Aqui se fala do som dos estados do Norte do Brasil: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Cellos do rock and roll (2010)


Entusiasmada com a música que ouve, uma garota aparentando 15 anos subitamente se ergue da cadeira do teatro, começa a correr e, sem que os seguranças consigam detê-la, pula no palco e beija um dos músicos. Uma cena até certo ponto comum no universo do rock, mas com certeza inusitada na música erudita, mesmo se considerarmos que o músico beijado faz parte da Orquestra de Violoncelistas da Amazônia, cujas performances atuais lembram muito a de bandas de rock. O mais incrível, porém, é que a cena aconteceu num país de tradições tão rígidas como a China, onde a Orquestra se apresentou em agosto de 2010, como único grupo brasileiro selecionado para a 29ª Conferência da Sociedade Internacional de Educação Musical (ISME), em Pequim.


Foto: Renato Reis


Ao embarcar para a China, o grupo ainda se chamava Orquestra Juvenil de Violoncelistas da Amazônia. No retorno a Belém, o maestro Áureo de Freitas retirou o termo “Juvenil” do nome, por entender que o adjetivo estava soando pejorativamente e vinha prejudicando os convites para apresentações. Por motivos idênticos, a palavra “Infanto” já saíra do nome há algum tempo – o grupo se chamava Orquestra Infanto-Juvenil de Violoncelistas da Amazônia, quando foi criado, em 1998, em conseqüência do sucesso do 1º Encontro de Violoncelistas da Amazônia, por sua vez um resultado direto do desempenho apresentado pelos alunos do projeto Violoncelo em Grupo, também implementado em 1998 na UFPA, onde Áureo é professor efetivo de violoncelo desde 1994.

Na época, o repertório da Orquestra era formado por clássicos de autores como Bach, Villa-Lobos e Saint-Saëns. O desempenho dos jovens músicos paraenses gerou convites para três turnês no Rio de Janeiro (2000, 2001 e 2004), Estados Unidos (2002) e Holanda (2004) e para a gravação de dois programas de rádio e um de TV para a BBC.

A ligação mais forte com o rock se deu a partir de 2007, quando Áureo foi convidado a escrever o arranjo de “Kashmir”, do Led Zeppelin, para que a Orquestra o interpretasse ao lado de Jimmy Page em Londres (o que acabou não se concretizando) e também por uma vontade dos próprios músicos (Áureo permite aos alunos escolher o que querem tocar, e foi essa “terceira geração” que pela primeira vez apontou o rock como uma preferência). O público de Belém pôde conhecer esta nova fase no concerto realizado no Theatro da Paz em novembro de 2007, em que a Orquestra teve como convidados a banda Madame Saatan e os cantores Edmar Rocha (do Mosaico de Ravena), Márcia Aliverti e Juliana Sinimbú: “Teve garoto se jogando no chão, violoncelista colocando violoncelo na cabeça... foi aí que realmente a nossa vida foi transformada”, recorda Áureo.

Outro momento marcante foi a participação da Orquestra no Conexão Vivo Belém, em junho de 2010. O grupo foi o único representante do Norte a chegar ao evento por votação popular na internet – foram 1106 votos recebidos, atrás apenas de três bandas de música popular do Sudeste. Apesar disso, o que aconteceu surpreendeu muito o maestro: “Nunca imaginei a gente tocar pra 15 mil pessoas, fãs gritando, assédio... aquilo foi demais! Depois do concerto com Madame Saatan, esse foi o ponto mais alto da nossa carreira”.

Para a continuidade da carreira, os planos incluem a gravação do primeiro CD ao vivo em 2011 e uma turnê pela Grécia em 2012.


  • Making-off do texto - Escrito em 21.11.10 para o Pará Música, com o  título Orquestra de Violoncelistas da Amazônia








terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Álibi de Orfeu (2010)

Álibi de Orfeu em 2011:
Elaine Valente, Rafael Mergulhão, Sidney KC,
Rui Paiva e Gláfira Lobo
(Foto: Victor Estácio)


Quando indicou o baterista Rui Paiva para acompanhar a cantora Gláfira Lobo num show do Festival Cultura de Verão, em 2003, o radialista Beto Fares jamais podia imaginar que daria origem a uma nova fase, justamente a mais duradoura, da banda Álibi de Orfeu. Rui retornava a Belém depois de um período no Rio de Janeiro e procurava uma cantora para a banda que fundara no final dos anos 80. Já Gláfira fazia bastante sucesso nos bares Carpe Diem e no Café Imaginário cantando com a banda Os Normais. Seu destaque na cena local lhe valeu vários convites para shows, sendo dois no programa Cultura in Concert, da rádio Cultura FM (o primeiro para o show coletivo especial do Dia Internacional da Mulher; o segundo já para um programa inteiro só dela) e um terceiro para o já citado show no Cultura de Verão.

Gláfira encarou o desafio de, vindo da MPB, tornar-se vocalista de uma banda de rock com repertório autoral; desde então mantém em paralelo sua carreira solo e o trabalho na Álibi. Na mesma época, ingressou no grupo o baixista Sidney KC, ex-integrante das bandas de heavy metal DNA e Jolly Jocker, nas quais se destacava por ser um raro baixista de rock a fazer solos. A soma de suas influências com o toque black music e funky de Rui resultou no som atual da Álibi, definido pelo jornalista Nicolau Amador como “uma mistura fina de pop e hard rock, com uma pitada elegante de MPB”. Em 2004, após a gravação do CD-demo Quem Foi que Disse que a Vida Era Fácil?, o guitarrista Sergio Barbosa juntou-se ao trio. Sergio saiu em 2009; atualmente, a banda toca com guitarristas convidados.

