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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Galeria: Cortejo do Banzeiro do Brilho-de-Fogo

Depois de meses de oficinas e ensaios (que mostramos aqui em foto e aqui em vídeo), este domingo, 14, foi o grande dia do primeiro Cortejo público do Banzeiro do Brilho-de-Fogo, projeto que visa consolidar e fortalecer a cultura do Marabaixo, que, como diz a página do Banzeiro no Facebook, é "inspiração para o cancioneiro amapaense e reflete a alma do nosso povo".

A concentração dos batuqueiros iniciou perto das 15h, junto ao Mercado Central de Macapá, em frente à Fortaleza de São José. 


Senhoras e senhoras, eis ele: o Brilho-de-Fogo!











Cantora Brenda Melo com crianças 
(incluindo Ingrid e Stéphani, bisnetas da Tia Chiquinha,
à esquerda, e Ian, filho da própria Brenda)






Aos poucos, as alas foram se formando, e perto de 17h30 o cortejo ganhou as ruas de Macapá, inicialmente andando pela Henrique Galúcio para chegar na São José, depois fazendo a curva na Coaracy Nunes para entrar na Tiradentes e fazendo uma pausa considerável na caminhada, quando já anoitecia, para entrar na Pedro Baião, em direção à praça Floriano Peixoto, local que abrigou os ensaios específicos para o cortejo, desde outubro. 

No trajeto, o grupo de sopros que acompanhou todo o percurso tocou clássicos da música amapaense, como "Jeito Tucuju", "Tô em Macapá" e "Festa na Senzala". 

Antes de chegar à praça, houve uma parada em frente à casa do músico Nonato Leal, que foi homenageado pelos batuqueiros. Presente ao cortejo, o senador Randolfe Rodrigues discursou, revelando seus esforços para promover uma reforma na praça ainda para este ano (sic), e também seus planos para, quando se reinaugurar o logradouro, alterar seu nome para...Nonato Leal, promovendo assim uma (rara) homenagem em vida. A proposta foi aplaudida em peso.




Depois disso, os batuqueiros enfim chegaram à praça, onde um palco armado abrigou uma breve apresentação das cantoras Brenda Melo, Oneide Bastos e Patrícia Bastos interpretando o "Hino de Macapá", e logo depois Adelso Preto, Laura do Marabaixo e Jacundá cantaram Marabaixos tradicionais em uma autêntica roda de Marabaixo. (Você confere esses dois momentos nos vídeos ao final do post).


Os instrumentistas de sopro contaram com o auxílio de
"estantes humanas" - pessoas que levaram a partitura 
presa às costas, para que os músicos pudessem tocar



Paulo Bastos regendo os batuqueiros do Banzeiro



Dois integrantes do Arraial do Pavulagem, Ronaldo Silva (com o microfone na foto abaixo)...


...e Allan Carvalho...


...vieram de Belém especialmente para testemunhar o primeiro Cortejo do Banzeiro. Ambos se declararam emocionados com o que viram e desejaram muito sucesso para o futuro do projeto. O Arraial, com seus vários cortejos anuais que arrastam multidões pelas ruas de Belém, é uma das inspirações do Banzeiro, e tanto Ronaldo quanto Allan são francos entusiastas do projeto amapaense. 

Antes de encerrar oficialmente o Cortejo e dar início aos shows da noite, o radialista Heraldo Almeida convidou a todos para tomarem parte no segundo Cortejo, que acontecerá no próximo dia 4 de fevereiro, aniversário de 257 de Macapá. Os ensaios iniciam no dia 15 de janeiro na praça Floriano.




domingo, 14 de dezembro de 2014

Campanha Vista essa ideia homenageia o saber popular da Amazônia



Na sua sexta (e penúltima!) semana, a Campanha Vista essa ideia das Camisas Som do Norte pede a valorização do saber popular da Amazônia, simbolizado na figura de Natalina Costa, 82 anos

Filha de dona Gertrudes Saturnino, pioneira do Marabaixo do bairro da Favela (hoje Santa Rita), em Macapá, Natalina aprendeu com sua mãe as tradições desta rica cultura, que soube transmitir a seus filhos, que hoje formam o grupo Berço do Marabaixo, no qual desponta, entre outros, a jovem cantora Lorrany Mendes, de 10 (!) anos. 

