprecia. Apesar de tudo, acredito que quando o artista ama e acredita no que faz, o importante é fazer seu trabalho com amor e levá-lo para onde o público está, independente do tamanho deste e da ideia de que "amor à arte não enche barriga". Poder produzir é uma dádiva, e mesmo com toda a incerteza sobre qual será o futuro da produção artística no Amazonas, poder ter a oportunidade de subir ao palco de um grande festival é algo sempre sublime, sentimento esse que também tive na quinta edição do FAM (2014), interpretando "Cinzas de Carnaval", de Miguel Faria, e em minha estreia no Festival da Canção de Itacoatiara (FECANI), também em 2014, interpretando "Bicho-Homem", de Rai Makneh e Iran Makneh. (À esquerda, interpretando "Bicho Homem", no FECANI 2014 -  foto: Divulgação)


Com Miguel Faria (à esquerda) e
Alan Xavier - foto: Divulgação


Som do Norte - Como estão seus planos pra este ano referentes a shows autorais em Manaus ou fora e/ou lançamento de alguma gravação sua (seja EP ou CD)?

Daniela Nascimento - Estive quase que totalmente afastada do trabalho com a música por conta do nascimento do meu segundo filho, que hoje tem um ano de idade. Digo "quase que totalmente" porque, como eu já disse, em setembro do ano passado participei do FAM e do FECANI, mas antes disso, em agosto, cheguei a fazer um show no Dom Luiz Espaço Cultural (Casa da Rô) com ele ainda pequeno (inclusive o tendo como participação especial (risos), sentado em meu colo na execução de três ou quatro músicas), que foi o que me fez perceber que eu ainda precisaria estender meu período de "férias" para me dedicar a ele e ao seu irmão, e assim o fiz, até mês passado, quando tive a oportunidade de voltar aos trabalhos no meu querido e sempre receptivo palco do Dom Luiz, num show que, mesmo tímido de público, foi de grande importância nessa trajetória de quase quatro anos, pois recebi no carinho e acolhimento da proprietária, a produtora cultural Rosângela Bentes Campos, o incentivo que eu precisava pra esse reinício dos trabalhos. A partir  dos próximos shows deve haver algumas novidades com relação ao formato das apresentações e ao repertório, que vai incluir um número bem maior de músicas autorais. Os planos para gravação das minhas obras são vários, mas posso adiantar que o primeiro deles é o de sair da zona de conforto e me abrir às orientações de pessoas e produtoras experientes que, porventura, se interessem em me ajudar nessa nova empreitada.

Som do Norte - E pra finalizar, a clássica pergunta: quem você convidaria para um café com tapioca?

Daniela Nascimento - Nossa! Tanta gente especial eu convidaria pra um café com tapioca! (risos). Sonho com a oportunidade de gravar alguma obra junto do grande cantador Antônio Pereira. O mesmo sonho se estende às letras (e verdadeiras obras-primas) dos amazonenses Ederval Santos, Rô Campos, Rai Makneh, Candinho, Victor França, do acreano Sérgio Souto, do poeta curitibano Altair de Oliveira, dentre muitos outros, o que acredito que num futuro bem próximo possa (e irá) se realizar.