Aqui se fala do som dos estados do Norte do Brasil: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Agenda Roraima: Nicotines retorna a Amajari com seu rock "cru e sem frescuras"

A banda Nicotines, de Manaus, participa no sábado, 15, do evento Rock in Tepequém, na cidade de Amajari, ao lado da banda Johnny ManeroO show integra a programação de aniversário dos 3 anos do pub Platô 2115 e será a segunda apresentação da Nicotines após o lancamento, em junho, do EP A Mil por Hora. Mês passado, o grupo marcou presença no Festival Rock Beats, em tacoatiara (AM). Será a primeira vez que o guitarrista venezuelano Israel Perera tocará ao lado de seus parceiros de Nicotines.



Segundo o baterista Lauro Henrique, a banda está muito empolgada e ansiosa para tocar as novas músicas e reencontrar o publico de Roraima.  A última vez que a Nicotines esteve em Amajari foi em 2012, um show no Bar do Motoclube, quando estava a caminho do Festival Gran Sabana, na Venezuela.

“Roraima é fascinante e tem uma cena rock muito talentosa e criativa. Temos muitos amigos e pra nossa surpresa, muitos fãs por lá. Sempre fomos bem recebidos, e o Tepequém é um lugar maravilhoso, místico e será uma verdadeira celebração do rock, com a estreia do Israel na banda e a oportunidade de dividir o palco com nossos irmãos da Johnny Manero”, conta Lauro.

Sobre o EP o baterista ainda completou: “O EP é rico em inspiração, nossas músicas são de maneira simples e direta, um rock'n’roll cru e sem frescuras. Ficamos felizes com o resultado e a ideia é levar esse disco para o maior número de pessoas”.  

Lançado pela revista Gatos & Alfaces, o EP A Mil por Hora é composto por cinco faixas: “A Mil por Hora”, que dá nome ao disco; “Rock Brasileiro”, uma dura critica ao atual cenário do rock nacional; a balada ‘Rosa Junkie’; ‘O Velho Rockstar’; e ‘Óculos Rayban Preto Vintage’. oQuase todas as músicas foram compostas durante os ensaios e as sessões de gravação do disco. Além do CD físico, o EP também será lançado na versão K7.

Com dez anos de estrada e fortemente influenciados pelo rock clássico, hard rock e blues a Nicotines é formada por Sandro Nine (vocal), Gustavo Kawati (guitarra), Israel Perera (guitarra), Alderlan Moreira (baixo) e Lauro Henrique nas baquetas.

O disco está disponível nas plataformas digitais


No lançamento o EP estará à venda pela bagatela de R$ 10.

sábado, 8 de agosto de 2015

Aprenda com Fernanda Takai a iniciar do modo que você puder



Muito antes de se tornar uma das fundadoras do Pato Fu, a artista Fernanda Takai teve uma banda com colegas da escola onde estudava em Belo Horizonte. Detalhe: de instrumentos, mesmo, a turma só possuía duas guitarras (uma das quais era usada como baixo, sendo tocada apenas nas cordas mais graves), toda a bateria era improvisada (com materiais tão diversos e improváveis como prato de fanfarra, uma tábua de carne e até um bujão de gás amarrado ao bumbo para que este não se movesse!) e o teclado era "um teclado baratinho, desses que você passa no free shop e compra de presente... assim, muito limitado", conforme ela contou no programa Transando com Laerte, do Canal Brasil, que foi ao ar terça, 4. "Com isso, a gente começou nossa banda de escola". Há um vídeo com esse trecho da conversa disponível no YouTube do Canal Brasil.
Essa história é mais uma prova de nem sempre esperar as condições ideais para fazer o que você quer é a melhor opção. Você não precisa ter uma câmera hollywoodiana para começar a filmar, assim como também não depende de ter um escritório na Avenida Paulista para iniciar seu negócio. Se no decorrer do tempo você puder dar esses upgrades, ótimo. Mas sei por experiência pessoal que muitos dos "sonhos de consumo" padrão que temos ao começar a carreira vão sendo substituídos por outros no decorrer de nossa caminhada profissional, não necessariamente melhores, mas talvez mais coerentes conosco. 
Queria destacar outro aspecto da trajetória de Fernanda Takai - ela ainda hoje mora em Belo Horizonte, a cidade onde teve essa banda de escola. Não cogitou de sair de lá nem quando o Pato Fu assinou o primeiro contrato com gravadora (a BMG, em 1994) ou quando a banda ganhou o primeiro Disco de Ouro, por Televisão de Cachorro (1998). De fato, outro equívoco comum é imaginar que você precisa ir morar em outro lugar para então começar a investir em seu sonho. No Brasil, quase sempre a opção é por São Paulo; já perdi as contas de quantas vezes ouvi esta frase ou alguma variação sua: "Aqui na minha cidade ninguém valoriza o meu trabalho/ a minha arte/ as minhas ideias, eu vou morar em São Paulo e lá as coisas vão acontecer pra mim".
O problema não é a pessoa se mudar para São Paulo (ou para onde for), e sim se agarrar ao pensamento mágico de que apenas a mudança irá por si só impulsionar sua carreira - há quem cometa o erro de ir morar na cidade mais populosa do país, com um dos custos de vida mais altos, sem nem ao menos ter definido um foco para sua atuação profissional. Convenhamos que é contar muito com a sorte. 
* `Publicado originalmente no Linkedin

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Som do Norte, 6 anos: o legado

Parece que foi ontem, mas já faz seis anos. Em 2009, foi neste dia, 3 de agosto, que o Som do Norte passou a ser atualizado diariamente, depois da votação para escolher seu nome (mantive registrado o nome que ficou em segundo lugar, Música do Norte, e passei a usá-lo para veicular o "Disco do Mês" a partir do final daquele mesmo ano). 

Em recente artigo para o LinkedIn (reproduzido no blog Jornalismo Cultural), intitulado "Obra e Legado", comento como eu durante boa parte destes 6 anos acreditei que o Som do Norte fosse, por si só, a minha obra. Na verdade, ele é, sim, uma forma de divulgar as obras dos músicos da região Norte. A esta função jornalística, outras foram se agregando com o passar do tempo. 

