Aqui se fala do som dos estados do Norte do Brasil: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins

sábado, 25 de junho de 2016

Aviso

Minha fotoDesde ontem, estamos tirando do ar as postagens de Agenda do blog, principalmente as que se resumem a um flyer do evento. Esta movimentação é coerente com a nossa postura, anunciada há mais de ano, de não mais postar agenda no blog, considerando que atualmente o público em geral se informa dos eventos em sua própria cidade por meio de redes sociais ou aplicativos. 

A princípio, julgamos interessante manter no ar os posts de Agenda já publicados, porém com alguma frequência pessoas entram em contato conosco como se os eventos anunciados estivessem acontecendo agora (como o blog surgiu em 2009, alguns já acontecerem há mais de 6 anos...). Isto, acredito, se acentuou com a ferramenta Lembranças, do Facebook. 

De todo modo, nenhum post será excluído em definitivo, os que deixarem de ser exibidos ficarão como rascunho no servidor do blog, de modo que se algum artista precisar usar a publicação no blog como comprovação de repercussão de seu trabalho na mídia, como exigido por alguns editais, podemos fornecer o print da postagem, basta solicitar.


terça-feira, 21 de junho de 2016

Foi Show: Lívia Mendes

Por Raissa Lennon,
de Belém

A cantora paraense Lívia Mendes deu a largada em sua carreira musical, no show de lançamento do EP que leva seu nome, com o qual estreia em disco. O EP foi lançado em maio com exclusividade pelo Som do Norte

Logo quando subiu no palco, depois de um instrumental de abertura, ela ficou visivelmente emocionada pelo sonho que acabava de se realizar.  Embalou na sequência duas músicas do disco, “Bom conselho” e “Cor de Rosa”, e daí em diante sentiu segurança para mostrar a artista talentosa que desabrochava naquele momento. 


Teve de tudo: lágrimas, risos e muita alegria pelo trabalho que estava divulgando. Dedicou a música “Filme Europeu”, que também faz parte do EP, a suas tias, que estavam na primeira fileira do Teatro Gasômetro, cantando junto e cheias de orgulho da sobrinha. Além disso, deu uma aula de feminismo antes de cantar a música “Vibrante”, que é uma composição da cantora Camila Barbalho, baixista da sua banda (acima o momento do dueto).

“Vocês sabem o que é sororidade?”, perguntou ao público. Ela explicou que essa palavra era sobre respeito entre as mulheres, e sobre ajudar umas as outras, e comentou sobre como as mulheres deveriam se amar antes de qualquer coisa. Como diz a letra da música “viver taí para ser vibrante”, e como foi vibrante as duas cantoras apresentando aquela canção. Destaque também para a música “Pára”, que fala justamente sobre empoderamento feminino. 



Outras participações especiais foram das cantoras Lari Xavier na melódica “Cais” (foto acima), e de Ana Clara que cantou a fofíssima “Astronauta”, outra que faz parte do EP. O roqueiro Camillo Royale também arrebentou na participação da música “A praça”, parceria sua com Lívia. 




Cabelos esvoaçantes na hora da participação de Camillo Royale 




Lívia Mendes ainda tocou “Viagem no tempo”, “Silêncio”, “Voa”, “Quero chuva”, “Outra de mim” e terminou com o bis de “Café quentinho”, um grande destaque do EP.

O Projeto Parque Musical, realizado no dia 17 de maio, deu a oportunidade para Lívia Mendes mostrar a que veio, entrando no hall de grandes artistas paraenses como Liège e Sammliz, que estavam por lá para ver a estreia da cantora. Com uma voz suave, Lívia apresentou músicas românticas, com influência do folk norte-americano. E mostrou que anda muito bem acompanhada com os músicos Fabrício Bastos (também diretor musical) e Raphael Guimarães nas guitarras e violões, Camila Barbalho, no baixo, Tiago Belém na bateria e Silvana Cruz no violino (ao lado com Lívia na foto). 

sábado, 14 de maio de 2016

Lançamento @SomdoNorte: EP Lívia Mendes

Durante o agradabilíssimo bate-papo com Camila Barbalho que resultou no Café com Tapioca nº 11, um dos temas foi o EP que a cantora-compositora Lívia Mendes gravava na ocasião (nossa conversa aconteceu em abril) para lançar agora em maio, contando com Camila na banda.