Em abril de 2010, lançou pela Na Music o CD Só Veneno, gravado de 2006 a 2007. Com participações de Edgar Scandurra e Frejat, o álbum tem sido bem recebido pela crítica. Entre 2007 e 2009, Álibi de Orfeu abriu shows em Belém de nomes como Paralamas do Sucesso, CPM 22 e Pitty; Gláfira foi convidada para cantar com o Ira! Rui e Sidney tem participado dos concertos em que a Orquestra de Violoncelistas da Amazônia interpreta clássicos do rock.

Antes da entrada de Gláfira e Sidney, o Álibi teve diversas formações, sempre com vocal feminino e tendo Rui como baterista. Nessa fase, lançou um CD, Álibi de Orfeu (1992), e participou de programas em rede nacional, como o Programa Livre, de Serginho Groissman, no SBT. No show dos 10 anos do Circo Voador, no Rio de Janeiro, o Álibi tocou ao lado de Cássia Eller.

  • Making-off do texto - Escrito em 21.10.10 para o Pará Música; o título do .doc nos meus arquivos ("alibi-versaoCORRIGIDA") indica que esta deve ter sido, pelo menos, a terceira versão do perfil da banda (já que pouco antes eu salvara outro arquivo como "alibi-novaversao"). 
  • Esta versão do texto nunca saiu em lugar nenhum. Ele foi publicado no Pará Música em 6.5.11, com o título "Os clássicos nunca morrem" e bastante alterado, já que ao longo desse meio ano a banda mudou bastante sua formação, com a saída de Gláfira, substituída por Gabriella Florenzano (que ficou na banda até o final de 2011), e a entrada dos guitarristas Rafael Mergulhão e Elaine Valente. 
  • Tive uma participação episódica na origem dessa formação de 2011 do Álibi: foi a mim que Rui Paiva telefonou em busca de contato com Rafael Mergulhão, que filmara parte de um show de Nanna Reis que eu dirigira em 2010. Semanas depois, Rui Paiva anunciou como novos guitarristas do Álibi Rafael Mergulhão e Elaine Valente, guitarrista da banda que eu ajudei Nanna a montar no segundo semestre de 2010. Elaine Valente tocou no Álibi até o final de 2014. 
  • Atualmente o Álibi de Orfeu é formado por: Karen Iwasaki (voz), Rafael Mergulhão e Sabá Netto (guitarras), Sidney KC (baixo) e Rui Paiva (bateria).

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Salomão Habib (2010)

Foto: divulgação


De agosto a dezembro de 2009, o violonista paraense Salomão Habib participou de uma das maiores turnês já realizadas no Brasil, ao lado do também violonista Fabrício Mattos, do Paraná. A convite do SESC Nacional, ambos fizeram 80 concertos em cidades de 19 estados de todas as regiões do país, em 102 dias. O próprio Habib considera esta turnê um divisor de águas na sua carreira, que iniciou de forma autodidata em 1986, em Belém, onde nasceu. Posteriormente, estudou com Léo Soares no Rio de Janeiro e aperfeiçoou-se com Henrique Pinto, em São Paulo.

Seu primeiro disco foi um LP, Carta do tempo, em que tocava violão e cantava, lançado pelo selo Clima em 1991, como resultado do prêmio de Melhor Projeto de Disco no Concurso de Composições da Associação de Compositores, Letristas, Intérpretes e Músicos do Pará. No ano seguinte, saiu seu primeiro trabalho instrumental, Tó Teixeira, também em LP.

É o criador do selo Violões da Amazônia, pelo qual lançou seis CDs, sendo o mais recente Santa Maria, de 2009, e dois livros-CD: Belém - O Azul e o Raro (1998) e Pássaro da Terra (1999). Participou ainda de outros quatro CDs no Brasil. Tem dois discos lançados no exterior: Crossover Classic, na Alemanha, e Masterpieces, na Itália, este de 2010. Realizou concertos na Venezuela, Cuba, Alemanha, Portugal, Suíça e Líbano.

A partir de 1989, desenvolve trabalho de pesquisa sobre música indígena, participando como pesquisador do Projeto Renas do Museu Emílio Goeldi e visitando aldeias Tembém na região do Alto Gurupi.

Em 1995, teve premiada em festival uma de suas primeiras músicas utilizando o tronco lingüístico Tupi-Guarani, “Guatá N’dé N’goty Xê Taba Pupé Ndaá Soô Ruã Ixé (Um dia vais passear comigo em minha aldeia; eu não sou bicho!)”. Em 2002, elaborou a tese O Som Indígena e o Oriente - A Música Guardada, em que analisa como a organização tribal dos índios brasileiros favorece a conservação de aspectos das primeiras manifestações musicais do ser humano, ocorridas no continente americano há dezenas de milhares de anos.

Recebeu em 2008 uma bolsa do Instituto de Artes do Pará para compor músicas utilizando elementos musicais indígenas – algumas foram apresentadas em 2009 na publicação do trabalho Auiaramanhe (“Para sempre”). Em 2009, teve concedida pela Funarte outra bolsa, para a composição de 12 rituais sinfônicos para orquestra de violões. 





terça-feira, 21 de novembro de 2017

Pro.Efx (2010)

Foto: Lu Guedes


Nenhum presente que o garoto Amadeu Fernandez recebeu foi tão marcante quanto o vinil do trio Run DMC que ganhou quando tinha sete anos. A partir dali, a música negra entrou definitivamente para a vida do produtor e selectah que hoje se assina Pro.efX. Ele chegou a ser baterista de uma banda de rock, antes de começar, em 1998, a trabalhar exclusivamente com produções eletrônicas inspiradas na cultura jamaicana, unindo os ritmos ragga e jungle. Por esta época, participou da banda Dubcore Attack, cujas influências iam do jungle a coisas bem experimentais, incluindo DJ na banda, muitos samples e percussão pesada.

Com o fim da Dubcore, Pro.efX seguiu trabalhando com o vocalista da banda, Guamat PA. O som da dupla Pro.efX & Guamat PA agregava elementos eletrônicos e do hip hop. Em 2007, formou com outros quatro DJs o coletivo Blacksfera, um marco na cena local – foi a primeira festa constante de Belém cuja line up percorria as várias tendências da música negra, do ragga ao samba.

