Aqui se fala do som dos estados do Norte do Brasil: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Agenda Macapá: Projeto Vitrola Cultural



Todos estão convidados para para participar do PROJETO VITROLA CULTURAL – o som do vinil todas as sextas-feiras no Bar do Nêgo (em frente ao Macapá Hotel), com início às 20h.

O Projeto disponibilizará aparelhos toca-discos (pick-ups), para todos aqueles que trouxerem seus próprios vinis terem a oportunidade e o prazer de colocá-los para rodar a sequência das suas músicas preferidas na hora.

Quem não possui vinis poderá ir aos eventos do projeto para ouvir seus artistas preferidos diretamente dos bolachões.

O PROJETO VITROLA CULTURAL – o som do vinil é voltado à difusão de cultura musical com discos de vinil e contemplará ainda as artes: teatral, escrita e falada, artes plásticas, artesanato, danças, feiras de trocas e vendas, brechó e bazar, religiosidade, afro, além de audiovisual, artes circenses, de gênero, jogos de tabuleiro e esportes. 

O objetivo é resgatar fãs e colecionadores de discos de vinil, tanto de música reggae quanto dos demais gêneros musicais, tais como samba, Soul, Blues, Jazz, Black, Rock, Hip Hop, MPB, MPA, Merengue, Brega, Lambada entre muitos outros.

domingo, 17 de maio de 2015

As Tias do Marabaixo, o Projeto


Em 15 de setembro de 2014, foi inaugurada no Amapá Garden Shopping, em Macapá, minha primeira exposição individual de fotos, intitulada As Tias do Marabaixo. Durante uma quinzena, os visitantes do local puderam ver 16 fotos minhas retratando Tia Chiquinha, Tia Zefa, Natalina, Tia Zezé e Tia Biló, então os maiores nomes vivos do Marabaixo (Tia Chiquinha veio a falecer recentemente, em 18 de fevereiro). Até o final do ano passado, a exposição percorreu algumas escolas da capital e permaneceu 10 dias na Galeria de Arte do Museu Fortaleza de São José – nem em sonho eu imaginei que um dia meu trabalho estaria exposto num prédio histórico do século 18! Neste 13 de maio, 127 anos da Abolição da Escravatura, a exposição volta a ser exibida ao público, em outro lugar da maior importância: a casa onde viveu Mestre Julião Ramos, pioneiro do Marabaixo do Laguinho e pai de Tia Biló.


Tia Chiquinha (de chapéu), Josefa Ramos (com o microfone) 
e Tia Zefa (com a flor azul no cabelo) - 22.6.14
(Fotos: Fabio Gomes)


O projeto, porém, é bem mais abrangente (talvez o termo certo seja “ambicioso”) do que apenas uma reunião de fotos – creio que basta dizer que as imagens expostas foram selecionadas de um total de mais de 3.600... Boa parte delas foi captada durante as filmagens de entrevistas com as senhoras citadas, e também em festas do Ciclo do Marabaixo 2014. O material filmado dará origem a um documentário de longa-metragem e cinco curtas, cada um deles dedicado a uma das entrevistadas. O primeiro curta, Tia Zefa no Dia da Consciência Negra 2014, foi lançado em 26 de fevereiro, dia em que a homenageada completou 99 anos. A previsão de lançamento dos curtas é durante o Ciclo do Marabaixo 2015, já em relação ao longa não há como fixar uma data no momento. Classifiquei o projeto como “ambicioso” em virtude das outras ações previstas – além da exposição e dos filmes (e de uma coleção de camisetas temáticas, à venda inclusive em loja virtual para todo o Brasil), pretendo lançar dois livros, um com uma seleção de fotos, outro com a íntegra dos depoimentos captados, isso sem falar no lançamento, é claro, dos próprios filmes, curtas e longa, em DVD.




A ideia do filme começou a nascer em 8 de maio de 2013, quando, levado pela cantora Patrícia Bastos, estive na festa da Quarta-Feira da Murta do Espírito Santo nas duas casas do bairro do Laguinho que a celebram: primeiro fomos à casa da Tia Biló, passando depois rapidamente pela sede do Grupo do Pavão, onde Patrícia me apresentou à Tia Chiquinha. A festa, o ambiente, a sensação de estar presenciando uma tradição viva e muito rica, sem similar com nada que eu já houvesse visto em minhas andanças pelo Brasil, me animaram a pensar numa série de entrevistas com estas senhoras que dedicaram sua vida ao Marabaixo, ajudando desta forma a preservar e difundir suas lembranças. Inicialmente, porém, eu planejava fazer as entrevistas em áudio, para veiculá-las em meu blog Som do Norte. Felizmente minha amiga Andreia da Silva Lopes, sobrinha de Tia Zefa, sugeriu que eu captasse o material em vídeo. “Sendo assim”, respondi, “não tem porque restringir o material ao meu blog. Vamos fazer um filme logo duma vez!”. Entrei em contato com a Graphite Comunicação, que recentemente lançara um clipe de animação de “Mal de Amor”, e acertamos nove dias de gravação durante o Ciclo do Marabaixo de 2014. A primeira gravação foi no Curiaú, uma entrevista com Tia Chiquinha, em 7 de maio, praticamente um ano após a noite em que nos conhecemos. 

Depois ouvimos, pela ordem, Tia Zefa, Natalina, Tia Zezé (com quem gravamos numa noite de Marabaixo no Barracão Gertrudes Saturnino, no antigo bairro da Favela, hoje Santa Rita) e Tia Biló; além de quatro noites de festa, cobrimos também o Cortejo da Murta, que reúne grupos de Marabaixo de Macapá e cidades vizinhas, que vão da orla do Rio Amazonas até a Igreja de São José para buscar a bênção para os brincantes do Marabaixo. Esta tradição, interrompida nos anos 1940 quando o padre Júlio Maria Lombaerd impediu que os negros entrassem tocando caixa na igreja, foi retomada em 2012. O último dia de filmagens no Ciclo, 27 de junho, coincidiu com a data da festa pelos 94 anos de Tia Chiquinha (na verdade, completados na véspera - à direita, Tia Chiquinha na festa de seu 94º aniversário). Posteriormente, em novembro, registrei em foto e vídeo quatro dias do 20º Encontro dos Tambores (foi dali, inclusive, que saiu o primeiro curta a ser lançado).

O primeiro semestre de 2015 será dedicado ao lançamento dos curtas e sua exibição, bem como a continuidade da circulação da exposição, por instituições de ensino e espaços culturais de Macapá, além, é claro, dos barracões onde se realizam os festejos do Ciclo do Marabaixo. Para o segundo semestre, a intenção é, simultaneamente à preparação do longa-metragem, circular com os curtas por festivais de cinema Brasil afora.