O show de lançamento está marcado para terça, 17 (falamos disso logo logo). Na internet, o EP foi divulgado inicialmente no Soundcloud e no YouTube, ontem, e a partir de agora fica disponível também aqui no Som do Norte. Duas faixas já são conhecidas do nosso público: o megahit "Café Quentinho", tema do nosso primeiro Café com Tapioca - e que, aliás, inspirou o nome da seção - e "Cor de Rosa", que lançamos com exclusividade em fevereiro do ano passado. E quem é fã de Lívia e mora em Belém já conhece com certeza o repertório todo, ela cantou todas as faixas, por exemplo, em seu show no Bazarte realizado em 9 de abril, um show acústico em que Lívia foi acompanhada apenas por Camila (violão) e Silvana Cruz (violino); a própria Lívia também tocou violão. Naturalmente, o show de terça será com a banda com-ple-ta (urrul!).

Uma das canções do EP ora lançado já mereceu um clipe: "Filme Europeu", com direção de Edson Palheta e Marcio Crux, lançado no YouTube em novembro de 2015.



***

EP LÍVIA MENDES

Lívia Mendes é uma das vozes que surgem agora no tecido artístico do Pará. Aos 29 anos, a cantora apresenta uma mistura de música pop e folk, com a presença constante da sonoridade dos violões, do ukulele e do violino. Influenciada por bandas indie e pela música folk americana, Lívia compõe suas próprias canções e se apresenta com a proposta de um projeto completamente autoral. 

Com dois singles e um videoclipe lançados, Lívia já se apresentou em eventos como o Ensaio Aberto Ná Figueredo, BaZarte, Casa Aberta Se Rasgum, Quarta Autoral Old School e Projeto Belém Cidade Luz da Amazônia.

Seu primeiro EP Lívia Mendes (2016) contém cinco faixas de sua autoria e foi gravado no StudioZ sob supervisão, mixagem e masterização de Thiago Albuquerque. A produção musical é assinada por Fabrício Bastos e a direção vocal por Sandro Santarém. No dia 17 de maio de 2016, acontece o show de lançamento no Teatro Estação Gasômetro pelo projeto Parque Musical.



Ficha Técnica

Vocal - Lívia Mendes
Backing Vocal – Camila Barbalho 

Participação especial - Camila Castro (em Astronauta)
Guitarras e violões – Gabriel Monteiro
Guitarras e violões – Fabricio Bastos
Contra-Baixo e Gaita– Camila Barbalho
Violinos – Silvana Cruz
Ukulêle – Raphael Guimarães
Bateria – Thiago Belém
Percussões – Fabrício Bastos e Lívia Mendes



Show de Lançamento




Data: 17/05/2016
Hora: 20h
Valor: R$10,00
Direção musical – Lívia Mendes
Produção musical – Fabricinho Bastos
Direção Vocal – Sandro Santarém
Baixo – Camila Barbalho
Ukulele e violões – Lívia Mendes
Guitarras e Violões – Fabricio Bastos e Raphael Guimarães
Bateria e Percussão – Tiago Belém
Participações – Ana Clara, Camillo Royale e Lari Xavier


terça-feira, 10 de maio de 2016

Café com Tapioca nº 11: Camila Barbalho










No comecinho do ano - 4 de janeiro, pra ser mais exato -, o site Scream & Yell lançou uma coletânea virtual dedicada à necessidade de tolerância nesses tempos que vivemos hoje (eu identifico que, a partir do começo de 2013, houve uma guinada à direita na sociedade mundial, como nunca antes houvera em nossa geração, e que pela primeira vez conta com o mundo inteiro conectado, de modo que a opinião de quem quer que seja possa ser 'ouvida' por qualquer outra pessoa, sem os tradicionais filtros da mídia). A coletânea, intitulada Temperança - Um Manifesto contra o Ódio, produzida pelo músico Dary Jr., traz na faixa de abertura uma composição da paraense Camila Barbalho, "O Outro" (ouça a faixa ao final do post). 

Para mim foi uma grata surpresa. Conheço Camila há uns bons 6 anos, mas sempre a ou/vi ou a serviço do trabalho autoral de amigos & colegas como Aíla, Suzana Flag e Lívia Mendes, ou arrebentando tudo (no melhor sentido) com sua banda cover B3 (a banda que eu mais ouvi nestes seis anos de Amazônia). Mas só com esta coletânea vim a ouvir pela primeira vez uma composição sua. Como já tinha planejada uma breve temporada em Belém, a partir de março, me pareceu o gancho ideal para convidar Camila para ser uma entrevistada do Café com Tapioca, e desta vez a rigor - gravamos o papo em vídeo, numa tapiocaria do bairro Jurunas, onde ela reside, em Belém, na tarde de 11 de abril. 

O bate-papo foi dividido em duas partes. Na primeira, Camila fala basicamente do convite para participar do Temperança e como foi o processo de composição e gravação, que contou com a produção de Ricardo Smith. Nessa hora, o papo foi interrompido para que degustássemos devidamente o café com a tapioca ;)





Tapiocas devidamente degustadas, retomamos o papo, dessa vez falando sobre as já citadas duas frentes de atuação musical de Camila - tanto na banda B3, da qual é o vocal principal e a baixista, quanto somando com trabalhos de amigos como Suzana Flag e Lívia Mendes, que na semana que vem lança o primeiro EP com apoio do Som do Norte; amiga de Lìvia, Camila gravou no EP e vem tocando com a autora de "Café Quentinho" desde que esta se lançou. Também fala de suas outras composições e revela quem convidaria para um Café com Tapioca (não adianta, não vou dizer aqui no texto, pra saber só assistindo o vídeo :)

Mas o que tornou esse encontro realmente inesquecível - e que reforçou minha ideia de postá-lo de fato em vídeo - foi uma inesperada tietagem que Camila recebeu, e que vocês podem acompanhar a partir dos 6:05 deste segundo vídeo: simplesmente ela recebeu um pedido de autógrafo de Tatiane, uma funcionária da cozinha do estabelecimento onde estávamos, que veio até nossa mesa!!! 





Finda a gravação, aproveitamos para degustar também uns pasteizinhos de Mosqueiro, raramente encontrados fora da ilha de mesmo nome. Um acepipe dos mais supimpas! 






segunda-feira, 4 de abril de 2016

Café com Tapioca nº 10: Banda Irene



A banda paraense Irene nasceu em outubro de 2015, mas o guitarrista Luciano Costa e o baixista Eduardo Brasil já tinham uma afinidade musical construída ao longo de quase dez anos de amizade. “Eu e o Eduardo sempre tocamos em outras bandas, mas como somos amigos há muito tempo, rolava essa vontade de juntar as ideias”, contou Luciano. Logo no início, outro amigo, Raphael Santos, era o baterista, mas ele precisou sair e hoje quem comanda a cozinha da Irene é Luiz Otávio Moraes, ex-Objecto Quase. “Encontrei com o Otávio por ironia do destino em um show e o convidei para tocar com a gente”, explicou Eduardo. 

Em março a banda mostrou ao público o seu primeiro single chamado “Carmen em NY”, por meio de divulgação nas redes sociais. - ouça ao final do post.  Quem quiser conferir o som deles ao vivo tem duas oportunidades nesta semana, em Belém: na quarta, 6, eles tocam na Quarta Autoral do Old School Rock Bar; e no sábado, 9, a Irene toca no Chevallier, em um evento promovido pelo BarZarte (programação completa no cartaz ao lado). 

Na entrevista exclusiva para o Som do Norte, a Irene contou um pouco sobre o rock autoral que fazem na cidade de Belém.

Som do Norte – Vocês acabaram de lançar um single chamado Carmen em NY, porque essa música foi escolhida para ser lançada por primeiro, como foi o processo de gravação? 
Luciano – Assim, essa música foi composta pelo Raphael, antigo baterista da banda e ele fez esse favor de deixar com a gente essa música. A gente já se identificava muito com ela e começamos a trabalhar nela, a energia do som é muito boa. Então, surgiu a proposta do Fernando Dako, produtor musical de lá do Centur, ele queria fazer uns testes nos novos equipamentos que tinham chegado, e rolou esse convite de gravar lá porque ele já nos conhecia. Nós gostamos muito do resultado!

Som do Norte – Como é esse processo de composição de vocês, quem faz as músicas, em que se inspiram?

Luciano – Quem compõe é geralmente eu e o Eduardo, mas é um processo em conjunto, eu componho umas e o Eduardo outras...
Eduardo – Na questão de construção das músicas a gente compõe separadamente, o Luciano escreve mais do que eu até, mas na hora de montar as músicas como um todo é sempre nos ensaios junto com o baterista.
Luciano – E o lance da inspiração é tudo, filmes e a vivência do mundo mesmo. Tipo, “O Rei Plebeu” eu acordei depois de um sonho e escrevi...
Eduardo – A gente tem um lance de se inspirar também nas músicas da década de 90, dos Estados Unidos...
Eduardo e Luciano – Nirvana, Pearl Jam, Smashing Pumpkins, Silverchair, essas bandas todas do meio grunge.
Luciano – A gente tenta né, que eles nos perdoem (risos).

Som do Norte - Vocês vão fazer um show no dia 9 de abril no BarZarte, o que o público que não conhece a Irene pode esperar?
Luciano – Pura energia, é o nosso primeiro show então a gente vai tentar dar o melhor.

Som do Norte – E vocês pensam em gravar um disco?
Eduardo - Com certeza, surgiu um single agora, e o EP é o nosso próximo passo, estamos nos planejando para isso.

Som do Norte – E por que o nome da banda é Irene?
Eduardo – Na verdade, a gente queria botar o nome de uma mulher, então surgiram vários nomes, alguns estrangeiros, mas eu queria um nome brasileiro, então ficou Irene, não tem um super porquê....

Som do Norte – E pra terminar, com quem vocês gostariam de tomar um Café com Tapioca?
Luiz Otávio – Vocês sacam a banda Medulla? É uma banda de São Paulo bem legal...
Luciano – Já pensou tomar um café com Dave Grohl mano?
Eduardo – Pode ser, mas desses aí sou mais fã do Eddie Vedder! 




sexta-feira, 1 de abril de 2016

Foi Show: Filho de Gal

Texto e fotos: Raissa Lennon,
de Belém


Na terça, 29 de março, a cantora paraense Liège apresentou ao público de Belém o seu primeiro EP Filho de Gal (ouça no Som do Norte), em um show emocionante realizado no Teatro Margarida Schivasappa no Centur. Além de mostrar as quatro músicas autorais do disco e outras canções de sua carreira, incluindo algumas inéditas, ela também fez interpretações de Cartola, Rita Lee e Novos Baianos. Acompanhada dos músicos Dan Bordallo nos teclados e direção musical, Fil Alencar na guitarra, Yago Mathias no baixo e Júnior Feitosa na bateria, Liège deu a largada para uma carreira promissora, dentro do estilo da nova safra da “MPB contemporânea”, como ela mesma se define. 


        A primeira surpresa foi quando a cantora recebeu no palco sua filha Lis, e a cantora Babi, do Espoleta Blues, que cantaram a música “Toute La Vie”. “Esse foi o meu primeiro single lançado, que eu compus para a minha filha”, comentou Liège sobre Lis, que inclusive, estava superdescontraída e acenando para todo mundo enquanto cantava.  

O público também pôde conhecer uma canção inédita, dessa vez do guitarrista Félix Robatto, outra participação da noite. Eles tocaram pela primeira vez a música “Porque tá a fim”, que fará parte do segundo disco solo de Robatto chamado Belemgue Banger. O músico não poupou elogios para Liège. “Parabéns para vocês que vieram hoje, porque depois o show dela vai estar muito caro”, brincou. A cantora Lia Sophia também fez uma participação especial cantando sua composição “Eu só quero você” (presente nos CDs Livre, de 2005, e Lia Sophia, de 2013), foi perceptível a admiração que Liège sente por Lia, uma de suas principais referências no cenário musical.

Lia e Liège

Eu fiz questão que as participações fossem pessoas que fizeram parte da minha carreira musical, que tiveram interferência direta nela. Como a Lia Sophia, que foi a minha inspiração quando eu comecei em barzinhos. O Félix Robatto, que foi o meu primeiro produtor, e as crianças, para as quais eu componho. Então, sem a Babi, sem a Lis, a festa não estaria completa”, ressaltou Liège em entrevista exclusiva ao Som do Norte logo após o espetáculo.

        Outro ponto marcante do show foi a execução da faixa “Cabelo”, em que todos os músicos usaram perucas coloridas, em uma brincadeira referente a letra da música. Mas foi em Filho de Gal, que dá nome ao EP, que Liège mostrou todo o seu potencial enquanto cantora e compositora. A canção reflete sobre o empoderamento feminino e questões de gênero de maneira mais ampla. No bis, Liège retornou com a faixa “Gira Sóis” e chamou todas as participações para subirem ao palco novamente. “Foi melhor do que eu esperava, a gente cria uma expectativa muito grande, e fica nervosa, mas foi muito além do que eu esperava, foi incrível”, definiu Liège sobre o show.


Todos agradecem

        Agora, a cantora se prepara para abrir o show do cantor Johnny Hooker, em Belém em 4 de junho, junto com a banda Strobo.

O EP Filho de Gal foi lançado digitalmente nas principais plataformas de streaming de música. Gravado em Belém, no estúdio Na Music, foi mixado no estúdio Casarão Floresta Sonora e masterizado no estúdio O Grito, em São Paulo, e lançado pela Editora Na Music em parceria com FUNTELPA e apoio do Blog Som do Norte.


quarta-feira, 30 de março de 2016

Agenda Belém: MESTRES E MESTRAS DO CARIMBÓ DO PARÁ



Pesca, agricultura, carpintaria, artesanato, cantorias-batuques-composições de carimbó, liderança comunitária, memória viva da cultura de sua terra e de seu povo...Foi na prática de um ou vários desses ofícios e funções que cada Mestre e Mestra conquistou a admiração e o respeito de sua comunidade, tornando-se uma referência para a cultura e a vida da sua vila, aldeia, cidade ou beirada.

São conhecimentos e práticas aprendidas e ensinadas ao longo da vida, pela força da transmissão oral que acontece do mais velho para o mais novo, dos pais para os filhos, da memória para a vivência. É assim que cada mestre ensina o que aprendeu sobre o Carimbó e suas tradições, tornando-se responsável pela preservação e pela continuidade desse precioso patrimônio junto à sua comunidade, transformando-se ele próprio em patrimônio vivo e ativo da sua cultura.