Na verdade, o Som do Norte nunca foi só o blog. Desde o começo, estávamos presentes no Twitter e depois de uma passagem pelo MySpace (chegamos a ter duas contas), hoje estamos também no Facebook e no Soundcloud (várias contas, inclusive uma só para entrevistas em áudio). Uma curiosidade: nunca tivemos página no Orkut, em 2009 eu já sacava que aquilo não teria muito futuro. De fato, a maioria dos artistas que tínhamos contato começou a abandonar o site em 2010, quatro anos antes de o Google decidir desativar o Orkut. Estamos também no YouTube, onde inclusive veiculamos dois pontos importantes do nosso legado: os vídeos com áudios do CD Bem que Podia, da Poeta Amadio, e os curtas-metragens da série As Tias do Marabaixo. Fiz a produção artística do CD e dirigi e editei os curtas. Além disso, uso a marca Som do Norte como forma de identificar e valorizar o trabalho das duas artistas que produzo, a já citada Poeta Amadio, de Rondônia, e a cantora Daniela Nascimento, do Amazonas. Atuo ainda como produtor associado dos roqueiros nortistas Veludo Branco, de Roraima, e Samara Noronha, de Rondônia. 

Outro ponto importante do legado que o Som do Norte vem semeando ao longo destes 6 anos foram estes quatro EPs virtuais exclusivos, que compilavam gravações já existentes mas que só viraram EPs por iniciativa nossa. Siga o link para ir para os posts originais, onde se pode ouvir e baixar os sons:

 


 



Já em novembro de 2011, saiu o único CD virtual que o Som do Norte lançou reunindo músicas inscritas pelas próprias bandas e/ou artistas - o CD Som do Norte 2011. 

terça-feira, 21 de julho de 2015

Na Rede: Papo Reto com Fabio Gomes no Roraima Rock'n'Roll

Ontem cedo o colega Victor Matheus, do blog Roraima Rock'n'Roll, me entrevistou para a sessão Papo Reto da coluna que ele mantém, com o mesmo nome do blog, na Folha de Boa Vista. A conversa, no estilo do nosso Café com Tapioca, versou sobre o Som do Norte, rock e cinema, e saiu hoje na edição impressa do jornal e também no blog. Dá um confere! (Fabio Gomes)


***

COLUNA RORAIMAROCKNROLL - ANO 5 - 8ª EDIÇÃO

PAPO RETO 

*Créditos: Prsni Nascimento 


O jornalista Fábio Gomes, editor do blog Som do Norte, 
responde a quatro perguntas do Papo Reto da nossa coluna: 


Como nasceu a idéia do do blog Som do Norte? Já conhecia a música produzida no extremo norte do Brasil? 

Conhecia alguns artistas isoladamente, mas só fui pensar em termos de cena musical nortista quando estive no Acre cobrindo o festival Varadouro 2008. As bandas do Norte foram as que mais me chamaram a atenção, e em menos de um ano lancei o blog. 

A relação do blog Som do Norte com rock amazônico é muito próxima. Chegando aos 6 anos de história, que momento do blog marcou pra você? 

Um momento muito marcante foi a primeira Noite Som do Norte, em 2011. Foi tanta gente na festa que o dono da casa teve que mandar fechar o portão ali por 1h30 da manhã, e quem conhece a noite de Belém sabe que a essa hora os "trabalhos" recém estão começando. 

O Som do Norte agora produz cinema, e lançou curtas do doc ‘As Tias do Marabaixo’. A cultura do norte do Brasil ainda é pouco conhecida em todo país? 

Na real não é de hoje que venho filmando a música nortista - inclusive, minha primeira filmagem foi do show da Veludo Branco em Porto Alegre (2010) -, mas ano passado decidi abraçar o cinema como carreira. Comecei filmando material para um doc de longa-metragem sobre As Tias do Marabaixo. No começo deste ano, lancei cinco curtas do projeto, que já foram exibidos em Macapá e nesta quarta, 22/7, estreiam no Tocantins. A cultura popular do Brasil em geral, não só do Norte, ainda é pouco conhecida pelo brasileiro, pois o grande público só tem acesso a informações via TV. A internet tem uma oferta cultural maior, mas sua difusão ainda se dá mais em nichos, e não em massa. 

Quem salva o rock no Brasil hoje? 

Bueno, não sei se o rock precisa ser 'salvo', apenas tem menos rock brasileiro na grande mídia, como já rolou nos anos 70. Afora as bandas da Amazônia, que escuto sempre, destaco a cena do Rio Grande do Norte também (que comentei em http://vamosfalar-jornalismocultural.blogspot.com.br/2015/03/musica-novidades-potiguares.html), mas olha, tem rock bom em qualquer parte do Brasil - apenas não em destaque na mídia de massa.



* Publicado originalmente no Roraima Rock'n'Roll

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Foi Show: Palmas Moto Capital

Na noite do sábado, 17 de julho, acompanhei a última noite de shows do 2º Palmas Moto Capital, na Praia da Graciosa. A parte musical do evento contou com a curadoria de André Donzelli, o "Porkão", dono do Tendencies Rock Bar (que durante o final de semana se transferiu para a praia) e organizador do Tendencies Rock Festival (que motivou minha primeira vinda à capital do Tocantins, há cinco anos). 


Quem abriu a noite foi a banda local Cão de Rua, que mandou um set de inspirado rock indie, com direito a crítica social nas letras. A apresentação foi valorizada pela boa utilização do telão, projetando imagens que remetiam às canções apresentadas. Dentro de um set majoritariamente autoral, a banda mandou uma releitura de "Ainda é Cedo", da Legião Urbana. 






Falando em Legião, a atitude do vocalista da banda que veio a seguir, Four de Reis, lembrava um pouco a presença de palco de Renato Russo. A banda priorizou a apresentação das músicas que compõem seu novo EP, Mistura Volátil. 










A terceira banda a se apresentar foi Baranga, de São Paulo. Não cheguei a acompanhar o show, porque como o grupo se atrasou para subir ao palco, aproveitei para conversar com alguns amigos um pouco distante da área dos shows.