Para saber mais sobre o projeto, acesse: http://tiasdomarabaixo.blogspot.com.br/

sábado, 16 de maio de 2015

Ouça o novo CD da Luneta Mágica: No Meu Peito


No começo de abril, a banda Luneta Mágica, de Manaus, lançou seu segundo CD, intitulado No Meu Peito. O álbum foi gravado e mixado em Manaus e masterizado em São Paulo; já a arte foi criada pelo estúdio Bonk!, de Curitiba. 

Em 2013, ao lançar o CD anterior - Amanhã vai ser o Melhor Dia da sua Vida -, a banda fez sua primeira turnê fora do Amazonas, tocando em Boa Vista - na última Noite Som do Norte (abaixo, em foto de Victor Matheus para o Roraima Rock'n'Roll) -, São Paulo e Curitiba. A intenção do grupo é voltar a circular por outras partes do Brasil com este novo trabalho. 







Produzido por Diego Gonçalves de Souza

Gravado por Diego Gonçalves de Souza e Beto Montrezol / Estúdios Invern e Estúdio Supersônico - Manaus AM
Mixado por Beto Montrezol / Estúdio Supersônico - Manaus AM
Masterizado por Fernando Sanches / Estúdio El Rocha - São Paulo SP

Luneta Mágica é:

Pablo Henrique Araújo - voz e guitarra
Erick Omena - baixo e teclado
Eron Oliveira - bateria

Agenda Belém: Baiacool Jazz Festival


terça-feira, 12 de maio de 2015

Clipe "Planetário", da Supercolisor, anuncia o novo CD

Na manhã desta terça, a banda Supercolisor, de Manaus, lançou no YouTube seu novo clipe, da música "Planetário". 

O clipe, com animação de Edgar L. Costa e produção do estúdio Bonk!, é primorosa e antecipa o lançamento do CD Zen Total do Ocidente, que estará numa internet perto de você no próximo dia 20. 

Este será o segundo CD do grupo, que com o antigo nome "Malbec" lançou em 2012 o aclamado Paranormal Songs



terça-feira, 5 de maio de 2015

Café com Tapioca nº 6: Vinicius Lemos

Som do Norte - Vinicius Lemos, nós já publicamos seu depoimento sobre o final das atividades do Festival Casarão e também uma retrospectiva do que saiu sobre o evento aqui no Som do Norte. Pra encerrar essa série de publicações, pensei em retomar alguns pontos que conversamos na nossa primeira entrevista, há 5 anos e meio. Começo com algo que aliás faltou naquele papo anterior: como foi que você começou a fazer as festas e posteriormente o festival naquele antigo casarão de 1878 às margens do rio Madeira? Era um centro cultural, um bar, o que funcionava nele no restante do ano?

Vinicius Lemos - Era um sítio, não era nada e estava abandonado. Muito antes tinha sido o Iate Club, quando eu tive a ideia em 2000 de fazer uma festa lá, entrei em contato com a pessoa que estava assumindo o local, filho do antigo presidente deste Iate Club, estava limpando e restaurando para ser seu sítio de final de semana. Depois do sucesso do primeiro Casarão ele chegou a alugar para outros eventos, festas de casamentos e tudo mais. 

Som do Norte - Numa entrevista a um outro site, por volta de 2009 ou 2010, (deixo de mencionar qual é porque não consegui mais localizar a matéria), ao falar da dificuldade de conseguir apoio da Prefeitura e do governo do Estado, você chegou a dizer que o fato de pedir verba pública para um evento com ingresso pago era visto por eles quase "como uma coisa demoníaca" (risos). De lá pra cá, você diria que melhorou a relação entre festival e esfera pública?

Vinicius Lemos - Nunca existiu uma política pública em Rondônia e não vejo muita novidade nesse sentido. Temos a notícia boa do Marquinhos Nobre [Marcos Nobre Jr.] ter assumido a fundação municipal (Funcultural), sei que tem boas ideias e planejamento de editais, mas pegou uma administração do meio pro final, não sei se consegue um bom impacto. Do governo do estado não vejo a médio/longo prazo nada demais. Aqui é a política pires na mão e ficar se sujeitando. A ajuda ainda fica por causa do apoio direto restrito a evento sem cobrança de ingresso, o que nunca incluiu o Casarão. Tive apoio em 2007 com um som de uns 7 mil reais da prefeitura. Em 2008 promessa de toda a sonorização no nosso melhor ano e deram pra trás faltando 20 dias. Em 2009, prometeram novamente o som e deram pra trás faltando 7 dias. Em 2010, eu tinha um convenio com o MinC/Funarte aprovado de R$ 80 mil, necessitando da prefeitura pra receber e repassar, com contrapartida de 20 mil. Acabou que o Prefeitura não conseguiu certidões e os 80 mil voltaram. Em 2011 foi a única vez que o governo do estado nos deu hotel e alimentação, uma pequenina ajuda. De lá pra cá, promessas dos dois lados. Infelizmente.

Um dos motivos que o Casarão encerra é falta de apoio, sempre o povo fala "faz aberto", "adia que a gente vê um apoio". Eu sempre fiz na raça, com público, ingresso e com prejuízo e grana própria, se tivesse apoio e patrocínio, certamente continuaria, com uma equipe remunerada e podendo delegar, mas nunca foi assim, sempre no apoio de cada um, uma equipe maravilhosa que dava alma ao festival, mas eu não podia também exigir mais de ninguém. 

Som do Norte - Um aspecto que sempre valorizei no Casarão era sua faceta social: você garantia meia-entrada no evento para quem doasse um quilo de alimento não-perecível ao comprar o ingresso; posteriormente, os alimentos eram encaminhados à Paróquia São Luiz Gonzaga. Você tem uma estimativa de quanto se arrecadou de alimentos ao longo de toda a história do Casarão?

Vinicius Lemos - Só nos maiores anos, 2008 e 2009 foram cerca de 12 toneladas, depois foram menos, mas sempre foi uma busca de demonstrar que era legal doar e pagar meia entrada, um viés legal. Acho legal os eventos continuarem a fazer isso.

Som do Norte - A gente sempre encerra o papo perguntando quem o entrevistado convidaria para um café com tapioca. Quem você gostaria de ter no palco numa hipotética 16ª edição do festival?

Vinicius Lemos - Eu concorri ao edital do Basa [Banco da Amazônia] e não fui contemplado, tinha um line up bem delineado pra esse ano. Mas, fica o mistério.

Música do Dia: Lençóis de Cetim

No começo da madrugada desta terça, o cantor paraense Danniel Lima publicou no Soundcloud o seu primeiro single oficial*, "Lençóis de Cetim". A composição é de autoria de Débora Vasconcelos (que aparece com Danniel nesta foto à direita, nos bastidores de um show no Teatro Estação Gasômetro, em Belém). Ao comentar o lançamento em seu Facebook pessoal, o cantor declarou que o single foi "feito com muito amor!"