Em depoimento ao documentário inédito As Tias do Marabaixo, Tia Zezé, irmã de Natalina, conta que a família morava no Formigueiro (como popularmente é conhecido o Largo dos Inocentes, localizado atrás da Igreja de São José, no centro da capital amapaense) até 1947, quando foi solicitada pelas autoridades municipais a desocupação, tendo os moradores que optar por irem para um dos novos bairros formados poucos anos antes - o Laguinho e a Favela -, quando ordem de semelhante fez sair inúmeras famílias negras residentes na orla do rio Amazonas, nas proximidades da atual Praça Zagury. Dona Gertrudes e sua família decidiram morar na Favela, onde já estavam alguns de seus parentes. Gertrudes exerceu na Favela o mesmo papel de pioneira do Marabaixo que Mestre Julião Ramos teve em relação ao Laguinho, tornando sua casa um dos imóveis onde anualmente se realizam festividades do Ciclo do Marabaixo. Mais tarde, Natalina sucedeu a mãe neste papel de anfitriã destas festas - em uma delas, teria dito a frase Gengibirra não é mole não, que inspirou a Joãozinho Gomes e Val Milhomem a música "Mão de Couro", que ajudou a tornar Natalina mais conhecida fora do ambiente do Marabaixo. 

No cartaz, temos ainda a modelo Suelen Leão vestindo a camiseta que retrata Natalina ao lado das filhas Valdirene e Marinete, durante o Cortejo da Murta de 2014. 

Este e os outros seis modelos de camiseta estão disponíveis para aquisição para todo o Brasil através da  Loja virtual Som do Norte



sábado, 13 de dezembro de 2014

Boi Garantido anuncia tema e toadas de 2015



Na noite da quarta, 10, a diretoria do Boi Garantido anunciou em Parintins o tema do festival folclórico de 2015 - "Vida", e divulgou a lista das 16 toadas que estarão no CD Vida 2015.

Foram inscritas 22 composições, entre toadas de batucada, entrada, galera e itens oficiais, analisadas por 16 jurados; o júri foi composto por músicos, intérpretes e compositores de toadas.

As toadas selecionadas são:

1 - Luva Trançada – Inaldo, Caetano e Gaspar Medeiros
2 - Poderoso Ritual Apurinã – Demétrius Haidos e Geandro Matos
3 - Coletores da Amazônia – Cesar Moraes
4 - Quimera Cabocla – Murilo Maia
5 - Mawá, o Caçador de Almas – Rafael Lacerda e Ciro Cabral
6 - Yebá Burô – Lenda da Criação – Rosinaldo Carneiro e Naferson Cruz
7 - Pandré – Paulinho Du Sagrado
8 - Deusa das Cunhãs – Helen Veras, Sidney André e Marco Aurélio
9 – Boi de Pandega – Paulinho Du Sagrado
10 – Isso é Garantido – Cesar Moraes
11 – Oração das Águas – Davi Jerônimo
12 – Pra sempre Coração – Demétrius Haidos e Geandro Matos
13 – Balanço do Norte – Enéas Dias e Jéssica Jacaúna
14 – A Fantástica Amazônia – Rafael Marupiara e Ronaldo Barbosa Jr.
15 – Coração Embaixador – Mauro Sérgio Magalhaes e Marcos Lima
16 – Cancioneiro Parintinense – Demétrius Haidos e Geandro Pantoja

Agenda: 21 de dezembro

Boa Vista:


Macapá: 



Agenda: 20 de dezembro

Belém:




Boa Vista:


Manaus:




Macapá:







Agenda: 19 de dezembro

Belém



Manaus



Macapá







Rio Branco



Agenda: 18 de dezembro

Macapá:








Agenda: 17 de dezembro

Macapá:




Agenda Santarém Novo (PA): 12º FEST RIMBÓ – Festival de Carimbó



“...O carimbó daqui é popular.Popular quer dizer que é do povo, o povo que faz a festa.”

 (Mestre Celé, da Irmandade de Carimbó de São Benedito)


O FEST RIMBÓFestival de Carimbó de Santarém Novo – é o principal evento aglutinador e articulador da Campanha do Carimbó, movimento cultural e social responsável pela recente conquista do registro deste nosso valioso bem cultural como patrimônio imaterial nacional. Organizado desde 2002 pela centenária Irmandade de Carimbó de São Benedito, a 12º edição do FEST RIMBÓ acontecerá na cidade de Santarém Novo/PA, nos dias 13 e 14 de dezembro de 2014, antecedendo a tradicional Festividade de Carimbó também mantida nessa comunidade por essa Irmandade. Acesse aqui a programação completa (em arquivo PDF)


Há mais de uma década em atividade, o Festival de Carimbó de Santarém Novo foi o primeiro a levantar a bandeira do reconhecimento do Carimbó como Patrimônio Cultural Brasileiro, buscando revelar ao Pará e ao Brasil toda a beleza, força e originalidade dessa tradição ancestral, apresentando as suas diversas expressões, tão ricas em timbres e estilos, dando visibilidade aos mestres tradicionais e estimulando os jovens músicos e dançarinos que são a garantia de sua continuidade e renovação. Muito mais do que um simples evento anual, o Festival busca contribuir para o reconhecimento e valorização do Carimbó como elemento essencial da identidade cultural paraense, envolvendo um público crescente em diversas atividades como Seminários, Encontro de Mestres, Oficinas, Mini-Festival com grupos infantis e Circuito Cine Carimbó, além da Mostra Mestre Celé de Carimbó (estilos raiz e livre) e de animados bailes e shows com grupos de carimbó de toda a região.

