Aqui se fala do som dos estados do Norte do Brasil: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Café com Tapioca nº 10: Banda Irene



A banda paraense Irene nasceu em outubro de 2015, mas o guitarrista Luciano Costa e o baixista Eduardo Brasil já tinham uma afinidade musical construída ao longo de quase dez anos de amizade. “Eu e o Eduardo sempre tocamos em outras bandas, mas como somos amigos há muito tempo, rolava essa vontade de juntar as ideias”, contou Luciano. Logo no início, outro amigo, Raphael Santos, era o baterista, mas ele precisou sair e hoje quem comanda a cozinha da Irene é Luiz Otávio Moraes, ex-Objecto Quase. “Encontrei com o Otávio por ironia do destino em um show e o convidei para tocar com a gente”, explicou Eduardo. 

Em março a banda mostrou ao público o seu primeiro single chamado “Carmen em NY”, por meio de divulgação nas redes sociais. - ouça ao final do post.  Quem quiser conferir o som deles ao vivo tem duas oportunidades nesta semana, em Belém: na quarta, 6, eles tocam na Quarta Autoral do Old School Rock Bar; e no sábado, 9, a Irene toca no Chevallier, em um evento promovido pelo BarZarte (programação completa no cartaz ao lado). 

Na entrevista exclusiva para o Som do Norte, a Irene contou um pouco sobre o rock autoral que fazem na cidade de Belém.

Som do Norte – Vocês acabaram de lançar um single chamado Carmen em NY, porque essa música foi escolhida para ser lançada por primeiro, como foi o processo de gravação? 
Luciano – Assim, essa música foi composta pelo Raphael, antigo baterista da banda e ele fez esse favor de deixar com a gente essa música. A gente já se identificava muito com ela e começamos a trabalhar nela, a energia do som é muito boa. Então, surgiu a proposta do Fernando Dako, produtor musical de lá do Centur, ele queria fazer uns testes nos novos equipamentos que tinham chegado, e rolou esse convite de gravar lá porque ele já nos conhecia. Nós gostamos muito do resultado!

Som do Norte – Como é esse processo de composição de vocês, quem faz as músicas, em que se inspiram?

Luciano – Quem compõe é geralmente eu e o Eduardo, mas é um processo em conjunto, eu componho umas e o Eduardo outras...
Eduardo – Na questão de construção das músicas a gente compõe separadamente, o Luciano escreve mais do que eu até, mas na hora de montar as músicas como um todo é sempre nos ensaios junto com o baterista.
Luciano – E o lance da inspiração é tudo, filmes e a vivência do mundo mesmo. Tipo, “O Rei Plebeu” eu acordei depois de um sonho e escrevi...
Eduardo – A gente tem um lance de se inspirar também nas músicas da década de 90, dos Estados Unidos...
Eduardo e Luciano – Nirvana, Pearl Jam, Smashing Pumpkins, Silverchair, essas bandas todas do meio grunge.
Luciano – A gente tenta né, que eles nos perdoem (risos).

Som do Norte - Vocês vão fazer um show no dia 9 de abril no BarZarte, o que o público que não conhece a Irene pode esperar?
Luciano – Pura energia, é o nosso primeiro show então a gente vai tentar dar o melhor.

Som do Norte – E vocês pensam em gravar um disco?
Eduardo - Com certeza, surgiu um single agora, e o EP é o nosso próximo passo, estamos nos planejando para isso.

Som do Norte – E por que o nome da banda é Irene?
Eduardo – Na verdade, a gente queria botar o nome de uma mulher, então surgiram vários nomes, alguns estrangeiros, mas eu queria um nome brasileiro, então ficou Irene, não tem um super porquê....

Som do Norte – E pra terminar, com quem vocês gostariam de tomar um Café com Tapioca?
Luiz Otávio – Vocês sacam a banda Medulla? É uma banda de São Paulo bem legal...
Luciano – Já pensou tomar um café com Dave Grohl mano?
Eduardo – Pode ser, mas desses aí sou mais fã do Eddie Vedder! 




sexta-feira, 1 de abril de 2016

Foi Show: Filho de Gal

Texto e fotos: Raissa Lennon,
de Belém


Na terça, 29 de março, a cantora paraense Liège apresentou ao público de Belém o seu primeiro EP Filho de Gal (ouça no Som do Norte), em um show emocionante realizado no Teatro Margarida Schivasappa no Centur. Além de mostrar as quatro músicas autorais do disco e outras canções de sua carreira, incluindo algumas inéditas, ela também fez interpretações de Cartola, Rita Lee e Novos Baianos. Acompanhada dos músicos Dan Bordallo nos teclados e direção musical, Fil Alencar na guitarra, Yago Mathias no baixo e Júnior Feitosa na bateria, Liège deu a largada para uma carreira promissora, dentro do estilo da nova safra da “MPB contemporânea”, como ela mesma se define. 


        A primeira surpresa foi quando a cantora recebeu no palco sua filha Lis, e a cantora Babi, do Espoleta Blues, que cantaram a música “Toute La Vie”. “Esse foi o meu primeiro single lançado, que eu compus para a minha filha”, comentou Liège sobre Lis, que inclusive, estava superdescontraída e acenando para todo mundo enquanto cantava.  

O público também pôde conhecer uma canção inédita, dessa vez do guitarrista Félix Robatto, outra participação da noite. Eles tocaram pela primeira vez a música “Porque tá a fim”, que fará parte do segundo disco solo de Robatto chamado Belemgue Banger. O músico não poupou elogios para Liège. “Parabéns para vocês que vieram hoje, porque depois o show dela vai estar muito caro”, brincou. A cantora Lia Sophia também fez uma participação especial cantando sua composição “Eu só quero você” (presente nos CDs Livre, de 2005, e Lia Sophia, de 2013), foi perceptível a admiração que Liège sente por Lia, uma de suas principais referências no cenário musical.

Lia e Liège

Eu fiz questão que as participações fossem pessoas que fizeram parte da minha carreira musical, que tiveram interferência direta nela. Como a Lia Sophia, que foi a minha inspiração quando eu comecei em barzinhos. O Félix Robatto, que foi o meu primeiro produtor, e as crianças, para as quais eu componho. Então, sem a Babi, sem a Lis, a festa não estaria completa”, ressaltou Liège em entrevista exclusiva ao Som do Norte logo após o espetáculo.

        Outro ponto marcante do show foi a execução da faixa “Cabelo”, em que todos os músicos usaram perucas coloridas, em uma brincadeira referente a letra da música. Mas foi em Filho de Gal, que dá nome ao EP, que Liège mostrou todo o seu potencial enquanto cantora e compositora. A canção reflete sobre o empoderamento feminino e questões de gênero de maneira mais ampla. No bis, Liège retornou com a faixa “Gira Sóis” e chamou todas as participações para subirem ao palco novamente. “Foi melhor do que eu esperava, a gente cria uma expectativa muito grande, e fica nervosa, mas foi muito além do que eu esperava, foi incrível”, definiu Liège sobre o show.


Todos agradecem

        Agora, a cantora se prepara para abrir o show do cantor Johnny Hooker, em Belém em 4 de junho, junto com a banda Strobo.

O EP Filho de Gal foi lançado digitalmente nas principais plataformas de streaming de música. Gravado em Belém, no estúdio Na Music, foi mixado no estúdio Casarão Floresta Sonora e masterizado no estúdio O Grito, em São Paulo, e lançado pela Editora Na Music em parceria com FUNTELPA e apoio do Blog Som do Norte.


quarta-feira, 30 de março de 2016

Agenda Belém: MESTRES E MESTRAS DO CARIMBÓ DO PARÁ



Pesca, agricultura, carpintaria, artesanato, cantorias-batuques-composições de carimbó, liderança comunitária, memória viva da cultura de sua terra e de seu povo...Foi na prática de um ou vários desses ofícios e funções que cada Mestre e Mestra conquistou a admiração e o respeito de sua comunidade, tornando-se uma referência para a cultura e a vida da sua vila, aldeia, cidade ou beirada.

São conhecimentos e práticas aprendidas e ensinadas ao longo da vida, pela força da transmissão oral que acontece do mais velho para o mais novo, dos pais para os filhos, da memória para a vivência. É assim que cada mestre ensina o que aprendeu sobre o Carimbó e suas tradições, tornando-se responsável pela preservação e pela continuidade desse precioso patrimônio junto à sua comunidade, transformando-se ele próprio em patrimônio vivo e ativo da sua cultura.

O Carimbó do Pará tem muitos mestres e mestras, plenos de conhecimento e sabedoria, imensamente generosos no esforço de colocar em prática e compartilhar o que sabem. Alguns poucos tem seus nomes (re)conhecidos fora de suas localidades, como Lucindo e Verequete, mas a grande maioria é invisível para a sociedade e para o poder público. E todos são absolutamente fundamentais para a cultura brasileira e para todos nós.

O público de Belém tem um encontro marcado com essas figuras maravilhosas no Espaço Cultural Apoena, no dia primeiro de abril, no Show “MESTRES E MESTRAS DO CARIMBÓ DO PARÁ – SOMOS PATRIMÔNIO”, uma grande celebração da beleza e diversidade de nossa grande tradição musical, hoje reconhecido como patrimônio cultural imaterial brasileiro.

O projeto “MESTRES E MESTRAS DO CARIMBÓ DO PARÁ” é uma iniciativa que busca valorizar e oportunizar alguns desses mestres e mestras anônimos do carimbó, desconhecidos do grande público, mas amados e respeitados por suas comunidades.

Atendendo ao convite do Espaço Cultural Apoena, a Campanha “Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro” reunirá mestres e mestras do Carimbó vindos de 16 municípios paraenses, da Região do Salgado à Ilha do Marajó, do Tapajós à Região Metropolitana de Belém para uma grande festa carimbozeira. Eles e elas virão a Belém para participar da reunião do Comitê de Salvaguarda do Carimbó, promovido pelo Iphan, e da plenária do movimento carimbozeiro, atividades que ocorrerão nos dias 1 e 2 de abril.

O grupo formado por todos esses mestres expressa a beleza e a diversidade do Carimbó paraense, incluindo os sotaques peculiares de diferentes regiões, como o praiano, o rural, o urbano... São músicos, compositores, cantadores, poetas, dançarinos e construtores de instrumentos, vindos de todas essas localidades, revelando um pouco da riqueza e importância dessa manifestação.

O Show “MESTRES E MESTRAS DO CARIMBÓ DO PARÁ” terá uma importância fundamental para o fortalecimento do movimento carimbozeiro: toda a renda da venda de ingressos será destinada para a Campanha do Carimbó, um movimento cultural e social criado pelos próprios mestres e comunidades carimbozeiras de vários municípios paraenses. Esse movimento nasceu a partir das discussões promovidas no Festival de Carimbó de Santarém Novo desde 2005, tendo sido o principal responsável pela conquista do registro como patrimônio cultural nacional em 2014.

A comitiva de Mestres e Mestras do Carimbó do Pará será composta da seguinte maneira:

Mestre Aroldo do grupo “Revelação do Zimba (Salinópolis); 
Mestre Ticó do grupo “Quentes da Madrugada” (Santarém Novo);
Mestra Dona Amélia  do grupo “Cruzeirinho” (Soure/Marajó).
Mestre Manoel do grupo“Uirapurú”, Mestra Dona Bigica do grupo “Sereia do Mar” , Mestre Mário do grupo“Japiim”, (Marapanim);
Mestre Elias do grupo “Raios de Luz” (Curuçá);
Mestre Lico do grupo “Beija-Flor” (Vigia);
Mestre Moacir do Grupo “Filhos de Maiandeua” (Fortalezinha-Maracanã);
Mestre Álvaro “Lavico” do grupo “Parázinho” (Colares).
Mestre Lucas do grupo “Sancari” (Belém); 
Mestre Alexandre do grupo “Amigos do Carimbó”, Mestre Luiz do grupo “Águas Lindas”, Mestre Nivaldo do grupo “Pindorama” (Ananindeua);
Mestre Cazuza e Mestre Ilson do grupo “Unidos do Paraíso” (Santa Bárbara do Pará);
Mestre Bené do grupo “Brasileirinhos” (São Miguel do Guamá);
Mestre Come Barro do grupo “Raio de Sol” (Quatipurú);
Mestre Ribamar do grupo “Carimbó do Nilo” (Primavera); 
Pedro Ribeiro do grupo “Acauã” (Cachoeira do Arari);
Mestre Cláudio Capoeira do grupo “Cobra Grande” (Alter do Chão-Santarém);

Na ocasião será feito o lançamento do 2º Congresso Estadual do Carimbó, evento que reunirá mestres e lideranças de todo o Pará e cuja realização está prevista para o mês de maio

Serviço:

MESTRES E MESTRAS DO CARIMBÓ DO PARÁ
Show “Somos Patrimônio”
Dia 01.04.2016
Espaço Cultural Apoena (Av. Duque de Caxias, 450, esquina com Tv. Antônio Baena)
A partir das 22 h
Ingressos a 10,00 
Informações e venda antecipada: (91) 98191-6690 | 98303-7950 | 99969-3572









Mestres do Carimbó no Sesc Boulevard Belém
- setembro/ 2015 (Foto: Isaac Loureiro)

terça-feira, 29 de março de 2016

Café com Tapioca nº 9: Ye$t


Na volta do Café com Tapioca, um papo com o rapper roraimense Ye$t.


Som do Norte - Ye$t, agora no começo de 2016 você lançou seu primeiro single, com o rap "Agora é o Fim", tendo a participação da cantora Cinthia Sales. É um rap romântico - podemos dizer assim, né? - falando do fim de um relacionamento, fugindo assim da linha mais tradicionalmente associada ao rap, que é a de fazer críticas sociais. 


Ye$t - Essa música é o pontapé inicial do EP e que passou por diversas transformações até que eu sentisse que estava pronta. Eu gosto de discutir de tudo nas rimas desde questões sociais, festivas, pessoais e o famoso "love song" que o pessoal gosta no rap. E acho que transmiti muito bem isso com a Cinthia nesse trabalho.


Cinthia Sales e Ye$t em pocket show no Circo do Seu Léo
- novembro/2015


Som do Norte Como foi participar do Festival Canto Forte, em novembro de 2015, com este rap? O público que comparece a festivais desse tipo geralmente encontra apenas canções de MPB, como foi a reação da plateia ao seu rap?

Ye$t - Foi um salto e tanto na minha carreira quanto na da Cinthia entrar nesse festival, uma das melhores experiencias da minha vida. Eu nunca imaginei que podia estar em um evento tão grande e poder estar com vários nomes da musica de Roraima no mesmo palco. Eu era o mais novo dos candidatos e me senti um pouco assustado com o tamanho da proporção que as coisas foram se tornando; o público gostou bastante e eu saí de cabeça erguida e muito feliz por participar.


Som do Norte "Agora é o Fim" estará no seu EP  1997, cuja gravação iniciou no ano passado. O que você pode nos adiantar sobre este trabalho? O título é o ano em que você nasceu, não é?
Ye$t - Adianto que logo logo vai ter clipe de "Agora é o Fim" e que talvez em maio o EP saia. Coloquei 1997 por ser os acontecimentos da minha vida transmitidos na rima e na arte mais limpa sobre mim. Mas que todo mundo possa se identificar e curtir. 

Som do Norte - Na sua fanpage, você define seu som como "pop, rock, rap". E em seu Soundcloud, afora várias versões de "Agora é o Fim", é possível encontrar um cover de "Que Sorte a Nossa", sucesso dos sertanejos Matheus & Kauan. Como você trabalha estas diversas influências em seu som?

Ye$t - Eu gosto de brincar de ser sertanejo de vez em quando (risos). Brincadeiras à parte acho que me sinto diferente na cena porque quero fazer conexões do rap com diversos estilos e não tenho preconceito ou desmereço e acho que a partir do momento que um artista se envolve com o "novo" tudo se torna possível. Tudo aqui é pra somar e trazer um bom som. Posso jogar umas guitarras e uma bateria e pegar o microfone e me sentir um Elvis Presley do hip-hop (risos).

Som do Norte Quem você convidaria para um café com tapioca? 

Ye$t - Com certeza eu chamaria a rapper Karol Conká. Acho que ela traz a nova onda do hip-hop nacional. Essa coisa gringa com jeito brasileiro que só ela sabe fazer e que eu gosto muito e que tenho muita vontade de um dia cantar ou até mesmo gravar uma música com ela.



Inscreva-se até 30 de abril na Campanha #VamosSonharJuntos!

quinta-feira, 24 de março de 2016

Você sabe quem escreveu seu show preferido?

Logo nos primeiros dias de 2016, recebi uma proposta inédita em minha carreira. A produtora de um cantor do Nordeste me convidou para ser o roteirista dos shows dele. O acerto acabou não acontecendo, devido a uma questão pessoal do artista, mas me fez pensar (pela milésima vez) como é curioso que num país tão musical quanto o Brasil esta não seja uma carreira incluída habitualmente nos planos de profissionais das áreas de Artes e Comunicação. Talvez pela falta de projeção que a categoria acaba tendo - pense em todos os shows que você já viu. Ou então lembre do show que você mais gostou de assistir, e que está em sua cabeça até hoje como se fosse um filme. Pois bem, alguém em algum momento pensou que músicas iriam entrar nele, em que ordem etc. Você saberia dizer quem fez isso? Não? Não se preocupe, você não está só! Esta função, como todas ligadas a bastidores da produção artística, raramente é citada com destaque.

Há casos em que artistas ou bandas muito conhecidos pedem que seus fãs mandem pelas redes sociais sugestões de músicas a serem incluídas no show, mas na maioria das vezes o roteiro do espetáculo é definido pelo próprio artista, junto com seu produtor, por vezes o diretor musical é chamado a opinar também. Pode acontecer, porém, de o artista chamar alguém (que já integre, ou não, a sua equipe) para escrever o roteiro do show - lembrando que nem sempre um show é apenas uma coletânea de canções, há artistas, a exemplo de Maria Bethânia, que recitam poesias entre uma música e outra. No período em que os shows de Roberto Carlos eram produzidos pela dupla Mièle e Bôscoli, cabia a este último - o jornalista e compositor Ronaldo Bôscoli - escrever os textos que Roberto declamava eventualmente.

O mais famoso caso de show escrito por alguém de fora da equipe dos artistas é Bons Tempos, Hein?, que Millôr Fernandes roteirizou em 1979 a convite do quarteto vocal MPB-4. Millôr também desenhou a capa do LP pela Polygram. A mesma arte foi aproveitada ainda como capa do livro que foi lançado pela editora gaúcha L&PM (dentro da coleção Teatro de Millôr Fernandes!!!), contendo o roteiro completo do show, incluindo as letras de músicas como "Se meu time não fosse o campeão" (Gonzaguinha), "Tropicália" (Caetano Veloso) e "Cálice" (Chico Buarque - Gilberto Gil). A edição deste livro pode ser considerada algo surpreendente, afinal, desconheço outro roteiro de show que tenha virado livro!

Para a minha geração (nascida na década de 1970), estes shows reunindo músicas, poesias e textos parecem ter sempre existido, mas na verdade não são tão antigos assim. Mesmo que se possa ver nos espetáculos modernos ecos do antigo teatro de revista (peças cômicas surgidas no século 19 reunindo esquetes humorísticos e sucessos musicais do momento) - e seus sucessores, como os shows de cassino e os shows de boate -, os chamados shows de teatro viram rotina no país entre o final dos anos 60 e começo dos 70. Isto devido a N fatores, o principal é que, até 1964, o formato dominante de disco no mercado era o 78rpm, com apenas duas músicas. Os grandes nomes da primeira metade do século - Francisco Alves, Orlando Silva, Carmen Miranda, Sílvio Caldas etc. -, moravam todos no Rio de Janeiro, que até 1960 era a capital federal. Mas quando eles cantavam nos teatros do Rio, não era com shows solo, que é a concepção que temos hoje. Ou eram shows coletivos, com inúmeros artistas; ou eram programas de auditório transmitidos ao vivo pelo rádio; ou eram participações em espetáculos de teatro de revista.

Quando estes artistas de fama nacional viajavam para cantar em outros estados, na maioria das vezes era para atuar em programas de auditório (as grandes emisssoras tinham orquestras próprias, geralmente as partituras eram enviadas com antecedência, então apenas o cantor ou a cantora viajavam, diferentemente de hoje em que um artista monta sua banda e viaja sempre com ela). Nas turnês para shows em teatros de outros estados, mesmo um artista de grande fama como Francisco Alves raramente se aventurava sozinho, era comum chamar colegas como Mário Reis, Carmen Miranda ou Noel Rosa.

Já em meados da década de 60, o panorama era bem diverso. As rádios não tinham mais orquestras; o LP se firmara como formato padrão do mercado; o teatro de revista, cujos atores foram recrutados pela televisão, praticamente desapareceu. Outro fator veio contribuir para a aproximação entre artistas da música e os palcos dos teatros: a censura da ditadura militar que chegou ao poder em 1964. Do dia para a noite, peças já ensaiadas e autorizadas a estrear - ou mesmo já estreadas! - podiam ser simplesmente proibidas, e era comum que fossem substituídas por apresentações musicais, naturalmente, ao menos no princípio, improvisadas.

Mas ainda em 1964 estreou aquele que é um marco na história dos shows brasileiros: Opinião, com João do Vale, Zé Kéti e Nara Leão (substituída depois por Maria Bethânia), com roteiro de Armando Costa, Oduvaldo Vianna Filho e Paulo Pontes e direção de Augusto Boal, no Teatro Opinião (Rio). Em 1966, Bethânia voltou ao mesmo palco, ao lado de Gilberto Gil e ninguém menos que Vinicius de Moraes, com o show Pois É, roteirizado pelo trio José Carlos Capinam, Torquato Neto e Caetano Veloso, tendo direção musical de Francis Hime e direção geral de Nelson Xavier. No mesmo ano, o Teatro de Arena (São Paulo) produziu o show Arena Canta Bahia, cujo elenco hoje custaria milhões para ser reunido: Maria Bethânia, Gilberto Gil, Gal Costa, Caetano Veloso, Pitti e Tom Zé, com direção de Augusto Boal. Ou seja, ainda predominava a ideia do show coletivo.

O modelo consagrado na atualidade, do show cujo repertório é estruturado em um disco recém-lançado pelo artista, começa a se firmar em 1970 com a estreia da primeira temporada de Roberto Carlos no Canecão (Rio) - foi aí que ele passou a trabalhar com Mièle & Bôscoli - e atinge um ponto de excelência com a extensa temporada de Falso Brilhante, de Elis Regina, no Teatro Bandeirantes (Sâo Paulo) - foram 257 apresentações de dezembro de 1975 a fevereiro de de 1977, sim, 15 meses em cartaz!!! Um marco histórico, e algo impensável nos dias de hoje. Com roteiro da própria Elis e de Cesar Camargo Mariano, o show contava com atores, corpo de baile e a direção de Myriam Muniz. Pelo gigantismo dos elementos em cena, Falso Brilhante não pôde cumprir um dos requisitos básicos de um show na contemporaneidade, que é sair em turnê nacional ou mesmo internacional - foi em Amsterdam, Holanda, que Caetano e Gil estrearam seu show Dois Amigos, Um Século de Música, em junho de 2015, dois meses antes de sua primeira apresentação brasileira, em São Paulo.

Parte dessa história era relatada no prefácio da surpreendente edição com o roteiro de Bons Tempos, Hein?, o livro que me levou a pensar que, de certo modo, um roteiro de show tem muito em comum com uma peça de teatro (sem falar que me parece evidente que, não raro, o intérprete musical adota recursos cênicos comuns a atores - gestos, expressões faciais - para reforçar a mensagem da letra que está cantando). Pensando nisso, eu, que já escrevera três peças teatrais entre 1996 e 2002 (todas inéditas), fiz dois roteiros para shows. O primeiro, escrito em 2009, é uma reunião de músicas que falam sobre o amor (não necessariamente canções românticas), intitulado O Amor é a Coisa mais Linda que Existe entre Nós. O ano seguinte, 2010, foi de muitas homenagens a Vinicius de Moraes, devido à passagem dos 30 anos de seu falecimento; também fiz minha parte, criando o roteiro do show E Por Falar em Vinicius. Adotei para ambos uma mesma estrutura, na qual a sucessão das letras das diversas canções vai formando uma história, como se fosse um filme musical ou uma ópera.

Estes dois roteiros seguem absolutamente inéditos (bem como um outro que fiz em 2009 de parceria com cantora paraense Juliana Sinimbú para o show que se chamaria Artigo que Não se Imita: Juliana Sinimbú Canta Noel Rosa). Cheguei a trabalhar em Belém como produtor artístico de algumas cantoras (inclusive dirigi e co-roteirizei shows de Nanna Reis, em 2010, e Tábita Veloso, em 2011), mas por um motivo ou outro não chegamos a mexer nestes roteiros. Na verdade, eu já nem pensava no assunto, quando a sondagem recebida no começo do ano me trouxe à mente tudo o que aqui está dito.

Vivemos uma época em que o repertório de antigos discos é revisitado, seja pelo próprio artista - João Donato fez, em 2014, os shows que não aconteceram em 1973, para o lançamento de seu LP Quem é Quem -, seja por outros - na Virada Cultural de São Paulo, também em 2014, Otto interpretou os sambas do LP Canta, Canta, Minha Gente, lançado por Martinho da Vila quarenta anos antes. Curiosamente, não vejo movimento algum para remontar shows desse período áureo dos anos 70 em que, a meu ver, o show era uma expressão artística diferenciada em relação ao disco, pelos elementos citados no breve histórico acima. Sem contar que havia atistas como o gaúcho Carlinhos Hartlieb, que fez uma série de shows memoráveis em Porto Alegre entre 1972 e 1982, mas que só deixou um disco, Risco no Céu, lançado postumamente; quantos outros casos como este não terão havido pelo Brasil, de um artista ser mais de show do que de disco?

Enfim, talvez esse resgate de shows seja algo mais difícil, devido à quase inexistência de roteiros conservados que estejam disponíveis ao público (por favor, se eu estiver aqui dizendo uma grande bobagem, me corrijam!!!). Mas talvez chegue um tempo em que, assim como grupos teatrais de todo o Brasil montam, às vezes simultaneamente, peças de nossos grandes dramaturgos como Ariano Suassuna, Nelson Rodrigues e Dias Gomes (isso sem falar nas inúmeras montagens de textos de William Shakespeare o tempo todo pelo mundo), um mesmo roteiro de show possa estar sendo produzido em várias cidades país afora, com o devido destaque para seu roteirista. Sonhar não custa nada, como já cantou na Sapucaí em 1992 minha escola do coração, a Mocidade Independente de Padre Miguel :)

terça-feira, 1 de março de 2016

Os Descordantes lançam clipe (genial!) de "Três Dias"

Em agosto de 2014, o Som do Norte lançou com exclusividade na internet o primeiro CD da banda acreana Os Descordantes, que no ano seguinte andou sendo apontado como um dos melhores discos produzidos na Terra Brasilis naquele ano de Copa (mas esse fato deixa pra lá). Se você AINDA não ouviu, clica aqui urgente!

Bom, mas eu fiz essa introdução pra dizer que a banda acaba de lançar o clipe da canção 'Três Dias', que é o prazo que o eu-lírico dá para a amada voltar. Só que o clipe, que começa dizendo que este é o 'Capítulo 1' (??), termina dizendo que a história 'Continua...'