De fato, a gravação está primorosa. Apoiado por um time de feras da atual música paraense (ver ficha técnica ao final do post), com destaque para a guitarra ao estilo de Mestre Vieira tocada por Igor Capela, Danniel soube traduzir vocalmente o encanto do eu-lírico por sua amada, cujos olhos lembram "os raios do sol", e cujos cabelos ao vento são "dourados sem medo". A letra traz ainda um curioso uso da expressão "cheio de si", que me parece aqui indicar uma pessoa confiante em seu próprio potencial (anteriormente, eu só havia visto o termo sendo utilizado para designar alguém 'convencido', ou seja, que acredita ser melhor do que realmente é). 

Gravar esta composição já era um antigo desejo de Danniel, conforme já informamos aqui no blog há quase 2 anos - é de 21 de maio de 2013 o Post nº 3500: Danniel Lima vai gravar música de Débora Vasconcelos (que inclui um vídeo com Danniel cantando esta música em show de quatro dias antes no SESC Boulevard). Ele vinha negociando com Débora já havia dois anos, e só ao ouvi-lo interpretar no SESC neste dia é que a autora finalmente autorizou a gravação, que, como de praxe, teve o privilégio de ouvir antes do público em geral. Ao comentar a foto dos dois no Gasômetro, postada em 29 de abril, Danniel comemorou a aprovação de Débora: "Muito feliz!!!"







Lençóis de Cetim
Letra e Música: Débora Vasconcelos
Concepção de arranjo: Danniel Lima
Produção Musical, Teclados e Programações: Lenilson Albuquerque
Baixo: Baboo Meireles
Guitarras: Igor Capela
Bateria e Percussão: Thiago D'albuquerque
Canto da Sereia e Vocais: Nanna Reis
Gravado no Estúdio Batuka por Thiago D'albuquerque.
Gravações adcionais: Kakaroto's Estúdio por Lenilson Albuquerque


* Embora tenha anunciado esta gravação como 'primeiro single oficial', Danniel já lançara outro single em abril de 2013, "Perdão Clichê"

OBS: O cantor Danniel Lima informou, através do Facebook, que "Perdão clichê, Nem inverno nem Verão, Reviravolta e Universo Paralelo estavam em suas versões DEMOS postadas no meu SoundCloud... Não eram as versões finalizadas portanto essa é o meu primeiro single oficial!"

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Especial Festival Casarão no @SomdoNorte (2009-2014)

Há alguns dias, Vinicius Lemos, criador do Festival Casarão, informou através de seu Facebook que o evento não terá novas edições (publicamos aqui seu depoimento).

Ao saber disso, vim conferir as estatísticas do blog e constatei que o Casarão é o segundo festival mais comentado no Som do Norte, perdendo apenas para o Se Rasgum - o que é bastante compreensível, afinal morei quatro anos em Belém. 

O Som do Norte entrou no ar em 3 de agosto de 2009, e o Casarão daquele ano foi o primeiro festival realizado na região depois disso, de 4 a 6 de setembro. Na época ainda morando em Porto Alegre, eu reunia nas seções "Foi Show" e "Na Rede" fotos e links de publicações de outros sites e blogs que comentavam os shows que estavam acontecendo em Porto Velho (algo que, infelizmente, seria quase impossível hoje, porque essa prática está minguando) - o que fez com que fôssemos apontados informalmente como "a melhor cobertura de quem não foi ao festival" (risos até 2019).


O Casarão também foi o assunto da primeira coluna que escrevi para o site carioca Visto Livre, com o qual colaborei em 2009. Algumas semanas depois, o festival voltava a ser citado na coluna:


Em 2010, não pude repetir a "cobertura à distância" porque o festival aconteceu em junho, na semana posterior à minha mudança para Belém, e meu HD encontrava-se no conserto. Os vídeos do festival de 2010 que cheguei a publicar foram da cobertura do Urbanaque.


Já em 2011, o festival lançou duas mixtapes, que praticamente faziam um balanço da cena independente brasileira deste início de século. Deixo de incluir aqui o link para download porque ambas seleções já não se encontram disponíveis.






Felizmente os percalços foram solucionados e o festival aconteceu normalmente em agosto, com a cobertura não mais à distancia, e sim presencial - nossa repórter Nany Damasceno, de Rio Branco, foi nossa enviada especial a Porto Velho.


A cobertura da Nany e alguns dos posts de março sobre a ameaça ao festival foram alguns dos posts mais lidos no blog em agosto, mês em que estabelecemos um novo recorde de acessos ao Som do Norte - 17.116 acessos (posteriormente, foi estabelecido novo recorde, em março de 2013: 21.052)
Em 2012, aproveitando a feliz coincidência de dois festivais em datas próximas em capitais idem, cobri o Casarão, em Porto Velho, e na semana seguinte o Até o Tucupi, em Manaus (à direita, Henrique, da Expresso Imperial, percute a parede da Cantina do Porto, no primeiro dia do Festival Casarão 2012 - foto: Douglas Diógenes)





Já no ano seguinte, não pude ir porque recém me mudara para Macapá, onde começava a esboçar o que viria a ser o projeto As Tias do Marabaixo, e Nany também não tinha como ir porque estava em período final de gravidez. A minha não-ida chegou a motivar um texto, no qual eu esclareci as dificuldades que um veículo independente como o nosso blog enfrenta para cobertura de eventos em outros estados.


Felizmente deu tudo certo para que Nany fosse cobrir a 15ª edição do Casarão, que só há poucos dias soubemos que foi a última.


Os Descordantes com Bruno Souto
- última noite de Festival Casarão, 31.5.14


domingo, 26 de abril de 2015

Rondônia: Vinicius Lemos anuncia final das atividades do Festival Casarão

No final da tarde deste sábado, 25 de abril, o produtor cultural rondoniense Vinicius Lemos publicou um álbum de fotos em seu perfil pessoal no Facebook, acompanhado de um texto em que anunciava o encerramento das atividades do Festival Casarão, após 15 edições - a última aconteceu em maio de 2014. Para este post, escolhi duas das 16 fotos publicadas, e que são da fase em que o festival ainda acontecia no antigo imóvel de Porto Velho que lhe deu o nome e que abrigou as primeiras nove edições do evento. 

De todos os festivais independentes do Norte, o Festival Casarão é sem dúvida o que maior ligação tem com o Som do Norte. Com apenas um mês no ar quando aconteceu a 10ª edição do festival, em setembro de 2009. conseguimos fazer uma inovadora "cobertura à distância" (pra quem não sabe ou não lembra, na ocasião nossa redação ainda era em Porto Alegre, distante 3.758km da capital de Rondônia) que foi elogiada até pela então assessora de imprensa do evento, a jornalista Mary Camata. Nas edições seguintes, contamos com os relatos de nossa correspondente do Acre, Nany Damasceno, em duas ocasiões (2011 e 2014), e eu próprio estive cobrindo o festival em 2012. Amanhã iremos publicar um post especial reunindo todos esses links. E ainda esta semana convidaremos Vinicius Lemos para tomar um Café com Tapioca com a gente. Aguardem!