Território de encontro e celebração da diversidade do carimbó e suas várias vertentes, o FEST RIMBÓ conseguiu se firmar como um dos principais eventos de cultura popular da região, reunindo ao longo desses doze anos centenas de músicos, dançarinos, grupos e mestres tradicionais de carimbó de vários municípios paraenses em um espaço onde se junta a festa com a reflexão, o show com o debate, a educação e a oralidade, o palco com a roda de conversa.

A programação de 2014 inclui a 12ª edição da “Mostra Mestre Celé de Carimbó”, assim chamada em homenagem a um dos mestres da Irmandade já falecido. Aberta a grupos de todo o Pará, a Mostra Mestre Celé tem proporcionado visibilidade e valorização de grupos e compositores tradicionais de carimbó em atividade, reconhecendo e afirmando a rica diversidade musical da manifestação. Hoje é considerada a mais antiga e representativa mostra de carimbó do Pará, recebendo grupos e mestres vindos dos municípios da região do Salgado, Marajó e Belém, revelando a beleza e variedade dos sotaques e estilos desta tradição ancestral.

O 12º FEST RIMBÓ é também o espaço maior de articulação da Campanha “Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro”, movimento cultural que nasceu neste mesmo Festival em dezembro de 2005, quando a Irmandade de São Benedito e vários grupos culturais iniciaram a mobilização junto ao IPHAN para registrar o Carimbó como patrimônio imaterial da cultura brasileira. Nesta edição teremos o Seminário da Campanha, sob tema “Organização Comunitária e Salvaguarda do Patrimônio Imaterial”, onde se discutirá as questões relacionadas ao processo de registro do Carimbó  e outros patrimônios culturais já reconhecidos, como o Samba de Roda, propondo estratégias e diretrizes para a construção do Plano de Salvaguarda do Carimbó junto ao Iphan a partir de 2015. Participam os coletivos locais da Campanha do Carimbó de diversos municípios paraense, além de mestres, jovens músicos e dançarinos, produtores culturais, educadores e instituições ligadas à cultura popular.


O 9º Encontro dos Mestres de Carimbó será mais uma atividade fundamental do evento, espaço onde ocorrem as trocas, vivências e articulações entre mestres e mestras tradicionais que lutam pelo reconhecimento de seus saberes e fazeres, contando com a participação de mestres vindos de diversos municípios. Experiência única no Pará, o encontro deste ano discutirá as expectativas e anseios dos mestres após o registro do carimbó como patrimônio imaterial nacional, levantando suas necessidades mais importantes. O encontro também será o momento de exibição e análise coletiva do vídeo-documentário produzido pelo Iphan para o processo de registro, uma vez que só agora foi disponibilizado para o movimento carimbozeiro.

O festival realizará ainda Cortejos de Carimbó e Levantação de Mastro, Festa no Barracão, Alvoradas, Feira de Artes e Sabores Amazônicos, Cine-Carimbó e animados bailes e shows com grupos convidados, como o Grupo Sancari (Belém) e Os Quentes da Madrugada (Santarém Novo).

O 12º FEST RIMBÓ será realizado na cidade de Santarém Novo, na região do Salgado paraense, nos dias 13 e 14 de dezembro de 2014, antecedendo as tradicionais festas de carimbó da centenária Irmandade de São Benedito desta cidade.

Todas as atividades do evento serão gratuitas e abertas ao público. A realização é da Irmandade de Carimbó de São Benedito, em parceria com a Campanha Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro, tendo o apoio da ABRASEL-DF, FUNTELPA, Secretaria Municipal de Educação e Prefeitura Municipal de Santarém Novo, IACITATÁ Amazônia Viva. 




Agenda Macapá: Cortejo do Banzeiro do Brilho-de-Fogo



Texto e fotos: Mariléia Maciel

O projeto Banzeiro do Brilho-de-Fogo entra na reta final e desfila nas ruas do centro de Macapá no domingo, 14, quando sai o Cortejo e mostra o resultado de nove meses de aprendizado. Coordenado pelos músicos Paulo Bastos, Adelso Preto e Alan Gomes, e apoiado pela Prefeitura de Macapá, através da Fundação de Cultura (FUMCULT), é um projeto de inclusão social e cultural, que despertou o interesse pela cultura regional em pessoas de todas as idades, levando as oficinas de percussão para escolas, associações, praças, faculdades, todo lugar onde houvesse interesse.