Terão Dito Bruzugú George Naylor Mesquita e Saulo Olimpio de Melo criado o clipe-novela? Aguardemos. Por ora, vamos assistir o clipe que está simplesmente SUPIMPA & GENIAL. 

***
"Meu amor, você tem três dias pra voltar pra mim."
Será que esse orgulho funciona?
Esse é o clipe da canção "Três dias" do disco "Espera a chuva passar".
Produzido por Fellipe Lopes em parceria com Os Descordantes.
Compartilhem o primeiro capítulo da dor de quem ama sem ser correspondido, e esperem os próximos episódios!
Com amor, Os Descordantes. 





Assumindo a faceta do orgulho, ele dá três dias para que ela volte. Será que funcionou?


Clipe oficial da canção "Três dias", da banda acreana Os Descordantes.



Direção: Dito Bruzugu e Fellipe Lopes
Roteiro: Dito Bruzugu
Direção de fotografia: Fellipe Lopes
Assistente de fotografia: Amanda Pinheiro
Edição: Fellipe Lopes
Direção de arte: George Naylor
Motion design: Bruno Guedes
Produção: Os Descordantes



Estrelado pelos Descordantes e Thaiana Vasconcelos



Agradecimentos: La Doceria e loja Senhoritha

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Amapá: Macunaíma, intérprete de Boêmios do Laguinho, faleceu ontem no Ceará

Por Mariléia Maciel,
de Macapá

Agnaldo Santos, o Macunaíma, se despediu para sempre neste domingo, 28, após lutar pela vida, desde que foi diagnosticado com câncer no esôfago, no início deste ano. Macunaíma era intérprete oficial da Universidade de Samba Boêmios do Laguinho, fez parte do grupo Sambarte e do projeto musical Perfil do Samba. Na Missa dos Quilombos, sua voz puxava os cânticos, integrava ainda os grupos de sua família, Raízes do Bolão, de batuque, e Afro Brasil"Era talentoso, herdou o gosto pela cultura regional e nasceu com a voz maravilhosa, que vai fazer muita falta na avenida”, disse Vicente Cruz, ex-presidente de Boêmios.

 Macunaíma no festival de samba-enredo de 2015
Foto: Márcia do Carmo

Quem é de sorrir, vai sorrir, quem é de chorar, vai chorar, quando o Boêmios do Laguinho na avenida desfilar

Macunaíma é nativo do bairro Laguinho, com raízes no Curiaú. Neto da lendária Tia Chiquinha e do mestre Bolão, era filho de Maria Catarina, todos já falecidos, e de Benedito Santos, o seu Biluca, um dos fundadores da Universidade Boêmios do Laguinho. Das carreiras pelos campos do Laguinho, um dia, em 1991, sua voz chamou atenção do então presidente de Boêmios, Rozendo Almeida e do carnavalesco Heraldo Almeida. No ano seguinte Macunaíma entrou na avenida Fab como intérprete da sua querida Nação Negra.



Um caso de amor, orgulho e paixão

Macunaíma fez morada provisória em outras escolas,  quando passou uma temporada fora de Boêmios, e encantou com sua voz, os brincantes dessas comunidades. Em 2007, quando o presidente Carlinhos Prazeres e o diretor de carnaval, Vicente Cruz, iniciaram a revolução estética de Boêmios, Macunaíma foi convidado a retornar para o Laguinho. Ele estava dentro grande projeto de valorização de Boêmios, e assim como Francisco Lino, que ganhou o título de Menestrel, a rainha da bateria Vânia começou a ser conhecida como Nega Vânia (na foto ao lado, Nega Vãnia e Macunaíma), entre outros, Macunaíma foi reconhecido como Herói Laguinense.

No fundo do mato virgem nasceu Macunaíma, herói da nossa gente....” (Mário de Andrade)

Macunaíma, com apelido tirado do famoso romance de Mário de Andrade, publicado originalmente em 1928, honrou o título de herói, e deu muito orgulho e alegrias para a comunidade, emocionando os torcedores de outras agremiações, quando passava na Ivaldo Veras, atual local dos desfiles. Honrou o pavilhão até o fim, e com seu carisma, cativou toda comunidade do samba ao longo de seus 41 anos, e depois, emocionou a cidade, até quem não o conhecia ou quem não gosta de carnaval, que se mobilizou para ajudar na recuperação de sua saúde.

Fizemos tudo o que foi possível, campanhas, ações de solidariedade, para que ele voltasse pra terminar o tratamento em Macapá, mas não o resultado não foi o esperado. Aproveito para agradecer a todos que de alguma forma colaboraram, seja doando, contribuindo com dinheiro, orações, participando das promoções. Agradecemos também às escolas de samba, que provaram que quando queremos, somos fortes, e aos cerca de 80 artistas que emprestaram seu talento nas ações de solidariedade”, disse o presidente de Boêmios, Jocildo Lemos.


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Ajude o Sancari a comemorar os 8 anos do Projeto Pau & Corda do Carimbó

O Carimbó Sancari divulgou hoje em sua fan page no Facebook a primeira ação que marca a comemoração do oitavo ano do Projeto o Pau & Corda do Carimbó, mantido sem parceria ou convênio com políticos ou entidades.




A primeira ação será o sorteio de uma camisa oficial e um CD novo do Grupo de Carimbó Sancari. O sorteio será através de uma rifa com 100 dezenas (de 01 a 00). Para cada dezena será cobrado o valor de R$10,00 (dez reais), o resultado será apurado pela Loteria Federal do próximo dia 9 de abril. O ganhador irá receber os dois prêmios, camiseta e CD, que serão entregue na sede do grupo, em Belém.