Reproduzimos a seguir o comunicado de Vinicius Lemos publicado ontem no Facebook. (Fabio Gomes)





***


"No ano de 2000, eu tinha 19 anos e fiz o Festival Casarão. 

Não planejei, era mais uma festa, mais um evento, combinando música e um casarão histórico no meio do mato, na beira do Madeira. Tinha tudo pra dar errado, mas por algum motivo deu certo. 

De lá pra cá, todo ano eu realizei o festival, até 2005 como festa, após como festival. Cada ano uma luta, um aprendizado. Já foi grande, já foi pequeno, já foi balada, já teve banda cover, banda autoral, bandas locais e bandas de fora, bandas grandes e bandas independentes. Mais de 250 bandas de quase o Brasil inteiro, de todas as regiões, puderam mostrar seu trabalho e conhecer Porto Velho. É impossível citar todos, mas grandes nomes como Pitty, Humberto Gessinger, Pato Fu, Dead Fish, Matanza, Cachorro Grande, Emicida, Ratos do Porão, Vanguart, Krisiun, Autoramas, dentre outros. Muitas bandas independentes, como Black Drawing Chalks, Móveis Coloniais de Acajú, Do Amor, Canastra, Mukeka di Rato, Wado, Banda Cassino Supernova, Macaco Bong, Ecos Falsos, Moptop, MQN, Los Porongas, Os Descordantes, Caldo de Piaba, Mezatrio, Madame Saatan, Superguidis, Veludo Branco, Mr. Jungle, Zefirina Bomba e um caminhão de banda de fora. Excecpcionais bandas locais como Coveiros, Hey Hey Hey!, Di Marco, Sub Pop, Kali, Maria Melamanda, Ultimato, Beradelia, Bicho du Lodo, Bedroyt, Os Últimos, Recato, Par de Sais, Sucodinóis, Gustavo Erse, Expresso Imperial, Rádio Ao Vivo, S/A, dentre uma infinidade. 

De certa forma, realizar o festival me definiu, fez e fará parte da minha vida. 

Mas, uma hora o tempo passa, nesse tempo, me formei, montei meu escritório de advocacia, casei, tenho uma família linda, dou aula em faculdade da matéria que me dedico, participo da OAB, entrei num mestrado. Tantas atividades que o festival acabou por ficar um pouco de lado, sem a minha atenção. Não acho justo continuar a fazê-lo sem a máxima atenção. Creio que o festival fica na história, uma boa história, com aprendizado imenso, erros e acertos, idas e vindas, orçamentos pequenos e gigantescos, com apoio ou sem apoio, sempre rolou Casarão. Infelizmente, esse ano 'num' dá mais. 

O Festival deixou a cidade um pouco melhor, com shows de bandas que nunca se apresentaram em Porto Velho, colocando [a cidade] no mapa da música independente. Deixou um legado, uma história! Um dia, quem sabe, chegue a hora de aprofundar nessa história de 15 edições. 

Nada é eterno, tudo se transforma. Uma galera nova com muito gás tá produzindo música e eventos na cidade, com muito mais qualidade de quando o Festival Casarão começou, a cidade fervilha muito mais cultura hoje. O Festival não é mais tão importante como foi principalmente entre 2005 até os últimos anos. 

Como disse Djalma Lúcio, um maranhense que se apresentou em 2011, “o Festival Casarão tem alma”. Essa alma hoje descansa um pouco em paz, nunca acaba por estar dentro de cada pessoa que um dia foi no festival e fez parte essa história. Essa alma está guardada para sempre. 

Agradeço à minha família que sempre me apoiou nessa empreitada, mesmo nos momentos difíceis; meus parceiros de todos os anos; meus parceiros pontuais de cada ano; os patrocinadores (poucos, mas essenciais); os fornecedores; as bandas; os entusiastas e o mais importante, o púbico. 

Obrigado a todos.

Um agradecimento especial a algumas pessoas que fizeram parte de todo o conceito do festival: 

Juliana Dal Molin, Walter Gustavo Lemos, Vitor Oliveira de Abreu, Natanne Alves, Duana F. Lopes Dandara Simão, Tata Castro, Maria Luísa Medeiros, Nettü Regert, Stenio Castiel, Breno Azevedo, Iury Souza, Jéssica Lima, Rafael Vieira, Douglas Diógenes, Marcos Fonseca, Kau Gomes, Eduardo Mesquita, Marcelo Costa, Marcos Bragatto, Diego Torres Bruzugú, Diogo Soares, Daniel de Souza Daniel Groove, Daniel Benvindo de Carvalho, Gustavo Erse, Gustavo Andrade, Alexandre Lins, Paulo Lins, Francisco Ventura Alvares Oliveira, Artur Mendes, Mariana Mendes, Anderson Daian De Souza Santos, Uilisson Carvalho Calzolari, Alex Nunes, Rita Nocetti, Ricardo Erse, RaphaTattoo Jipa, Cirilo Dias, Bruno Dias.

Vinicius Lemos"

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Café com Tapioca nº 5: Daniela Nascimento

Parece que foi ontem, mas na real já se passaram mais de dois anos desde que publicamos nossa primeira e até então única entrevista com a cantora e compositora amazonense Daniela Nascimento (releia aqui). Nesse meio tempo, ela reservou um período para se dedicar à família; como agora retoma a carreira com força total, consideramos que era o momento certo para convidá-la a tomar um Café com Tapioca conosco. Aprecie! (Fabio Gomes)
***



Interpretando "Alarme", que compôs em parceria com Lívia Mendes, 
pelo 4º Festival Amazonas de Música (Bumbódromo de Parintins/2013
Foto: Divulgação

Som do Norte - O vídeo que vamos destacar nessa entrevista é de você cantando "Alarme", composição sua e de Lívia Mendes, com a qual você participou do 4º Festival Amazonas de Música, em Parintins, 2013. O festival era competitivo? Você chegou a estar entre os finalistas? Pelo andamento, me pareceu um tango, de todo modo é uma canção bem dramática, sem muita relação com "Sonhos em Palhas", outra música do seu repertório que nossos leitores já conhecem.
Daniela Nascimento - Sim. Como nas outras três, essa edição do Festival também foi competitiva, e com essa canção ficamos dentre os 15 finalistas, tendo sido premiadas com os registros em CD e DVD. De fato é um trabalho bem diferente de "Sonhos em Palhas", já que este, em suma, buscou colocar em evidência a importância da valorização do costumes do ribeirinho e da diversidade cultural da Amazônia, como um todo. "Alarme" se demonstrou um trabalho bem mais ousado, principalmente por conta da escolha de que o estilo musical fosse um tango. Nesse trabalho também fui agraciada com a oportunidade de amadurecer bem mais como intérprete, num trabalho em conjunto com minha parceira Lívia Mendes e com uma das melhores intérpretes da nossa Amazônia, a cantora Fátima Silva, que por sinal foi a grande campeã da segunda edição (2011) desse festival. (NR: A Lívia Mendes parceira de Daniela Nascimento em "Alarme" é uma artista de Manaus; não confundir com a Lívia Mendes, de Belém, que foi nossa entrevistada no Café com Tapioca nº 1). 