O Carimbó do Pará tem muitos mestres e mestras, plenos de conhecimento e sabedoria, imensamente generosos no esforço de colocar em prática e compartilhar o que sabem. Alguns poucos tem seus nomes (re)conhecidos fora de suas localidades, como Lucindo e Verequete, mas a grande maioria é invisível para a sociedade e para o poder público. E todos são absolutamente fundamentais para a cultura brasileira e para todos nós.

O público de Belém tem um encontro marcado com essas figuras maravilhosas no Espaço Cultural Apoena, no dia primeiro de abril, no Show “MESTRES E MESTRAS DO CARIMBÓ DO PARÁ – SOMOS PATRIMÔNIO”, uma grande celebração da beleza e diversidade de nossa grande tradição musical, hoje reconhecido como patrimônio cultural imaterial brasileiro.

O projeto “MESTRES E MESTRAS DO CARIMBÓ DO PARÁ” é uma iniciativa que busca valorizar e oportunizar alguns desses mestres e mestras anônimos do carimbó, desconhecidos do grande público, mas amados e respeitados por suas comunidades.

Atendendo ao convite do Espaço Cultural Apoena, a Campanha “Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro” reunirá mestres e mestras do Carimbó vindos de 16 municípios paraenses, da Região do Salgado à Ilha do Marajó, do Tapajós à Região Metropolitana de Belém para uma grande festa carimbozeira. Eles e elas virão a Belém para participar da reunião do Comitê de Salvaguarda do Carimbó, promovido pelo Iphan, e da plenária do movimento carimbozeiro, atividades que ocorrerão nos dias 1 e 2 de abril.

O grupo formado por todos esses mestres expressa a beleza e a diversidade do Carimbó paraense, incluindo os sotaques peculiares de diferentes regiões, como o praiano, o rural, o urbano... São músicos, compositores, cantadores, poetas, dançarinos e construtores de instrumentos, vindos de todas essas localidades, revelando um pouco da riqueza e importância dessa manifestação.

O Show “MESTRES E MESTRAS DO CARIMBÓ DO PARÁ” terá uma importância fundamental para o fortalecimento do movimento carimbozeiro: toda a renda da venda de ingressos será destinada para a Campanha do Carimbó, um movimento cultural e social criado pelos próprios mestres e comunidades carimbozeiras de vários municípios paraenses. Esse movimento nasceu a partir das discussões promovidas no Festival de Carimbó de Santarém Novo desde 2005, tendo sido o principal responsável pela conquista do registro como patrimônio cultural nacional em 2014.

A comitiva de Mestres e Mestras do Carimbó do Pará será composta da seguinte maneira:

Mestre Aroldo do grupo “Revelação do Zimba (Salinópolis); 
Mestre Ticó do grupo “Quentes da Madrugada” (Santarém Novo);
Mestra Dona Amélia  do grupo “Cruzeirinho” (Soure/Marajó).
Mestre Manoel do grupo“Uirapurú”, Mestra Dona Bigica do grupo “Sereia do Mar” , Mestre Mário do grupo“Japiim”, (Marapanim);
Mestre Elias do grupo “Raios de Luz” (Curuçá);
Mestre Lico do grupo “Beija-Flor” (Vigia);
Mestre Moacir do Grupo “Filhos de Maiandeua” (Fortalezinha-Maracanã);
Mestre Álvaro “Lavico” do grupo “Parázinho” (Colares).
Mestre Lucas do grupo “Sancari” (Belém); 
Mestre Alexandre do grupo “Amigos do Carimbó”, Mestre Luiz do grupo “Águas Lindas”, Mestre Nivaldo do grupo “Pindorama” (Ananindeua);
Mestre Cazuza e Mestre Ilson do grupo “Unidos do Paraíso” (Santa Bárbara do Pará);
Mestre Bené do grupo “Brasileirinhos” (São Miguel do Guamá);
Mestre Come Barro do grupo “Raio de Sol” (Quatipurú);
Mestre Ribamar do grupo “Carimbó do Nilo” (Primavera); 
Pedro Ribeiro do grupo “Acauã” (Cachoeira do Arari);
Mestre Cláudio Capoeira do grupo “Cobra Grande” (Alter do Chão-Santarém);

Na ocasião será feito o lançamento do 2º Congresso Estadual do Carimbó, evento que reunirá mestres e lideranças de todo o Pará e cuja realização está prevista para o mês de maio

Serviço:

MESTRES E MESTRAS DO CARIMBÓ DO PARÁ
Show “Somos Patrimônio”
Dia 01.04.2016
Espaço Cultural Apoena (Av. Duque de Caxias, 450, esquina com Tv. Antônio Baena)
A partir das 22 h
Ingressos a 10,00 
Informações e venda antecipada: (91) 98191-6690 | 98303-7950 | 99969-3572









Mestres do Carimbó no Sesc Boulevard Belém
- setembro/ 2015 (Foto: Isaac Loureiro)

terça-feira, 29 de março de 2016

Café com Tapioca nº 9: Ye$t




Na volta do Café com Tapioca, um papo com o rapper roraimense Ye$t.


Som do Norte - Ye$t, agora no começo de 2016 você lançou seu primeiro single, com o rap "Agora é o Fim", tendo a participação da cantora Cinthia Sales. É um rap romântico - podemos dizer assim, né? - falando do fim de um relacionamento, fugindo assim da linha mais tradicionalmente associada ao rap, que é a de fazer críticas sociais.

Ye$t - Essa música é o pontapé inicial do EP e que passou por diversas transformações até que eu sentisse que estava pronta. Eu gosto de discutir de tudo nas rimas desde questões sociais, festivas, pessoais e o famoso "love song" que o pessoal gosta no rap. E acho que transmiti muito bem isso com a Cinthia nesse trabalho.


Cinthia Sales e Ye$t em pocket show no Circo do Seu Léo
- novembro/2015


Som do Norte Como foi participar do Festival Canto Forte, em novembro de 2015, com este rap? O público que comparece a festivais desse tipo geralmente encontra apenas canções de MPB, como foi a reação da plateia ao seu rap?

Ye$t - Foi um salto e tanto na minha carreira quanto na da Cinthia entrar nesse festival, uma das melhores experiencias da minha vida. Eu nunca imaginei que podia estar em um evento tão grande e poder estar com vários nomes da musica de Roraima no mesmo palco. Eu era o mais novo dos candidatos e me senti um pouco assustado com o tamanho da proporção que as coisas foram se tornando; o público gostou bastante e eu saí de cabeça erguida e muito feliz por participar.


Som do Norte "Agora é o Fim" estará no seu EP  1997, cuja gravação iniciou no ano passado. O que você pode nos adiantar sobre este trabalho? O título é o ano em que você nasceu, não é?
Ye$t - Adianto que logo logo vai ter clipe de "Agora é o Fim" e que talvez em maio o EP saia. Coloquei 1997 por ser os acontecimentos da minha vida transmitidos na rima e na arte mais limpa sobre mim. Mas que todo mundo possa se identificar e curtir. 

Som do Norte - Na sua fanpage, você define seu som como "pop, rock, rap". E em seu Soundcloud, afora várias versões de "Agora é o Fim", é possível encontrar um cover de "Que Sorte a Nossa", sucesso dos sertanejos Matheus & Kauan. Como você trabalha estas diversas influências em seu som?

Ye$t - Eu gosto de brincar de ser sertanejo de vez em quando (risos). Brincadeiras à parte acho que me sinto diferente na cena porque quero fazer conexões do rap com diversos estilos e não tenho preconceito ou desmereço e acho que a partir do momento que um artista se envolve com o "novo" tudo se torna possível. Tudo aqui é pra somar e trazer um bom som. Posso jogar umas guitarras e uma bateria e pegar o microfone e me sentir um Elvis Presley do hip-hop (risos).

Som do Norte Quem você convidaria para um café com tapioca? 

Ye$t - Com certeza eu chamaria a rapper Karol Conká. Acho que ela traz a nova onda do hip-hop nacional. Essa coisa gringa com jeito brasileiro que só ela sabe fazer e que eu gosto muito e que tenho muita vontade de um dia cantar ou até mesmo gravar uma música com ela.



Inscreva-se até 30 de abril na Campanha #VamosSonharJuntos!

quinta-feira, 24 de março de 2016

Você sabe quem escreveu seu show preferido?

Logo nos primeiros dias de 2016, recebi uma proposta inédita em minha carreira. A produtora de um cantor do Nordeste me convidou para ser o roteirista dos shows dele. O acerto acabou não acontecendo, devido a uma questão pessoal do artista, mas me fez pensar (pela milésima vez) como é curioso que num país tão musical quanto o Brasil esta não seja uma carreira incluída habitualmente nos planos de profissionais das áreas de Artes e Comunicação. Talvez pela falta de projeção que a categoria acaba tendo - pense em todos os shows que você já viu. Ou então lembre do show que você mais gostou de assistir, e que está em sua cabeça até hoje como se fosse um filme. Pois bem, alguém em algum momento pensou que músicas iriam entrar nele, em que ordem etc. Você saberia dizer quem fez isso? Não? Não se preocupe, você não está só! Esta função, como todas ligadas a bastidores da produção artística, raramente é citada com destaque.

Há casos em que artistas ou bandas muito conhecidos pedem que seus fãs mandem pelas redes sociais sugestões de músicas a serem incluídas no show, mas na maioria das vezes o roteiro do espetáculo é definido pelo próprio artista, junto com seu produtor, por vezes o diretor musical é chamado a opinar também. Pode acontecer, porém, de o artista chamar alguém (que já integre, ou não, a sua equipe) para escrever o roteiro do show - lembrando que nem sempre um show é apenas uma coletânea de canções, há artistas, a exemplo de Maria Bethânia, que recitam poesias entre uma música e outra. No período em que os shows de Roberto Carlos eram produzidos pela dupla Mièle e Bôscoli, cabia a este último - o jornalista e compositor Ronaldo Bôscoli - escrever os textos que Roberto declamava eventualmente.

O mais famoso caso de show escrito por alguém de fora da equipe dos artistas é Bons Tempos, Hein?, que Millôr Fernandes roteirizou em 1979 a convite do quarteto vocal MPB-4. Millôr também desenhou a capa do LP pela Polygram. A mesma arte foi aproveitada ainda como capa do livro que foi lançado pela editora gaúcha L&PM (dentro da coleção Teatro de Millôr Fernandes!!!), contendo o roteiro completo do show, incluindo as letras de músicas como "Se meu time não fosse o campeão" (Gonzaguinha), "Tropicália" (Caetano Veloso) e "Cálice" (Chico Buarque - Gilberto Gil). A edição deste livro pode ser considerada algo surpreendente, afinal, desconheço outro roteiro de show que tenha virado livro!

Para a minha geração (nascida na década de 1970), estes shows reunindo músicas, poesias e textos parecem ter sempre existido, mas na verdade não são tão antigos assim. Mesmo que se possa ver nos espetáculos modernos ecos do antigo teatro de revista (peças cômicas surgidas no século 19 reunindo esquetes humorísticos e sucessos musicais do momento) - e seus sucessores, como os shows de cassino e os shows de boate -, os chamados shows de teatro viram rotina no país entre o final dos anos 60 e começo dos 70. Isto devido a N fatores, o principal é que, até 1964, o formato dominante de disco no mercado era o 78rpm, com apenas duas músicas. Os grandes nomes da primeira metade do século - Francisco Alves, Orlando Silva, Carmen Miranda, Sílvio Caldas etc. -, moravam todos no Rio de Janeiro, que até 1960 era a capital federal. Mas quando eles cantavam nos teatros do Rio, não era com shows solo, que é a concepção que temos hoje. Ou eram shows coletivos, com inúmeros artistas; ou eram programas de auditório transmitidos ao vivo pelo rádio; ou eram participações em espetáculos de teatro de revista.

Quando estes artistas de fama nacional viajavam para cantar em outros estados, na maioria das vezes era para atuar em programas de auditório (as grandes emisssoras tinham orquestras próprias, geralmente as partituras eram enviadas com antecedência, então apenas o cantor ou a cantora viajavam, diferentemente de hoje em que um artista monta sua banda e viaja sempre com ela). Nas turnês para shows em teatros de outros estados, mesmo um artista de grande fama como Francisco Alves raramente se aventurava sozinho, era comum chamar colegas como Mário Reis, Carmen Miranda ou Noel Rosa.

Já em meados da década de 60, o panorama era bem diverso. As rádios não tinham mais orquestras; o LP se firmara como formato padrão do mercado; o teatro de revista, cujos atores foram recrutados pela televisão, praticamente desapareceu. Outro fator veio contribuir para a aproximação entre artistas da música e os palcos dos teatros: a censura da ditadura militar que chegou ao poder em 1964. Do dia para a noite, peças já ensaiadas e autorizadas a estrear - ou mesmo já estreadas! - podiam ser simplesmente proibidas, e era comum que fossem substituídas por apresentações musicais, naturalmente, ao menos no princípio, improvisadas.

Mas ainda em 1964 estreou aquele que é um marco na história dos shows brasileiros: Opinião, com João do Vale, Zé Kéti e Nara Leão (substituída depois por Maria Bethânia), com roteiro de Armando Costa, Oduvaldo Vianna Filho e Paulo Pontes e direção de Augusto Boal, no Teatro Opinião (Rio). Em 1966, Bethânia voltou ao mesmo palco, ao lado de Gilberto Gil e ninguém menos que Vinicius de Moraes, com o show Pois É, roteirizado pelo trio José Carlos Capinam, Torquato Neto e Caetano Veloso, tendo direção musical de Francis Hime e direção geral de Nelson Xavier. No mesmo ano, o Teatro de Arena (São Paulo) produziu o show Arena Canta Bahia, cujo elenco hoje custaria milhões para ser reunido: Maria Bethânia, Gilberto Gil, Gal Costa, Caetano Veloso, Pitti e Tom Zé, com direção de Augusto Boal. Ou seja, ainda predominava a ideia do show coletivo.