Mas assim que iniciou o show da banda carioca Rats, não havia quem quisesse ficar longe do palco, nem conseguisse ficar parado! A banda, cujo instrumental inclui banjo, acordeom e bandolim, faz uma mistura inusitada de ritmos, indo do rock à polca (sim! Polca) passando por quase tudo que você possa imaginar, incluindo a MPB. Um dos momentos que mais surpreendeu o público foi um belo arranjo da Rats para o tema de abertura da série de TV Game of Thrones (os fãs da série, eu incluído, ouviram a versão praticamente em êxtase). Foi, para mim, a grande revelação da noite. 




Encerrando a noite, tivemos o virtuose da guitarra Kenny Brown. Acompanhado de músicos locais, o americano fez um show quase todo instrumental, improvisando longamente sobre temas de blues e fazendo todo mundo dançar.



O grande momento da noite acabou acontecendo de improviso. Ao ver uma garota com a camiseta de Four de Reis dançando próximo ao palco, Brown a chamou para subir...

  

... e participar do show com ele tocando cow bell. 



Fotos: Fabio Gomes

Veja a cobertura completa na página 

Post nº 4700: Curtas As Tias do Marabaixo estreiam fora do Amapá

Nesta quarta, 22 de julho, será realizada a primeira sessão dos curtas da série As Tias do Marabaixo fora do Amapá. 

O evento acontece na Oficina Geral, em Paraíso (TO), cidade distante 63 da capital, Palmas. As fotos que retratam o making off das filmagens também estarão em exposição no local. 

Após a sessão, o diretor dos filmes, o jornalista Fabio Gomes (ao lado, em foto com Tia Chiquinha) conversa com o público presente. Encerrando a noite, haverá uma roda com músicos apresentando trabalhos autorais. 

Serviço

Mostra dos curtas As Tias do Marabaixo
Oficina Geral
Paraíso, TO
Quarta, 22/7, 20h


sexta-feira, 17 de julho de 2015

Foi Show: Mostra Mutum

Palmas - Estou desde sexta, 10 de julho, no Tocantins, onde vim acompanhar o Mutum - 1ª Mostra de Música Instrumental e Cultura Popular do Tocantins. É isso mesmo, você não leu errado: o evento propôs uma mistura de vertentes no mínimo inusitada - ao menos eu não sei de outro festival com proposta idêntica. Quem compareceu a Taquaruçu (distrito ecoturístico a 40km de Palmas) onde as atividades do Mutum se desenvolveram nos dias 10,11 e 12, pôde comprovar o acerto da ousadia do diretor geral do evento, o produtor cultural e educador musical Diego Britto.

As manhãs do evento foram integralmente dedicadas à cultura popular. Não pude acompanhar na manhã da sexta, em função de estar chegando à capital, a cantoria indígena, seguida de café da manhã tradicional com paparuto (comida típica do povo Krahô, feita com mandioca ralada misturada a pedaços de carne de porco, que são enterrados entre brasas) e roda de conversa indígena. Nos dias seguintes, fiz questão de madrugar para não perder esta parte da programação que proporcionou momentos únicos.


No sábado, logo cedo, acompanhei um cortejo em honra ao Divino Espírito Santo reunindo foliões das comunidades de Natividade (de vermelho na foto acima) e Monte do Carmo (de camisa violeta) pelas ruas de Taquaruçu, com paradas na igreja de Nossa Senhora do Rosário e na casa do devoto Selcimar Cirqueira. Chegando ao espaço Terreiro dos Povos, fomos recebidos por uma mesa de folião, um café da manhã com produtos típicos (biscoitos de polvilho, sucos e frutas da estação, como melão e banana). Findo o café, arredou-se a mesa para se realizar uma roda de viola e catira.


Roteiro semelhante foi seguido na manhã do domingo pelo Cortejo Jalapeiro, reunindo quilombolas de Barra do Aroeira (município de Santa Teresa do Tocantins) - incluindo Nilo José, que conheci em Porto Alegre durante o Acorde Brasileiro 2009, pouco tempo após lançar o Som do Norte (na foto ao lado, Nilo está de chapéu e camisa amarela, tocando viola de buriti) - ouça aqui a entrevista que fiz com ele há quase 6 anos. Desta vez o cortejo não fez paradas no trajeto, indo direto da Praça Joaquim Maracaípe ao Terreiro dos Povos, onde se repetiu o café típico, seguido de contação de histórias pela escritora Irma Galhardo e apresentação de danças típicas da comunidade quilombola, como a dança do lenço, o maculelê dançado com bastões e facões e a suça de mulheres. Identifiquei uma herança africana direta muito preservada no grupo, o que logo compreendi quando dona Isabel Rodrigues, uma liderança da comunidade, contou a história de Barra do Aroeira: o povo quilombola ali presente vive em terras dadas pelo imperador Dom Pedro II ao patriarca da família Rodrigues, o soldado negro Félix José Rodrigues; a doação foi um reconhecimento pela bravura demonstrada pelo militar durante a Guerra do Paraguai (1864-70). Todos os moradores do local descendem de Félix José, falecido em 1915. 

O evento também contou com diversas oficinas, a maioria voltadas para músicos, nesse caso tanto os da vertente música instrumental (como, por exemplo, o Workshop de Bateria e Improvisação Coletiva, na manhã do sábado) quanto da cultura popular (como o Encontro de Rabequeiros e Violeiros de Buriti, na tarde do domingo, que ensinou a construir instrumentos e culminou numa roda de viola). Houve ainda uma oficina focada em cultura popular, sem vínculo com música - a de Benzimento e Fitoterapia, na tarde do sábado. 