Inspirado no Arraial do Pavulagem, que arrasta os paraenses, o Banzeiro foi pensado para ser uma brincadeira cantada, onde as tradições, musicalidade e talento são explorados, envolve os participantes e se torna um convite para conhecer mais profundamente a cultura regional do marabaixo e batuque. Foram realizadas cerca de 15 oficinas itinerantes, ensinadas mais de 200 pessoas que nunca tinham pegado nos tambores, e aperfeiçoou quem já tinha experiência.


- Começamos no quilombo do Curiaú e de lá seguimos para os bairros. Fomos das praças às pontes aproximando crianças, jovens e adultos de nossa cultura, ensinando os ritmos, nossas danças e músicas produzidas por artistas que amam a cidade. Temos certeza que todos se apaixonaram pelo que é nosso. A intenção não é de formar músicos, nem de substituir as rodadas de marabaixo ou bandalho de batuque, mas sim de ser um caminho criativo e gostoso que leve à valorização de cultura amapaense - explica Alan Gomes, da coordenação do projeto e diretor musical.


No domingo desfilam no Cortejo do Banzeiro do Brilho-de-Fogo cerca de 150 batuqueiros, mulheres no Cordão das Açucenas e crianças no Jardim do Banzeiro. Instrumentos de sopro e caxixi também dão ritmo ao repertório, formado por canções regionais. Todos estarão vestidos com roupas do projeto e com adereços coloridos. Os tambores que usarão foram confeccionados por artesãos populares e têm características próprias. Alguns feitos de madeira reciclada, outros de latão, e ornamentados com chita, pintados do modo tradicional ou com a arte do artista plástico Afrane Távora. Toda a concepção visual do projeto foi criada pela artesã Melissa Silva.

“O Cortejo é aberto e qualquer pessoa pode acompanhar, dançar e cantar, com a roupa que quiser, é um bloco popular e que não vai deixar ninguém parado. Sairemos da entrada principal da Fortaleza de São José, no entardecer, e vamos pelas ruas até a Praça Floriano Peixoto, onde haverá shows com muitos artistas, entre eles, Patrícia Bastos, João Amorim, Joãozinho Gomes, e por outros músicos que estiverem presentes, e ainda pelos integrantes do Arraial do Pavulagem Ronaldo Silva e Alan Carvalho, que fazem participação neste momento especial”, disse Adelson Preto, coordenador geral do Banzeiro.  

Em 2015 o projeto Banzeiro continua com data marcada para a próxima apresentação, que é 4 de fevereiro, aniversário de Macapá, e em outras datas comemorativas, como dia do padroeiro da cidade, São José.  






domingo, 7 de dezembro de 2014

Campanha Vista essa ideia pede respeito pela criação artística da Amazônia



Em sua quinta semana, a campanha Vista essa ideia das Camisas Som do Norte chama a atenção para o "astral" da Amazônia - a palavra portuguesa astral ganhou no Brasil significados adicionais, que podem traduzir estado de ânimo, humor, disposição e até mesmo criatividade. Já era essa nossa intenção desde o início, ao escolher para destacar nesta data a camisa "Bora Coisar", criação do designer rondoniense Boca Anízia Bera. Porém, o que seria apenas uma exaltação natural da campanha a uma característica como tantas já destacadas anteriormente acabou adquirindo um caráter não previsto de... protesto.

Sim, protesto! Alguém cobriu de tinta branca a arte mural pintada pela artista Carla Antunes na praça Floriano Peixoto (Macapá) e que felizmente conseguimos registrar quando da realização do ensaio fotográfico com a modelo Suelen Leão, em outubro. Ou seja: se quiséssemos fazer as mesmas fotos hoje, isso seria impossível, pois o cenário foi alterado. Como dizia a inscrição no muro, "Todo mundo quer amor", sim, e também queremos respeito à criação dos artistas da Amazônia (e de qualquer lugar, evidentemente).




Existem outras fotos feitas por nós com a modelo na qual aparece a arte de Carla Antunes. Ao final da campanha Vista essa ideia, iremos publicar uma seleção com as melhores imagens que tivermos, numa forma de manter, ao menos virtualmente, o registro do trabalho da artista. 

Ficha técnica do cartaz da semana:

Fotos e design - Fabio Gomes

Arte da camiseta - Boca Anízia Bera

Arte mural - Carla Antunes

Modelo - Suelen Leão


Este e os outros seis modelos de camiseta estão disponíveis para aquisição para todo o Brasil através da  Loja virtual Som do Norte



Agenda: 14 de dezembro

Belém: