Aqui se fala do som dos estados do Norte do Brasil: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins

domingo, 1 de março de 2015

CD Bem que Podia é publicado na íntegra no YouTube




Neste domingo, o canal do Som do Norte no YouTube concluiu a publicação de todas as faixas do CD Bem que Podia, da Poeta Amadio, iniciada no dia 18. O disco, produzido por Fabio Gomes, editor deste blog, foi lançado por nosso selo em 14 de março de 2014. 

Às vésperas de completar um ano, o disco continua rendendo alegrias para os envolvidos em sua produção. Recentemente, duas de suas faixas - "Bem que Podia" e "O Silêncio de Cada Coisa que Falava" - foram apresentadas no programa Seu Espaço, produzido por Antonio Silva para a rádio web Além Fronteiras, da cidade de Faro (Portugal). 

  • Para comprar o CD em qualquer parte do Brasil, acesse nossa Loja Virtual 





quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

As Tias do Marabaixo: Primeiro curta do projeto comemora os 99 anos de Tia Zefa

Hoje Tia Zefa (Josefa Lino da Silva), uma das entrevistadas do nosso doc As Tias do Marabaixo, completa 99 anos! 

Para marcar a data, foram programada duas ações. A primeira foi a criação de novo cartaz da campanha Vista essa ideia das Camisas Som do Norte, destacando o novo modelo de camiseta com foto da Tia Zefa (cujo lançamento aconteceu em janeiro - para comprar a camiseta, clique aqui). O cartaz foi divulgado na página do Facebook do filme à meia-noite de hoje. 

A segunda ação é o lançamento da primeira amostra do documentário! Trata-se do curta Tia Zefa no Dia da Consciência Negra 2014 (As Tias do Marabaixo 1), filmado pelo jornalista Fabio Gomes, editor do Som do Norte, em 20 de novembro do ano passado, primeiro dia do 20º Encontro dos Tambores. O evento, realizado anualmente no Centro de Cultura Negra em Macapá, reúne todos os grupos de Marabaixo e Batuque que atuam no estado do Amapá (uma observação: o radialista Heraldo Almeida propôs recentemente que o Centro receba o nome de Tia Chiquinha, outra entrevistada do nosso doc, falecida em 18 de fevereiro deste ano). Tia Zefa participou da apresentação do Grupo de Batuque Filhos do Criaú, O grupo tem sede no Quilombo do Curiaú, comunidade situada ao Norte de Macapá, onde Tia Zefa passou a infância, sendo criada como irmã de Tia Chiquinha, sua prima de sangue. 




O produto principal do projeto As Tias do Marabaixo é um documentário de longa-metragem, uma produção Som do Norte dirigida por Fabio Gomes com filmagem e edição da Graphite Comunicação (Macapá). O doc traz entrevistas com Tia Chiquinha, Tia Zefa, Natalina, Tia Zezé e Tia Biló, além de mostrar a participação de todas elas em festas do Ciclo do Marabaixo 2014 (as filmagens aconteceram nos meses de maio e junho do ano passado). O material adicional filmado durante o Encontro dos Tambores deve gerar ao menos mais um curta (com imagens da participação de Natalina e Tia Zezé na apresentação do Berço do Marabaixo); sua possível inclusão no longa está sendo avaliada tecnicamente.


* Publicado originalmente no blog As Tias do Marabaixo

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Tábita Veloso lança versão oficial de "O Mundo não é Azul"

Quando cumprimentamos alguém (nós, os falantes de Português), costumamos agregar à saudação a pergunta "Tudo bem?" (que praticamente exige a resposta afirmativa idêntica - "Tudo bem!"), sendo uma de suas variações "Tudo azul!" (geralmente na resposta). Entendo que vem daí, e não da famosa frase do astronauta Yuri Gagárin, o sentido de "azul" no título da canção "O Mundo não é Azul", de Allan Jorge, cuja versão oficial a cantora Tábita Veloso finalmente lançou nesta madrugada (pra ser preciso, nos últimos minutinhos da segunda-feira). O eu-lírico compartilha conosco sua constatação de que o mundo é bem menos amigável (ou, por outra, "azul") do que ele imaginara até então. A vigorosa melodia de andamento pop e o arranjo com violino fazem lembrar Os Paralamas do Sucesso na fase do LP Os Grãos (1991).

Eu disse "finalmente lançou" porque esta é uma música que está no repertório de Tábita já há algum tempo - foi com ela que a artista venceu em 2012 o 3º Festival de Música das Rádios Públicas do Brasil - ARPUB, do qual participaram bandas de todas as regiões do Brasil (a versão anterior ainda pode ser conferido no site Radioca, que o destacou em seu programa nº 142, em maio de 2012).
  • Confira Tábita Veloso interpretando outra canção de Allan Jorge - O Final" 






Ficha técnica

O mundo não é azul

Composição Allan Jorge

Voz: Tábita Veloso
Guitarra e Violão: Roger Santos
Baixo: Anderson Sandim
Bateria: Felipe Lourinho
Flauta: Adriane Kis
Violino: Vivian Ferreira

Gravado no estúdio Cultura

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Diz Aí: Israel Perera

Pela primeira vez desde que o blog é blog, entrevistamos um músico estrangeiro. Israel Perera é da Venezuela, país sul-americano que faz fronteira com os estados brasileiros do Amazonas e de Roraima, Pois bem, nosso entrevistado consegue atualmente a proeza de participar de bandas destes três lugares (sim!!) - no começo do mês, foi anunciado como mais novo integrante da Nicotines, de Manaus. Na conversa a seguir, Israel nos conta como consegue abraçar todos estes projetos, fora o que realiza em produção em seu país natal, e seus projetos para 2015. (Fabio Gomes)

***


Som do Norte - Israel, no espaço de pouco mais de uma semana seu nome estava incluído no noticiário sobre duas bandas da região Norte. Em 29 de janeiro, a Folha de Boa Vista publicou uma matéria de Raísa Carvalho sobre o primeiro aniversário da banda Dr. Yoko, e em seguida, no dia 4 de fevereiro, você foi anunciado como o mais novo integrante da banda Nicotines, de Manaus. Como surgiu o convite da Nicotines?


Israel Perera - Conheci a Sandro Nine (à esquerda na foto ao lado, junto com seus colegas de Nicotines Lauro Henrique e David Henry) em um festival realizado pelo Coletivo Canoa Cultural em Pacaraima (RR), fronteira com Venezuela, e já falávamos de tocar juntos em alguma oportunidade. Falamos antes de gravar o EP e sempre estava esperando a oportunidade de tocar com Nicotines. Sandro hospedou a nossa banda Dr. Yoko nas duas oportunidades que a gente tocou em Manaus; além de nossa grande amizade, temos algo em comum que é a música, e quando me ligaram não duvidei em aceitar o convite.

Som do Norte - As suas duas bandas estão preparando EPs para lançamento em breve, não é? A Nicotines já vem gravando há algum tempo no LS Brazil Studio (Manaus), com produção de Ygor Lopez; você tem  participado das gravações? E o que falta para o lançamento do EP da Dr. Yoko?

Israel Perera - Eu não participei nas gravações da Nicotiines, vou começar no final desse mês os ensaios e preparar a turnê de lançamento do EP, que será junto com o lançamento do EP da Dr. Yoko. Hoje (quinta, 19/2), vou gravar a voz com a produção de Fabrício Cadela no estudio Parixara, acho que é só 50% do trabalho, falta a mixagem, masterização, arte e prensar as cópias, quando estiver tudo pronto anunciaremos as datas e as cidades (da turnê). 

Som do Norte - Uma curiosidade de ordem pessoal: na reportagem da Folha diz que você mora em Santa Elena, na Venezuela, fronteira  com o Brasil. Agora, integrando essas duas bandas brasileiras, você planeja seguir morando na cidade?

Israel Perera - Provavelmente, gosto de viajar constantemente e fazer música com amigos me dá essa oportunidade. Também conheci gente maravilhosa que me deu um lugar em sua família, como Ivonira Chavez, Daniel Dalmaset, Irene Werlang e toda a família Campos e Werlang a quem tenho muito que agradecer. Ano passado, a Dr. Yoko tocava em média 4 vezes por mês, e ainda tive tempo pra compartilhar com minha família. Nesse ano vai ser um de meus maiores desafios, mas também muito prazeroso,  mas vai ser o mais prazenteiro, não poderia estar mas feliz com estes dois lançamentos, 


Resultado de imagem para morte do presidente Hugo ChávezSom do Norte - No Brasil, não sabemos muito da Venezuela, principalmente após a morte do presidente Hugo Chávez (ocorrido em 5 de março de 2013 - foto ao lado). Como é o panorama do país para bandas de rock independentes? A banda Acertijo ainda existe? Conte um pouco também sobre sua experiência como produtor do festival Gran Sabana Rock, que reúne bandas brasileiras e venezuelanas.


Israel Perera - É delicado, não poderia falar de toda Venezuela mas tem algumas cidades que não têm aqueles shows e festivais independentes constantes por causa da delinqüência, insegurança e na maioria das vezes por falta de dinheiro. Mas há cidades como Puerto Ordaz que trabalham independentemente para reavivar o movimento e pra dar só um exemplo o Rock Sin Fronteiras, feito por bandas que se uniram, como Acertijo, Viamordaz, Virtual Vintage, Lunitari, Essentia. Nós da Dr. Yoko tivemos a oportunidade de tocar junto com Acertij, eles estão mas fortes que nunca, agora estão trabalhando no seu EP; vamos compartilhar palco no mês de março em Ciudad Bolívar, na Venezuela. É muito gratificante conhecer o trabalho de bandas e formar parte de uma, temos várias idéias pra tornar o Gran Sabana Rock ainda maior. No ano passado, íamos realizá-lo em Valencia e Margarita, mas foi no momento em que se iniciaram os protestos em toda Venezuela e era inseguro, mas o projeto segue de pé. Na ultima edição participaram Infâmia, Antiga Roll e Os Playmobils (bandas amazonenses), nas edições passadas com Nicotines (AM), Mr. Jungle (RR), Johnny Manero (RR) e bandas venezuelanas como Ganyaclan, Sr. Harry, Acertijo; é muito gratificante poder colaborar e dar a conhecer o trabalho de grandes bandas e abrir esse espaço em Santa Elena, na fronteira Brasil-Venezuela. 


Plaza Bolívar, em Santa Elena


* Entrevista realizada por e-mail em 19.2.15

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Arraial do Pavulagem participa da Marcha de Belém pela Erradicação do Trabalho Infantil



Na essência, segue a mensagem de respeito ao homem e ao planeta. O que muda agora é o formato, a maneira de cativar o público para ideias e propostas de uma sociedade mais sustentável. Reestruturado, o Cordão do Peixe-Boi deixa o calendário festivo do Instituto Arraial do Pavulagem para se transformar em um brinquedo itinerante que viaja pelo estado para propagar iniciativas ligadas à cultura, ao meio ambiente e ao bem-estar das pessoas. No próximo dia 1º de março, um domingo, o Peixe-Boi emerge das profundezas do rio para integrar a Marcha de Belém pela Erradicação do Trabalho Infantil.