A separação entre as duas vertentes se diluiu na parte mais visível do Mutum, a programação de shows do palco Sumidouro, junto à praça Joaquim Maracaípe. Assim como houve momentos mais focados na cultura popular - a abertura dos três dias era sempre com o grupo, ou os grupos, que haviam feito vivências pela manhã (cantadores indígenas na sexta, roda de suça com os Catireiros da Natividade e o Grupo Mãe Ana no sábado e os violeiros e rabequeiros de buriti no domingo; todos estes foram momentos que transmitiam grande emoção e encantamento por evidenciar a riqueza da tradição tocantinense) - e outros totalmente ancorados na música instrumental (como o belo show que encerrou a programação do sábado, reunindo o violonista Felix Junior e o gaitista Gabriel Grossi - foto abaixo -, cujo repertório incluiu Astor Piazzolla e Villa-Lobos), também tivemos, já na sexta, o show do grupo Três Matutos e Um Arigó, que promoveu releituras jazzísticas de clássicos de Luiz Gonzaga e Dominguinhos. Outro momento de destaque na aproximação entre as duas vertentes do festival foi no sábado: Paraíba dos 8 Baixos, músico de Taquaruçu, foi acompanhado pelo grupo do guitarrista  tocantinense Paulio Celé, que havia feito o show de encerramento da sexta. 



No sábado, Leandro Medina surpreendeu com bons sambas e referências às tradições de seu estado natal , o Pará. enquanto o Duo Negróide, formado pelos goianos Edilson Morais (percussão) e Luciano Clímaco (guitarra) misturou sons da África com eletrônica, tendo duas participações especiaís: a de Dorivã, um dos maiores nomes da música do Tocantins, e do rabequeiro Jeferson Leite, que havia feito o show mais arrebatador da sexta - 90 minutos de forró que colocaram todos da praça Joaquim Maracaípe para dançar forró, xote, baião e xaxado. Jeferson demonstra ter a "pegada" de um Hermeto Paschoal ao sentir a vibração do público e devolver a este o que ele espera, criando uma verdadeira sintonia entre palco e plateia. 

O domingo teve apresentação do Palmas Música, grupo de formação e repertório eruditos (que teve como destaque a interpretação de "Uirapuru", do paraense Waldemar Henrique, e que encerrou com um portentoso arranjo de "Carinhoso", de Pixinguinha) e dois dos shows mais marcantes do Mutum, exatamente os dois que encerraram o evento. Falo de Tambores do Tocantins e do show que reuniu os cantadores e violeiros Juraildes da Cruz (TO) e Xangai (BA)(foto abaixo). 



O grupo Tambores (que tem entre seus integrantes Diego Britto, diretor do Mutum, como baixista) promoveu um verdadeiro passeio pelo repertório de várias partes do Brasil, indo de "Coroné Antônio Bento", do maranhense João do Vale e do alagoano Luiz Wanderley, a "Tambor de Couro", do paraense Ronaldo Silva, passando por temas dos tocantinenses Dorivan e Juraildes da Cruz. A baiana Selma de Oliveira, de Jequié, que veio a Taquaruçu especialmente para acompanhar o Mutum, chegou a comparar a qualidade do trabalho de Tambores do Tocantins à do mundialmente famoso grupo Olodum, de sua terra. Foi um dos shows mais animados do Mutum inteiro, com todos na praça dançando muito.

Depois da dança, a audição atenta. O público que se manteve na praça até por volta da 1h30 da segunda-feira, 13, foi premiado por um belíssimo show de Xangai e Juraildes, no qual o baiano homenageou seu parceiro tocantinense, interpretando clássicos como "Vida no Campo" - a dos versos A vida no campo é fruta madura/ Amizade é coisa pura, é mel no coração/ Gado no curral, cuscuz com leite/ Café com queijo, eu gosto é de um requeijão...

Aliás, falando em comida. Um dos acertos do evento foi credenciar comerciantes de Taquaruçu para oferecer opções gastronômicas para o público do Mutum. As barracas ficavam dispostas de forma que quem queria fazer um lanche não precisava parar de ver os shows, como às vezes acontece em eventos desta natureza. As opções eram as mais diversas, de beijus e pastéis, até o cuscuz recheado da chef Mary Help. E para beber, as opções variavam de sucos de frutas típicas da região até cervejas artesanais. 

As fotos que ilustram o post foram retiradas do blog do evento


* Fabio Gomes esteve em Taquaruçu a convite da produção do evento.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Agenda Macapá: Kassya Karoline



Roberto Carlos abriu seu disco de 1983 com os versos Se o amor está fora de moda/ Eu estou um tanto quanto antiquado..., o que evidentemente era uma baita ironia, pois o amor é não só o tema primordial da carreira de Roberto, como da grande maioria dos artistas ao redor do mundo, o que, no presente caso, inclui uma cantora que é uma grande revelação do meio do mundo. Falo da paraense radicada em Macapá Kassya Karoline.

Conheci Kassya logo que cheguei a Macapá para minha primeira temporada prolongada, em maio de 2013. Na época ela cantava esporadicamente na noite da capital do Amapá, e demorei a ouvi-la cantar, primeiramente participando de shows alheios, e mais adiante em shows completos seus em bares (incluindo uma maratona de dois na mesma noite, em agosto passado). Trata-se de uma artista em franca evolução, com timbre de voz agradabilíssimo, e que sabe onde quer chegar. 

Por tudo isso, recomendo a quem estiver em Macapá que se agende para assistir o novo show acústico de Kassya, Love Songs, no próximo dia 23 (informações na imagem acima). Você consegue imaginar programa melhor para uma noite de quinta que ouvir uma mulher linda e talentosa cantando o amor? Eu não.



sábado, 4 de julho de 2015

Ouvimos: Independente - Clepsidra
















Logo após o show de lançamento do CD Independente, na Sala Mestre Laurentino da loja Ná Figueredo da av. Gentil Bittencourt (Belém), Renato Torres (voz e guitarra da Clepsidra) me garantiu que, quando a banda escolheu o nome do disco, não imaginava o quão conceitual ele acabaria se tornando - isso porque, não obtendo patrocínio via leis de incentivo, o disco acabou saindo bancado pelos próprios músicos. Mas talvez não haja coincidências e tudo já esteja escrito - como diria a protagonista da minissérie Presença de Anita, de Manoel Carlos, exibida pela TV Globo em 2001. Digo isso porque a faixa que dá nome ao CD é uma parceria de Renato com Felipe Cordeiro, que homenagearam o músico paulista Itamar Assumpção (1949-2003). Itamar foi um dos líderes da Vanguarda Paulista, movimento dos anos 1970-80 que levou artistas como Arrigo Barnabé e bandas como o Grupo Rumo e Premeditando o Breque a romper com a política das gravadoras e lançarem seus discos de forma...independente (rá!). Inclusive o segundo LP solo de Itamar, lançado por ele mesmo em 1981, se chamou Às Próprias Custas S/A. 

O terceiro disco da Clepsidra, assim como os dois anteriores, chega ao público através do selo Na Music. O primeiro, Bem Musical, em 2004, foi lançado com a classificação de 'Rock'. O segundo, Tempo Líquido, de 2006, foi anunciado como de 'Nova MPB'. Já Independente não me parece tão fácil de rotular (fora que eu sempre questiono a real utilidade de um rótulo, mas enfim... ao menos ajuda as pessoas a entender do que você está falando). O resultado sonoro do disco ora lançado me parece somar as duas influências, e outras mais - basta lembrar que, lá por dezembro de 2009, ou seja, pouco tempo antes da gravação do Independente, o baterista Arthur Kunz havia criado um trio de... jazz, que teve curta duração. Nessa época, Kunz já respondia também pela bateria da Clepsidra. A banda existe desde 2001, e sempre teve como membros fixos Renato Torres e o baixista Maurício Panzera, que costumavam então chamar diversos convidados na hora de gravar os CDs. Foi de Kunz a ideia de, no Independente, ter apenas o trio, sem participações vocais nem instrumentais (o que, além de para mim reforçar a ideia expressa no nome do disco, fazia todo sentido num momento em que a Clepsidra tocava e gravava direto nos shows e CDs da maior parte dos nomes emergentes da cena MPB de Belém, entre os quais Juliana Sinimbú, Aíla, Arthur Nogueira, Felipe Cordeiro, Joelma Klaudia e Gláfira). O CD foi gravado entre dezembro de 2010 e janeiro de 2011 no APCE Music por Assis Figueiredo e Ulisses Moreira, e mixado e masterizado em 2012 por Ivan Jangoux no no Vintagge Studio da AM&T (cujo proprietário, Kim Azevedo, co-produziu o CD junto com a banda). Os nomes e grifes citados estão entre os melhores de Belém em suas respectivas áreas, o que resultou num CD de excelente qualidade sonora. 

Durante os três anos entre a finalização e o lançamento do CD, cada componente do trio trilhou rumos próprios. Renato Torres, além de fazer inúmeras parcerias, lançou carreira solo em 2012, por ocasião da estreia do show Vida é Sonho. Maurício Panzera se dedicou ao ensino de música e atuou na noite de Belém ao lado de vários artistas, chegando a ser diretor musical da cantora Joelma Klaudia. Já Arthur Kunz criou em 2011, ao lado do guitarrista Leo Chermont, a banda Strobo, que intensificou a agenda de shows pelo Brasil todo que ele já fazia como integrante de projetos dos conterrâneos Felipe Cordeiro, Luê e Aíla. 

O show do dia 27 não contou com Kunz; nele, Renato e Panzera contaram com a participação do tecladista Rodrigo Ferreira e do baterista Emmanuel Penna. Ao vivo, as 8 canções do disco apresentadas (de um total de 12) me soaram bem mais rock do que na posterior audição do CD (onde, como já falei, se equilibram as diferentes influências do trio que o gravou).




A maioria das 12 faixas do CD nasceu como poema, e só depois ganhou música. Inclusive a única faixa cuja letra não é de Renato Torres: "Voragem", poema de Larissa Medeiros que ele musicou e que é uma das músicas que eu mais amo nesta vida - conheci a canção interpretada por Aíla num show de 2009; esta é a primeira gravação desta composição. As duas faixas que não nasceram de poemas são "Serena", que é a única parceria de Renato com Kunz. O baterista mostrou a melodia a Renato, que fez depois a letra e a melodia da parte B. O mesmo aconteceu em "Pedra Filosofal", outra parceria de Renato Torres com Felipe Cordeiro. A melodia de Felipe foi complementada e ganhou letra de Renato.

Mesmo com todo o tempo que decorreu entre a gravação e o lançamento, apenas duas músicas do Independente já haviam saído em outros discos: "Além-Mar" (parceria de Renato com Dionelpho Jr., incluída no CD Sonho Bom de Fevereiro, gravado por Juliana Sinimbú em 2010 e lançado na internet ano passado) e "Samba sobre Nada" (parceria de Renato com Henry Burnett, incluída por Gláfira no CD Jardim das Flores, de 2012). 

Embora acabem formando um todo coerente - são centrais no disco as referências a amor, ao local versus o global, a coerência artística versus a ostentação -, os poemas de Renato que viraram canções do Independente nasceram em diferentes ocasiões. O mais antigo é "Sobremesa", que Renato lembra de ter cantado no Teatro Margarida Schivasappa em 1994 - nesta letra, musicada pelo próprio Renato, e que se apóia numa metáfora bastante usada de comparar a consumação do amor a uma refeição, destaco o trocadilho descubra longo o meu segredo e, logo a seguir, um jogo de palavras onde não se sabe mais quem irá abater quem (abra a porta sem pressa/ pise com graça, abrace a presa/ que te espera devorar). "Guamá" (letra de Renato, música de Panzera) remete ao rio de Belém que passa pelo bairro com o mesmo nome (onde fica o home studio de Renato, o Guamundo) - além de falar em bairro antigo, Renato diz que o Guamá afunda surdo. Em "A Volta do Mundo", no verso começo reverso, Redenção deserta em pleno Bom Fim, há claras referências a conhecidos pontos de Porto Alegre (ao parque Farroupilha, popularmente chamado de Redenção, e ao bairro onde o parque se localiza) - é bom frisar que esta referência à capital gaúcha é quase episódica numa letra que o eu-lírico se dirige inicialmente a uma bela moça que viu passar, e que não percebeu os olhares a ela dirigidos, e segue falando dos efeitos do tempo e do frio sobre o eu-lírico. Já "Paraíso", letra de Renato musicada por ele mesmo junto com Panzera, nasceu de uma passagem por São Paulo, mais exatamente pela estação de metrô do bairro Paraíso - talvez por isso a referência a mente descarrilada nesses trilhos do mundo junto a menções a Adão, Eva e o fruto proibido. Renato parece falar do mesmo episódio bíblico na letra de "Serena" - digo parece porque, ao mesmo tempo em que fala em serpente e maçã, há uma menção a veneno - o que poderia tornar esta maçã não a oferecida pela serpente a Eva, e sim a que a bruxa induziu Branca de Neve a morder. Felizmente, assim como eu já comentei que não vejo necessidade de usar rótulos para classificar música, também já desisti da tentação de "encontrar as respostas certas" ao comentar uma obra de arte.




Falando em obra de arte, não consigo pensar em outra classificação para a canção que já ganhou as rádios de Belém e que considero a melhor faixa do disco: "Pedra Filosofal", É daquelas músicas que você ouve uma vez e passa o dia inteiro com ela na cabeça. A nosso pedido, Renato Torres postou esta faixa no Soundcloud da Clepsidra. Curte aí ;)



sexta-feira, 3 de julho de 2015

O Marabaixo é de Todos!

Estou em Belém, primeira etapa de minha viagem para divulgação dos curtas-metragens da série As Tias do Marabaixo. Os cinco filmes serão exibidos no final da próxima semana na Mostra Mutum, festival de culturas populares e música instrumental realizado em Taquaruçu, próximo a Palmas, capital do Tocantins. 

Nos últimos dias em Macapá antes da viagem, participei do lançamento da Campanha de Reconhecimento e Valorização da História do Marabaixo, a convite de Elísia Congó, presidente da Federação Folclórica do Amapá. Elísia é filha de Dica Congó, nome histórico do Marabaixo da Favela, e ano passado foi uma das festeiras do Ciclo do Marabaixo, inclusive boa parte do meu longa-metragem foi rodado em sua casa. 

Elísia Congó

Elísia teve uma ideia tão simples quanto genial: confeccionou cartazes com dizeres alusivos ao Marabaixo, para que as pessoas pudessem se fotografar com eles e postar estas imagens nas redes sociais, usando a hashtag #CampanhadeValorizacaodoMarabaixo. Estivemos em escolas, universidades, emissoras de rádio, bares e diversos outros locais públicos, registrando bastante adesão e compartilhamento. Inclusive três das Tias do Marabaixo aderiram à Campanha. 


     Tia Zefa

Tia Zezé

Natalina

A foto de Natalina foi feita na Assembleia Legislativa do Amapá, logo após a sessão solene do Dia Estadual do Marabaixo, na manhã de 16 de junho. A data foi criada em 2010 por iniciativa do deputado estadual Dalto Martins, já falecido, e cujo nome hoje batiza o plenário da Assembleia. Os grupos presentes aproveitaram para protestar contra a atitude de um delegado de polícia de Macapá que havia, dias antes, mandado interromper uma festa de Marabaixo alegando o alto volume do equipamento de som que estaria sendo utilizado - sendo que todas as casas que sediam festas do Ciclo obtém previamente alvará junto à Prefeitura para a realização do evento. 

À noite, diversos grupos de Marabaixo finalizaram os festejos do Dia Estadual com um grande Marabaixão no barracão Tia Gertrudes, no bairro da Favela. 

A campanha de valorização continua. Elísia continua levando os cartazes a eventos - o mais recente foi a passagem do ministro da Cultura, Juca Ferreira, por Macapá, para inaugurar a nova sede da superintendência do Iphan no Amapá, no dia 25 de junho. 

Você também pode participar da campanha - basta confeccionar seu cartaz de apoio ao Marabaixo, produzir uma selfie e postar nas redes sociais com a hashtag #CampanhadeValorizacaodoMarabaixo . 

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Café com Tapioca nº 7: Camillo Royale (Turbo)

Como diz o próprio Camillo Royale, a banda Turbo rajou com o lançamento do seu segundo álbum “Eu sou Spartacus”, que finalmente foi disponibilizado na internet no início deste mês de junho. Os fãs puderam conhecer o trabalho que foi gravado na Suécia em 2013, em parceria com o produtor Chips Kiesbye, que já trabalhou com grandes nomes da cena roqueira alternativa como Hellacopters e Millencollin. A banda também divulgou o clipe da música “Já”, com direção de Vanja Von Sek, que contém imagens produzidas durante o processo de gravação do CD. Guitarrista e vocalista do Turbo, Camilo conversou com o Som do Norte, falando, entre outras coisas, sobre a experiência de gravar num país estrangeiro e as expectativas em relação ao disco. Além dele, o grupo é formado por Neto B (bateria), Wilson Fujiyoshi (baixo) e Bruno Cruz (guitarra) - na foto abaixo, Camillo aparece na parte superior direita. (Raissa Lennon, de Belém). 



Som do Norte - Se não me engano, a banda Turbo foi gravar o disco na Suécia em fevereiro de 2013, é isso mesmo? De lá pra cá como foi esse processo até o lançamento do disco? 

Camillo Royale - Isso mesmo. Caramba, foi uma longa jornada na verdade. Foram dois anos pra ir e dois anos pro disco voltar, mas estamos muito satisfeitos com o resultado.  Nesse período fomos resolver nossas vidas, tentar explicar para as pessoas o porquê da demora, que o disco foi feito na Suécia e não na Suíça, e ficamos esperando Spartacus vir e nos dar orgulho e muita alegria.

Som do Norte - O que a experiência de gravar em outro lugar totalmente diferente trouxe para a sonoridade do projeto Eu Sou Spartacus? Qual foi a grande contribuição do Chips Kiesbye, que já trabalhou com grandes bandas gringas?

Camillo Royale - Gravar no Music-a-Matic com o Chips e o Henryk foi demais! Nos deixaram muito à vontade e ficamos muito amigos. Gravar no esquema que gravamos era como ver os documentários das bandas gringas que amamos. Foi um grande aprendizado e os caras dão o máximo pra que o teu trabalho fique bom. Recomendo a quem puder ir lá gravar com os caras não irá se arrepender, depois terá muita potoca pra contar e o som do disco ficará só a crocância!

Som do Norte - Como o Camilo, músico, experiente, de uma importância enorme para o cenário da música paraense, define esse novo disco?

Camillo Royale - Eu sou Spartacus para mim tomou um outro significado durante a viagem, algo que talvez que eu não conseguisse explicar para as pessoas, mas espero que elas ao ouvir as canções tenham a sua própria visão delas e o porquê deste título. Muita gente disse que éramos loucos por fazer essa aventura e não nos arrependemos de nada. A rajada foi além das expectativas, mas o trabalho só está começando.

Som do Norte - Agora que a Turbo está com disco prontinho e um clipe super legal lançado para a música "Já", quais são os planos? 

Camillo Royale - A ideia é lançarmos o disco físico inicialmente em CD. Para uma banda independente nada é fácil, mas sem drama não tem graça e logo ele estará em nossas mãos pra galera comprar. Esperamos poder fazer mais clipes e viajar para lugares novos para rajar e promover o disco. Somos uma banda desconhecida para o resto do Brasil, mas o feedback desde o lançamento tem sido muito bom.




Som do Norte - E para terminar, como a nossa sessão chama-se "Café com Tapioca" com quem você gostaria de tomar um café com tapioca? Fazer uma parceria, tocar, ou algo assim?

Camillo Royale - Vixi! É tanta gente que sou fã e que adoraria fazer algo, mas quando conheci o mestre Sebastião Tapajós durante um trabalho fiquei pensando se eu teria as técnicas ninjas para poder criar algo com esse monstro das seis cordas que admiro tanto. Pelo menos tomar aquele cafezote com tapioca com ele pode rolar algum dia.


Veja também:

Outras entrevistas ao Som do Norte onde Camillo Royale falou do CD Eu sou Spartacus:







quinta-feira, 11 de junho de 2015

As Tias do Marabaixo: Como medir a felicidade?


Na noite de 5 de junho, sexta-feira passada, aconteceu a exibição pública dos cinco curtas que compõem a série As Tias do Marabaixo, durante a segunda edição, no Bar do Nêgo, do Projeto Vitrola Cultural, coordenado pela socióloga Patrícia Pinheiro e que conta com os DJs Ronnie Santos, Flávio Gutembergue e Jader Roots; o projeto visa resgatar a cultura de ouvir música em vinil, e também abre espaço para outras manifestações culturais. Em plena orla de Macapá, a poucos metros do rio Amazonas, o maior rio do mundo, quem esteve presente pode ver, pela primeira vez num único evento, a série completa (os curtas já haviam sido exibidos em dois eventos do grupo poético Pena e Pergaminho, sendo três num evento e dois no outro). Não tenho palavras para expressar minha satisfação e alegria com o convite e mais ainda com a efetiva exibição. Naturalmente, por se tratar de uma apresentação num bar - espaço onde exibições de filmes são raras -, o nível de atenção foi bem diverso do que observei quando da mostra nos encontros do Pena e Pergaminho: enquanto algumas pessoas simplesmente ignoravam os filmes, houve quem levantasse da cadeira e começasse a dançar! Um momento muito feliz que aconteceu quase no encerramento, perto de 1h da manhã, quando começamos a exibir o curta final, Tia Zezé no Encontro dos Tambores.



Exibição do curta 
Tia Chiquinha

Sei bem que ainda não se inventou um modo de medir a felicidade. Mas também tenho a plena certeza de que mais feliz ainda foi não um momento só, mas uma noite inteira, pouco mais de três semanas antes da noite citada acima. Me refiro à noite de 13 para 14 de maio, a Quarta-Feira da Murta do Divino Espírito Santo. Apenas duas das casas que celebram anualmente o Ciclo do Marabaixo em Macapá comemoram a Quarta da Murta do Divino, ambas no bairro do Laguinho - a Casa do Mestre Pavão, sede da Associação Folclórica Marabaixo do Pavão, e o Centro Cultural Tia Biló, da Associação Cultural Raimundo Ladislau. O motivo é que estas duas casas homenageiam igualmente o Divino Espírito e a Santíssima Trindade, enquanto as outras casas (Barracão Tia Gertrudes e Associação Zeca e Bibiana Costa, ambas no bairro da Favela, e Herdeiros do Marabaixo, do distrito de Campina Grande) festejam apenas a Santíssima Trindade. 

Quem acompanha o projeto As Tias do Marabaixo sabe que meu intuito é homenagear cinco senhoras negras que são consideradas memórias vivas do Amapá: Tia Zefa, Tia Chiquinha, Tia Biló, Natalina e Tia Zezé. Diante, porém, do ocorrido na Quarta da Murta do Divino na sede da Associação Raimundo Ladislau, eu não pude deixar de me sentir homenageado também. Nesta noite, a convite de minha amiga Laura do Marabaixo, neta da Tia Biló, os banners com as fotos da minha exposição "As Tias do Marabaixo" ficaram expostoas durante todo o tempo da festa (ou seja, de 18h até o amanhecer, praticamente 13h). Mais que isso: as fotos foram dispostas de modo a estarem no centro da roda formada pelos dançarinos de Marabaixo, que assim faziam a festa em volta das imagens que retratavam a própria festa! Com toda a certeza foi um dos momentos mais felizes de toda a minha vida. :)





O Ciclo do Marabaixo 2015 encerrou neste domingo, 7 de junho, com a derrubada dos mastros nas cinco casas que celebram anualmente a Santíssima Trindade e o Divino Espírito Santo. Na próxima semana, acontece na Praça da Bandeira programação alusiva ao Dia Estadual do Marabaixo (16 de junho). Depois disso, sigo para algumas semanas em Belém, a caminho de  Taquaruçu, distrito de Palmas, onde os cinco curtas serão exibidos no Cine Mutum, evento paralelo ao Mutum - 1ª Mostra de Música Instrumental e Cultura Popular do Tocantins, que acontece de 10 a 12 de julho. O caráter alternativo das exibições relatadas neste texto também se estende à viagem: pretendo percorrer vários estados com a exposição e os curtas evitando o uso de avião sempre que isso seja possível - vou de Macapá para Belém de navio, e de lá para Palmas de ônibus (no caso, indo primeiramente do Pará para Goiás, e de lá pro Tocantins).

quarta-feira, 10 de junho de 2015

sábado, 6 de junho de 2015

Pará: 1º Congresso Estadual debate a salvaguarda do Carimbó até amanhã em Ananindeua


Até amanhã, o 1º Congresso Estadual do Carimbó prossegue em Ananindeua, Região Metropolitana de Belém. O evento inicou ontem, sexta, 5 de junho. 

