Aqui se fala do som dos estados do Norte do Brasil: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

@SomdoNorte entrevista Humberto Finatti




Fabio Gomes - Estamos aqui em Macapá recebendo a ilustre visita de Humberto Finatti, jornalista cultural, principalmente da área de rock - brasileiro e internacional - da qual fala muito em seu site www.zapnroll.com.br, e que tem uma ligação especial com a cena rock da região Norte. Bem-vindo!

Humberto Finatti - Quero falar pra começar que eu leio o Som do Norte, eu acho o blog superlegal. O blog Zap'n'Roll existe há 11 anos e eu tou acompanhando a cena independente brasileira há quase 20, nesse processo todo eu viajei pelo Brasil inteiro, conhecendo bandas, produtores, festivais. A ligação específica com o Norte começou em 2006 ou 2007, em Rio Branco, no Acre, quando eu fui cobrir o Festival Varadouro, que era feito pelo Coletivo Catraia. Estive em Rio Branco algumas vezes, fiz grandes amigos lá, aí de Rio Branco eu fui conhecendo todo o norte do Brasil: Porto Velho, Belém, Boa Vista... A ligação com Macapá se deveu porque naquela época eu era próximo do pessoal do Fora do Eixo. Modéstia à parte, a Zap'n'Roll é um dos três ou quatro blogs de cultura pop e rock alternativo mais acessados no Brasil, tem 70 mil acessos por mês, então o pessoal aqui lia a Zap'n'Roll, e me chamava e nisso eu vim cobrir dois Festivais Quebramar aqui em Macapá, produção do pessoal do [coletivo] Palafita, o Otto Ramos sempre me tratou muito bem, uma figura muito bacana. E aí eu comecei a conhecer as bandas daqui também, tem uma banda aqui em Macapá que eu acho fantástica, a Stereovitrola, e fui fazendo amigos na cidade, sempre que eu posso eu venho pra cá observar a cena, a movimentação musical, essa coisa toda.

Que canais tu tens usado em São Paulo pra te informares sobre a movimentação do Norte?

Não fazendo média com você, o Som do Norte é um desses canais. Os megaportais não dão muito destaque pra cena independente. Leio o G1 Amapá, parte de variedades, o Terra regional, blogs como o Urbanaque... O Scream & Yell dá uma grande atenção pra cena independente do Brasil inteiro, incluso aí a região Norte. E fora isso eu construí uma rede de amigos como você, as bandas, não só aqui, em Rio Branco, Belém...

Existe uma banda no Acre que te considera o padrinho dela, que são os Euphonicos. Tu inclusive conheces um dos músicos, o Aarão Prado, muito antes de se formar a banda Euphonicos.

O Aarão eu conheci quando fui cobrir o Varadouro e fiquei conhecendo as duas grandes bandas, maravilhosas, do Acre, Los Porongas e Camundogs. O Camundogs infelizmente não teve a repercussão que Los Porongas teve, mas era uma banda fantástica também. No ano passado, eu estive lá em Rio Branco e o Aarão me mostrou [o material do Euphonicos], eu comecei a escutar e fiquei louco. O Euphonicos tem as músicas mais lindas que eu tenho ouvido da cena independente nacional. Uma qualidade fantástica, você sabe disso, a Nany Damasceno fez a entrevista com eles pro Som do Norte, é uma qualidade absurda. A beleza poética e musical das músicas.





Você comentou que Camundogs não teve a mesma repercussão que Los Porongas, mas aí temos um dado que acho que na época pesava muito, que Los Porongas, ali por 2007, foi morar em São Paulo e o Camundogs continuou no Acre. Não sei se hoje essa questão influenciaria tanto.

Não dá pra explicar quais são os mecanismos que fazem uma banda boa dar certo nesse país. Los Porongas é uma banda gigante lá em Rio Branco. Eles tocam tranquilo pra 3 mil, 4 mil pessoas lá. Camundogs, por outro lado, uma época teve uma repercussão, mas ele não conseguiu atingir esse patamar em Rio Branco. Mas em São Paulo, Los Porongas, infelizmente - infelizmente porque a banda não merece isso - Los Porongas toca pra 100 pessoas, e eu acho isso uma injustiça com Los Porongas, que é uma banda tão boa quanto Euphonicos e quanto Vanguart. Eles fizeram um show na Choperia do SESC Pompéia, onde cabem 800 pessoas, e tinham umas cento e poucas pessoas. Mas era um público empolgadíssimo, cantaram junto as músicas todas o show inteiro. (O show aconteceu em 19 de setembro de 2014 e contou ainda com a banda uruguaia Buenos Muchachos - abaixo, um vídeo deste show, filmado por Denise Paiva)





Talvez valha mais 100 pessoas empolgadíssimas do que 800 bocejando. Eu acho que falta no Brasil um ponto intermediário, porque São Paulo é um mercado gigantesco. Não existe um mercado intermediário entre ser grande numa capital do Norte ou mudar para São Paulo para tentar a sorte. Como por exemplo, há como nos Estados Unidos, se tu sai do Colorado tu não precisa ir necessariamente ir pra Nova York, há outras opções. A cena brasileira não tem essa gradação.

Ou tu tocas pra 4 mil pessoas, ou tocas pra 50. Não tem meio termo. E isso se reflete na cena independente na seguinte questão: está se buscando resgatar uma cultura rocker no Brasil. Voltou a 89 FM em São Paulo, surgiram sites especializados em rock, tem a Bizz, Rolling Stone, mas está muito longe ainda de ser o último grande movimento do rock no país, que foi nos anos 80: Legião Urbana, Ira!, Capital Inicial, Plebe Rude e por aí vai. Nos 90, Raimundos ainda. De lá pra cá não tem mais isso. Hoje tá difícil sair uma banda de rock que consiga construir um público na internet e faça show pra 10 mil pessoas. O Vanguart já conseguiu próximo disso. Se você analisar quantas milhares de bandas que tem na cena independente de 2000 pra cá, tem uma que toca confortavelmente lá em São Paulo pra mil, 2 mil pessoas, que é o Vanguart. Uma. Então isso tem que ser mudado, senão o rock independente nunca vai conseguir almejar tocar pra um grande público, porque a grande mídia não tem interesse. A mídia especializada, alternativa, como é o meu e o seu caso, tem. Agora, se o Vanguart não entrasse na novela das 7 (Além do Horizonte, 2013) com "Meu Sol", não ia estar estourado como tá.

Tem uma outra questão, a grande mídia hoje ainda é refém do esquema do jabá criado nos anos 80/90, em que as gravadoras determinam o que vai ser tocado nas rádios e TVs - só que, como o mercado mudou muito por causa da internet, os segmentos musicais que ainda estão nas gravadoras são apenas os que têm grandes vendas, como o sertanejo universitário, o gospel... A gravadora hoje não investe em que tá começando.