Pro.efX  lançou em 2006 um EP com seis músicas pela Ná Records. Sua primeira mixtape, Transglobal Roots Overdub Jamin, que mescla drum’n’bass com ragga, saiu em novembro de 2009, com remixes para tunes de grandes nomes do ragga brasileiro, como Jimmy Luv, Rafael Dverso, Buyaka San e Ragga Dmente. Estas parcerias com MCs de outros estados são viabilizadas pela internet, fundamental também para o primeiro convite que recebeu para projeto no exterior. Ao visitar o site da história em quadrinhos Dread & Alive, a primeira tendo jamaicanos como protagonistas, Pro.efX deixou uma mensagem com links de seu som. O autor da HQ, Nicholas Silva, brasileiro residente nos Estados Unidos, respondeu convidando-o para ter músicas suas incluídas no CD lançado com a revista, em fevereiro de 2010. Em junho de 2010, o CD Pro.efX e DJ Konsiderado ­foi lançado pela Red Bull Music Academy Radio, misturando influências como o tecnobrega, o ragga e o drum’n’bass.

Desde 2005, quando trabalhou com a cantora Lu Guedes, tem feito parcerias com artistas dos mais variados estilos. Em maio de 2010, executou as batidas eletrônicas no show de lançamento do CD Amor Amor, de Lia Sophia. Atualmente, tem projetos em comum com as cantoras Nanna Reis e Gaby Amarantos e a banda The Vassos, além do “Raggaxote”, com Mista Prigui S, e o “Brasil roots companhia” com Dizzy Ragga, Ella Si e Biggy N.


  • Making-off do texto - A publicação deste texto inaugura no Som do Norte a republicação sistemática de artigos que escrevi para o site Pará Música, de Belém, entre 2010 e 2011. A maioria dos textos, como este, traçava o perfil de algum artista paraense, diferentemente do que fazia aqui no Som do Norte, onde sempre preferi trabalhar com notícias em vez de perfis.
  • Foi escrito em 31.10.10 e publicado em 13.6.11, ainda antes do lançamento oficial do site (que aconteceu em 15.8.11) - e com o título "Música jamaicana inspira parcerias com tecnobrega e MPB". Depois desta leva inicial, produzida até o final de 2010, trabalhei diariamente na redação do site em maio e junho de 2011, retornando para mais um breve período de 9.9 a 11.10.11. 
  • A redação do site acrescentou uma frase ao final do último parágrafo:
 Em março de 2011, lançou o primeiro single do Projeto Charmoso, sua parceria com a jovem cantora Nanna Reis, em que salsas, sambas, cantigas e tambores se misturam a eletricidade e sintetizadores. 
  • O site Pará Música emitiu nota em 14.3.17 informando a suspensão de suas atividades.


terça-feira, 10 de outubro de 2017

O pop-samba-rock da Paris Rock (2011)


Promovo em Belém uma festa chamada Noite Som do Norte. Só uma banda participou de três das quatro primeiras edições do evento, entre setembro de 2010 e fevereiro de 2011: a Paris Rock. A primeira por convite meu, a segunda a pedido da própria banda (para comemorar a classificação nas Seletivas do Se Rasgum, o que a habilitou a participar de um dos cinco maiores festivais do Brasil, seu maior momento até aqui) e a terceira por indicação da Mostarda na Lagarta.


Paris Rock na 1ª Noite Som do Norte
- 18.9.10

A Paris existe desde 2007, mas sua fase atual começa com certeza a partir do lançamento do EP Que Tá?, em fevereiro de 2010. Poucas vezes ouvi um disco de estréia que já mostrasse uma personalidade musical tão forte e ao mesmo tempo variada. As melodias da Paris são o ideal para a linha pop-samba-rock abraçada pela banda: têm apelo e são agradáveis. E os caras também são ótimos instrumentistas - destaco em especial os diálogos das guitarras de Yuri e Neto, que embalam e "dão a cara" do som da banda, com ou sem distorção, amparados pela cozinha segura do baixo de Renan e da bateria de Netto 2T. O vocal de Maumau, levemente arrastado, somado a seu timbre puxando pro rouco, podem enganar à primeira vista (ops, audição), mas em seguida você se dá conta de que ele sempre passa a mensagem de forma eficiente.

Quase todas suas letras tratam do amor e a abordagem do tema jamais é banal. Em "Discrepância", o eu-lírico diz à mulher que o rejeitara no passado e que "agora vem dizer que vai me amar": "Preste atenção/ Eu não sou besta pra querer seu coração/ E se você vier um dia a me amar/ Pode crer que não é sincero/ Ainda lembro do teu olhar." A inspiração até pode vir, em alguns momentos, da Jovem Guarda, mas a ingenuidade sentimental definitivamente ficou perdida numa das jovens tardes dos anos 60.

A banda tem presença marcante nos eventos do coletivo que integra, o Megafônica, de Belém, e já começa a ter bom público no Amapá, onde tocou em 2010 nos três Gritos Rock e no Festival Quebramar.


  • Making-off do texto - Artigo inédito escrito para a revista Intera, de Manaus, embora eu não recorde mais exatamente em que circunstâncias. Explico: a revista teve 3 edições: a nº 0, nº 1 e nº 2, e todas minhas colunas já foram devidamente publicados aqui  no blog. Este texto, que achei num HD meu com o título "parisrock-intera", é de 12 de fevereiro de 2011. Confesso que não lembrava mais dele, mas o título e o formato no estilo que a revista pedia não deixam dúvidas de que eu o escrevi para aquela publicação (não costumo escrever para uma publicação X sem que ela peça expressamente, o máximo que poderia fazer seria oferecer algo já pronto, o famoso 'requentado'). Enfim, segue o mistério. O texto não saiu na Intera nem em nenhum outro lugar até hoje. Égua da Ovelha Desgarrada, sumano! 
  • A Paris Rock participou da , e 4ª Noites Som do Norte
  • A 4ª Noite Som do Norte aconteceu em 26.2.11 e foi a que menor público teve, talvez 10 pagantes. 


terça-feira, 3 de outubro de 2017

Manaus recebe paraenses Aíla, Juca Culatra e Felipe Cordeiro (2011)

Escrevo este texto em 13 de outubro, um dia depois de Thiago Hermido me confirmar que Manaus irá conhecer no final de novembro os paraenses Juca Culatra, Felipe Cordeiro e Aíla. Talvez a capital do Amazonas presencie algo como o que aconteceu na vez anterior em que os três estiveram num mesmo evento – no Festival Quebramar realizado em Macapá em julho de 2010, Aíla (ao lado, na estreia do show Trelelê em Belém, setembro/2010 - foto: Aryanne Almeida) participou do show dos dois conterrâneos. Cantou uma música com Juca, e fez a segunda metade do show de Felipe. Por essas coisas que infelizmente acontecem seguido na Amazônia, nenhum dos três cantara antes no Amapá (e isso que o vôo entre Belém e Macapá demora só 40 minutos), mesmo o próprio Juca já tendo feito shows antes em São Paulo, Minas Gerais e até no Rio Grande do Sul. Aíla e Felipe também nunca tinham tocado fora do Pará (depois, ela já chegou a fazer uma apresentação no Rio, enquanto ele tem circulado bastante em 2011, tocando em Recife e Salvador, além de São Paulo, tanto com seu show quanto participando do Terruá Pará).


Felipe Cordeiro no RecBeat,
março/2011
(foto: Carolina Bittencourt)


Aliás, essa participação no Quebramar ano passado foi um dos primeiros shows de Felipe cantando. Sua estréia fora um mês antes, no bar Acordalice, em Belém, lançando o projeto Kitsch Pop Cult. Até ali, Felipe já era um nome respeitado como um excelente violonista e compositor de MPB (seguindo a linhagem clássica de Edu Lobo, Chico Buarque e Tom Jobim), e esse show do Acordalice marcou o que poderíamos definir como sua “guinada pop”, passando a tocar guitarra e incorporando ritmos do Norte como guitarrada, carimbó e lambada, combinados a elementos de pop, rock e surf music. Tudo isso pode ser apreciado no seu recém-lançado CD Kitsch Pop Cult (veja todas as letras e ouça duas faixas em http://felipecordeiro.net/), já com boas referências na revista Bravo! A partir de sua estréia com o projeto solo, Felipe deixou de tocar na noite acompanhando outros intérpretes, só segue atuando nos projetos de Iva Rothe (como guitarrista) e de Aíla (como guitarrista e diretor musical). Aíla também investe numa síntese entre o pop e os ritmos nortistas, e seu CD Trelelê, dirigido por Felipe, deve estar pronto no final de novembro, tomara que a tempo de ser levado para Manaus. Uma prévia já pode ser ouvida no Soundcloud - http://soundcloud.com/ailamagalhaes . Anteriormente, Aíla teve o EP À Sua Maneira lançado pelo Som do Norte, em 2010 (o disco está disponível em post publicado no blog).


Aíla também tem uma participação (fazendo coro) numa das faixas do novo CD que Juca Culatra lançou em junho, Dino Sapiens (capa ao lado), seu primeiro oficial (em 2010, chegou a gravar um EP com sua primeira banda). Hoje atuando com os Piranhas Pretas, Juca se destaca por algumas coisas não muito comuns por aqui. Primeiro, faz reggae autoral, fazendo questão de tocar seu repertório mesmo nas regueiras, em geral dominadas por covers das principais bandas dedicadas ao ritmo jamaicano (até por isso, sua carreira se desenvolve mais junto à cena independente, onde predomina o rock, onde o autoral é a regra). Segundo, seu som é uma crítica social dançante, com metáforas diretas criticando a falta de ética na política, a hipocrisia nas relações humanas e defendendo o Xingu contra Belo Monte. O CD pode ser baixado na Central de Abastecimento do Som do Norte


  • Making-off do texto - Artigo escrito no dia citado na frase de abertura e publicado no nº 2 da revista Intera (Manaus), distribuída gratuitamente durante o Festival Até o Tucupi 2011 (1 a 5.11) - o evento, embora isso não tenha ficado claro em meu texto, no qual os três paraenses se apresentaram. 
  • Considerando que o festival era no começo de novembro, creio que escrevi que seria no final daquele mês por esta ser a data que o Thiago Hermido havia me passado. De todo modo, saiu exatamente assim na revista. 
  • O site de Felipe Cordeiro linkado no texto não está mais no ar. 
  • Entre o nº 1 e o nº 2 da revista impressa, a Intera ganhou uma versão em blog. ainda no ar, com diversos posts publicados entre maio e setembro de 2011. Não tive participação no blog. O Som do Norte é mencionado no blog apenas com a coluna do nº 1, única edição disponível para download no blog da revista. 
  • O nº 2 foi o último a ser impresso da revista (até onde eu saiba). Em abril de 2012, a página da revista no Facebook anunciou o lançamento de um site para substituir o blog, "com equipe renovada". A última menção ao site na fan page da revista aconteceu em junho, apenas dois meses depois - a programação do Festival Até o Tucupi 2012, que aconteceu em setembro (a única edição que eu cobri) foi divulgada pelo site do próprio festival. Também não tive participação no site da revista. 
  • Além dos três textos publicados, cheguei a escrever outro texto para a Intera, que não foi publicado lá nem em nenhum outro lugar - e que sairá do ineditismo aqui no Som do Norte, na próxima terça. Aguardem!


terça-feira, 26 de setembro de 2017

Boddah Diciro: Exemplo de Administração de Carreira

Nota: Desde abril, tenho publicado no blog Jornalismo Cultural, sob a denominação "Ovelhas Desgarradas", uma série de textos que escrevi para outros veículos e que jamais havia publicado nos meus próprios espaços. Nesse garimpo, encontrei muitos textos que falam sobre música da Amazônia (o que não é surpresa alguma, afinal o Som do Norte foi meu principal trabalho entre 2009 e 2015). A partir de hoje, toda terça estarei trazendo um texto desta produção, sempre inédito aqui no blog. 

Inicio com as colunas que escrevi para a revista Intera, de Manaus, o primeiro veículo impresso a abrigar uma coluna fixa "Som do Norte" - foi esta a nossa primeira ação offline, como destaquei no Post nº 1000, de junho de 2010 (a talvez mais exitosa ação offline ligada ao blog, as Noites Som do Norte, só tiveram início em setembro daquele ano). Estreei na Intera falando, a pedido dos editores, sobre a banda roraimense Veludo Branco; a matéria saiu no número 0 da revista (junho/juho de 2010), com o preço de capa de R$ 2, e já foi republicada no blog no post que marcou o lançamento do CD Veludo Branco Rock'n'Roll, em agosto daquele ano. Segue minha coluna do nº 1 (mais detalhes no making-off ao final do post). 

***

Clique para ampliar


  • Foi omitida a legenda que enviei para a imagem - Boddah Diciro na gravação do clipe de "Strange"
  • O nº 1 tem na capa a data "Nov/Dez", sem citar o ano (2010), e circulou durante o 4º Festival Até o Tucupi (16 a 20/11, Manaus) - uma rara edição de festival nortista da época que não tem menção alguma no blog. O preço de capa da revista era de R$ 2. 
  • Falando em capa do nº 1, olha ela aí:
  • O site citado como sendo da banda hoje pertence a outro dono.


quarta-feira, 23 de agosto de 2017

O Marabaixo no Amazonas

Que o Marabaixo surgiu no Amapá é assunto fora de questão. O único relato conhecido de festa de Marabaixo fora do Amapá é o apresentado pelo antropólogo Nunes Pereira em seu livro O Sahiré e o Marabaixo, cuja primeira edição é de 1951, e que pude consultar em sua edição de 1989 na Biblioteca Pública Elcy Lacerda (Macapá), em 26 de janeiro de 2016, ocasião em que fiz as fotos que ilustram este post. 

Depois de visitar Macapá e Mazagão Velho em agosto de 1949, Nunes Pereira esteve no ano seguinte em Marabitanas, no Amazonas. Marabitanas está situada no distrito de Cucuí, no município de São Gabriel da Cachoeira, às margens do Rio Negro, na tríplice fronteira do Brasil com a Colômbia e a Venezuela. O local já abrigou o Forte de São José de Marabitanas, cuja construção iniciou em 1763, e que não mais existe; em seu lugar, estão hoje uma capela, uma escola e algumas casas, onde moram aproximadamente 80 pessoas – situação não muito diferente da encontrada por Nunes Pereira, pois em seu livro ele classifica Marabitanas como “lugarejo inexpressivo”, “célula insignificante da vida do município”.

Não era assim um século antes, segundo o naturalista britânico Alfred Russel Wallace, que visitou o local em 1851:

Os habitantes de Marabitanas são famosos pelas suas festas. Costuma-se dizer na região que eles passam a metade de suas vidas nas festas e a outra metade preparando-se para elas… (...) Mais ou menos uma ou duas semanas antes de cada festa – que sempre coincide com um dia santo da Igreja Católica Romana – um grupo de dez ou doze moradores sai de canoa pelos arredores, visitando todos os sítios e aldeias indígenas situadas num raio de 50 a 100 milhas, levando consigo a imagem do santo a ser homenageado, diversas bandeiras e alguns instrumentos musicais. O grupo é bem recebido em cada casa por que passa. Os moradores fazem questão de beijar o santo e dar algum presente para sua comemoração. O presente pode ser um frango, ou alguns ovos, ou um cacho de bananas, ou até mesmo dinheiro. É comum reservarem animais ainda vivos para servirem de presente a um determinado santo. Aconteceu-me muitas vezes chegar a um sítio para comprar provisões e receber respostas como ‘aquele porco é o de São João’, ou ‘esses frangos pertencem ao Divino Espírito Santo’ etc”. 

De todo modo, moradores de Marabitanas relataram em 1950 ao antropólogo a presença de Marabaixo em suas comemorações da Festa do Divino Espírito Santo. O mastro do Divino era levantado em frente à capela de Marabitanas, sem haver a preparação com a busca da murta (que Nunes Pereira chama de “bater murta”). Depois da levantação, havia um cortejo aberto por uma “madrinha” conduzindo a bandeira do Divino, à frente do Imperador ou da Imperatriz. No primeiro domingo da festa (o autor não informa a duração dos festejos), havia, como diziam os moradores de Marabitanas, “‘dança grossa’, dança do Marabaixo, com um tocador de caixa que a dirige e faz o solo, a que os foliões correspondem, com as vozes das mulheres, homens e crianças cantando versos”. O último dia da festa era marcado pela eleição não só dos festeiros do ano seguinte, como também de “juízes, juízas, mordomos, porta-bandeiras”, num total de 60 funções. Após o almoço, os nomes dos eleitos eram lidos em frente à capela, derrubando-se então o mastro com “Marabaixo e muita folia”. 