Uma ação do Tribunal Regional do Trabalho, a marcha conta com a parceria de diversas instituições e grupos do poder público e da sociedade civil, entidades unidas em uma das ações do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, da Justiça do Trabalho da 8ª Região, para combater as histórias por trás dos números e das estatísticas. No Brasil, são 3,2 milhões de crianças e adolescentes trabalhando, na faixa etária entre 5 e 17 anos.

Com o apoio do Instituto Arraial do Pavulagem, a marcha reúne organizações para alertar a comunidade paraense sobre os danos irreversíveis à formação e ao desenvolvimento de meninos e meninas submetidos à exploração indevida de sua infância. E lembrar que o acesso à educação, à cultura e ao brincar são direitos e prioridades.

ONG criada em 2003 pela banda Arraial do Pavulagem, o Instituto realiza desde o início o Cordão do Peixe-Boi, que une cultura popular e educação ambiental para mostrar como é preciso olhar com carinho para a floresta e para a vida que ali existe. É a floresta quem inspira a construção do cortejo e convida o público a refletir sobre a utilização dos espaços públicos, sobre o destino do lixo produzido pelo homem, sobre a poluição sonora, e a capacidade de transformar o cortejo em um ambiente cada vez mais saudável e tranquilo para as pessoas, especialmente para as crianças.  

Grupos de ciclistas e patins e a bateria-show Crias do Curro Velho completam a programação da marcha, prevista para sair da escadinha da Estação das Docas às 9h, com destino à Praça da República. A concentração começa às 8h com uma roda cantada dos integrantes do Instituto Arraial do Pavulagem. O momento prepara o público para o clima dos cortejos com a apresentação de músicas do cancioneiro tradicional e contemporâneo da cultura do estado uma grande festa para cantar e dançar ao som toadas de boi e carimbó. O Arraial encerra a atividade com um show na Praça da República.


Ensaios

Para se preparar para a apresentação, o Instituto já iniciou a convocação dos integrantes do Batalhão da Estrela para participarem dos ensaios de dança, percussão e ritmo e perna de pau. As atividades iniciam no próximo dia 19 de fevereiro. No domingo, dia 22, a programação é aberta ao público com show na Praça dos Estivadores, bem em frente à sede do Arraial.


Serviço

Marcha de Belém pela Erradicação do Trabalho Infantil. 
Dia 1º de março, às 9h. 
Concentração na escadinha da Estação das Docas. 
Trajeto: Boulevard Castilhos França, Avenida Presidente Vargas, Praça da República.




quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Lançamento @SomdoNorte: "Cor de Rosa" - Lívia Mendes


NOVO SINGLE! 


Aos que amam o mar, o rio, a tarde e a fuga e um pôr do sol COR DE ROSA. Espero que seja uma delícia escutar essa música da mesma forma como foi pra mim fazê-la.

Já podem ouvir, amar, baixar e levar com vocês na estrada pro feriado! Que seja doce! 

Lívia Mendes



COR DE ROSA

Composição: Lívia Mendes
Produção Musical e Arranjos: Fabrício Bastos
Vocais: Lívia Mendes
Violões e guitarra: Gabriel Monteiro
Contrabaixo: Camila Barbalho
Bateria, maracas e sinos: Willy Benitez
Violinos: Silvana Pereira

Gravação e Edição: LadoBstudio
Téc. Fabrício Bastos

Mixagem e Masterização:
Zarabatana Estudio
Técnico de Mixagem: Carlos Valle
Técnico de Masterização: Ziza Padilha

Foto: Iury Vicenzo
Arte: Daluz 

Apoio: Som do Norte



quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Café com Tapioca nº 3: Moças do Samba

Por Nany Damasceno,
de Rio Branco 


Uma servidora pública federal, outra estadual, uma jornalista, uma professora de artes e uma intérprete. Cinco mulheres e uma paixão: O SAMBA.

Narjara Saab, Carol Di Deus, Vanessa França Sandra Buh e Yasmim O'hana e Vanessa França formam o grupo acreano Moças do Samba que surgiu em dezembro de 2013, quando após participarem de uma oficina, as integrantes decidiram ser o primeiro grupo acreano de samba composto apenas por mulheres. 




Nany Damasceno - Como surgiu o Moças do Samba? Acho que é o grupo que conheço que surgiu da forma mais inusitada, afinal, vocês participaram de uma oficina, que por sinal uma iniciativa bem bacana, e ninguém tinha a pretensão de formar um grupo e sair tocando por aí...

Narjara Saab - Na verdade nem passava pelas nossas cabeças, principalmente, porque não achávamos que teríamos competência para tal. Nossa pretensão era apenas de aprender cada uma a tocar um instrumento. Eu e Carol brincávamos que um dia íamos ter um grupo e eu falava que seria a cantora, mas tudo não passava de brincadeira e a gente inclusive ria muito disso. Ao ver a divulgação da oficina de percussão para mulheres, oferecida pelo  "Clube do samba Acre", cada uma de nós se inscreveu sem pretensões maiores. Com o passar das aulas, o maestro Antônio Carlos viu que algumas de nós tinham interesse em aprofundar o conhecimento sobre samba e marcou encontros semanais paralelamente à oficina e desses encontros surgiu o que primeiro se chamou Samba das Moças e depois passou a ser o Moças do Samba.

O Moças do Samba completou um ano recentemente, me falem dos planos de vocês pra esse novo ciclo que é 2015 e o segundo ano do grupo.

Vamos investir em projetos com o intuito principal de divulgar a cultura do samba de qualidade e também inspirar mais mulheres a participarem do cenário do samba local. Estamos planejando oficinas de percussão, rodas em espaços abertos e afins. Temos um projeto em vias de execução chamado Feminina Voz do Samba, aprovado pela Fundação Garibaldi Brasil, onde iremos apresentar várias rodas com sambas compostos ou consagrados por mulheres e através disso, contaremos a trajetória da mulher no samba. Essas rodas acontecerão em espaços abertos da cidade, em escolas, entidades que cuidam dos direitos da mulher, entre outros espaços. Queremos alcançar cada vez mais qualidade no nosso trabalho, afinal, somos inexperientes e temos consciência do quanto ainda temos que aprender.


Quais as inspirações do grupo e como as usam na música de vocês?

Nosso grupo é composto principalmente por amantes do samba.  A começar pelo nosso maestro Antônio Carlos, que tem vasta experiência e já tocou com grandes nomes do samba brasileiro. As moças por sua vez, em sua maioria ouvem samba desde crianças. Temos influência de nossos pais, avós e pra quase todas o repertório é parecido. Ouvimos muito compositores como Chico Buarque, Paulo César Pinheiro, Cartola, João Nogueira, Zeca Pagodinho, Candeia, Luíz Carlos da Vila... São muitos... Procuramos fazer um samba reto, sem firulas por enquanto, até porque, não temos ainda a experiência necessária nem tocando nem cantando. Assim, no nosso caso, por enquanto, pode-se dizer que "menos é mais". Seguimos as orientações do maestro que é quem conduz a parte musical do grupo.


Quem vocês convidariam pra um café com tapioca?

Seria grande a lista mas, hoje, por ser mulher e pela identificação do grupo com seu trabalho creio que seria uma honra para nós tomarmos um café com tapioca com a Tereza Cristina. Mas há quem do grupo tenha citado a Maria Rita... Na verdade fica difícil decidir. Seria um festival de cafés e tapiocas no nosso caso. (risos)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Lívia Mendes divulga o teaser de "Cor de Rosa", novo single


Ontem à tarde, a cantora Lívia Mendes publicou em suas redes sociais o teaser do seu novo single, intitulado "Cor de Rosa". 

O vídeo apresenta cenas da produção das fotos de divulgação feitas por Iuro Vicenzo, e as imagens são embaladas por uma trilha unicamente instrumental. Sim! Pra ficar num clima totalmente teaser, Lívia optou por não antecipar nenhum trecho da letra antes do lançamento oficial, que será no dia 12 e que terá, entre outros, a parceria do Som do Norte. 


Teaser do single "Cor de rosa", de Lívia Mendes

Lançamento 12/02
soundcloud.com/livimendes

Imagens: Lucas Melo
Edição: Lívia Mendes

Parceiros:

LadoBstudio
Daluz Design
Iury Vicenzo Fotografia
Som do Norte

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Confronto Interior: "Belém é a cidade do Hardcore e do Underground"

Por Raissa Lennon,
de Belém 

A banda Confronto Interior traz em suas composições mensagens cristãs, sobre ter fé em Deus e fazer o bem ao próximo. Mas fala também de conflitos sociais como as drogas, corrupção e a violência na periferia. Por isso, define seu som como Hardcore de Rua, não usando o rótulo "banda cristã”

- Todos nós somos cristãos, fazemos parte de alguma comunidade ou igreja e não nos envergonhamos nenhum pouco disso, mas não rotulamos a banda como cristã ou secular. Acredito que isso limita o ouvinte, além de surgir muitos preconceitos de ambas as partes. As pessoas ouvem nosso som e tiram suas próprias conclusões - afirma o vocalista Bruno Whosoever, que forma a banda ao lado do baterista Éder Maciel, o guitarrista David Pimenta e o baixista Michel Sawn completam o quarteto.

Com influências de Ratos de Porão, Desertor, Galinha Preta, Periferia S/A, Rodox, entre outras bandas, a Confronto Interior surgiu em 2012. 

- Depois do fim de outra banda que eu fazia parte, junto com o Éder, resolvi formar um grupo com uma sonoridade diferente. Éder convidou David para assumir a guitarra, e eu convidei o Michel para completar a ''cozinha'' da banda - conta Bruno. 



O primeiro trabalho foi lançado virtualmente no dia 5 de dezembro, gravado de maneira independente e caseira. Segundo Bruno, que compôs as letras, o feedback foi muito positivo. O guitarrista David foi responsável pelas gravações e os arranjos foram feitos pelo grupo. A capa da demo foi criada por Aj Takashi, baixista da banda paraense Perpetual Faith. Para ouvir e baixar, acesse confrontointeriorhc.bandcamp.com

Pouco mais de um mês após o lançamento da demo, a banda já se fazia presente com a faixa "Fim dos Tempos" em outro lançamento virtual - o da coletânea Cristo Suburbanorealizada pelo blog de mesmo nome, que se propõe a divulgar bandas cristãs do Brasil e evangelizar. Para fazer o download do CD, clique aqui. 

Os projetos da banda deste ano são lançar a demo em formato físico, além de um single do disco, e em breve, um novo EP.  