É, não é nem o rock, qualquer gênero musical. As gravadoras faliram no modelo de vender disco em plataforma física, seja vinil, CD, o que for. Não vende mais. Elas tiveram que se adequar à internet, troca de arquivo musical, e se hoje elas acreditam que um artista vai estourar, começam a trabalhar aquilo nas redes sociais, no YouTube, empurrar no que resta de rádio grande, com o objetivo de massacrar aquilo na cabeça do público pra formar público pra show. As gravadoras hoje administram até a carreira e os shows das bandas, arrumam um empresário fortíssimo pra conseguir shows pra 10 mil pessoas e vão ganhar uma porcentagem em cima dos shows. Então as gravadoras querem formar artistas que elas saibam que daqui a pouco vão fazer show pra 10 mil pessoas.

Ou pega um artista independente que já conseguiu se firmar, e ela chama porque sabe que ele tem público.

O Vanguart fez essa trajetória, chegou num ponto que ele ficou grande demais pra cena independente. É uma história particularíssima, inclusive, que eu tenho conhecimento de causa, porque eu acompanho a carreira do Vanguart desde que eles surgiram em Cuiabá. Quando eu vi o Vanguart, ninguém fora de Cuiabá sabia quem era Vanguart. Eu fiquei louco, eu voltei pra São Paulo berrando "Vanguart" nos quatro cantos e os meus inimigos diziam: "Imagina, o cara é louco, falar de uma banda folk de Cuiabá, ahaha", dando risada, "imagina, deve ser a coisa mais imbecil, brega, cafona e idiota do mundo". E hoje Vanguart chegou no que é. No meio desse caminho de 2005 até agora, eles foram empresariados durante um tempo por um cara muito bacana lá em São Paulo que é um amigo pessoal meu, o Glauber Amaral. O Glauber tem uma rede de contatos muito boa. Ele é empresário, ele fala que ele é "direcionador de carreiras artísticas". Isso já há mais de 20 anos, quase 30 anos. Ele já trabalhou com os maiores nomes da MPB, Elza Soares, Luiz Melodia, Jards Macalé, Lanny Gordin, ele é muito bem relacionado. Eu o conheci quando ele queria investir em banda de rock, diversificar um pouco. E ele tinha um amigo em São Paulo que era o dono do Studio SP, que já não existe mais, e o Vanguart ia tocar lá. E esse amigo dele falou: "Glauber, vai ver essa banda, vai ver o show desses moleques que você vai gostar deles". O Glauber foi, viu o show, adorou, fez proposta, aí trabalhou com eles durante uns 2 anos. 


Nesses 2 anos, através dos contatos que ele tinha, ele conseguiu um contrato do Vanguart com a gravadora Universal, que resultou naquele Multishow Registro Vanguart, ao vivo (2009). Eu tava na gravação daquele DVD. Depois que eles saíram da Universal, eles chegaram a um acordo e houve um rompimento, amigavelmente, do contrato entre o Vanguart e o Glauber. Da parte do Glauber, ele achou que investiu demais na banda e a banda não soube se posicionar dentro de uma grande gravadora. E a reclamação do Vanguart pra mim - o Helinho falou isso pra mim, o Douglas também... Eles descobriram que o Vanguart, como uma banda independente, era a última prioridade da Universal, que tinha Ivete Sangalo, Chitãozinho & Xororó, Caetano Veloso pra priorizar. Então eles gravaram o Multishow Registro e tinham contrato pra mais um disco com a Universal. E eles começaram a perguntar pra Universal quando esse disco ia ser gravado. E a Universal não dava resposta, o diretor artístico não recebia a banda, até que chegou num ponto em que eles bateram pé: Escuta, nós vamos gravar esse CD quando? E aí o diretor artístico falou: Olha, a gente tá com outras prioridades nesse momento e não vai dar pra gravar o disco agora. Não sei quando a gente vai poder gravar o próximo disco de vocês. Isso chateou muito a banda, a banda chegou à seguinte conclusão: o disco não foi trabalhado direito, eles tinham um material muito bom no Multishow Registro que podia tocar em rádio, a Universal não quis pagar jabá pra tocar na rádio as músicas daquele disco, aí os meninos se reuniram e disseram: A gente quer rescindir o contrato com a gravadora. Eles literalmente chutaram a Universal, eu fiquei besta quando eu soube: Vocês chutaram a Universal, vocês tão ficando loucos?, eles: “Não tem o que fazer, os caras não iam fazer nada pela gente mesmo. Então se eles não iam fazer nada e o pouco de dinheiro que entrasse era pra gravadora e não pra gente, a gente prefere continuar sozinho, independente, e o dinheiro que entra é nosso". E hoje eu dou razão pra eles. 


Como é uma banda que todo mundo conhece, eles negociaram com o Rafael Ramos, filho do João Augusto, que foi diretor da EMI-Odeon... Hoje o Rafael é um produtor conhecido, produziu milhões de discos, é o dono da Deckdisc. A Deck é uma gravadora de porte pequeno, que conseguiu estourar a Pitty. O Rafael contratou o Vanguart, os últimos discos deles saíram pela Deckdisc: o Boa Parte de Mim Vai Embora (2011) e o Muito Mais que o Amor (2013). Ela investiu pouco, mas trabalhou bem a mídia social, aquela coisa toda, conseguiu graças aos contatos do Rafael Ramos emplacar a música na novela da Globo e o Vanguart hoje toca confortavelmente pra 3 mil, 4 mil pessoas.


Voltando à Zap'n'Roll: eu acho muito incrível que tu fazes uma atualização semanal, tipo uma revista, um post imenso, abarcando vários assuntos. Eu, por exemplo, quando tenho alguma notícia, alguma atualização pra publicar no Som do Norte, eu escrevo e já publico. Além da Zap'n'Roll, eu sei que tu estás escrevendo um livro com tuas memórias.

A Zap'n'Roll começou no Dynamite Online, um dos maiores portais de cultura pop e rock alternativo do Brasil, que hoje faz parte de uma ONG, a Associação Cultural Dynamite, cujo presidente é o André Pomba, um dos meus melhores amigos. É quase um casamento: a gente é melhor amigo um do outro e trabalha junto há 20 anos, desde que a Dynamite era uma revista impressa. Além de ser um dos conselheiros da ONG, eu sou conselheiro editorial do site e um dos editores contribuintes, recebo um salário pra isso. A Zap'n'Roll se tornou um grande projeto na minha vida e um blog muito conhecido que até o ano passado não dava dinheiro nenhum. Começou a dar de um ano e meio pra cá, por meio de publicidade. Fora isso eu sou convidado eventualmente pra ser curador de um evento, pra ser jurado de algum outro evento... Eu fui um dos cinco curadores do último Proac, um programa de incentivo à cultura criado pelo governo do estado de São Paulo já há uns 10 anos, nos moldes da Lei Rouanet. 