O antropólogo apresenta em seu livro uma série de versos que eram cantados na festa, cada um em um momento específico (“Alvorada”, “Às Seis Horas, “Ao Meio-Dia”, Antes da Reza”, “Depois da Reza”, “Coroação” etc.), numa estrutura mais próxima, por exemplo, da Folia de Reis, com suas canções de chegada e de despedida, do que das celebrações atuais do Ciclo do Marabaixo em Macapá, onde a cantadeira ou o cantador que estiver como solista tem liberdade para escolher qual ladrão irá interpretar, ou mesmo improvisar. Abaixo, uma das páginas com os cantos, recolhidos por Nunes Pereira no caderno de um morador local, conservada a ortografia da época. Nunca ouvi em Macapá estes cantos, nem nenhum dos outros citados no livro como pertencendo ao Marabaixo de Marabitanas. 




Já a presença de um Imperador do Divino guarda semelhanças com algumas celebrações atuais da Folia do Divino Espírito Santo pelo país, como as das cidades de Palmas de Monte Alto (BA), Nova Roma e Pirenópolis (GO), Santo Amaro da Imperatriz (SC) e Alcântara (MA), além do Vale do Guaporé, em Rondônia, fronteira com a Bolívia (cujo trajeto passa por 37 cidades brasileiras e bolivianas). Apenas nas festas de Santo Amaro da Imperatriz e de Alcântara existe a figura da Imperatriz do Divino, mas sempre ao lado do Imperador, e não como soberana única da festa, o que, segundo o relato de Nunes Pereira, acontecia eventualmente em Marabitanas.

E como o Marabaixo teria chegado a Marabitanas? Segundo Nunes Pereira, “aquela tradição” fôra “levada para Marabitanas de Santarém e de Alter do Chão [sic!], dos campos de Macapá e Mazagão Velho, naturalmente – dada a subordinação do Amazonas [até 1850] à vida administrativa, política e econômica do Grão-Pará”. Salvo se o autor estiver se referindo ao trajeto que africanos e/ou afrodescendentes do Amapá que dançavam o Marabaixo tenham feito para chegar a Marabitanas, esta seria a única menção em sua obra (e, de resto, em todo o material que conheço) de que poderia ter havido Marabaixo naquelas duas cidades paraenses. Agradeço se alguém puder me enviar informações a respeito. 

Este mapa no final do livro mostra como Marabitanas é distante de Macapá (são 1.755 km em linha reta, trajeto naturalmente impossível de ser feito, ainda mais em meio à Amazônia). Macapá está na parte superior direita e Marabitanas à esquerda - clique no mapa para melhor visualização).




O livro não traz fotos do Marabaixo em Marabitanas. Das poucas fotos do Marabaixo em Macapá, selecionei esta que mostra a colheita da murta nas matas do Curiaú, provavelmente feita em 1949, quando da passagem de Nunes Pereira por Macapá. 



segunda-feira, 1 de maio de 2017

Galeria: Vida é Sonho - Renato Torres

Na quinta, 27 de abril, o cantor e compositor Renato Torres apresentou pela terceira vez seu show solo Vida é Sonho no SESC Boulevard (Belém). Por uma feliz coincidência, pude assistir todas as apresentações; publiquei aqui a resenha da estreia, em 2012, e da reapresentação, já no ano seguinte. Para esta volta do projeto - que mescla música e poesia e é classificado como solo porque antes dele Renato só se apresentava junto a bandas como a Clepsidra -, combinei com Renato uma nova abordagem, a fotográfica. Das 20 fotos que lhe enviei, e que ele postou em sua fan page no Facebook, selecionei estas 10 aqui para o blog. 


Renato inovou ao propor para o SESC o show em formato de arena,
que não fora usado nas apresentações anteriores


Na foto acima, aparece a banda que acompanhou praticamente o show todo: à esquerda, o baixista Rubens Stanislaw; ao fundo, à esquerda, o tecladista Rodrigo Ferreira; ao fundo, à direita, o percussionista João Paulo Pires; e à direita, o bandolinista Diego Xavier. Renato, ao violão, circulava por todo o palco e junto à plateia o tempo todo, constituindo um desafio para o registro fotográfico :)


 Esta foto eu postei ainda na noite da quinta no Instagram, 
e foi a única do lote que não teve edição alguma (precisava?:)





A flautista Dulci Cunha participou de "Manhã de Janeiro"
(Renato Torres - Edyr Gaya)


O máximo de interação foi este momento,  em que Renato 
se propôs a literalmente tocar o coração da plateia


Ao lado de Carol Magno... 


...Renato interpretou "Sim", uma das canções 
mais conhecidas do repertório deste show


Em "Boca de Luar", Renato reuniu dois ex-integrantes 
da banda que também se chamava Boca de Luar: 
a cantora Valéria Fagundes e o baixista Maurício Panzera


 Com Armando de Mendonça em
"Viração" (Renato Torres - Paulo Vieira)


Também participaram do espetáculo as cantoras Camila Honda e Lariza Xavier.


* Publicado originalmente no blog

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Ye$t lança EP 1997

Há quase um ano, mais precisamente em 29 de março de 2016, conversamos com o rapper Ye$t, de Boa Vista, sobre seu single "Agora é o Fim" (com a participação da cantora Cinthia Sales), e antecipando alguns detalhes sobre o EP 1997, que ele estava gravando desde 2015. Leia o papo no Café com Tapioca nº 9 .

Pois bem, nesta quarta, 14, Ye$t voltou a entrar em contato conosco, informando em primeira mão o lançamento de 1997. O material tem quatro faixas inéditas, cada uma com um produtor diferente, e duas participações especiais - Jimmy MC, na faixa de abertura ("Pura Morfina") e Cínthia Sales, em "Agora é o Fim", a única faixa que já havia sido lançada oficialmente. 


quarta-feira, 3 de agosto de 2016

@SomdoNorte, 7 anos!

Nesta quarta, 3 de agosto, o blog Som do Norte completa 7 anos desde que suas atualizações se tornaram diárias, após um período experimental de um mês no ar. E é o primeiro aniversário em que podemos comemorar o registro da marca "SomdoNorte.com.br", acompanhada do logotipo-mapa-do-Brasil; o registro foi deferido em 15 de julho pelo INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial). O registro é importante à medida que todo o material já divulgado e o que ainda será lançado dentro do projeto As Tias do Marabaixo leva a chancela do Som do Norte. E ainda evita que pessoas sem vínculo algum conosco utilizem a marca sem nossa permissão. 