Quem quiser ajudar mas não morar em Belém, pode depositar o valor na conta abaixo:

Banco do Brasil 
Agencia:1232-7
Conta corrente: 715687-1
Lucas Pacheco Bragança

Após fazer o depósito, informar ao grupo e solicitar a dezena que deseja para sorteio. 

Semanalmente o grupo irá divulgar nas redes sociais os números que já tiverem sido vendidos. 

Para outras informações, falar com o diretor de eventos do Sancari, Lucas Bragança, pelos fones: 

91-996073710 (Oi) 
983037950 (Tim)
984103833 (Claro)
91110784 (Vivo) 
Residencial: 32280949

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Entrevista: Liège

por Raissa Lennon.
de Belém 

 “Meus peitos e meus defeitos são iguais aos seus eu sei, no meio das minhas pernas moram muitas ideias e você gosta delas não é?”. 

Foto: Dianalogica

São esses os primeiros versos da música “Filho de Gal”, que dá nome ao primeiro EP da cantora e compositora paraense Liège. A letra diz muito sobre ser mulher e ter a liberdade para fazer o que quiser e ser o que quiser. Essa mensagem ecoa durante todo o disco de quatro faixas, que foram produzidas por dois anos até o lançamento em 22 de janeiro de 2016 (ouça no Som do Norte).

Com o amadurecimento pessoal depois de se tornar mãe e da carreira que começou aos 15 anos de idade, Liège passeia pela MPB, rock e tropicália com propriedade e segurança. O EP está disponível no Deezer e tem a direção musical de Dan Bordallo e mixagem de Léo Chermont (Strobo), sendo um lançamento do selo Ná Figueredo em parceria com a FUNTELPA e apoio do Estúdio Casarão Floresta Sonora e do Som do Norte. Nesta entrevista exclusiva, Liège conta como foi o processo de criação deste EP. Confira:

Como nasceu o EP “Filho de Gal”, em que momento ele começou a ser construído? 

O EP começou a ser pensado e produzido em 2013, quando a produção e direção musical estavam nas mãos de Félix Robatto. Iniciamos um processo de criação que acabou sendo freado pela falta de recursos financeiros. Recebemos então apoio da FUNTELPA e fomos construindo com calma o perfil do EP que acabou se moldando ao meu amadurecimento como artista. 

O EP tem direção de Dan Bordallo, como foi o processo de gravação? 

Félix me orientou a conversar com o Dan Bordallo e a formar uma banda fixa, própria, que me ajudasse a desenhar esse novo perfil. Aí começamos a mudar arranjos e redesenhar essa produção.

Todas as composições do EP são de sua autoria, como elas surgiram? Quais são as propostas das letras? 

As músicas retratam meu olhar sobre o cotidiano de forma crítica ou bem-humorada, construo narrativas. As músicas pretendem emocionar, fazer com que o ouvinte se identifique e se aproprie delas. Eu componho subitamente, sem programação. Eu vejo algo que me comove, que acho relevante que chegue a todos e dessa inquietude nascem as canções, que em sua maioria, nascem com letra, melodia, videoclipe e show imaginário (risos).

Por que o título do disco e de uma música é “Filho de Gal”, seria uma referência à cantora Gal Costa?

Gal é um artista que sempre foi à frente de seu tempo. Se construiu artisticamente em épocas sociais e políticas ainda mais difíceis e fechadas culturalmente aqui no Brasil. Despertou mulheres transgredindo "normas sociais", ousando nos trajes, nos trejeitos na hora de interpretar, nas letras das canções. A música sugere e instiga a termos essa postura, a sermos donos de nossas histórias, nos aceitando e lutando pelo que acreditamos. Além disso, a música é carregada de ironias que criticam todos os tipos de preconceito. É uma composição minha com arranjo dos músicos João Lemos e Augusto Oliveira, da banda paraense Molho Negro.


Liège no 10º Festival Se Rasgum - 17.11.15
(Foto; Caio Brito e Renato Reis)

Falando em referência, quais foram as suas principais referências e influências para esse disco? 

Em termo de arranjos, os timbres de teclado e sintetizadores foram inspirados no trabalho do músico canadense Mac DeMarco. Tem muito de tropicália e da MPB contemporânea.

A primeira faixa do EP tem uma participação do guitarrista da banda Strobo, Léo Chermont, e do baterista Alexandre Cunha, como surgiu esse convite? 

O Léo não só participou na canção “Gira Sóis”, como também mixou o disco. Ele foi um dos primeiros músicos com quem trabalhei, se tornou um amigo querido e parceiro na música, é um cara extremamente inventivo e talentoso. Me senti honradíssima por ele ter topado não só participar tocando, como mixando. O Alexandre Cunha veio trazido pelo Dan. Foi um querido que topou tocar e doar seu dom pra esse disco. 


Liége na Quarta Autoral - Old School Rock Bar, 17.12.15
(Foto: Augusto Oliveira)

Quando será o lançamento do EP, podes adiantar algumas coisas pra gente? 

Estamos na fase de produção do show de lançamento e de captação de recursos, correndo atrás de patrocínios. Há uma previsão de data, que é 5 de março. Assim que tivermos com tudo amarradinho, avisaremos a vocês do Som do Norte e todos seus leitores e seguidores, para virem cantar conosco!

Por fim, como será a divulgação do EP, shows e etc? 

O EP é virtual, mas há uma possibilidade de disponibilizarmos algumas cópias pra venda. Todos podem acessá-lo pelo meu site www.liegemusica.com.br, que apresenta os links pelo Deezer,  YouTube e SoundCloud pra ouvir!
