Sobre o livro: eu tenho histórias tão loucas na minha vida... eu não sou nada normal! Eu tou tentando me tornar mais normal agora, mas eu fui completamente anormal a minha vida toda. Durante 30 anos da minha vida eu fui completamente insano. Um amigo de São Paulo um dia me falou assim, eu nunca esqueço essa frase dele: Finatti, você já fez na tua vida coisas que Deus duvida e o diabo desconhece. Então eu conto as histórias no Facebook e um monte de gente vem conversar comigo: Por que você não publica um livro?. Na primeira versão do livro, eu fui meio preguiçoso e selecionei uns 20 posts dos primeiros 10 anos da Zap'n'Roll, tal qual eles foram publicados, com resenha de disco, as indicações culturais da semana, resenhas de shows e as histórias malucas de putaria em festival, consumo de droga, tudo. Falei com um amigo meu, o Marcelo Viegas, editor das Edições Ideal: Bicho, tou fazendo um livro, ele: Manda pra mim. Eu mandei e ele falou: Não, pera, você não tem que fazer uma compilação de posts como eles foram publicados, não interessa pra quem vai ler o livro a resenha do show de 20 anos atrás. Faz em tom de romance, com fatos reais, em ritmo de romance. E num capítulo, só as putarias e as loucuras que você viveu... Eu joguei o arquivo do primeiro livro fora e abri um novo arquivo, o livro vai se chamar Memórias de um Jornalista Junkie, só o título já diz tudo. Modéstia à parte, tá ficando sensacional. O Luiz César Pimentel, que é editor executivo do portal R7 e vai ser um dos prefaciadores do livro, já leu e falou: Meu, tá sensacional, vai dar muito rock'n'roll esse livro




* Entrevista gravada em 31.10.14 em Macapá

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

As Tias do Marabaixo: Lançada camiseta em homenagem a Tia Zezé



Nesta segunda, recebemos a primeira unidade do nosso novo modelo de camiseta As Tias do Marabaixo, em homenagem a Tia Zezé. De todas as entrevistadas para o documentário "As Tias do Marabaixo", Tia Zezé era a única que ainda não tinha sido homenageada com uma camiseta.

Isto aconteceu porque tínhamos poucas imagens de sua participação em uma festa do Ciclo do Marabaixo, que filmamos no Barracão Gertrudes Saturnino, no bairro da Favela (Macapá), e nenhuma dessas imagens com qualidade para dar origem a uma estampa de camiseta. A foto que utilizamos no modelo lançado hoje foi feita durante o quarto dia do Encontro dos Tambores 2014 - 23 de novembro, um domingo - e mostra Tia Zezé entrando no palco para dali a instantes começar a cantar com o grupo Berço do Marabaixo, que integra ao lado de diversos familiares seus. Assim como Natalina, outra de nossas entrevistadas, Zezé é filha de Gertrudes, a pioneira do Marabaixo da Favela. 

Para adquirir esta camiseta, acesse nossa Loja virtual.





Café com Tapioca nº 2: Bruna Vitória

O ano de 2014 já ensaiava os últimos acordes, quando tive uma agradável surpresa ao ler no Roraima Rock'n'Roll a republicação de uma matéria de Raísa Carvalho a respeito da cantora e compositora Bruna Vitória; o texto saíra originalmente na Folha de Boa Vista. Gostei do li, procurei ouvir o Soundcloud da garota e já na primeira faixa - "Sabe o Amor?"- decidi também fazer uma entrevista com ela. Localizei-a no Facebook, entramos em contato e poucos dias depois Bruna foi entrevistada por Victor Matheus, do próprio Roraima Rock'n'Roll (leia aqui). Pareceu-me então que o melhor era escalar Bruna para ser a segunda entrevistada da nossa nova seção Café com Tapioca - que estreou dia 15 com a sensacional Lívia Mendes (como assim, você ainda não leu?? Clique aqui agora!!). Ela adorou a ideia, e aí só faltava ela receber, na quinta, as fotos do novo ensaio que sua banda fez com Luisa Orihuela (as fotos deste post são dela, salvo indicação em contrário). Então, chegou o momento, convidamos todos a se sentar e apreciar este Café com Tapioca com Bruna Vitória. Servidos?


***


Conheci seu trabalho através da matéria da Raísa Carvalho, republicada pelo Victor Matheus. Fui ouvir seu Soundcloud e fiquei encantado com o cristal da sua voz. Me agradou muito também a única composição sua que está disponível lá, "Sabe o Amor?, em que o eu-lírico encara um final de relacionamento sem melancolia, com bom humor e até alto astral (risos). O EP que você está gravando terá mais composições suas? Quando ele sai? 

Bom, o EP é um projeto do ano passado, que infelizmente não foi concluído a tempo porque dediquei maior parte do meu tempo aos estudos pré-vestibular. Ele tem 4 músicas autorais, 2 totalmente minhas: "Sabe o Amor?", que você já ouviu, e "Eu vou roubar você pra mim"; uma em parceria com o Projeto Churras, "Ainda é tempo"; e outra em parceria com dois amigos de São Paulo, o Dandy Poeta e a cantora Roberta Campos, essa última foi fruto de uma conversa no Whatsapp. Trocamos um verso e depois a melodia e logo saiu "Amizades, amores e flores". O EP está sendo produzido pelo Fabrício Cadela, no 14 Volume Estúdio e tem previsão de lançamento até o fim deste primeiro semestre de 2015. Logo logo ele sai!



Você é de Manaus e hoje mora em Boa Vista. Por que a escolha por viver em Roraima? Como você avalia as oportunidades para jovens artistas nas duas capitais?

Eu nasci em Manaus, mas vim pra Roraima bem pequena, com 2 anos. Meu pai, amazonense, e minha mãe, cearense, vieram atrás de novas oportunidades de emprego, já que alguns familiares já estavam aqui. Quem mora há muito tempo em Roraima diz ser "roraimado" e é o que sou: amazonense, roraimada de coração. Manaus eu sei que é muito grande e tem muitos jovens artistas que talvez não tenham as mesmas oportunidades que eu tenho aqui em Boa Vista por ser menor e estar agora abrindo as portas pra nós, artistas locais, entrarmos e sermos recebidos com um abraço daqueles de mãe.

Fale um pouco da banda que a acompanha nos shows e na gravação do EP. 