De 2009 para 2016 muita coisa mudou, aqui e no mundo. Os blogs já não são a principal mídia virtual, mas é claro que ainda têm seu público (basta dizer que, neste ano, temos uma média de 6 mil visitas/mês, ou seja, 200/dia). Creio que transcrever o trecho inicial de um texto recente escrito para a coluna "Papo Cabeça", que mantenho no blog e na coluna de jornal do Roraima Rock'n'Roll, ajude a detalhar melhor esta questão: 
"Em 2009, quando lancei o blog Som do Norte, pode-se dizer que estávamos na Pré-História das redes sociais. Quem dominava esse mercado aqui no Brasil era o Orkut, e nos Estados Unidos e parte da Europa o MySpace – sim, ele pretendia ser uma rede social, embora tenha se destacado por algum tempo pelas postagens de músicas. Mesmo assim, sem liberar um código para inserir as canções em sites, blogs ou outras redes sociais, pode-se dizer que o MySpace tinha uma interface monolítica, ainda mais se comparado com o talvez seu principal sucessor, o Soundcloud. 
Num cenário como o descrito, era útil e por vezes até necessário para artistas e bandas independentes entrar em contato com os principais sites e blogs existentes, voltados para o tipo de som que faziam e/ou o recorte geográfico em que se inseriam, uma vez que estes espaços, geralmente criados por jornalistas ou aficionados da área, acabavam se tornando referência e atraindo a audiência de um público que poderia se interessar pelo som daquela banda X (ou daquele artista Y). 
Esse cenário começou a se modificar, pelo menos no Brasil, a partir de 2011, com a ascensão entre nós do Facebook, tomando então o lugar que já tinha sido do Orkut e (pasmem) do Twitter até ali. Desde então, não param de surgir espaços onde o próprio artista pode falar diretamente com seu público – e ponha aí Instagram, Google +, LinkedIn, Snapchat e váááárias outras, como vemos na imagem, que inclui até sites que nem pensamos ser uma rede social, como o YouTube." 

Em suma: à medida que os artistas foram criando os próprios canais para se comunicar com o público, diminuiu de forma natural a procura por espaços como este para a publicação de suas notícias. Chegou a acontecer, e não foi uma nem duas vezes, que bandas que contatei recentemente para entrevistar para o blog não atenderam o pedido - não houve, de fato, nenhuma recusa direta, mas algumas semanas de silêncio podem constituir uma resposta bastante eloquente, não é? Enfim, é a vida. 

Creio que o grande papel que cabe a este espaço cumprir atualmente é o de constituir um referencial para a movimentação da música nortista de 2009 para cá. Este post será o de nº 4.745 do blog. Recentemente, tirei do ar pouco menos da metade disso - 2.155 posts, a imensa maioria posts de agenda, apenas com o flyer de anúncio de um evento. Não só esse material, passado o evento, se torna de interesse reduzido, como também tem ocorrido alguma confusão à medida que tais posts surgiam nas Lembranças do Facebook, com pessoas pedindo informações sobre um show de 2012 como se ele estivesse por acontecer, por exemplo. Em tempo: nenhum post foi apagado, então se você é artista ou integrante de uma banda e necessita material de clipagem para comprovação de atuação, para fins de inscrição em edital, entre em contato conosco. O mesmo se aplica para estudantes que necessitem pesquisar para seus trabalhos escolares ou acadêmicos. 

Aos poucos, irei revisar tudo o que continua no ar, já que em muitos posts os links para downloads, ou streaming, ou as fotos, ou quaisquer outras funcionalidades de terceiros que havíamos incorporado ao texto simplesmente sumiram (como as caixinhas cantantes, inoperantes desde que o site SingingBox saiu do ar sem explicação alguma; ou o PagSocial, que era nosso padrão para download, e também mudou totalmente dum dia pro outro sem aviso prévio). Apenas contamos com sua compreensão caso acesse algum post "capenga" antes de o revisarmos, afinal são 2.590 posts que se encontram no ar! 

Enfim, a ideia é manter o blog como uma fonte de pesquisa online sobre a música da Amazônia, enquanto houver internet. Entre e sinta-se em casa!
:)

Fabio Gomes



sábado, 25 de junho de 2016

Aviso

Minha fotoDesde ontem, estamos tirando do ar as postagens de Agenda do blog, principalmente as que se resumem a um flyer do evento. Esta movimentação é coerente com a nossa postura, anunciada há mais de ano, de não mais postar agenda no blog, considerando que atualmente o público em geral se informa dos eventos em sua própria cidade por meio de redes sociais ou aplicativos. 

A princípio, julgamos interessante manter no ar os posts de Agenda já publicados, porém com alguma frequência pessoas entram em contato conosco como se os eventos anunciados estivessem acontecendo agora (como o blog surgiu em 2009, alguns já acontecerem há mais de 6 anos...). Isto, acredito, se acentuou com a ferramenta Lembranças, do Facebook. 

De todo modo, nenhum post será excluído em definitivo, os que deixarem de ser exibidos ficarão como rascunho no servidor do blog, de modo que se algum artista precisar usar a publicação no blog como comprovação de repercussão de seu trabalho na mídia, como exigido por alguns editais, podemos fornecer o print da postagem, basta solicitar.


terça-feira, 21 de junho de 2016

Foi Show: Lívia Mendes

Por Raissa Lennon,
de Belém

A cantora paraense Lívia Mendes deu a largada em sua carreira musical, no show de lançamento do EP que leva seu nome, com o qual estreia em disco. O EP foi lançado em maio com exclusividade pelo Som do Norte

Logo quando subiu no palco, depois de um instrumental de abertura, ela ficou visivelmente emocionada pelo sonho que acabava de se realizar.  Embalou na sequência duas músicas do disco, “Bom conselho” e “Cor de Rosa”, e daí em diante sentiu segurança para mostrar a artista talentosa que desabrochava naquele momento. 