O vocalista Bruno acredita que "Belém é a cidade do Hardcore, tem muitas bandas boas por aqui. Não só do Hardcore, mas do underground em geral", acrescentando:

- Já tocamos em bares, boates, comunidades, skate park, em evento de otaku (risos)... Não temos ''frescura'' quanto a isso. Nossa mensagem e som é para todos. 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

@SomdoNorte entrevista Humberto Finatti




Fabio Gomes - Estamos aqui em Macapá recebendo a ilustre visita de Humberto Finatti, jornalista cultural, principalmente da área de rock - brasileiro e internacional - da qual fala muito em seu site www.zapnroll.com.br, e que tem uma ligação especial com a cena rock da região Norte. Bem-vindo!

Humberto Finatti - Quero falar pra começar que eu leio o Som do Norte, eu acho o blog superlegal. O blog Zap'n'Roll existe há 11 anos e eu tou acompanhando a cena independente brasileira há quase 20, nesse processo todo eu viajei pelo Brasil inteiro, conhecendo bandas, produtores, festivais. A ligação específica com o Norte começou em 2006 ou 2007, em Rio Branco, no Acre, quando eu fui cobrir o Festival Varadouro, que era feito pelo Coletivo Catraia. Estive em Rio Branco algumas vezes, fiz grandes amigos lá, aí de Rio Branco eu fui conhecendo todo o norte do Brasil: Porto Velho, Belém, Boa Vista... A ligação com Macapá se deveu porque naquela época eu era próximo do pessoal do Fora do Eixo. Modéstia à parte, a Zap'n'Roll é um dos três ou quatro blogs de cultura pop e rock alternativo mais acessados no Brasil, tem 70 mil acessos por mês, então o pessoal aqui lia a Zap'n'Roll, e me chamava e nisso eu vim cobrir dois Festivais Quebramar aqui em Macapá, produção do pessoal do [coletivo] Palafita, o Otto Ramos sempre me tratou muito bem, uma figura muito bacana. E aí eu comecei a conhecer as bandas daqui também, tem uma banda aqui em Macapá que eu acho fantástica, a Stereovitrola, e fui fazendo amigos na cidade, sempre que eu posso eu venho pra cá observar a cena, a movimentação musical, essa coisa toda.

Que canais tu tens usado em São Paulo pra te informares sobre a movimentação do Norte?

Não fazendo média com você, o Som do Norte é um desses canais. Os megaportais não dão muito destaque pra cena independente. Leio o G1 Amapá, parte de variedades, o Terra regional, blogs como o Urbanaque... O Scream & Yell dá uma grande atenção pra cena independente do Brasil inteiro, incluso aí a região Norte. E fora isso eu construí uma rede de amigos como você, as bandas, não só aqui, em Rio Branco, Belém...

Existe uma banda no Acre que te considera o padrinho dela, que são os Euphonicos. Tu inclusive conheces um dos músicos, o Aarão Prado, muito antes de se formar a banda Euphonicos.

O Aarão eu conheci quando fui cobrir o Varadouro e fiquei conhecendo as duas grandes bandas, maravilhosas, do Acre, Los Porongas e Camundogs. O Camundogs infelizmente não teve a repercussão que Los Porongas teve, mas era uma banda fantástica também. No ano passado, eu estive lá em Rio Branco e o Aarão me mostrou [o material do Euphonicos], eu comecei a escutar e fiquei louco. O Euphonicos tem as músicas mais lindas que eu tenho ouvido da cena independente nacional. Uma qualidade fantástica, você sabe disso, a Nany Damasceno fez a entrevista com eles pro Som do Norte, é uma qualidade absurda. A beleza poética e musical das músicas.





Você comentou que Camundogs não teve a mesma repercussão que Los Porongas, mas aí temos um dado que acho que na época pesava muito, que Los Porongas, ali por 2007, foi morar em São Paulo e o Camundogs continuou no Acre. Não sei se hoje essa questão influenciaria tanto.

Não dá pra explicar quais são os mecanismos que fazem uma banda boa dar certo nesse país. Los Porongas é uma banda gigante lá em Rio Branco. Eles tocam tranquilo pra 3 mil, 4 mil pessoas lá. Camundogs, por outro lado, uma época teve uma repercussão, mas ele não conseguiu atingir esse patamar em Rio Branco. Mas em São Paulo, Los Porongas, infelizmente - infelizmente porque a banda não merece isso - Los Porongas toca pra 100 pessoas, e eu acho isso uma injustiça com Los Porongas, que é uma banda tão boa quanto Euphonicos e quanto Vanguart. Eles fizeram um show na Choperia do SESC Pompéia, onde cabem 800 pessoas, e tinham umas cento e poucas pessoas. Mas era um público empolgadíssimo, cantaram junto as músicas todas o show inteiro. (O show aconteceu em 19 de setembro de 2014 e contou ainda com a banda uruguaia Buenos Muchachos - abaixo, um vídeo deste show, filmado por Denise Paiva)





Talvez valha mais 100 pessoas empolgadíssimas do que 800 bocejando. Eu acho que falta no Brasil um ponto intermediário, porque São Paulo é um mercado gigantesco. Não existe um mercado intermediário entre ser grande numa capital do Norte ou mudar para São Paulo para tentar a sorte. Como por exemplo, há como nos Estados Unidos, se tu sai do Colorado tu não precisa ir necessariamente ir pra Nova York, há outras opções. A cena brasileira não tem essa gradação.