Tudo começou com o Rodrigo Levino, o guitarrista. Nós fizemos o ensino médio juntos e desde a escola tínhamos a ideia de uma banda. Eu comecei cantando sozinha, apenas eu e meu violão, mas logo os convites pra shows foram crescendo e um violão não era suficiente, então começamos a por em prática o que era apenas uma ideia, a banda estava nascendo. A Silvia Cabral (violão) eu conheci cantando e tocando na igreja, nos tornamos amigas e logo ela entrou na banda também, O baixista, Fabricio Viana, conheci nos shows, atualmente ele toca comigo e com a banda Rotação Perfeita; Fabrício entrou no lugar do João Fellipe, meu amigo de longa data, que hoje é baixista da banda Projeto Churras. Na bateria, quem começou foi meu primo, Agnaldo Sanches, mas que também não conciliou a agenda e entrou o João Gabriel, que conheci no cursinho. Antes de ser banda, somos ótimos amigos.




Pelo que vi na sua página do Facebook, você tem alguma parceria com a galera do Projeto Churras?

A banda Projeto Churras é amiga e parceira porque começamos praticamente juntos postando covers no Soundcloud e depois as nossas próprias canções, e eles estão ao meu lado, literalmente, porque dois dos integrantes da banda moram juntos e são meus vizinhos. A famosa "Casa Churras", onde ocorrem os ensaios, fica quase que grudada na minha. Dividimos de farinha a canções.

Quem você convidaria para tomar um café com tapioca?

De cara eu convidaria  Ana Larousse, que foi minha maior inspiração pra começar a escrever e queria dividir isso com ela e quem sabe até aprender um pouco mais. Não poderia esquecer das queridonas Clarice Falcão e Mallu Magalhães que são grandes influências, A Banda Mais Bonita da Cidade e sem dúvida, 5 À Seco. Eu faria questão de fazer tapioca pra todos eles!






Crédito das fotos:

Abertura da matéria - foto e design: Fabio Gomes

Primeira foto de Bruna Vitória - Romeu Lima

Foto do Projeto Churras - Facebook da banda

Demais imagens - Luisa Orihuela

sábado, 24 de janeiro de 2015

@SomdoNorte Entrevista: Euterpe

2015 é um ano que já começou com grandes alegrias aqui no Som do Norte, e para citar apenas um exemplo posso dizer que tivemos a feliz oportunidade de lançar na internet o novo CD de Euterpe, Batida Brasileira 2, nosso "Disco do Mês" de janeiro. 

Nesta entrevista, a cantora e compositora roraimense conta como foi a concepção do repertório e dos arranjos, as novas parcerias, a gravação no Rio de Janeiro e fala das perspectivas para o ano que inicia. 


***


Fabio Gomes - Euterpe, você me parece ser uma das poucas, pra não dizer raras, artistas brasileiras que planejam sua carreira a longo prazo. Ao lançar em 2009 o primeiro CD Batida Brasileira, você já deixava claro que a ele iriam se seguir outros dois, sendo que o segundo está sendo lançado agora no início de 2015. Quando foi que ocorreu a você a ideia desta trilogia?

Euterpe - A trilogia é uma ideia do meu produtor Eliakin Rufino para que  eu pudesse ingressar no mercado fonográfico pensando na continuidade do meu trabalho e  na afirmação da minha identidade como cantora e compositora brasileira. Foi inspirada também em outras trilogias da música e da literatura como as cartas de Griffin e Sabine do escritor Nick Bantock, e na trilogia Refazenda, Refavela e Realce de Gilberto Gil, por exemplo. A ideia é contemplar a diversidade rítmica brasileira valorizando compositores da região Norte.




Este disco tem mais composições suas do que o anterior - são 8, sendo 6 em parceria com Eliakin Rufino, também produtor do disco. Em outra entrevista nossa, sobre o primeiro disco, você comentou que primeiro ele fazia o poema, e depois você escrevia a melodia. O processo continua sendo este? 

Num primeiro momento comecei a compor musicando as letras do poeta Eliakin Rufino, que tem muitos parceiros. Depois fui aprendendo mais sobre composição com ele e ficando mais autônoma na criação das melodias e dos temas.

E a parceria com Gilberto Mendonça Telles ("Viola goiana"), foi novamente a partir de um poema escolhido por você na antologia poética dele?

Fiz algumas músicas para poemas de sua antologia Hora Aberta e  "Viola Goiana" foi uma delas.  A poética dos violeiros do Cerrado tem uma carga de brasilidade que integra bem a proposta da trilogia.



Uma das surpresas do disco é sua estreia como letrista em "Oiseau noir", vertendo para o francês o poema "Pássaro negro"da Odara Rufino em homenagem a Frida Kahlo; a melodia também é sua. Por que exatamente a opção pelo francês nesta canção (ao invés, por exemplo, do espanhol, que talvez fosse uma escolha mais óbvia, sendo Frida mexicana)?


Em Boa Vista há uma comunidade de praticantes de língua francesa por conta do caráter cosmopolita que tem a nossa cidade. Estudei francês no curso de letras da UFRR e essa composição foi uma forma de incorporar essa língua ao meu trabalho musical. Frida Kahlo foi uma pintora brilhante, tem fãs pelo mundo todo e pode ser homenageada em qualquer idioma.

Ao ouvir "Loira Linda", o ritmo contagiante e a letra algo reiterativa me fizeram pensar em Jorge Ben. Depois que eu já havia publicado o CD no blog, me ocorreu que talvez você e Eliakin pretendessem fazer uma resposta à "Lôraburra" de Gabriel o Pensador. Vocês pensaram de fato nessas referências ao compor?

"Loura Linda" é uma resposta a "Lôraburra" do Gabriel O Pensador. O verso que diz “cabelo não é burrice, quem vê cabelo não vê coração”, deixa explícita essa referência. Essa música tem a intenção de valorizar as mulheres que nasceram e as que escolheram ser louras. É uma forma afirmativa de colocá-las como protagonistas de suas vidas e de elevar sua autoestima.

Acho que uma das primeiras músicas a serem selecionadas para este CD foi "Vagabundo", poema do Álvares de Azevedo musicado pelo Naldo Maranhão, do Amapá. Lembro que você a cantou em um programa de rádio em Manaus do qual nós dois participamos (Alta Frequência, do Sandro Abecassis, na Amazonas FM, em 15 de setembro de 2012 - veja o vídeo aqui) - aliás, a convidada era você, que teve a extrema gentileza de estender o convite a mim. Nesta canção temos presente a valorização da liberdade individual, que também é uma das principais características dos poemas e das letras do seu parceiro Eliakin Rufino. Como foi que "Vagabundo" chegou até você?

Foi uma sugestão do Eliakin que me apresentou essa música que estava guardada nos arquivos de sua coleção de MPB do Norte. Me identifiquei com a liberdade proposta no tema. Não conheço o compositor Naldo Maranhão pessoalmente, mas achei genial ele ter musicado esse poema longo com estrofe e refrão, no formato de música popular. 

Em termos musicais, o primeiro CD era bem focado numa sonoridade clássica de MPB, enquanto nesse novo disco percebo um certo diálogo com o universo pop. Isto foi algo que você planejou, aconteceu devido a influências do que você e o Eliakin têm escutado, ou mesmo foi uma sugestão do arranjador Ney Conceição?