Dan Bordallo, Liège e Ná Figueredo no
coquetel de lançamento do EP
- Loja Ná Figueredo, 22.1.16

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Lançamento: Filho de Gal - Liège



A cantora e compositora paraense Liège lança nesta sexta, 22 de janeiro, com exclusividade pelo Deezer, seu primeiro EP, Filho de Gal. Após um mês, as músicas serão disponibilizados via streaming para as demais plataformas digitais, como iTunes e Spotfy.

Com quatro faixas autorais e inéditas, o EP traz uma mistura de pop rock com MPB e ainda ritmos regionais, apresentando composições fortes e arranjos marcantes. “Filho de Gal” é um disco singular, que dá a Liège um lugar de destaque na nova safra da música popular.

O EP tem direção musical do jovem músico Dan Bordallo (Banda Blues & Cia, Jungle Band e Marcel Barreto) e foi gravado em Belém/PA no estúdio Na Music, mixado no estúdio Casarão Floresta Sonora e masterizado no estúdio O Grito, em SP. Realizado e lançado pela Editora Na Music em parceria com FUNTELPA, o EP tem apoio do blog Som do Norte. O show de lançamento do EP está previsto para o dia 20 de fevereiro.



    Faixa a faixa

    1 - GIRA SÓIS (Liège) - A composição retrata a paixão pelos olhos brilhantes de um rapaz e a curiosidade do eu lírico feminino em conhecê-lo através dos seus olhos, adivinhar seus quereres e mistérios. O ritmo é uma mistura entre o pop rock e o carimbó, ritmo paraense, com toques de eletrônico. O guitarrista da banda Strobo, Léo Chermont, fez participação especial na faixa junto com o baterista Alexandre Cunha.

    2 - CABELO (Liège) - Letra e melodia bem humoradas retratando de forma divertida a relação humana com os cabelos, a aparência e seus entremeios. O arranjo é plural, com sintetizadores eletrônicos e baixo em evidência.

    3 - CHEGA-TE A MIM (Liège) - A faixa mais doce e romântica do disco. Carrega o nome de uma famosa erva produzida no mercado do Ver-o-Peso, em Belém do Pará, que promete trazer para perto o ser amado. A letra usa frases com chamativos paraenses, como "bora" que quer dizer "vamos", além de brincar com estrofes que exaltam elementos típicos dos costumes paraenses como rede e chuva da tarde.

    4 - FILHO DE GAL (Liège) - Título do EP, essa faixa é a mais forte do disco. Estampa, em uma só música, diversos problemas sociais, com ironia, trazendo uma reflexão sobre diversas faces do preconceito. Cantada de maneira forte, afirma a força do ser humano como autor de sua própria história, como um Filho de Gal. A referência é a cantora Gal Costa, uma mulher sempre à frente de seu tempo, despudorada e transgressora, que marcou a música brasileira por seu canto e sua atitude libertária no palco e na vida.

    • Liège - A cantora e compositora paraense Liège é um exemplo de que a beleza está na diversidade. Em suas composições, ela faz uma MPB contemporânea com apelo ao pop, brincando com ritmos regionais. Saiba mais no site da artista
    Para Liège, a música está no sangue. Seu avô foi pioneiro na instalação de rádios-cipó (alto-falantes colocados em postes que retransmitiam o som produzido em uma cabine) em municípios próximos a Belém, como Mosqueiro. Os grandes sucessos tocavam nessas rádios e foi nessa atmosfera que sua mãe começou a trabalhar como locutora. Sua avó, hoje com 89 anos, ainda toca vários instrumentos como violão, cavaquinho e piano. Seu irmão também canta e seu tio-avô Hugo Lisboa era escritor, poeta, músico, compositor e foi parceiro de composições da banda paulista Demônios da Garoa. Foi nesse universo que Liège cresceu.

    Ainda criança fez teatro e começou a cantar. Na adolescência, o baterista da banda Álibi de Orfeu, Rui Paiva, descobriu o talento da artista e a levou para cantar em barzinhos. Carreira que interrompeu por três anos por conta da chegada de sua filha, Lis.

    Em 2013, Liège gravou uma versão da música "Pássaro Solto" do compositor Paulo César Pinheiro com o violonista Salomão Habib. No encontro, estee conheceu o trabalho autoral da compositora e lhe cobrou a retomada de sua carreira, agora com composições próprias. A ideia foi amadurecida e o primeiro passo é marcado pela música "Toute la Vie", composição de Liège, que tem produção do músico Dan Bordallo.

    Compondo em português e francês, a artista tem como influências Lenine, Paulinho Moska e os franceses Bem L´Oncle Soul e Charles Aznavour, além do mineiro Milton Nascimento, Gal Costa, Elis Regina e Tulipa Ruiz, grandes referências para sua carreira.

    Misturar é também uma marca de Liège, que entrelaça seu trabalho com as diversas linguagens artísticas como moda, fotografia e artes cênicas e áudio visuais. Foi assim, por meio de uma parceria com o curitibano Filipe Parolin e o paraense Marcelo Rodrigues, que surgiu o clipe da música "Toute la Vie", composição da artista que fala da chegada de sua filha, Lis. Com muita sensibilidade, a dupla de diretores de cinema retrata no vídeo a terna relação entre as duas. O lançamento aconteceu em 2013, no Gotazkaen Estúdio, em Belém.

    Em 2014, Liège fez uma temporada de shows em Belém, em homenagem aos 25 anos de carreira da também cantora e compositora Marisa Monte, intitulado “Diariamente Marisa”, com sucesso absoluto de bilheteria.

    Em 2015, a artista obteve destaque durante sua apresentação no 10º Festival Se Rasgum, após ser vencedora das Seletivas para o festival e iniciou a produção e gravação de seu primeiro EP intitulado Filho de Gal.