Som do Norte - Você começou a carreira participando de vários shows coletivos e principalmente festivais, inclusive fora do Amazonas. Você considera que estes canais ainda são importantes para seu trabalho chegar a um público maior? Como você avalia sua participação nos recentes festivais no seu estado?

Daniela Nascimento - Acredito que só se compra a ideia do que se mostra (e se prova) ter credibilidade, e trazendo isso para a questão da música, essa credibilidade muitas vezes se torna algo mais difícil a quem não tem tanto tempo de estrada (o que, muitas vezes, gera um sentimento de preconceito e "desconforto" dentro do próprio meio musical), a quem não tem condições de produzir um trabalho fonográfico (que é onde poderia haver um maior incentivo do poder público, pois em se tratando de Amazonas, há ao menos 20 anos a tal "difusão cultural" só se resume aos bilionários investimentos nos eventos de boi-bumbá, à superprodução americana para o auto de Natal "O Glorioso", às limitadas manifestações artísticas no perímetro do Teatro Amazonas e às edições dos festivais de música, dança, teatro, ópera e cinema, que por sinal já nem temos mais certeza se continuarão no calendário), mas principalmente quando ainda se pode perceber o distanciamento do próprio público com relação a estilos musicais, digamos, menos populares dos que os que a grande massa aprecia. Apesar de tudo, acredito que quando o artista ama e acredita no que faz, o importante é fazer seu trabalho com amor e levá-lo para onde o público está, independente do tamanho deste e da ideia de que "amor à arte não enche barriga". Poder produzir é uma dádiva, e mesmo com toda a incerteza sobre qual será o futuro da produção artística no Amazonas, poder ter a oportunidade de subir ao palco de um grande festival é algo sempre sublime, sentimento esse que também tive na quinta edição do FAM (2014), interpretando "Cinzas de Carnaval", de Miguel Faria, e em minha estreia no Festival da Canção de Itacoatiara (FECANI), também em 2014, interpretando "Bicho-Homem", de Rai Makneh e Iran Makneh. (À esquerda, interpretando "Bicho Homem", no FECANI 2014 -  foto: Divulgação)


Com Miguel Faria (à esquerda) e
Alan Xavier - foto: Divulgação


Som do Norte - Como estão seus planos pra este ano referentes a shows autorais em Manaus ou fora e/ou lançamento de alguma gravação sua (seja EP ou CD)?

Daniela Nascimento - Estive quase que totalmente afastada do trabalho com a música por conta do nascimento do meu segundo filho, que hoje tem um ano de idade. Digo "quase que totalmente" porque, como eu já disse, em setembro do ano passado participei do FAM e do FECANI, mas antes disso, em agosto, cheguei a fazer um show no Dom Luiz Espaço Cultural (Casa da Rô) com ele ainda pequeno (inclusive o tendo como participação especial (risos), sentado em meu colo na execução de três ou quatro músicas), que foi o que me fez perceber que eu ainda precisaria estender meu período de "férias" para me dedicar a ele e ao seu irmão, e assim o fiz, até mês passado, quando tive a oportunidade de voltar aos trabalhos no meu querido e sempre receptivo palco do Dom Luiz, num show que, mesmo tímido de público, foi de grande importância nessa trajetória de quase quatro anos, pois recebi no carinho e acolhimento da proprietária, a produtora cultural Rosângela Bentes Campos, o incentivo que eu precisava pra esse reinício dos trabalhos. A partir  dos próximos shows deve haver algumas novidades com relação ao formato das apresentações e ao repertório, que vai incluir um número bem maior de músicas autorais. Os planos para gravação das minhas obras são vários, mas posso adiantar que o primeiro deles é o de sair da zona de conforto e me abrir às orientações de pessoas e produtoras experientes que, porventura, se interessem em me ajudar nessa nova empreitada.

Som do Norte - E pra finalizar, a clássica pergunta: quem você convidaria para um café com tapioca?

Daniela Nascimento - Nossa! Tanta gente especial eu convidaria pra um café com tapioca! (risos). Sonho com a oportunidade de gravar alguma obra junto do grande cantador Antônio Pereira. O mesmo sonho se estende às letras (e verdadeiras obras-primas) dos amazonenses Ederval Santos, Rô Campos, Rai Makneh, Candinho, Victor França, do acreano Sérgio Souto, do poeta curitibano Altair de Oliveira, dentre muitos outros, o que acredito que num futuro bem próximo possa (e irá) se realizar.


terça-feira, 21 de abril de 2015

As Tias do Marabaixo: último curta da série homenageia Tia Zezé

Entrou no ar hoje no canal do Som do Norte no YouTube o curta-metragem Tia Zezé no Encontro dos Tambores, que encerra a série de curtas homenageando as entrevistadas pelo projeto documentário As Tias do Marabaixo

Tia Zezé, nascida Maria José Libório em 1º de julho de 1940, é filha de Gertrudes Saturnino, pioneira do Marabaixo no bairro da Favela (hoje Santa Rita), em Macapá, e irmã de Natalina, homenageada em nosso quarto curta, lançado no Domingo de Páscoa. Quando nasceu, sua família residia no Formigueiro, cujo nome oficial hoje é Largo dos Inocentes; em 1947, as famílias negras moradoras da área precisaram desocupá-la, a pedido do governo, nascendo assim o bairro da Favela. Dois anos antes, processo semelhante levara os negros moradores da orla do rio Amazonas, nas proximidades da atual Praça do Côco (Zagury), a saírem dali e criarem o bairro do Laguinho. Tia Zezé se destaca por ser cantora e compositora de ladrões de Marabaixo e também por tocar caixa de Marabaixo. A Banda Placa produziu o CD Favela onde Tia Zezé interpreta suas composições e conta um pouco de sua trajetória. 

O vídeo apresenta novo trecho do show do grupo Berço do Marabaixo no 20º Encontro dos Tambores, realizado no Centro de Cultura Negra de Macapá em 23 de novembro de 2014, com Tia Zezé cantando o Marabaixo de sua autoria "Toar dos Tambores". O curta Natalina também trazia um momento desse show, com o grupo cantando "Mão de Couro" (Val Milhomem - Joãozinho Gomes). 




  • Pré-estréia - Antes mesmo do lançamento no YouTube neste dia 21, o curta Tia Zezé no Encontro dos Tambores teve uma exibição especial no encontro mensal do grupo poético Pena & Pergaminho, no Centro Cultural Franco-Amapaense (Macapá), na sexta-feira, 17 de abril, junto com o curta Natalina. As fotos do evento são de autoria de Krollen Sousa. 