A concepção dos arranjos musicais é do Ney Conceição, que criou saídas que valorizassem a essência da minha composição e o virtuosismo dos músicos. Quase todas as faixas do CD têm improvisos especiais. Ney é um artista experiente e a sua linguagem musical deixou meu CD mais universal. 




Por que a escolha de gravar o disco no estilo "ao vivo no estúdio" (ou seja, sem playback), como já fizeram recentemente Arnaldo Antunes e, em Roraima, as bandas Veludo Branco e Mr. Jungle (e, como aliás, Elis Regina sempre gravou)? 

Para a produção do segundo CD me senti preparada e confiante para encarar um desafio musical mais dinâmico, visceral e objetivo, optando pelo formato de gravação ao vivo no estúdio.  

Os músicos foram escolhidos por você, pelo Ney Conceição, que fez a direção musical, ou por ambos? 

A escolha dos músicos foi feita pelo Ney Conceição, que convidou para integrar a banda do CD  o baterista Lúcio Vieira, o pianista  Luiz Otávio Paixão, o trompetista José Arimatéa, o trombonista Marlon Caldeira Sette, além das participações especiais do sanfoneiro Mestrinho e da guitarra portuguesa de Vitor Geraldo Lopes Aragão.

Além desses músicos fantásticos que você destacou, o CD tem a participação de Robertinho Silva nas faixas "Coração Campeão", "O Rio é Mar" e em especial em "Sertão das Águas", de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, sendo que ele já havia tomado parte na gravação original do Milton em 1990. Como aconteceu o convite a Robertinho para participar do CD? 
  
O convite ao Robertinho Silva  partiu do Ney Conceição, e tive o presente  de ter a sua participação em três faixas do CD, principalmente em "Sertão das Águas", criando um link musical com a gravação original do Milton Nascimento. 

E por que a escolha de regravar "Sertão das águas" e de colocá-la como abertura do disco?

O arranjo musical feito pelo Ney, que tem "Vera Cruz" como música incidental, deu uma atmosfera de abertura para o CD que, associada à importância dos compositores com a força do tema de floresta na abordagem da letra do poeta Ronaldo Bastos, fez com que a música ocupasse esse espaço. Para mim é uma honra gravar uma música do Milton Nascimento, um dos maiores compositores do país, e "Sertão das Águas" me emociona profundamente.  

Na letra de "Casa de Cesária", Eliakin menciona que 'as rádios tocam/ o povo canta/ aquela voz/ que enche meu peito/ de esperança', e eu não pude deixar de lembrar uma entrevista sua de 2010 para o jornal Em Tempo, de Manaus, lamentando que as rádios de Boa Vista não tocavam música de Roraima. Houve alguma melhora nesse quadro?

As emissoras de rádio tem incluído pouco a pouco a música local na programação. A cena musical de Boa Vista está fervendo e novos artistas e bandas vêm surgindo para ocupar esse espaço.


Você tem apresentado canções desse novo disco já desde o final do ano passado. Já há previsão de quando você irá fazer o show de lançamento oficial de Batida Brasileira 2? E algo previsto para a circulação deste trabalho?

Como os músicos que gravaram o CD residem no Rio de Janeiro e com a impossibilidade de trazê-los para um show de lançamento oficial, optei por fazer o show de lançamento no formato voz e violão que aconteceu no dia 23 de novembro de 2014, como parte da programação musical do Festival Gastronômico promovido pelo Sebrae,  para o qual fui convidada. Estou em fase de negociação e agendamento do meu show para 2015 em cidades brasileiras e em outros países. 



Lançado novo modelo de camiseta d'As Tias do Marabaixo


Ontem ficou pronto o nosso novo modelo de camiseta d'As Tias do Marabaixo, desta vez destacando uma foto da Tia Zefa que tem sido muito elogiada nas exposições em Macapá. Ao lado, a camiseta e abaixo a imagem nela estampada. 

Para adquirir a camiseta, acesse nossa Loja virtual. Em qualquer tamanho (P, M, G, GG E XG), você paga apenas R$ 25 + frete.




quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Sobre a aquisição das Camisas Som do Norte


Recentemente - pra ser mais preciso, em 31 de dezembro, havíamos anunciado algumas mudanças para os compradores das camisas Som do Norte que residem em Macapá. Resumidamente, a proposta era entregar em 24h os pedidos de quem pagasse antecipado, e na segunda-feira seguinte os pedidos a serem pagos na entrega. 

Bom, passadas 3 semanas, temos a dizer que a nova forma simplesmente NÃO FUNCIONOU. Os pedidos a serem pagos na entrega continuam caindo naquele problema de a pessoa pedir, ser informada do valor e da data de entrega, e aí no dia que combinou conosco alegar não ter o valor em mãos. Aí seguem-se novos reagendamentos, novas tentativa de entrega etc. 

Então, considerando que nossos produtos são feitos exclusivamente sob encomenda, e que é muito difícil que consigamos vender para outra pessoa o produto que você encomendou (mesmo que ela queira o mesmo modelo, o seu tamanho pode ficar muito grande ou muito apertado na outra pessoa), decidimos que a partir de hoje iremos trabalhar apenas com pagamento antecipado. 

Para adquirir nossos produtos, proceda da seguinte forma:

1 - Acesse a página da nossa Loja virtual Som do Norte, e lá escolha os modelos de camiseta de sua preferência, e indique o tamanho que você veste - http://somdonorte.lojaintegrada.com.br/

2 - Também  na página da Loja virtual, você escolhe a forma de pagamento (as opções são depósito bancário; geração de boleto bancário; ou pagamento via cartão de crédito, com possibilidade de parcelamento)

3 - Iremos lhe confirmar de imediato o recebimento do pedido e lhe enviar pelo Correio a sua encomenda tão logo recebamos o valor. 
3.1 - Para clientes residentes em Macapá, vamos fazer contato para ver a possibilidade de entrega em mãos; neste caso, nos comprometemos a devolver o valor pago referente às despesas de Correio. Se a entrega for efetivada via Correio, não haverá devolução de valor parcial ou total. 



Galeria: Projeto Botequim



 Na segunda noite da temporada 2015 do Projeto Botequim do SESC Centro (Macapá), tivemos ontem os shows de Helder Brandão e Cley Luna. A temporada iniciou na terça passada com shows de Osmar Júnior e Tom Campos. Até o final de fevereiro, estão previstos shows dos selecionados do Sescanta 2014. 

Helder Brandão apresentou-se no lugar de Jerônimo Barreto, selecionado que não pôde comparecer ontem, data que lhe foi destinada. Tendo uma trajetória reconhecida em parceria com Beto Oscar, Helder interpretou canções do recém-lançado CD da dupla, São Batuques, além de sucessos da MPB como "Feira Moderna" e "Você" (esta última de autoria de Tim Maia).