O Congresso é organizado pela Campanha do Carimbó, movimento cultural e social protagonizado por mestres, grupos e comunidades carimbozeiras do Pará, responsável pela luta vitoriosa realizada junto ao IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – para registrar o Carimbó como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, objetivo conquistado e celebrado coletivamente no dia 11 de setembro de 2014.

O 1º Congresso Estadual do Carimbó reúne mestres e representantes de dezenas de grupos e comunidades para a discussão da próxima etapa desse processo: a construção do Plano de Salvaguarda do Carimbó e a proposta de auto-organização em âmbito estadual e nacional.

O Congresso Estadual do Carimbó é a culminância de uma ampla mobilização e escuta das comunidades carimbozeiras sobre a temática da salvaguarda e da auto-organização comunitária, articulada pelas lideranças da Campanha desde dezembro do ano passado. Como parte do processo de mobilização para o evento, a Campanha do Carimbó promoveu Encontros Municipais Preparatórios em mais de vinte municípios em várias regiões do Estado, discutindo propostas e demandas para a salvaguarda e elegendo os delegados de cada grupo/comunidade de carimbó para participarem do Congresso. Estão confirmados cerca de 200 delegados/as e observadores vindos de 25 municípios das regiões do Salgado, Bragantina, Marajó, Tapajós, Baixo Tocantins e Metropolitana.

O objetivo do Congresso é, entre outros, definir as propostas dos grupos e comunidades para as ações de salvaguarda, escolher os representantes comunitários para o Coletivo Gestor da Salvaguarda e discutir a criação da entidade coletiva e representativa do carimbó em âmbito estadual e nacional. Portanto, o evento terá caráter deliberativo e organizativo, com uma representatividade política e territorial até então inédita na história do carimbó.

A Campanha do Carimbó considera o Congresso um desdobramento e uma continuidade do processo de registro do carimbó como patrimônio cultural nacional, bandeira levantada e sustentada por grupos e mestres tradicionais de carimbó desde 2005, quando se iniciaram as primeiras discussões com o IPHAN e o Ministério da Cultura na cidade de Santarém Novo, região litorânea do Pará.

É uma etapa crucial da longa luta dos mestres, grupos e comunidades em prol da valorização e reconhecimento efetivos de nossa cultura popular tradicional, dessa manifestação que é uma das principais matrizes culturais do povo paraense e amazônida. É também uma valiosa oportunidade para afirmar a importância e a riqueza de nossa diversidade cultural, nutrida por nossas raízes ancestrais, definidora de nossa multifacetada identidade nacional.

O Congresso é uma instância deliberativa e organizativa do movimento da Campanha do Carimbó, por isso não será aberto ao público em geral; apenas algumas vagas foram disponibilizadas vagas para observadores e convidados.

O evento tem o apoio do Ministério da Cultura, Iphan-PA, Ministério da Pesca e Aquicultura, Movimento Slow Food Brasil, Secretarias Municipais de Cultura de vários municípios, além de entre outros parceiros e apoiadores no Pará e no Brasil.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

A Mil por Hora: novo EP da Nicotines já está na rede



A banda amazonense Nicotines lançou ontem via Soundcloud seu EP A Mil por Hora, com 5 faixas. A canção-título já viera à luz no dia 30 de maio, como single (confira aqui). O disco, gravado por  Ygor Lopez, no LS Brazil Studio, sai pelo selo Som Independente Records. Destaque para as faixas "Rock Brasileiro" e "O Velho Rockstar", que trazem raras críticas de roqueiros à transformação do próprio rock em 'negócio'. 

A Mil por Hora é o primeiro EP da banda, que anteriormente lançou o single "Antes do Inverno". O EP está encartado na mais recente edição da revista Gatos e Alfaces, que foi lançada no Bar do Aranha (São Paulo). Em Manaus a distribuição será feita no sebo Acervo Alienígena (Rua Lima Bacury, 64, Centro) e na Underground Brasil Distro (trav. Edila Pereira, 10-A – Raiz). A banda pretende fazer também o lançamento em fita cassete, mídia que deixou de ser fabricada pelas gravadoras brasileiras em 1996. 

A capa faz referências a álbuns de bandas setentistas e também é uma alusão aos motociclistas norte-americanos “Café Racers”, da década de 1950 (espécie de moto criada para percorrer pequenas distâncias, muito usadas por jovens fãs de rock para apostar corridas entre um café e outro, onde iam ouvir rock nas jukeboxes). O trabalho gráfico foi idealizado por Lauro Henrique, baterista da banda, e a arte gráfica ficou por conta de Eduardo Molotiesvki (vocal e guitarra da banda Tudo Pelos Ares), já a arte final é de Valdenor Marques.

A banda tem na formação atual Sandro Nine (vocal), Gustavo Kawati e Israel Perera (guitarras), Alderlan Moreira (baixo) e Lauro Henrique (bateria). Os músicos afirmam que o EP "reflete bem o momento em que a banda vive, até pela mudança de estilo, fazendo um rock'n’roll mais direto e cru. Foi um trabalho feito com muita dedicação, sangue, com planejamento e sem pressa. Transformamos as ideias em músicas e o resultado ficou do jeito que queríamos”, comemora Sandro Nine.  

A turnê para divulgação do álbum está prevista para o segundo semestre, informa Lauro Henrique: “Primeiramente faremos alguns shows no circuito independente da cidade e também pela região norte/nordeste, Venezuela e Sudeste divulgando o nosso trabalho”. 

Nicotines - A banda tem influências de diversas bandas dos anos 70 em diante, como Velvet Underground, Rolling Stones, David Bowie, Lou Reed. T. Rex, New York Dolls, Led Zepelin, The Stooges, MC5, Tutti Frutti, Golpe de Estado, TNT. Participou de importantes festivais independentes do Norte do Brasil (TomaRRock e Grito Rock), além de participar do 2º Gran Sabana Rock, em Santa Elena de Uairen (Venezuela), já tendo dividido o palco com bandas como Dr. Sin e Camarones Orquestra Guitarrística.