Fabio Gomes comentando 
o projeto, antes da exibição
Últimos ajustes na tela antes de começar 
a exibição do curta Natalina


sábado, 18 de abril de 2015

Agenda Solidária Boa Vista: Campanha #AjudeaLai


Na próxima quarta, 5 excelentes bandas e uma jovem e promissora cantora sobem ao palco da casa Santa Cerva, em Boa Vista, para mandar seu som e também se envolver numa causa nobre. No caso, ajudar a arrecadar fundos para o tratamento da jovem Laiwany Adairalba, carinhosamente chamada pelos amigos e familiares de "Lai" - vindo daí a hashtag da campanha,  #AjudeaLai.


Neste outro flyer ao lado, há uma breve explicação do quadro clínico apresentado por Lai. Quem quiser saber com mais profundidade, pode ler esta reportagem do Diário de Pernambuco - Lai estudava em Recife quando começou a apresentar os sintomas, em 2012. Atualmente, está com a família - sua mãe, a compositora e poeta Zanny Adairalba, e o padrasto, o poeta Edgar Borges - em Boa Vista, enquanto aguarda a oportunidade de ir para São Paulo, de volta ao hospital Sírio Libanês, onde ela já esteve sendo examinada.

Quem não estiver em Boa Vista, ou mesmo estiver lá e não puder ir ao show, tem a opção de ajudar via depósito na conta-poupança do Banco do Brasil informada nos flyers.






terça-feira, 14 de abril de 2015

Agenda Belém: Tributo em Furta Cor - Homenagem a Julio Freitas



A vida nos deixa alguns vazios, quando alguém que amamos parte sem que possamos dar um abraço de despedida. O show Tributo em Furta Cor nasceu da necessidade de muitos dos amigos e amigas do cantor, compositor e interprete Júlio Freitas de abraçá-lo, e a forma que todos encontraram de dar esse abraço é da forma que ele merece e mais gostava, com música. Cantando as musicas compostas por ele, para ele e as canções que ele gostava de ouvir e cantar.

O show conta com a participação de um grande time de profissionais da música que  se juntaram para homenagear esse artista que mesmo em vida já constava na constelação de estrelas da nossa musica; seu estilo único, sem duvida fará falta nos palcos de Belém. Os artistas e amigos de Júlio que abrilhantam esta homenagem é Adriana Cavalcante, Anna Marçal, Alba Maria, Danniel Lima, Iara Mê, Ismênia Malcher, Joelma Klaudia, Jorginho Gomez, Leo Menezes, Lucinha Bastos, Renato Torres e Reginaldo Viana. Estão no repertorio grande parte das musicas do CD Furta Cor, lançado por Júlio Freitas em 2003, como “Leopardo”, “Rua Solidão”, “Chão”, “Furta Cor”, “Anunciação”, além de músicas que Júlio gostava de cantar em seus shows nos bares como “Tatuagem” de Chico Buarque, e músicas internacionais tais como “Easy” do Commodors e “La Isla Bonita” de Madonna. A direção musical é de Kim Freitas, com Adelbert Carneiro no baixo, Edvaldo Cavalcante na bateria e João Paulo na percurssão; a produção é de Milton Miranda e Nívia Ribeiro. O show terá renda revestida para uma instituição que cuida de pessoas em tratamento do câncer.

Júlio Freitas começou sua carreira como cantor profissional em 1996 estreando na noite de Belém sob as bênçãos de músicos e artistas consagrados da musica paraense, dono de uma voz inconfundível ia de clássicos da MPB ao rock'n'roll sem perder a afinação. Interpretava os versos de Chico Buarque com maestria, dominava a arte de cantar e compor versos com personalidade, sua presença de palco era marca registrada em seus shows, cheios de surpresas desde os figurinos a arranjos e interpretações peculiares, com as quais brindava seu público.

No inicio de março de 2015, Júlio nos deixou, e foi cantar em outro plano. Dele fica a imagem de uma alegria viva e um sorriso largo no rosto, esta era a imagem que ele queria deixar a todos de seu imenso sorriso alegre e seu transbordante talento.

SERVIÇO:

Show “Tributo em Furta Cor – uma homenagem a Júlio Freitas” .
Dia: 29/04 as 20h no Teatro Estação Gasômetro.
Ingressos: Bilheteria do Gasômetro, Lojas Ná Figueredo e Espaço Cultural Boiunas.

Informações: 91-98153-3842
Apoio: Som do Norte

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Festival Tomarrock anuncia atrações da oitava edição



O Festival Tomarrock é um dos maiores festivais de artes integradas de Roraima. Realizado pelo Coletivo Canoa Cultural desde 2008, o festival chega este ano a sua 8ª edição e apresenta ao público o que há de melhor na nova safra da música contemporânea roraimense, proporcionando a valorização e o reconhecimento dos artistas do extremo norte do país. Além dos shows, o Tomarrock propõe ainda um diálogo entre os diversos campos da cultura, envolvendo o audiovisual, esportes e fotografia, sem esquecer da sustentabilidade.

Em 2015, a 8ª edição do Festival Tomarrock acontecerá na Praça do Mirandinha, nos dias 1 e 2 de maio. Durante os dois dias de evento passarão pelos palcos do festival as bandas Móveis Coloniais de Acaju (DF) e Maglore (BA). De Roraima, 12 bandas fazem parte do line up: Garden, Rotação Perfeita, Dr Yoko, Bruna Vitória e Banda, Johnny Manero, Míssil Javali, Red Roof, Projeto Churras, Tartugas, M-nência, Bluts e Iekuana.

O Coletivo Canoa Cultural soma forças em Roraima na produção de eventos de música e artes integradas direcionados à toda população, reunindo crianças, jovens e adultos, promovendo a cultura nortista por meio de projetos ligados ao bem-estar social.

Esta edição é realizada pela Prefeitura Municipal de Boa Vista, patrocinado pela Fundação de Educação, Turismo Esporte e Cultura (FETEC) e com apoio do SEBRAE/RR, SECULT/RR e Instituto Boa Vista de Música (IBVM).


sábado, 4 de abril de 2015

As Tias do Marabaixo: Na abertura do Ciclo do Marabaixo, a homenagem a Natalina

Anualmente, Macapá festeja o Ciclo do Marabaixo entre o Domingo de Páscoa e o Domingo do Senhor, o primeiro após o dia de Corpus Christi - são dois meses de festa em louvor à Santíssima Trindade (no bairro do Laguinho) e ao Divino Espírito Santo (no bairro da Favela, hoje Santa Rita). Já há algum tempo, a casa da dona Natalina Costa, um dos locais de festa na Favela, antecipa a abertura, comemorando o Marabaixo da Aceitação no Sábado de Aleluia.