Cley Luna iniciou seu show também lembrando um sucesso de Tim Maia, no caso "Que Beleza", clássico da fase Imunização Racional. O set list incluiu algumas composições próprias, além de muitos temas de Djavan e Jorge Vercillo, autores aos quais Cley já prestou seu tributo em diversas ocasiões. "Sina" e "Que nem Maré" estiveram entre as mais aplaudidas e cantadas em coro pelo público que lotou o SESC na noite dessa terça, 20. 

domingo, 18 de janeiro de 2015

Disco do Mês: Conheça o poema que deu origem a "Oiseau Noir"

Uma das novidades para quem acompanha a carreira de Euterpe é a sua estreia como letrista em seu novo disco Batida Brasileira 2, o "Disco do Mês" de janeiro aqui no Som do Norte. Na faixa 7, ouvimos "Oiseau Noir", uma homenagem à pintora mexicana Frida Kahlo. Euterpe musicou e traduziu para o francês o poema "Pássaro negro", de Odara Rufino, também autora da capa do disco (cuja imagem você vê ao lado). 

Vamos agora, na sequência, conhecer o poema original e em seguida ler a versão de Euterpe, ouvindo ao final a gravação da música. Bom domingo a todos! 


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Pássaro negro

(Odara Rufino)

Tua sobrancelha
um pássaro negro
beija minha boca vermelha
beija o céu do meu olhar.

Pássaro negro
sem nenhum medo
abre as sobrancelhas para voar.

Tua fronte
uma gaivota
na frente do meu horizonte
na frente do meu luar.

Gaivota
tua sobrancelha grossa
abre as asas para olhar.


***


Oiseau Noir
Euterpe/Odara Rufino

Letra originalmente escrita em português por Odara Rufino
Tradução para o francês por Euterpe

Para Frida Kahlo

Tes sourcils
un oiseau noir
bise ma bouche rouge
bise le ciel de mon regard

oiseau noir
sans aucune peur
oiseau noir
surcille pour voler

sur ton front
une mouette
ouvre les alles pour regarder

c'est une mouette
tes gros sourcils

c'est une mouette
tes gros sourcils
ouvre les alles pour regarder

c'est une mouette
tes gros sourcils

avant le lointain
avant le claire de lune









Odara Rufino
(fotos: acervo pessoal)

sábado, 17 de janeiro de 2015

Eis o Arquiteto fala do premiado EP Resistência



No final de 2014, a banda Eis o Arquiteto, de Porto Velho, teve seu EP Resistência premiado como Melhor Álbum no 1º Prêmio da Música Rondoniense (saiba mais aqui). Em conversa realizada por e-mail nesta sexta, 16 de janeiro, o vocalista Junior Pereira fala um pouco deste trabalho e dos planos para o novo ano. Confira!

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Ouvindo o EP, percebi nas três últimas faixas uma certa unidade, pois todas de algum modo têm temas ligados a religião (a referência mais direta sendo "Jesus, eu sei que você vai voltar. Eu continuo a Te esperar.", em Despertar). Vocês consideram este um EP temático ou mesmo conceitual? A Eis o Arquiteto poderia ser classificada como uma banda de metal cristão, ou mesmo white metal?

Não consideramos o EP Resistência como um trampo temático, pois ele contém 6 músicas que foram compostas em épocas diferentes. Cada música expressa nossos problemas, angústias, revoltas e esperanças no momento de cada criação. A construção do EP levou cerca de dois anos (2012/2014). A banda é composta por membros cristãos, todos já possuíam a crença ao entrar na banda. Sendo assim, a banda pode se dizer cristã pois os membros são.

Como rolou a participação de Junior Inácio e Mario Henrique da banda Ilusion Of Death na penúltima faixa, "Suposto Exterior Branco"?

A parceria aconteceu quando sentimos que a música pedia a participação desses dois talentosos amigos que já temos há muito tempo. Fizemos o convite, eles aceitaram, fomos ao estúdio e gravamos. Hoje a música está no YouTube e Soundcloud pra quem quiser ouvir.

Com este EP, vocês ganharam o 1º Prêmio da Música Rondoniense como Melhor Álbum no final do ano passado, em votação feita pela internet. Vocês esperavam ganhar? Quais são as expectativas e metas para 2015?

Não esperávamos ganhar, assim como também não queríamos entrar na votação. Acabamos levando o prêmio e isso foi um incentivo para produzirmos ainda mais.  Para 2015 estamos nos organizando para lançar em breve um single com o qual esperamos atrair um público diferente. Estamos trabalhando para logo começarmos a gravar um vídeoclipe e esperamos conhecer vários lugares novos tocando o EP Resistência. 


  • Faça o download do EP Resistência de graça, pagando com um compartilhamento! http://goo.gl/IweA3z

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Disco do Mês: Luiz Valério comenta Batida Brasileira 2

Em 2010, quando o CD Batida Brasileira foi nosso "Disco do Mês", publicamos aqui no blog o comentário do jornalista Luiz Valério, que foi o primeiro a resenhar o disco tão logo ele ficou pronto, ainda em dezembro de 2009. 

Eis que, quando sai o Batida Brasileira 2, adivinhem quem é o primeiro a escrever sobre o novo disco? Novamente ele, Luiz Valério! O texto foi publicado por ele em novembro em sua coluna do site Roraima em Foco, e republicada posteriormente em seu próprio blog. 

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Sobre uma bela e muitas feras



Depois de exatos quatro anos, chegou às minhas mãos na semana passada - entregue pela própria - o novo trabalho da extraordinária cantora e compositora roraimense Euterpe. Falo do CD Batida Brasileira 2. Lembro-me bem que em 2010 tive o prazer de ser um dos primeiros a ouvir o primeiro “Batida Brasileira”, quando nossa artista mais que talentosa demonstrou que chegou para ficar e conquistar seu espaço no cenário artístico-musical do Brasil. Afinada e com timbre inconfundível, Euterpe conquistou o público de imediato. Eu fiquei e me mantenho encantado.

O “Batida Brasileira 2” chega com as marcas de maturidade impressas numa jovem artista. O talento – ainda bem – é o mesmo só que mais burilado pela experiência que o tempo oferece. Em quatro anos, nossa cantora ganhou o Brasil e sua música “Pimenta com sal”, uma das faixas de maior destaque do primeiro “Batida Brasileira” foi regravada pelo menos oito vezes por artistas diversos de renome nacional.



A audição do novo CD de Euterpe enternece a todos que gostam da boa música. Gravado no Rio de Janeiro, o “Batida... 2” tem um sotaque local e nacional ao mesmo tempo, uma qualidade que impressiona, uma musicalidade belíssima. É um canto da nossa aldeia que reverbera além fronteiras. Trabalho de gente grande. Também pudera, o time de instrumentistas, compositores e técnicos que fizeram nascer a obra é de primeira grandeza.