Ou tu tocas pra 4 mil pessoas, ou tocas pra 50. Não tem meio termo. E isso se reflete na cena independente na seguinte questão: está se buscando resgatar uma cultura rocker no Brasil. Voltou a 89 FM em São Paulo, surgiram sites especializados em rock, tem a Bizz, Rolling Stone, mas está muito longe ainda de ser o último grande movimento do rock no país, que foi nos anos 80: Legião Urbana, Ira!, Capital Inicial, Plebe Rude e por aí vai. Nos 90, Raimundos ainda. De lá pra cá não tem mais isso. Hoje tá difícil sair uma banda de rock que consiga construir um público na internet e faça show pra 10 mil pessoas. O Vanguart já conseguiu próximo disso. Se você analisar quantas milhares de bandas que tem na cena independente de 2000 pra cá, tem uma que toca confortavelmente lá em São Paulo pra mil, 2 mil pessoas, que é o Vanguart. Uma. Então isso tem que ser mudado, senão o rock independente nunca vai conseguir almejar tocar pra um grande público, porque a grande mídia não tem interesse. A mídia especializada, alternativa, como é o meu e o seu caso, tem. Agora, se o Vanguart não entrasse na novela das 7 (Além do Horizonte, 2013) com "Meu Sol", não ia estar estourado como tá.

Tem uma outra questão, a grande mídia hoje ainda é refém do esquema do jabá criado nos anos 80/90, em que as gravadoras determinam o que vai ser tocado nas rádios e TVs - só que, como o mercado mudou muito por causa da internet, os segmentos musicais que ainda estão nas gravadoras são apenas os que têm grandes vendas, como o sertanejo universitário, o gospel... A gravadora hoje não investe em que tá começando.

É, não é nem o rock, qualquer gênero musical. As gravadoras faliram no modelo de vender disco em plataforma física, seja vinil, CD, o que for. Não vende mais. Elas tiveram que se adequar à internet, troca de arquivo musical, e se hoje elas acreditam que um artista vai estourar, começam a trabalhar aquilo nas redes sociais, no YouTube, empurrar no que resta de rádio grande, com o objetivo de massacrar aquilo na cabeça do público pra formar público pra show. As gravadoras hoje administram até a carreira e os shows das bandas, arrumam um empresário fortíssimo pra conseguir shows pra 10 mil pessoas e vão ganhar uma porcentagem em cima dos shows. Então as gravadoras querem formar artistas que elas saibam que daqui a pouco vão fazer show pra 10 mil pessoas.

Ou pega um artista independente que já conseguiu se firmar, e ela chama porque sabe que ele tem público.

O Vanguart fez essa trajetória, chegou num ponto que ele ficou grande demais pra cena independente. É uma história particularíssima, inclusive, que eu tenho conhecimento de causa, porque eu acompanho a carreira do Vanguart desde que eles surgiram em Cuiabá. Quando eu vi o Vanguart, ninguém fora de Cuiabá sabia quem era Vanguart. Eu fiquei louco, eu voltei pra São Paulo berrando "Vanguart" nos quatro cantos e os meus inimigos diziam: "Imagina, o cara é louco, falar de uma banda folk de Cuiabá, ahaha", dando risada, "imagina, deve ser a coisa mais imbecil, brega, cafona e idiota do mundo". E hoje Vanguart chegou no que é. No meio desse caminho de 2005 até agora, eles foram empresariados durante um tempo por um cara muito bacana lá em São Paulo que é um amigo pessoal meu, o Glauber Amaral. O Glauber tem uma rede de contatos muito boa. Ele é empresário, ele fala que ele é "direcionador de carreiras artísticas". Isso já há mais de 20 anos, quase 30 anos. Ele já trabalhou com os maiores nomes da MPB, Elza Soares, Luiz Melodia, Jards Macalé, Lanny Gordin, ele é muito bem relacionado. Eu o conheci quando ele queria investir em banda de rock, diversificar um pouco. E ele tinha um amigo em São Paulo que era o dono do Studio SP, que já não existe mais, e o Vanguart ia tocar lá. E esse amigo dele falou: "Glauber, vai ver essa banda, vai ver o show desses moleques que você vai gostar deles". O Glauber foi, viu o show, adorou, fez proposta, aí trabalhou com eles durante uns 2 anos. 


Nesses 2 anos, através dos contatos que ele tinha, ele conseguiu um contrato do Vanguart com a gravadora Universal, que resultou naquele Multishow Registro Vanguart, ao vivo (2009). Eu tava na gravação daquele DVD. Depois que eles saíram da Universal, eles chegaram a um acordo e houve um rompimento, amigavelmente, do contrato entre o Vanguart e o Glauber. Da parte do Glauber, ele achou que investiu demais na banda e a banda não soube se posicionar dentro de uma grande gravadora. E a reclamação do Vanguart pra mim - o Helinho falou isso pra mim, o Douglas também... Eles descobriram que o Vanguart, como uma banda independente, era a última prioridade da Universal, que tinha Ivete Sangalo, Chitãozinho & Xororó, Caetano Veloso pra priorizar. Então eles gravaram o Multishow Registro e tinham contrato pra mais um disco com a Universal. E eles começaram a perguntar pra Universal quando esse disco ia ser gravado. E a Universal não dava resposta, o diretor artístico não recebia a banda, até que chegou num ponto em que eles bateram pé: Escuta, nós vamos gravar esse CD quando? E aí o diretor artístico falou: Olha, a gente tá com outras prioridades nesse momento e não vai dar pra gravar o disco agora. Não sei quando a gente vai poder gravar o próximo disco de vocês. Isso chateou muito a banda, a banda chegou à seguinte conclusão: o disco não foi trabalhado direito, eles tinham um material muito bom no Multishow Registro que podia tocar em rádio, a Universal não quis pagar jabá pra tocar na rádio as músicas daquele disco, aí os meninos se reuniram e disseram: A gente quer rescindir o contrato com a gravadora. Eles literalmente chutaram a Universal, eu fiquei besta quando eu soube: Vocês chutaram a Universal, vocês tão ficando loucos?, eles: “Não tem o que fazer, os caras não iam fazer nada pela gente mesmo. Então se eles não iam fazer nada e o pouco de dinheiro que entrasse era pra gravadora e não pra gente, a gente prefere continuar sozinho, independente, e o dinheiro que entra é nosso". E hoje eu dou razão pra eles. 