Por esta razão, não haveria data melhor do que hoje para o lançamento do quarto curta da série As Tias do Marabaixo, que homenageia justamente dona Natalina. Este é o único vídeo da série que reúne cenas filmadas em dois momentos distintos - abre com a própria Natalina cantando um ladrão composto por sua mãe, dona Gertrudes Saturnino, à época da criação dos bairros da Favela e do Laguinho (anos 1940) e consequente divisão da população negra da cidade. Esta gravação foi feita pela equipe da Graphite Comunicação em 3 de junho do ano passado na biblioteca Gertrudes Saturnino, que fica anexa ao barracão que também leva o nome da pioneira.  Em seguida, temos o grupo Berço do Marabaixo, formado por familiares de Natalina (incluindo outra das entrevistadas do nosso doc, Tia Zezé), interpretando a música "Mão de Couro" (Val Milhomem - Joãozinho Gomes) no 20º Encontro dos Tambores (Centro de Cultura Negra do Amapá, Macapá), filmado por mim em 23 de novembro passado. 



segunda-feira, 30 de março de 2015

Dr. Yoko lança primeiro single: “Bienaventurado”

Por Pablo Felippe 

Há pouco mais de um ano, dois roraimenses e um venezuelano juntaram-se para mostrar que o rock é uma linguagem universal. Dessa união surgiu a banda Dr. Yoko. Formada por Israel Perera (guitarra e voz), Will Ribeiro (baixo) e André Deco (bateria) o grupo já se aventurou pelos palcos dos principais festivais independentes de Roraima, deu uma voltinha no Amazonas e como não poderia deixar de ser, também já mostrou seu rock alternativo na Venezuela.



Para começar o 2015 com força total, o grupo entrou em estúdio e atualmente está concluindo as gravações de seu primeiro EP, que se chamará: Tu Identidad, do qual lança hoje, 30 de março, o primeiro single: “Bienaventurado”.

Previsto para junho, o EP terá ainda as faixas “Tu Identidad”, “Horas”, “Sálvate” e “Estudiaré”.




Música: Dr. Yoko

Letra: Israel Perera

Productor: Fabricio Cadela (Estúdio Parixara)

Arte: Carol Alcoforado (Arte pela Cidade)


sábado, 28 de março de 2015

Superself lança inédita "Fogo Amigo" em clipe e single

O que você fazia às 18h deste sábado? Eu me protegia da chuva aqui do inverno amazônico de Macapá. Já a banda paraense Superself lançava via YouTube e Soundcloud sua nova canção, "Fogo Amigo", nas versões clipe e áudio baixável, respectivamente.

Não é necessário nos alongar apresentando a banda aos leitores habituais do blog, pois ela foi a mais recente convidada da nossa série de entrevistas Café com Tapioca, uma conversa animada com Raissa Lennon que é simplesmente o nosso post mais acessado dos últimos 30 dias. Lá você pode ouvir na íntegra o primeiro EP lançado pela banda em janeiro que.... não incluiu "Fogo Amigo". Hã? Hein? Como? 

Sim, pessoas, isso mesmo. Os integrantes do grupo andam num momento dos mais criativos, tanto que projetam para junho, no máximo julho, o lançamento já do segundo EP da Superself, novamente pelo selo Som Independente, com "Fogo Amigo" e outras 4 faixas. 





O clipe foi gravado no Studio Bicho Urbano (Icoaraci, Belém); a canção já é velha conhecida dos fãs da 'Super', pois é presença certa nos shows que a banda realiza.


terça-feira, 24 de março de 2015

Agenda Acará (PA): Batuque Afro Amazônico

A valorização da cultura negra de um povo traduzida nos mais variados aspectos da arte. Esta é a proposta do projeto Batuque Afro – Amazônico que tem como proposta resgatar , valorizar e fortalecer as manifestações culturais de matriz africana. Em sua primeira versão, o projeto capacitou jovens e adultos da comunidade quilombola de Itacoã Miri, localizada no município de Acará e o resultado das oficinas poderá ser visto no espetáculo Batuque Afro Amazônico, que fará sua estréia no próximo domingo (29), as 17h, no Centro Comunitário da localidade.




Durante todo o mês de março a comunidade participou de diversas oficinas voltadas à valorização da cultura africana que estava se perdendo na tradição da localidade. Aos finais de semana foram ofertadas oficinas de teatro, dança, percussão, criação de figurinos e estamparia afro e tranças afro. As oficinas formaram multiplicadores de cultura e gerou a criação de um grupo de dança afro amazônica na comunidade.

Harles Oliveira, diretor e idealizador do projeto, pontua a necessidade que a comunidade tinha de um projeto como este. “As atividades desenvolvidas pelo nosso projeto atenderam a necessidade da própria comunidade que há muito tempo pretendia resgatar o grupo de dança que existia há alguns anos atrás, e que deixou de existir porque parte dos dançarinos, e lideranças do grupo, deixaram a comunidade em busca de melhores condições de vida na capital. Portanto, o nosso projeto vem justamente ao encontro desses interesses quando propõe atividades que venham capacitar novos dançarinos, percussionistas e figurinistas para darem continuidade ao novo grupo de dança; gerando, por conseguinte, ações culturais positivas provenientes de seus resultados”.



O projeto ainda contará com uma palestra de conscientização ambiental no dia 28, que abordará os impactos de resíduos nocivos ao meio ambiente e um mutirão de limpeza na localidade. Neste dia, além do espetáculo resultante das oficinas, haverá também uma roda de tambor em comemoração a apresentação do novo grupo a comunidade. O grupo também planeja trazer a roda de tambor a Belém no dia 12 de abril na sede da ACENA, localizada no Conjunto Maguari.

Este projeto foi selecionado pelo Programa Amazônia Cultural, tem patrocínio do Ministério da Cultura, com a realização da ACENA – Associação Cultural dos Negros e Negras da Amazônia, conta com a produção de Francisco Tapajós e coordenação do Coletivo de Expressão Cultural da Amazônia.





SERVIÇO: 

Espetáculo “Batuque Afro Amazônico”. 
Centro Comunitário de Itacoã Miri - Município de Acará. 
29 de março. 17h. 
Entrada Franca.

quinta-feira, 19 de março de 2015

As Tias do Marabaixo: Terceiro curta homenageia, no Dia de São José, Tia Biló

Hoje, 19 de março, é feriado em Macapá. Trata-se do dia consagrado a São José, padroeiro da cidade. Nesta data, em 1782, foi inaugurada a Fortaleza de São José, que Portugal mandou construir às margens do rio Amazonas para proteger a cidade. O dia todo terá diversas festas e comemorações em vários pontos da capital do Amapá.

Contribuindo com estas comemorações, programamos para hoje o lançamento do terceiro curta da série As Tias do Marabaixo, desta vez homenageando Tia Biló. A única filha viva de mestre Julião Ramos, pioneiro do Marabaixo no bairro do Laguinho, completou 90 anos no dia 10 de fevereiro.