A musicalidade e a voz de Euterpe – assim como a sua pegada como compositora – fazem dessa artista da nossa terra um caso extraordinário de sucesso local que dialoga com o nacional e o universal. Para se ter uma ideia, o “Batida... 2” tem uma linda música em francês feita por Euterpe para homenagear Frida Kahlo (compre o CD e confira).

Euterpe tem o talento e a graça das grandes musas da música nacional, como Marisa Monte, Teresa Cristina, Vanessa da Mata, Fabiana Cozza, Roberta Sá, Céu, Mariana Aydar, Ana Cañas e Marina de La Riva, só para citar algumas. Mas a nossa artista tem um timbre e um talento particular que encanta. Euterpe é a sereia da água doce que chegou para encantar o Brasil. Ela é a nossa estrela de primeira grandeza. Vale a mais do que a pena comprar e ouvir o Batida Brasileira 2.



* Publicado originalmente no site Roraima em Foco - 26.11.14
e republicado no Blog do Luiz Valério27.11.14

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Café com Tapioca: Lívia Mendes


Estreamos hoje no Som do Norte uma nova seção de entrevistas, denominada "Café com Tapioca" em homenagem ao hábito tão ao gosto dos nortistas de consumir estas iguarias, juntas, do meio pro fim da tarde (ali por 16, 17h...); além de ser uma delícia, é uma combinação muito saudável :)

Bueno, a ideia é publicar nessa seção entrevistas breves, jogo rápido mesmo, em especial com artistas ou bandas que estiverem lançando singles, EPs, clipes, ou seja, formatos curtos que casem com a ideia de brevidade do consumo de um café e uma tapioca. 

Para a estreia, não havia opção melhor do que a cantora e compositora paraense Lívia Mendes - a música que me inspirou o nome dessa nova seção foi seu single "Café Quentinho", uma delícia de canção que você ouve ao final do post ;)
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Som do Norte - Seu single 'Café Quentinho' já foi ouvido mais de 1.600 vezes em pouco mais de 60 dias, isso está dentro ou além das expectativas que você alimentava quando o lançou? O que te fez optar por começar a mostrar o trabalho autoral através da internet?

Lívia Mendes - Cara, isso é o máximo! Muito além de qualquer expectativa! Comecei esperando que meus amigos fossem compartilhar só pra dar aquela força (risos)... e de repente já tinha um monte de gente que eu nem conheço elogiando o trabalho. Fiquei surpresa quando atingi 500 curtidas nas primeiras 24h! Durmo sorrindo até hoje! Acho que esse é o grande trunfo da internet e por isso escolhi esse canal, por ser barato e de repercussão imediata. Tem sido lindo e muito gratificante.

Em breve deve sair seu primeiro EP, né? Já tem título e data de lançamento? Quantas músicas serão? E quando teremos um show seu?

Menino, esse EP tá sendo um filho! Estamos num processo de produção muito bonito e bem pessoal. Meu produtor e os músicos que estão gravando comigo são amigos de longa data, que conhecem bem meu estilo e minhas influências. Saio do estúdio sempre em catarse, muito satisfeita mesmo! O Fabrício (Bastos, guitarrista da B3) tá produzindo tudo com a minha cara e o Gabriel (Monteiro, também guitarrista) é meu arranjador preferido. Todas as músicas são minhas, mas sem eles não estariam tão redondinhas. Estamos decidindo juntos um nome pro EP, provavelmente o nome de uma das quatro faixas, mas ainda é surpresa.... (risos). Mas todo mundo vai poder escutar tudo pela internet, até mesmo pra poder cantar no show. O EP sai em março e já temos um marcado na Saraiva no mesmo mês. Também estamos fechando uma data no Sesc Boulevard pra abril ou maio.

Na 'vida real' você é tão romântica quanto o eu-lírico da letra de "Café Quentinho"?

Eu sou total e completamente o eu-lírico de "Café Quentinho"! (risos) Fiz muitas canções, inclusive essa, pro Marcelo, meu namorado. Sou romântica assumida, babona e muito carinhosa. Adoro falar, escrever, compor e cantar o amor. Durante muito tempo só compus sobre isso, depois veio um pouquinho mais de maturidade e a interferência de experiências mais amplas... fui pouco a pouco moldando meu jeito de fazer música. O mais legal é que sinto que isso só cresce, espero um dia ser tão plena como muitos artistas que gosto e admiro.

Quem você convidaria para tomar um café com tapioca? 

Eras! Tem tanta gente boa fazendo música boa nesse mundo que essa pergunta se torna dificílima! Mas se eu fosse tomar um café e bater um papo sobre música com alguém, convidaria a Mallu (Magalhães). Ela é uma boa parte das minhas influências pra esse projeto autoral e adoraria que ela me ensinasse algumas coisas com aquele jeitinho de ser.  Tem uma banda potiguar muito firme que inspirou até uma das minhas canções e com quem eu adoraria dividir experiências também, a Plutão Já Foi Planeta. Som muito bom pra quem curte um indie rock ou um folk, como eu. Aqui no Pará tá fervilhando de coisa bacana também! Eu convidaria a Liége, a Ana Clara e Juliana Sinimbú, cantoras que admiro demais e que estão com projetos excelentes atualmente. Tem também o Elder Effe, da Espoleta Blues, que tem um disco folk que amo. Eu reuniria todo mundo pra cantar no pátio da minha casa! (risos)


Crédito das fotos:
Abertura do post - Fabio Gomes (foto e design)
Foto 1 - Iury Vicenzo
Foto 2 - Ana Paula Rodrigues


quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Festival do Carimbó de Marapanim anuncia músicas selecionadas


O 9º Festival do Carimbó de Marapanim anunciou ontem as músicas selecionadas para concorrer ao Troféu Mestre Lucindo, nas modalidades Raiz e Livre:

Pré-Seleção RAIZ, ordem alfabética:

1. Agricultor com muito Amor (Grupo Sereia do Mar, Vila Silva, Marapanim);
2. A Rosa Mais Bela (Grupo Raizes do Paramaú, Maranhãozinho, Marapanim);
3. Carimbó Simples Assim (Grupo Pica Pau, Vista Alegre, Marapanim);
4. Eu Não Vou Mais Pescar (Grupo Flor do Mangue, Marapanim);
5. Miscigenação (Gupo Marajauê, Soure);
6a.  Mundo Maravilhoso (Grupo Os Originais, Marapanim);
6b. Tá Bonito (Ziza Padilha e Grupo de Carimbó, Belém)..