Como é uma banda que todo mundo conhece, eles negociaram com o Rafael Ramos, filho do João Augusto, que foi diretor da EMI-Odeon... Hoje o Rafael é um produtor conhecido, produziu milhões de discos, é o dono da Deckdisc. A Deck é uma gravadora de porte pequeno, que conseguiu estourar a Pitty. O Rafael contratou o Vanguart, os últimos discos deles saíram pela Deckdisc: o Boa Parte de Mim Vai Embora (2011) e o Muito Mais que o Amor (2013). Ela investiu pouco, mas trabalhou bem a mídia social, aquela coisa toda, conseguiu graças aos contatos do Rafael Ramos emplacar a música na novela da Globo e o Vanguart hoje toca confortavelmente pra 3 mil, 4 mil pessoas.


Voltando à Zap'n'Roll: eu acho muito incrível que tu fazes uma atualização semanal, tipo uma revista, um post imenso, abarcando vários assuntos. Eu, por exemplo, quando tenho alguma notícia, alguma atualização pra publicar no Som do Norte, eu escrevo e já publico. Além da Zap'n'Roll, eu sei que tu estás escrevendo um livro com tuas memórias.

A Zap'n'Roll começou no Dynamite Online, um dos maiores portais de cultura pop e rock alternativo do Brasil, que hoje faz parte de uma ONG, a Associação Cultural Dynamite, cujo presidente é o André Pomba, um dos meus melhores amigos. É quase um casamento: a gente é melhor amigo um do outro e trabalha junto há 20 anos, desde que a Dynamite era uma revista impressa. Além de ser um dos conselheiros da ONG, eu sou conselheiro editorial do site e um dos editores contribuintes, recebo um salário pra isso. A Zap'n'Roll se tornou um grande projeto na minha vida e um blog muito conhecido que até o ano passado não dava dinheiro nenhum. Começou a dar de um ano e meio pra cá, por meio de publicidade. Fora isso eu sou convidado eventualmente pra ser curador de um evento, pra ser jurado de algum outro evento... Eu fui um dos cinco curadores do último Proac, um programa de incentivo à cultura criado pelo governo do estado de São Paulo já há uns 10 anos, nos moldes da Lei Rouanet. 

Sobre o livro: eu tenho histórias tão loucas na minha vida... eu não sou nada normal! Eu tou tentando me tornar mais normal agora, mas eu fui completamente anormal a minha vida toda. Durante 30 anos da minha vida eu fui completamente insano. Um amigo de São Paulo um dia me falou assim, eu nunca esqueço essa frase dele: Finatti, você já fez na tua vida coisas que Deus duvida e o diabo desconhece. Então eu conto as histórias no Facebook e um monte de gente vem conversar comigo: Por que você não publica um livro?. Na primeira versão do livro, eu fui meio preguiçoso e selecionei uns 20 posts dos primeiros 10 anos da Zap'n'Roll, tal qual eles foram publicados, com resenha de disco, as indicações culturais da semana, resenhas de shows e as histórias malucas de putaria em festival, consumo de droga, tudo. Falei com um amigo meu, o Marcelo Viegas, editor das Edições Ideal: Bicho, tou fazendo um livro, ele: Manda pra mim. Eu mandei e ele falou: Não, pera, você não tem que fazer uma compilação de posts como eles foram publicados, não interessa pra quem vai ler o livro a resenha do show de 20 anos atrás. Faz em tom de romance, com fatos reais, em ritmo de romance. E num capítulo, só as putarias e as loucuras que você viveu... Eu joguei o arquivo do primeiro livro fora e abri um novo arquivo, o livro vai se chamar Memórias de um Jornalista Junkie, só o título já diz tudo. Modéstia à parte, tá ficando sensacional. O Luiz César Pimentel, que é editor executivo do portal R7 e vai ser um dos prefaciadores do livro, já leu e falou: Meu, tá sensacional, vai dar muito rock'n'roll esse livro




* Entrevista gravada em 31.10.14 em Macapá

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

As Tias do Marabaixo: Lançada camiseta em homenagem a Tia Zezé



Nesta segunda, recebemos a primeira unidade do nosso novo modelo de camiseta As Tias do Marabaixo, em homenagem a Tia Zezé. De todas as entrevistadas para o documentário "As Tias do Marabaixo", Tia Zezé era a única que ainda não tinha sido homenageada com uma camiseta.

Isto aconteceu porque tínhamos poucas imagens de sua participação em uma festa do Ciclo do Marabaixo, que filmamos no Barracão Gertrudes Saturnino, no bairro da Favela (Macapá), e nenhuma dessas imagens com qualidade para dar origem a uma estampa de camiseta. A foto que utilizamos no modelo lançado hoje foi feita durante o quarto dia do Encontro dos Tambores 2014 - 23 de novembro, um domingo - e mostra Tia Zezé entrando no palco para dali a instantes começar a cantar com o grupo Berço do Marabaixo, que integra ao lado de diversos familiares seus. Assim como Natalina, outra de nossas entrevistadas, Zezé é filha de Gertrudes, a pioneira do Marabaixo da Favela. 