Teve de tudo: lágrimas, risos e muita alegria pelo trabalho que estava divulgando. Dedicou a música “Filme Europeu”, que também faz parte do EP, a suas tias, que estavam na primeira fileira do Teatro Gasômetro, cantando junto e cheias de orgulho da sobrinha. Além disso, deu uma aula de feminismo antes de cantar a música “Vibrante”, que é uma composição da cantora Camila Barbalho, baixista da sua banda (acima o momento do dueto).

“Vocês sabem o que é sororidade?”, perguntou ao público. Ela explicou que essa palavra era sobre respeito entre as mulheres, e sobre ajudar umas as outras, e comentou sobre como as mulheres deveriam se amar antes de qualquer coisa. Como diz a letra da música “viver taí para ser vibrante”, e como foi vibrante as duas cantoras apresentando aquela canção. Destaque também para a música “Pára”, que fala justamente sobre empoderamento feminino. 



Outras participações especiais foram das cantoras Lari Xavier na melódica “Cais” (foto acima), e de Ana Clara que cantou a fofíssima “Astronauta”, outra que faz parte do EP. O roqueiro Camillo Royale também arrebentou na participação da música “A praça”, parceria sua com Lívia. 




Cabelos esvoaçantes na hora da participação de Camillo Royale 




Lívia Mendes ainda tocou “Viagem no tempo”, “Silêncio”, “Voa”, “Quero chuva”, “Outra de mim” e terminou com o bis de “Café quentinho”, um grande destaque do EP.

O Projeto Parque Musical, realizado no dia 17 de maio, deu a oportunidade para Lívia Mendes mostrar a que veio, entrando no hall de grandes artistas paraenses como Liège e Sammliz, que estavam por lá para ver a estreia da cantora. Com uma voz suave, Lívia apresentou músicas românticas, com influência do folk norte-americano. E mostrou que anda muito bem acompanhada com os músicos Fabrício Bastos (também diretor musical) e Raphael Guimarães nas guitarras e violões, Camila Barbalho, no baixo, Tiago Belém na bateria e Silvana Cruz no violino (ao lado com Lívia na foto). 

sábado, 14 de maio de 2016

Lançamento @SomdoNorte: EP Lívia Mendes

Durante o agradabilíssimo bate-papo com Camila Barbalho que resultou no Café com Tapioca nº 11, um dos temas foi o EP que a cantora-compositora Lívia Mendes gravava na ocasião (nossa conversa aconteceu em abril) para lançar agora em maio, contando com Camila na banda.

O show de lançamento está marcado para terça, 17 (falamos disso logo logo). Na internet, o EP foi divulgado inicialmente no Soundcloud e no YouTube, ontem, e a partir de agora fica disponível também aqui no Som do Norte. Duas faixas já são conhecidas do nosso público: o megahit "Café Quentinho", tema do nosso primeiro Café com Tapioca - e que, aliás, inspirou o nome da seção - e "Cor de Rosa", que lançamos com exclusividade em fevereiro do ano passado. E quem é fã de Lívia e mora em Belém já conhece com certeza o repertório todo, ela cantou todas as faixas, por exemplo, em seu show no Bazarte realizado em 9 de abril, um show acústico em que Lívia foi acompanhada apenas por Camila (violão) e Silvana Cruz (violino); a própria Lívia também tocou violão. Naturalmente, o show de terça será com a banda com-ple-ta (urrul!).

Uma das canções do EP ora lançado já mereceu um clipe: "Filme Europeu", com direção de Edson Palheta e Marcio Crux, lançado no YouTube em novembro de 2015.



***

EP LÍVIA MENDES

Lívia Mendes é uma das vozes que surgem agora no tecido artístico do Pará. Aos 29 anos, a cantora apresenta uma mistura de música pop e folk, com a presença constante da sonoridade dos violões, do ukulele e do violino. Influenciada por bandas indie e pela música folk americana, Lívia compõe suas próprias canções e se apresenta com a proposta de um projeto completamente autoral. 

Com dois singles e um videoclipe lançados, Lívia já se apresentou em eventos como o Ensaio Aberto Ná Figueredo, BaZarte, Casa Aberta Se Rasgum, Quarta Autoral Old School e Projeto Belém Cidade Luz da Amazônia.

Seu primeiro EP Lívia Mendes (2016) contém cinco faixas de sua autoria e foi gravado no StudioZ sob supervisão, mixagem e masterização de Thiago Albuquerque. A produção musical é assinada por Fabrício Bastos e a direção vocal por Sandro Santarém. No dia 17 de maio de 2016, acontece o show de lançamento no Teatro Estação Gasômetro pelo projeto Parque Musical.



Ficha Técnica

Vocal - Lívia Mendes
Backing Vocal – Camila Barbalho 

Participação especial - Camila Castro (em Astronauta)
Guitarras e violões – Gabriel Monteiro
Guitarras e violões – Fabricio Bastos
Contra-Baixo e Gaita– Camila Barbalho
Violinos – Silvana Cruz
Ukulêle – Raphael Guimarães
Bateria – Thiago Belém
Percussões – Fabrício Bastos e Lívia Mendes



Show de Lançamento




Data: 17/05/2016
Hora: 20h
Valor: R$10,00
Direção musical – Lívia Mendes
Produção musical – Fabricinho Bastos
Direção Vocal – Sandro Santarém
Baixo – Camila Barbalho
Ukulele e violões – Lívia Mendes
Guitarras e Violões – Fabricio Bastos e Raphael Guimarães
Bateria e Percussão – Tiago Belém
Participações – Ana Clara, Camillo Royale e Lari Xavier