Pré-Seleção LIVRE, ordem alfabética:

1. Borboletinha do Mar (Renata Del Pinho, Belém);
2. Deixa Voar (Eduardo Costa, Marapanim);
3. Faceira (Milton Rocha, Ananindeua);
4. Manto de Yemanjá (Messias Lyra, Icoaraci, Belém);
5. Saudade de Um Pescador (Alexandre Lopes, Marapanim);
6a. Um Boto em Marapanim (Ocimar Moura e Rosendo Gomes, Belém);
6b. Versos e Poesias (Gilson Douglas, Marapanim).

Sobre a seleção de 7 músicas em cada modalidades, e não 6, como previsto no regulamento, a Comissão Julgadora publicou a seguinte Nota Explicativa:

A Comissão Julgadora soberanamente decidiu não desempatar músicas com mesma pontuação, nesta fase de pré-seleção para não prejudicar obras de autores de música de carimbó, nas duas modalidades, muito importantes para o conhecimento e divulgação do autêntico carimbó de excelente qualidade para o mercado musical do Brasil. (AMATUR - Associação  Marapaniense de Agentes Multiplicadores de Turismo).

O festival será realizado em Marapanim de 30 de janeiro a 1 de fevereiro. O organizador do evento, Ranilson Trindade explica:

- Nos dias de apresentação do Troféu Mestre Lucindo, modalidade Livre e modalidade Raiz, as músicas pré-selecionadas são apresentadas ao público, tendo um corpo de jurados para a escolha das duas músicas vencedoras em cada modalidade com prêmio total de R$ 8.000,00 a ser contemplado às quatro composições vencedoras.

OBS 21.1.15 - Na manhã de hoje, a assessoria do Festival informou que não será mais possível sua realização em janeiro. Nova data será anunciada oportunamente. 


segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Disco do Mês: Batida Brasileira 2





A cantora Euterpe inicia 2015 lançando o CD Batida Brasileira 2, o segundo de uma trilogia com a qual a artista promove a valorização da música popular brasileira, privilegiando o trabalho dos compositores da região Norte do Brasil. O novo CD é o nosso 33º Disco do Mês e o 7º de Roraima; o CD anterior da intérprete, Batida Brasileira, foi destaque em abril de 2010. 

Neste segundo disco, Euterpe se reafirma excelente intérprete, com timbre agradabilíssimo e afinação perfeita. Como compositora, expande as fronteiras de seu som, ao dialogar com o universo pop em músicas como “Alguém” e “Loura Linda” (ambas parcerias com Eliakin Rufino; a última remete ao Jorge Ben dos anos 1970, tanto por seu ritmo contagiante quanto pela letra em que uma mesma expressão inicia uma sequência de versos – o seu cabelo é ouro/ o seu cabelo é belo/ o seu cabelo é louro/ é lindo esse amarelo”). Outra composição com ritmo contagiante é o samba “Coração Campeão” (também parceria com Eliakin). Em “Fico com o presente”, a melodia pouco extensa exprime à perfeição a valorização do tempo presente, apontado como superior ao passado e ao futuro na letra de Eliakin Rufino. Já em “Viola goiana”, Euterpe renova a parceria com o poeta Gilberto Mendonça Telles, iniciada no CD anterior.

Euterpe também estreia no álbum como letrista, sendo sua a versão para o francês do poema de Odara Rufino “Oiseau noir”, dedicado à pintora mexicana Frida Kahlo, que sempre se manteve otimista apesar dos inúmeros percalços pelos quais passou. Outra homenageada, em “Casa de Cesária”, é a cantora Cesária Évora, de Cabo Verde; na letra, incorporando vocábulos do dialeto crioulo cabo-verdiano como “cretcheu” (pessoa muito querida), Eliakin Rufino descreve a sensação de visitar a casa onde a artista viveu em Mindelo, em março de 2012; Cesária falecera três meses antes.

Eliakin Rufino em Mindelo,
em frente à casa de Cesária Évora


A sintonia com o mundo é um traço marcante do disco, que consegue ser uma expressão regional sem jamais cair em clichês regionalistas. Mesmo na faixa de abertura, “Sertão das águas” (Milton Nascimento – Ronaldo Bastos), não há apenas bucolismo nas referências a igarapés, matas e seringais; a letra roga que não venha o fogo queimar/ nem trator correr arrastar/ pra que a vida queira pulsar e correr. Milton lançou “Sertão das águas” em seu LP Txai (1990), parcialmente gravado no Acre e em Rondônia. Robertinho Silva, que faz participação especial nesta faixa, também estava presente na gravação original.

Outro traço marcante do CD é o otimismo, seja no samba-exaltação “O Rio é mar”, homenagem ao Rio de Janeiro, seja ao falar de amor em “Alguém” ou na já citada “Coração Campeão” (toda as três de Euterpe e Eliakin Rufino) – nesta, ao amor se soma a liberdade individual (“deixei você com a corda solta/.../deixei você independente”), tema constante na obra poética e musical de Eliakin e que igualmente comparece em “Vagabundo”, poema de Álvares de Azevedo publicado em 1853 e musicado pelo compositor amapaense Naldo Maranhão; nesta faixa, Euterpe realiza uma das melhores interpretações do CD, com destaque para o fraseado quase falado da última estrofe do poema.

Natural de Boa Vista, Roraima, Euterpe começou a cantar aos 11 anos no Coral Canarinhos da Amazônia, participando de três CDs do grupo. De 2003 a 2006, morou em Manaus, sendo destaque na cena musical da cidade. De volta a Boa Vista, venceu diversos festivais e recebeu o Prêmio Produção do Projeto Pixinguinha, que resultou na gravação do primeiro Batida Brasileira (2009). Em 2011, fez turnê de lançamento do disco em todos os estados da Amazônia Legal e no Rio de Janeiro através do circuito SESC Amazônia das Artes. Regularmente apresenta-se em shows e festivais, já tendo dividido o palco com Leila Pinheiro, Eliakin Rufino e Elisa Maia, entre outros.


Batida Brasileira 2 foi gravado nos dias 14 e 15 de outubro de 2013, no estúdio Umuarama, no Rio de Janeiro, com direção musical de Ney Conceição, produção executiva de Jeferson Ghol, e tendo Ricardo Calafate como engenheiro de som. A direção artística coube ao poeta Eliakin Rufino. A ilustração da capa do disco é de Odara Rufino. Três músicos estão presentes em todas as faixas: o baixista Ney Conceição, também autor dos arranjos; o tecladista Luiz Otávio Paixão e o baterista  Lúcio Vieira. Também participaram das gravações: José Arimatéa (trompete), Marlon Caldeira (trombone), Mestrinho (acordeon), Robertinho Silva (percussão) e Victor Lopez (guitarra portuguesa). O disco se destina ao mercado nacional e internacional e tem o patrocínio da empresa Carmen Steffens, viabilizado através da Lei de Incentivo à Cultura do Estado de Roraima.