Para adquirir esta camiseta, acesse nossa Loja virtual.





Café com Tapioca nº 2: Bruna Vitória

O ano de 2014 já ensaiava os últimos acordes, quando tive uma agradável surpresa ao ler no Roraima Rock'n'Roll a republicação de uma matéria de Raísa Carvalho a respeito da cantora e compositora Bruna Vitória; o texto saíra originalmente na Folha de Boa Vista. Gostei do li, procurei ouvir o Soundcloud da garota e já na primeira faixa - "Sabe o Amor?"- decidi também fazer uma entrevista com ela. Localizei-a no Facebook, entramos em contato e poucos dias depois Bruna foi entrevistada por Victor Matheus, do próprio Roraima Rock'n'Roll (leia aqui). Pareceu-me então que o melhor era escalar Bruna para ser a segunda entrevistada da nossa nova seção Café com Tapioca - que estreou dia 15 com a sensacional Lívia Mendes (como assim, você ainda não leu?? Clique aqui agora!!). Ela adorou a ideia, e aí só faltava ela receber, na quinta, as fotos do novo ensaio que sua banda fez com Luisa Orihuela (as fotos deste post são dela, salvo indicação em contrário). Então, chegou o momento, convidamos todos a se sentar e apreciar este Café com Tapioca com Bruna Vitória. Servidos?


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Conheci seu trabalho através da matéria da Raísa Carvalho, republicada pelo Victor Matheus. Fui ouvir seu Soundcloud e fiquei encantado com o cristal da sua voz. Me agradou muito também a única composição sua que está disponível lá, "Sabe o Amor?, em que o eu-lírico encara um final de relacionamento sem melancolia, com bom humor e até alto astral (risos). O EP que você está gravando terá mais composições suas? Quando ele sai? 

Bom, o EP é um projeto do ano passado, que infelizmente não foi concluído a tempo porque dediquei maior parte do meu tempo aos estudos pré-vestibular. Ele tem 4 músicas autorais, 2 totalmente minhas: "Sabe o Amor?", que você já ouviu, e "Eu vou roubar você pra mim"; uma em parceria com o Projeto Churras, "Ainda é tempo"; e outra em parceria com dois amigos de São Paulo, o Dandy Poeta e a cantora Roberta Campos, essa última foi fruto de uma conversa no Whatsapp. Trocamos um verso e depois a melodia e logo saiu "Amizades, amores e flores". O EP está sendo produzido pelo Fabrício Cadela, no 14 Volume Estúdio e tem previsão de lançamento até o fim deste primeiro semestre de 2015. Logo logo ele sai!



Você é de Manaus e hoje mora em Boa Vista. Por que a escolha por viver em Roraima? Como você avalia as oportunidades para jovens artistas nas duas capitais?

Eu nasci em Manaus, mas vim pra Roraima bem pequena, com 2 anos. Meu pai, amazonense, e minha mãe, cearense, vieram atrás de novas oportunidades de emprego, já que alguns familiares já estavam aqui. Quem mora há muito tempo em Roraima diz ser "roraimado" e é o que sou: amazonense, roraimada de coração. Manaus eu sei que é muito grande e tem muitos jovens artistas que talvez não tenham as mesmas oportunidades que eu tenho aqui em Boa Vista por ser menor e estar agora abrindo as portas pra nós, artistas locais, entrarmos e sermos recebidos com um abraço daqueles de mãe.

Fale um pouco da banda que a acompanha nos shows e na gravação do EP. 




Tudo começou com o Rodrigo Levino, o guitarrista. Nós fizemos o ensino médio juntos e desde a escola tínhamos a ideia de uma banda. Eu comecei cantando sozinha, apenas eu e meu violão, mas logo os convites pra shows foram crescendo e um violão não era suficiente, então começamos a por em prática o que era apenas uma ideia, a banda estava nascendo. A Silvia Cabral (violão) eu conheci cantando e tocando na igreja, nos tornamos amigas e logo ela entrou na banda também, O baixista, Fabricio Viana, conheci nos shows, atualmente ele toca comigo e com a banda Rotação Perfeita; Fabrício entrou no lugar do João Fellipe, meu amigo de longa data, que hoje é baixista da banda Projeto Churras. Na bateria, quem começou foi meu primo, Agnaldo Sanches, mas que também não conciliou a agenda e entrou o João Gabriel, que conheci no cursinho. Antes de ser banda, somos ótimos amigos.




Pelo que vi na sua página do Facebook, você tem alguma parceria com a galera do Projeto Churras?

A banda Projeto Churras é amiga e parceira porque começamos praticamente juntos postando covers no Soundcloud e depois as nossas próprias canções, e eles estão ao meu lado, literalmente, porque dois dos integrantes da banda moram juntos e são meus vizinhos. A famosa "Casa Churras", onde ocorrem os ensaios, fica quase que grudada na minha. Dividimos de farinha a canções.

Quem você convidaria para tomar um café com tapioca?

De cara eu convidaria  Ana Larousse, que foi minha maior inspiração pra começar a escrever e queria dividir isso com ela e quem sabe até aprender um pouco mais. Não poderia esquecer das queridonas Clarice Falcão e Mallu Magalhães que são grandes influências, A Banda Mais Bonita da Cidade e sem dúvida, 5 À Seco. Eu faria questão de fazer tapioca pra todos eles!






Crédito das fotos:

Abertura da matéria - foto e design: Fabio Gomes

Primeira foto de Bruna Vitória - Romeu Lima

Foto do Projeto Churras - Facebook da banda

Demais imagens - Luisa Orihuela