No filme hoje lançado, ela aparece cantando um ladrão tradicional de Marabaixo ("É de manhã, é de madrugada"), junto com sua neta Laura do Marabaixo e seu bisneto Iury Soledade, no último dia de festa do Ciclo do Marabaixo do ano passado - 22 de junho de 2014, Dia do Senhor (6º Marabaixo). Nesse dia, eu e o cinegrafista Bruno Simões, da Graphite Comunicação, percorremos as quatro casas onde se celebra o Ciclo (além da casa da Tia Biló, a sede do Grupo do Pavão, também no Laguinho, e as casas da Natalina e da Dica Congó, na Favela). Estávamos fazendo um rápido registro da festa, pouco depois das 18h, hora em que praticamente só estavam no local os membros da Associação Cultural Raimundo Ladislau, quando tia Biló pediu um microfone e começou a cantar os versos do ladrão, surpreendendo a todos! 



terça-feira, 17 de março de 2015

Café com Tapioca nº 4: SuperSelf

Por Raissa Lennon,
de Belém

Os integrantes da banda de rock paraense SuperSelf bateram um papo com o Som do Norte para falar do lançamento do seu primeiro EP, carreira, composições e suas influências musicais. O grupo surgiu com o fim de outro chamado Zípper,  que por diferenças musicais culminou na saída do compositor da banda. “Costumávamos dizer ironicamente que cortaram a cabeça do Zípper e o corpo SuperSelf saiu andando apenas com o coração”, brincou o vocalista Rael Andrade, que forma a banda ao lado de Wyber Gester (bateria), Anderson Leal (baixo) e Thiago Costa e Rafael Oliveira (guitarras). A banda se apresenta no projeto Ensaio Aberto (Espaço Ná Figueredo, em Belém), no dia 28 de março. 


Som do Norte -  Vocês lançaram um EP em janeiro, pelo selo Som Independente Records. Contem um pouco sobre a produção e realização desse trabalho?
Rafael Oliveira - Gravar é um resultado natural de todo artista que almeja algo maior para sua música, mas lançar esse trabalho e lidar com os resultados disso era algo novo para todos. O Som Independente Records é uma luz que está nos mostrando o caminho, O Márcio Aracati do Som Independente está sendo um guru para banda em relação a trilhar essa estrada/ nós gravamos tudo em casa e não tínhamos ideia do quão grande isso poderia se tornar. Os desafios continuam e já estamos prontos para mais. 

Som do Norte -  Como acontece a criação das músicas da banda? Em uma faixa do EP tem a participação de Adriana Rolim, como foi que aconteceu essa parceria?



Thiago Costa - As composições geralmente são do Rael, o cara é gênio nas letras, do nada em meio às cervejas e cigarros surge um verso e uma harmonia vocal. O meu trabalho é fácil, só descubro o acorde pra acompanhar ele! Às vezes ajudo na letra, mas muito raramente, só quando as ideias empacam. Lembro quando nasceu a música "Bicho Solto". O Rael tinha uma primeira estrofe completa, muito “porrada”, que falava de um carinha que quer sair pra curtir, sem a namorada ou esposa e diz que voltará só no outro dia, só essa ideia já era perfeita pra uma música, mas não conseguíamos sair da primeira estrofe. Acho que foi a minha maior contribuição para letras, sugeri que fosse um diálogo de casal a música, foi aí que a ideia fluiu. Rael continuou com maestria nos versos pra música, conhecemos a Adriana Rolim e já estava decidido quem iria cantar essa parte feminina. Confesso que a princípio não acreditava no resultado dessa música, mas no final de tudo, ela se mostrou uma música muito forte. Outro grande escritor da banda é o Rafael, ainda estamos compondo novos sons em que ele já vem contribuindo com grande perfeição. Confesso que eu perco a modéstia ao falar do SuperSelf, eu tenho quatro amigos na banda, que pra mim são os melhores no que fazem. Cada um no seu jeito, o Wyber destrói nas baterias e  o Anderson aparece com uns arranjos de baixo que eu “tiro o chapéu”. Sinceramente, meu trabalho na guitarra é só achar o acorde certo, pois todos da banda são excelentes. Nos ensaios, vejo a preocupação do Rafa, cada milímetro dos potenciômetros nos pedais dele é crucial, então isso é de extrema importância para formação das músicas. Vale ressaltar os nossos contribuidores externos à banda, na verdade esses fazem parte do SuperSelf de tão próximos, o pessoal da banda Igrejas Bar, Wilson Moraes e o querido Adriano Reis. Wilson, que é um grande letrista, sempre ajuda nas composições e Adriano, que é um grande baterista e visionário em arranjos musicais, ajuda na parte de lapidação do nosso material. No final de tudo apareceu a figura do Márcio Aracati, um dos grandes apoiadores, trouxe consigo a grandeza do Som Independente Records, sem isso não estaríamos alcançando novos espaços e novo público, até fã-clube a banda já tem, liderados pelo cara que mais incentivou a banda, o grande Marcos Fragoso do Rock no Tucupi.

Som do Norte - O som da SuperSelf me lembrou muito bandas paraenses como Turbo, Johnny Rockstar, Eletrola.... Vocês ouviram/ouvem essas bandas? Quais são as influências de vocês?


Rafael Oliveira - Com toda certeza os artistas e bandas paraenses nos influenciaram e ainda influenciam, sabemos como banda independente que o caminho não é fácil e assim como muitos nos apoiam, apoiamos também os artistas da terra em primeiro lugar, somos fãs do Turbo, Molho Negro, The Tump, a antiga Destruidores de Tóquio, Aeroplano, Vinyl Laranja, Stereoscope, Dharma Burns, La Orchestra Invisível, as lindas Erika, Iza Haber e Aíla, Lobonato e Os Tucunarés Selvagens de Tucuruí e nossos parceiros do Ultramodernos, Igrejas Bar e The Crush Machine, gente que está na luta como nós e que nos ensinam todos os dias. Falar das influências de fora levaria a uma entrevista só pra isso, somos amantes da boa música e vamos deixar que os ouvintes percebam essas influências no nosso som, mas garantimos que vai de Abba à Zappa.

Som do Norte -  Quais são os projetos da banda para 2015? Como está a produção do videoclipe para a música “Bicho Solto”?

Rael Andrade - Levar nosso som ao máximo de lugares e pessoas possíveis, circuito independente dentro e fora do estado, registrar em clipes duas faixas do EP SuperSelf. O clipe de "Bicho Solto" vai contar com a participação de todos nossos fãs e amigos, todos irão participar e é a forma que encontramos de agradecer e dizer que onde o Superself for levaremos nome de todos. E ainda finalizar as gravações do segundo EP que está para ser servido no fim de maio, começo de junho.

Som do Norte - Para terminar, quem vocês convidariam para um café com tapioca?

Rafael Oliveira - Para um sagrado café com tapioca convidaríamos toda essa galera que trabalha no independente, que dá duro na sua arte, seja qual for, essa galera que se ferra toda, que luta, que alcança tudo com muito suor e que acima de tudo não desiste de levar sua arte a toda parte.