O modelo consagrado na atualidade, do show cujo repertório é estruturado em um disco recém-lançado pelo artista, começa a se firmar em 1970 com a estreia da primeira temporada de Roberto Carlos no Canecão (Rio) - foi aí que ele passou a trabalhar com Mièle & Bôscoli - e atinge um ponto de excelência com a extensa temporada de Falso Brilhante, de Elis Regina, no Teatro Bandeirantes (Sâo Paulo) - foram 257 apresentações de dezembro de 1975 a fevereiro de de 1977, sim, 15 meses em cartaz!!! Um marco histórico, e algo impensável nos dias de hoje. Com roteiro da própria Elis e de Cesar Camargo Mariano, o show contava com atores, corpo de baile e a direção de Myriam Muniz. Pelo gigantismo dos elementos em cena, Falso Brilhante não pôde cumprir um dos requisitos básicos de um show na contemporaneidade, que é sair em turnê nacional ou mesmo internacional - foi em Amsterdam, Holanda, que Caetano e Gil estrearam seu show Dois Amigos, Um Século de Música, em junho de 2015, dois meses antes de sua primeira apresentação brasileira, em São Paulo.

Parte dessa história era relatada no prefácio da surpreendente edição com o roteiro de Bons Tempos, Hein?, o livro que me levou a pensar que, de certo modo, um roteiro de show tem muito em comum com uma peça de teatro (sem falar que me parece evidente que, não raro, o intérprete musical adota recursos cênicos comuns a atores - gestos, expressões faciais - para reforçar a mensagem da letra que está cantando). Pensando nisso, eu, que já escrevera três peças teatrais entre 1996 e 2002 (todas inéditas), fiz dois roteiros para shows. O primeiro, escrito em 2009, é uma reunião de músicas que falam sobre o amor (não necessariamente canções românticas), intitulado O Amor é a Coisa mais Linda que Existe entre Nós. O ano seguinte, 2010, foi de muitas homenagens a Vinicius de Moraes, devido à passagem dos 30 anos de seu falecimento; também fiz minha parte, criando o roteiro do show E Por Falar em Vinicius. Adotei para ambos uma mesma estrutura, na qual a sucessão das letras das diversas canções vai formando uma história, como se fosse um filme musical ou uma ópera.

Estes dois roteiros seguem absolutamente inéditos (bem como um outro que fiz em 2009 de parceria com cantora paraense Juliana Sinimbú para o show que se chamaria Artigo que Não se Imita: Juliana Sinimbú Canta Noel Rosa). Cheguei a trabalhar em Belém como produtor artístico de algumas cantoras (inclusive dirigi e co-roteirizei shows de Nanna Reis, em 2010, e Tábita Veloso, em 2011), mas por um motivo ou outro não chegamos a mexer nestes roteiros. Na verdade, eu já nem pensava no assunto, quando a sondagem recebida no começo do ano me trouxe à mente tudo o que aqui está dito.

Vivemos uma época em que o repertório de antigos discos é revisitado, seja pelo próprio artista - João Donato fez, em 2014, os shows que não aconteceram em 1973, para o lançamento de seu LP Quem é Quem -, seja por outros - na Virada Cultural de São Paulo, também em 2014, Otto interpretou os sambas do LP Canta, Canta, Minha Gente, lançado por Martinho da Vila quarenta anos antes. Curiosamente, não vejo movimento algum para remontar shows desse período áureo dos anos 70 em que, a meu ver, o show era uma expressão artística diferenciada em relação ao disco, pelos elementos citados no breve histórico acima. Sem contar que havia atistas como o gaúcho Carlinhos Hartlieb, que fez uma série de shows memoráveis em Porto Alegre entre 1972 e 1982, mas que só deixou um disco, Risco no Céu, lançado postumamente; quantos outros casos como este não terão havido pelo Brasil, de um artista ser mais de show do que de disco?

Enfim, talvez esse resgate de shows seja algo mais difícil, devido à quase inexistência de roteiros conservados que estejam disponíveis ao público (por favor, se eu estiver aqui dizendo uma grande bobagem, me corrijam!!!). Mas talvez chegue um tempo em que, assim como grupos teatrais de todo o Brasil montam, às vezes simultaneamente, peças de nossos grandes dramaturgos como Ariano Suassuna, Nelson Rodrigues e Dias Gomes (isso sem falar nas inúmeras montagens de textos de William Shakespeare o tempo todo pelo mundo), um mesmo roteiro de show possa estar sendo produzido em várias cidades país afora, com o devido destaque para seu roteirista. Sonhar não custa nada, como já cantou na Sapucaí em 1992 minha escola do coração, a Mocidade Independente de Padre Miguel :)